terça-feira, 22 de outubro de 2013

Paulo Affonso e Elisinha contraem núpcias

Raridade! Veja no player acima ou clicando aqui um filme de casamento no Rio de Janeiro de pessoas comuns, brasileiras, por volta de 1943.

Vai da chegada dos convidados à Igreja do Colégio Santo Inácio em Botafogo à festa! Registros de casamento só se tornariam populares a partir da década de 80 com o VHS.

Algumas pessoas registravam em Super 8 na década de 60 de forma caseira, mas ainda era pouco comum pelo valor do negativo, revelação, etc. Geralmente eram registros caseiros, feitos por algum convidado.

 Portanto, esse documento dos senhores Paulo Affonso Vasconcellos Carvalho e Elisa Lampreia Carvalho é inestimável. Está sem áudio por limitações técnicas da época, mas a filmagem não parece ser coisa de cinegrafista amador, pelas noções de cinema e do uso de bitola semi-profissional.

A elegância dos convidados não faz feio a muito do que era mostrado em Hollywood, nos seus tempos de ouro. Mesma coisa reparou o Dino Napoleão, que primeiro me enviou o link para o You Tube.

Comparando a rua que aparece com as imagens do Google Maps, parece que agora é menos movimentada. Nunca estive lá, pode ser só impressão mesmo por causa do bonde que aparece toda hora.

E eu fiquei curioso pra saber o que aconteceu ao casal. Uma pesquisada rápida tendo como dados apenas o nome deles presente na descrição do vídeo, e cheguei aos arquivos do Jornal do Brasil onde encontrei a seguinte nota publicada em 24 de abril de 2002:
Até que a morte os separou, 59 anos depois!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Posteres de Friends: arte e história

Cenógrafos de sitcoms são aqueles gênios que transformam nada mais do que um cômodo num espaço invejável. Por boa parte da década dos anos 90 e 2000 os de Friends ditaram mais moda do que muitos decoradores renomados.

Entre cores até então exóticas nas paredes a objetos de cena incomuns, como uma geladeira 50’s no apartamento de uma chef de cozinha, os pôsteres chamavam muito atenção. Independente do personagem eles eram do começo do século passado, na maioria literalmente vintage.

Era como se toda pessoa tivesse o mesmo gosto na hora de escolher o que colocar na parede. Sitcoms acontecem num universo à parte e no de Friends esses cartazes eram uma coqueluche.

Relembre seis cartazes marcantes na série, ou que merecem nota e algumas histórias sobre eles. A maioria pode, evidente, ser encontrado reproduções para compra online.

- Aux Buttes Chaumont Jouets 

Este anúncio francês de brinquedos estilo art nouveau é talvez o mais marcante em Friends. Ao contrário dos outros, continuou nas 10 temporadas ali atrás da TV no apartamento da Monica e da Rachel.

É criação de Jules Chéret, um pioneiro em cartazes publicitários. Este especificamente é datado de 1885 e graças ao show se tornou popularíssimo.

- La Machine a Coudre Parfaite, Excelsior

Da década de 20, é assinado por Jean d'Ylen para uma fábrica de máquinas de costura. De forma discreta ele aparece em quase todas as temporadas.

Ele é visto nas primeiras temporadas no quarto de Rachel quando a porta está entreaberta. Mais tarde, quando ela vai dividir o apartamento com o Joey o cartaz aparece na sala deles.

- Les Mysteres de New York- Le Matin 

Este pôster de uma cine série francesa de 1915 decorou por muito tempo as paredes do apartamento de Joey e Chandler. Quando sofreram um assaltado (Joey tentou provar a um desconhecido que cabia dentro do armário) foi das poucas coisas que o ladrão deixou.

- Programa dos Jogos Olímpicos de 1980

Ficou sobre a cama de Monica até a terceira temporada. Depois foi substituído por uma arte pop contendo Burt Lancaster e Lizabeth Scott e os dizeres “Film Noir”.

O programa cultural dos jogos russos de 1980 é um raro item de colecionador hoje. Há poucas reproduções dele na internet.

