terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Cinderela às avessas versão Hollywood

Constance Smith, "estrêla" cinematográfica da Fox, num cômodo modêlo de cloquê ornamentado de gola e reversos escoceses cujo casaco se fecha por meio de casas e botões. 
Departamento de publicidade de Hollywood era mesmo uma mão na roda pra revistas de moda de antigamente. Provavelmente esta foto é de algum filme, não de um editorial fashion.

Pra fazer seu star system ter peso, os estúdios iam fazendo manutenção nos contratados famosos e promovendo aspirantes a starlet. Emplacar uma nova celebridade equivalia a encontrar mina de ouro!

Não foi o caso da tal “Constance Smith”. A atriz protagonizou uma vida real trágica, que mais pareceu melodrama mexicano, sem nunca realmente emplacar nas telas com estrela de alguma grandeza.

Seu último trabalho foi em 1959 (O scan de moda nesta página é de 1951), um western spaghetti sem maior expressividade. Mas virou notícia em 1962 ao ser condenada a três meses de prisão por esfaquear o namorado Paul Rotha, renomado documentarista e historiador de cinema britânico.

De proporções internacionais, a Folha de São Paulo noticiou o crime na edição do dia 08 de janeiro. O mote da notícia é “diretor inglês famoso foi esfaqueado pela namorada rejeitada”, ao invés de “ex-atriz esfaqueia namorado”, mesmo ela tendo quase 20 anos de carreira, reflexo de que a carreira nunca deslanchou.

Em 1968 ela voltou a ser presa por mais uma vez esfaquear o affair, sendo agora condenada por tentativa de homicídio. Nos anos 70 eles tentaram morar juntos na Inglaterra, país dele.

Separados, Constance Smith não voltou mais para os EUA. Em depressão, teria tentado suicídio algumas vezes, além de dar entrada em hospitais fragilizada pelo vicio no álcool.

Nos últimos tempos de vida trabalhou, entre outras coisas, como faxineira. Em 2003, aos 75 anos, foi encontrada morta numa calçada de Londres, como completa desconhecida.

A segunda imagem é um oferecimento AllStar Pics

Veja também:
Imitação da arte: Calvário da filha de uma estrela
O Crime que abalou Hollywood
Tentativa de suicídio na primeira página
Atriz e coelhinha condenada por tentativa de homicídio

[Ouvindo: Little Fairy – Easy Going]

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Trevas é o limite em Skyfall

Bom tempo que não me sentia tão satisfeito com uma aventura de James Bond quando com 007 - Operação Skyfall (Skyfall , 2012 de Sam Mendes). Longa vida e morte ao agente!

 O herói está tão enfurecido com sua organização que ele mesmo poderia também ser o Silva, o vilão bizarro da vez. Como se a dualidade deles pertencessem a uma mesma pessoa.

Sam Mendes ainda quebrou a quase regra de que diretor cabeça se estrepa ao assumir franquias populares. Preservou o que tinha que ser preservado e adicionou longas camadas de sentimentos sombrios.

O tempo todo nos lembra de que nada permanece do jeito que é para sempre. Tudo nasce e morre ou morre e renasce, lado a lado, independente dos nossos interesses mundanos.

É uma coisa tão óbvia, mas