- Vendetta (Lover's Revenge) 

Nas derradeiras temporadas este pôster do filme produzido por Howard Hughes em 1950 apareceu na parede da sala do Joey, depois que Chandler muda-se para o apartamento em frente. É muito mais comum encontrá-lo com o texto “Vendetta” do “Lover's Revenge”.

- The Kiss 

A publicidade do vinho do Porto Ramos-Pinto está numa das primeiras decorações do quarto da Monica. Fundada por Adriano Ramos-Pinto em 1880, a empresa foi das pioneiras na fabricação de vinhos de forma industrial na região do Porto.

Também foi uma das primeiras a importar da França os anúncios em cartazes coloridos. O casal andrógino que aparece em Friends foi criado pelo artista francês Rene Vincent em 1925.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

“Mas li na Veja que ela está ótima!”

É isso! A revista Veja foi uma das raras publicações que teceu elogios ao desempenho da Faye Dunaway quando Mamãezinha Querida (Mommie Dearest, 1981 de Frank Perry) foi lançado na tela grande.

Dunaway ganhou sua primeira Framboesa de Ouro como pior atriz do ano por este papel. Além, claro, de ser lembrada como uma das involuntariamente mais engraçadas protagonistas que o cinema hollywoodiano já fez.

No texto, assinado por Paulo Moreira Leite e Nelson Hoineff (ela estreava ao mesmo tempo como Evita) a produção não é elogiada, chega a apontar o maniqueísmo do roteiro, mas não o desanca como a maioria da crítica fez. Elogia a atriz, mas diz que às vezes ela exagera...


Às vezes ela exagera...!

Nosferatu made in Brazil

Incrível arte do modelador 3D carioca Jorge Lopes recriando o personagem interpretado por Marx Schreck em 1922. Nosferatu nunca pareceu tão vivo (no bom sentido!).

Lopes, pelo que expõe portfólio, tem se especializado em recriar digitalmente figuras humanas. Destaco o personagem do filme de F.W. Murnau, por razões afetivas óbvias, mas ele já refez até o Chapolin Colorado.

Mais um pouco e poderíamos sonhar com um novo remake desta versão de Drácula não autorizada. A primeira foi feita em 1979 sob direção de Werner Herzog tendo Klaus Kinski como o pestilento protagonista.

A propósito, conforme já postado na Fanpage do blog, esta preciosidade expressionista está para sair restaurado e em alta definição. Por enquanto, o Blu-ray sairá só lá fora.

Veja também:

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Chicas, maletas e zumbis!

 Sopa de temas néscios temperada ao gosto do diretor espanhol Jésus Franco. La mansión de los muertos vivientes (1985) traz belas garotas, zumbis, fantasmas, Santa Inquisição, uma pontinha de giallo e quilos de nudez frontal feminina gratuitíssima.

Quatro amigas prafrentex aproveitam promoção de agência de viagem e vão ao paraíso prometido. Vão parar num decepcionante hotel à beira mar sem, a princípio, viva alma.

Como não encontram ninguém, se separam em duplas e vão para os respectivos quartos. Chance para cenas de lesbianismo naquela lógica machista: Combinam se "divertir" entre elas até aparecer algum homem!

Candy, a de peruca sintética chanel, é interpretada por Lina Romay, estrela de vários filmes de Franco e sua esposa nos últimos anos de vida. Romay também foi diretora de sexplotations de títulos engraçados como Un pito para três, El chupete de Lulú (ambos de 1985) e o inacreditável Phollastía (1987) sua versão para a série americana Dinastia.

Logo descobrirão que o lugar foi o epicentro da santa inquisição espanhola e que segundo o povo conta, na abadia em ruínas ali perto os monges zumbis fantasmas ainda promovem missas negras. E batata! Vox populi vox dei.

Há muito humor involuntário como a moça de shortinho de jeans e saltos altíssimos andando pra cá e pra lá em caminhos de cascalho. Tudo é desculpa pra ficarem peladas e/ou colocarem as aranhas no ringue...

O roteiro confuso demora pra engrenar em alguma coisa. Ganha muitos pontos quando entra em cena uma quinta mocinha morta de fome (literalmente!), presa a uma cama por coleira a fim de satisfazer o funcionário sádico do tal hotel.

Esta personagem é tão interessante e complexa que merecia ser desdobrada em outro filme. É ela também quem dará pistas sobre o tipo de arapuca para turistas que acontece ali, entre outras coisas impossíveis de contar, vitais à história que já não tem lá muitas surpresas pela frente.

No fio entre diversão e estupidez plena, lamentável o horror ficar mais na promessa após revelar uma premissa interessante. Culpa principalmente dos tais monges que preferem se dedicar a destilar misoginia a atos mais condizentes aos mortos-vivos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Não seja um quadrado

Uma Thurman pedindo para John Travolta não ser um... Quadrado em Pulp Fiction (1994 de Quentin Tarantino). Abaixo, duas fãs adolescentes descobrindo a verdade sobre Fred Flintstone como astro do rock no episódio "The Girls Night Out" de 1961.

O filme reproduz a animação do “quadrado” (Square) igual ao do desenho, mas fazer este gesto era uma coisa bem comum entre os jovens no começo dos anos 60. Aliás, muito antes até.
Em 1953, Betty Grable faz o mesmo movimento com as mãos pra explicar o tipo de peixão que atraiu em Como Agarrar Um Milionário (How to Marry a Millionaire de Jean Negulesco). Que sina!

Gíria tão popular que não precisava ser dita. Talvez os atuais coxinhas sejam os quadrados de ontem.

As Certinhas do La Dolce

Índia Potira

Brasileira
Um oferecimento Profile Chacretiano

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Uma câmera para Neo-Tokyo

Antes de ficar conhecido em todo o planeta com a obra-prima Akira (1988), Katsuhiro Otomo criou em 1983 a campanha “Push On” para a câmera Canon T70 CM. Assista no player acima, ou clicando aqui, um comercial de 30’’.


As peças levaram para os intervalos da TV e a outras revistas muitos dos conceitos visuais que Otomo explorava no mangá Akira, sucesso a partir de 1982). Pode ser considerado um ensaio para transpor o universo de Neo-Tokyo para mídias diferentes.


Ainda é perceptível a música minimalista, similar à composta por Shôji Yamashiro para a trilha sonora do longa-metragem. Uma mistura de sons acústicos com eletrônicos, como caberá a um futuro caótico.

E alguém vai se lembrar do adesivo com o logo da Canon na moto do Kaneda.  Além de mera publicidade, a relação com o diretor vinha de longa data.

O vídeo foi mostrado por Abro Paratenermascota, A Imagem, Sauce for Thoughts 
Veja também:

Com a palavra, Vampira!

Na entrevista a seguir, Vampira (sim, VAMPIRA!) fala sobre seu tempo glorioso de sucesso nacional e dos amigos famosos que teve. Amigos e amantes, sendo que relembra até do toco que tomou do Marlon Brando e o pito que deu em Elvis por ser grosseiro com mulheres.

Importante resaltar que foi concedida em 1984 e publicada na revista Touch naquela época. Antes de seu nome ser resgatado graças à cinebiografia de Ed Wood dirigida por Tim Burton em 1994.

A partir dos anos 90 até seu falecimento em 2008, geralmente ela era chamada pra falar sobre cinema B. Nesta entrevista ela é a apresentadora de TV que foi muito famosa antes de embarcar no universo dos filmes de baixo orçamento.

O interesse principal aqui, como você perceberá lendo, é que Vampira foi muito além de Ed Wood! O trabalho com o "pior diretor de todos os tempos" foi apenas uma fase, embora seja lembrada na posteridade por esta fase.

Também é delicioso conhecer detalhes dos anos 50 por quem realmente viveu lá. A lista de celebridades que ela cita é grande, além de expressões antigas como "Beard Lady" (Moças que andavam com casais amigos gays para ajudá-los a despistar fofocas).

Agradeço ao blog Vivir en Tucson que a traduziu para o espanhol e gentilmente permitiu que fosse republicada aqui no La Dolce Vita em português com leves alterações nos links remissivos. Divirta-se!

 

Nós nos encontramos com ela em um pequeno restaurante em Hollywood. Vampira, ou  Maila Nurmi (seu nome real), se tornou uma sensação na década de cinquenta. Conhecida como apresentadora de TV, atriz e confidente de muitas estrelas como James Dean, Elvis Presley, Tab Hunter e Troy Donahue, agora atende pelo nome de Helen Heaven e é dona de uma loja de antiguidades. Ela também escreve contos e, ocasionalmente, faz um cameo. O último pode ser visto no independente População 1 (René Daalder, 1986). Nós conversamos com ela sobre Hollywood, o Dia das Bruxas e os horrores cotidianos. 

- O que assusta Vampira? 
- Este século... Os ratos, morcegos, noites, aquelas coisas de tempestade não me assustam. Você me assusta com os hospitais, com câmaras de tortura, coisas assim. 

- Qual foi o seu Halloween mais memorável? 
- Lembro-me de um... Eu vivia com o meu primeiro marido em uma sala sobre uma garagem em Laurel Canyon. Os vizinhos me chamavam Irmã São Francisco, porque acolhia qualquer animal abandonado que encontrava. Conhecia todas as crianças do bairro, e naquele Halloween decidi ter iam em suas sacolas uma Coca-Cola, uma maçã, um doce, um presente e cookies. Nós esculpimos abóboras para colocar nas janelas e nos vestimos... E ninguém veio. No ano seguinte eu enviei convites de festas para 276 pessoas. 

- O que fazia Vampira antes de ser famosa? 
- Eu trabalhei por muitos anos como atendente em uma loja. Eu ganhei um monte de dinheiro, era boa de vendas. Escrevia-me a muitos testes,onde conheci pessoas muito interessantes, como a bailarina Lily St. Cyr. Também fui show girl em um show de Earl Carroll. 

- Como você criou seu personagem? 
- Meu primeiro marido, o roteirista Dean Riesner, teve a ideia de criar um personagem sexy do tipo Charles Addams. Ele disse: "Nós temos que levar Homebodies à televisão ". Depois fui para um festa - Baile do Caribe, apresentado por Lesley Horton, que naquele ano foi realizada no Teatro Aquarius. Lá conheci Hunt Stromberg Jr. (diretor de programação para KABC-TV). Eu queria fazer um programa com Charles Addams, mas ele disse:. "Não, queremos você".  Então preparamos Vampira para dar-lhe um ar hollywoodiano: Nós adicionamos um toque Bizarre (revista), colocamos salto alto, unhas longas e arranhões sangrentos em seu peito. Combinamos sexo e morte, os dois fatores principais.

 - Foi divertido? 
- Foi muito divertido. Usávamos a criatividade e recebíamos dinheiro. Isso foi ótimo.

 - Como você escolheu o nome?
 - Eu fiz uma lista... Tinha muito nomes vitorianos, mas eles não eram muito bons. Meu marido veio com o nome Vampira. No começo eu descartei, parecia um nome demasiadamente pretensioso. Outro nome descartado foi "Creeponia". Finalmente fiquei com Vampira.

Tab Hunter e casal de amigos
 - Hollywood era um lugar muito interessante nesses dias? 
- Não era mais interessante do que hoje. Você já viu Morgan Fairchild? Eu amo essa mulher.

 - Agora vemos o Fifties como "os anos dourados." 
- Naquela época os "anos dourados" foram os anos trinta. Contemplávamos fascinados O Jardim de Alá (o hotel e complexo de apartamentos de propriedade de Alla Nazimova): Esse era o centro de tudo no trigésimo Jardin e Chateau (Marmont, o hotel). Todos os que vinham para a cidade queriam ficar no Chateau. 

–  Você conheceu Tab Hunter e Troy Donahue. Como eram eles naquela época? 
- Ambos são bons atores, embora as pessoas não saibam... Troy foi um bom amigo e Tab ficou lá em casa por um tempo... Até eu fui sua “beard lady”... Antes, quando duas pessoas saiam (e queriam ser discretas) levavam junto ao companheiro uma “beard lady”  para tudo parecer mais platônico. Naquela época Tab saía com Stephanie Zimbalist. Eles eram apenas amigos, mas Tab estava muito preocupado com o que foi dito sobre ele nas revistas, você sabe ... Ah, eu adoro Tab, é tão adorável. A Confidential (revista) colocou na capa que Tab era anti-americano. Ele teria contrabandeado mercadorias para o Partido Comunista Chinês. Que era um pervertido, um ser escuro. Todo tipo de insultos sobre ele.

 - O que você pode me dizer sobre Nick Adams ? 
- Ele era odioso, detestável. Um tipo de Sammy Glick. Se ele visse que você tinha sucesso, colocava seus tentáculos sobre você e depois já não se conseguia livrar. Exceto se você tornou-se um “has-been” . 

- Elvis Presley?
 - Eu lembro de que peguei em sua mão quando ele foi vaiado na saída do Frointier em Las Vegas, em 1956 ... Eu fui um grande apoio para ele no momento. Era um homem grande, belíssimo... Mas teve muitas falhas. Ele não sabia como tratar as mulheres. Uma vez vi que tratava mal uma menina na frente de todo o mundo. Mais tarde, em privado, reprovei a sua atitude. Isso o irritou no momento, mas depois de um tempo corrigido, agradeceu-me e disse-me que seu comportamento com essa menina (e comigo) não estava correto. 

- Você saiu com pessoas conhecidas. Alguma vez você já teve que rejeitar uma proposta? 
- Fernando Lamas me ligou um dia e me convidou para comer fora. Não me pareceu apropriado para aceitar o convite, porque, embora soubesse de suas intenções, ele era casado na época. Agora eu lamento não ter ido jantar com ele, era um homem encantador. E Vince Edwards estava interessado em mim uma vez, mas eu descobri anos mais tarde. Acho que o meu amigo (que Vincent perguntou de mim) foi um pouco ciumento. 

- Nem sempre tudo foi algo emocionante. 
- Exatamente. Lembro-me de uma vez. Marlon (Brando) estava na Europa, vivendo aventuras e planejando se casar com a filha de um pescador francês. E enquanto isso eu estava aqui, pensando em sua volta, no tempo que passamos juntos. Ele estava sempre no meu apartamento. Passei horas sentada ao lado do telefone esperando que sua ligação, mas o telefone nunca tocou. Fiquei inquieta, verificando se o telefone funcionava corretamente (risos) ... Eu não podia sair com qualquer pessoa em seis meses. Em todo esse tempo eu estava lá fora, com Jimmy Dean... Não, não o chamei para sair, nós éramos apenas bons amigos. 

- Por que você acha que James Dean foi atraído por você? 
- Jimmy adorava o glamour. Todos os seus amigos tinham uma imagem glamourosa, Eartha Kitt, Ursula Andress, Vampira. Ele estava apaixonado por Pier Angeli, mas ela o deixou plantado.

 - Voltemos aos vampiros. Parece que esteve ligada a eles toda a sua carreira. 
- Me especializei. Até pela minha estrutura óssea tão dramática. Primeiro interpretei um vampiro na Broadway em Spook Scandals. Howard Hawks me levou a Hollywood para participar de Dreadfull Hollow, um filme sobre vampiros em Hollywood. Nunca chegamos a fazer. 

- Então veio Vampira. Bastante sucesso em festas a fantasia de Halloween. 
- Lembro-me de um ano que cheguei a receber mais de duas centenas de telefonemas de pessoas perguntando como se vestir de Vampira para o Halloween. No estúdio, me disseram para ligar para casa de Zsa Zsa Gabor para contar a sua empregada como obter parecer a Vampira. Liguei para sua casa naquela noite, e atendeu seu mordomo. Ele disse (imitando sotaque arrogante): "Desculpe, não posso chamar Elizabeth. Ela está muito ocupada com os pedaços do vestido da senhora Gabor.".

 - Quem foi a pessoa mais extraordinária que conheceu em Hollywood durante esses anos? 
- A pessoa mais notável que conheci não era uma pessoa. Ele era um deus que andou entre nós por um tempo. Não acho que James Dean fosse humano. Todo nós somos almas, espíritos reencarnados. Mas ele era um deus. Ele veio aqui para que nós aprendêssemos com ele.

 - O que ele teria a ensinarmos? 
- Eu acho que ele veio aqui para ensinar os adolescentes, para dizer-lhes como se comportar com seus pais.

 - Ele era uma presença forte na tela grande. 
- Eu me lembro dele enquanto se preparava para o seu papel no Assim Caminha A Humanidade (Giant). Ele raspou parte da cabeça, simulando a calvície. Andou por toda parte agachado como um homem velho. Vestia-se com roupas esfarrapadas. Quando as pessoas o viram exclamaram: "Você já viu James Dean recentemente? Parece que está com 60 anos". Ele vivia cada dia como se fosse o seu personagem. (*) 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Os Goonies encontram Ash

O quão fantástico é encontrar o gordinho de Os Goonies (1985 de Richard Donner) na contracapa do VHS de A Morte do Demônio (Evil Dead, 1981 de Sam Raimi)? Palmas aos designers da Coréia do Sul!

Asiáticos devem achar que todo mundo aqui no ocidente tem o mesma rosto... "Ei! Não é aquele carinha que tem os olhos esmagados? Talvez seja.", e ponto!

E Evil Dead tinham tão parcos recursos que são só essas fotos pra divulgação do Ash com uma garota (que não está no filme) em todo planeta. O resto do elenco já tinha abandonado o projeto, assim que cansaram das condições sofríveis na cabana.

A capa é um oferecimento Ghoul Basement

sábado, 12 de outubro de 2013

Todo mundo já foi criança. Até os Dreamlanders

Menino John Waters nos idos em que apavorava os subúrbios de Baltimore. Cresceu, cresceu e cresceu e não mudou quase nada!

Ao contrário de outros cineastas de sua geração, não ganhou do pai uma câmera Super 8 de presente na mais tenra idade. Waters treinou seus primeiros passos na arte dramática com fantoches. 

Contrariando biógrafos, sua mãe acreditava que o filme mais influente da carreira dele foi Lili (1953 de Charles Walters). Nessa maravilha do cinema camp hollywoodiano, Leslie Caron é uma menina solitária que contracena com bonecos manipulados.

O garoto assistiu Lili aos sete anos de idade e ficou interessadíssimo em contar histórias absurdas com seu próprio elenco de fantoches. Cresceu, cresceu e cresceu e não mudou quase nada!

A primeira imagem é um oferecimento Bizarro Central, a segunda Melferrer.com

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Quando a falha é de propósito

Era com certo orgulho que Billy Wilder contava ter cometido propositadamente erro de lógica em um de seus filmes e ninguém notou, ou comentou. Em Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944) aparece uma porta que se abre para fora!

Tanto em 2013 quanto em 1944 isso não faz sentido, mas serviu para a cena que ele criou ter mais tensão. Além de que, não haveria outro jeito de Phyllis (Barbara Stanwyck) se esconder num corredor de prédio e ser enquadrada pela câmera ao mesmo tempo que os outros personagens.

E conhecido pelas citações aos clássicos Hollywoodianos no que faz na TV, Silvio de Abreu cometeu o mesmo “erro” na minissérie com toques noir Boca do Lixo. Em 1990 foia vez de Silvia Pfeifer se esconder atrás da porta mágica.

Aí no caso dificilmente alguém pararia pra pensar que tem algo fora do normal. Entre tantas coisas absurdas nos treme-tremes do centrão de São Paulo, o de menos seriam dobradiças postas no lugar errado.

Veja também:
Boca do Lixo de Silvio de Abreu
A peruca da discórdia

AbFab, O Filme: Talvez sim, talvez não

Com tanta série chinfrim virando filme, porque não a britânica Absolutely Fabulous? Primeiro Jennifer Sauders, atriz, roteirista e co-criadora, declarou que não via motivo para adaptá-la ao cinema.

Numa entrevista publicada na semana passada ela teria dito que o programa iniciado em 1992 e com especiais esporádicos por anos pertence a um passado confortável. Não estava disposta a sair dele.

Chegou a usar a palavra “nunca”, o que frustrou os fãs. Ainda mais depois que a colega Joanna Lumley, a Patsy propriamente dita, afirmou que um argumento estava sendo delineado e que estaria dentro.

Na mesma entrevista Saunders ainda aproveitou para criticar a administração da BBC, canal que produziu e exibiu Absolutely Fabulous. Lamentou que na atual gestão eles estão mais preocupados com negócios do que com o fator artístico.

Enfim, nesta semana em entrevista a uma rádio da BBC, Jennifer Sauders mudou o discurso. Disse que está aberta a escrever um roteiro para um longa e que isto pode acontecer no próximo ano.

Seu maior temor é por causa das expectativas tão altas em cima de um projeto e que se preocupa em “bagunçar” a percepção que o público preserva do programa. Tem alguns projetos a serem desenvolvidos e que "Um deles pode ser o filme AbFab, eu Não sei.”.

Em 2001 a série gerou um longa metragem na França, chamado “Absolument fabuleux” (de Gabriel Aghion). Nesse filme as personagens Eddie e Patsy foram interpretadas por Josiane Balasko e Nathalie Baye respectivamente.

 No Brasil o programa foi um sucesso instantâneo ao ser exibido no canal Eurochannel da TVA em 1995. Os poucos episódios existentes na época reprisaram por anos a fio com ótimos resultados, numa espécie de efeito Chaves.

 Depois passou para o Multishow, Film & Arts e atualmente aparece nas madrugadas do GNT. Ainda na década de 90 chegaram a comentar que Cao Hamburguer prepararia uma versão brasileira do seriado para a TV Cultura de São Paulo.

Imagens são um oferecimento BBC

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

4 vezes Frances Conroy


“Dona de casa” em Crimes e Pecados (Crimes and Misdemeanors, 1989 de Woody Allen)
Ruth Fisher na série A Sete Palmos (Six Feet Under, 2001-2005)
Bootsie Carp , a empregada em Die, Mommie, Die! (2003 de Mark Rucker)
Moira O'Hara, Anjo da Morte, Myrtle Snow em American Horror Story (2011-2014)

Essa espetacular atriz estreou no cinema aos 26 anos, num papel sem nome em Manhattan (1979 de Woody Allen). Só ficaria conhecida em todo mundo aos 48 anos, como matriarca de família disfuncional na série A Sete Palmos (Six Feet Under, 2001-2005).

Aparentava ter muito mais idade como Ruth Fisher, mas isso faz parte do assombroso talento dramático. Indicada a quatro Emmy pelo papel, levou o Globo de Ouro em 2004, pela penúltima temporada.

Voltaria aos holofotes com outra série American Horror Story. Indo para a terceira temporada, ela deixou evidente que papeis muito pequenos não fazem a diferença, já que Conroy acaba se destacando de qualquer jeito.

Priorizando o teatro, também faz cinema esporadicamente. Correu o risco de ser indicada ao Framboesa de Ouro, como pior atriz coadjuvante por Mulher-Gato (Catwoman, 2004 de Pitof ), afinal, é uma excelente atriz, não uma milagreira.

 Veja também:
4 vezes Thelma Ritter
4 vezes Nancy Parsons
4 vezes Judith Anderson

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Rock Hudson e Sharon Stone juntos!

Só a fina flor! Pat Morita, James Earl Jones parecendo Don King, Rock Hudson e no colinho dele, Sharon Stone antes de qualquer merecimento de ter seu nome em destaque.

O anúncio do lançamento do VHS em 1989 no Brasil tem um quê de oportunismo mórbido, ostentando ali embaixo ser “Rock Hudson em seu último filme”. O ator havia voltado às notícias alguns anos antes como o primeiro grande astro a contrair AIDS.

A Guerra do Jogo (The Vegas Strip War, 1984 de George Englund) nem filme é! Trata-se de uma produção feita pra TV dos EUA, assim como os últimos trabalhos de Hudson.

Tinha cara de piloto para uma série estrelada pelo ator, mas não passou disso, sendo que ele faleceu no ano seguinte. Até pelo elenco conhecido, o telefilme recebeu certa notoriedade.

 La Stone tem sua primeira aparição assim, mostrando nome e as pernas. Só ficaria realmente famosa tempos depois, ao abri-las...

Ela voltaria ao tema cassino no filme dirigido por Scorsese após quase dez anos. Aquele que lhe rendeu um Globo de Ouro e sua primeira e única indicação ao Oscar.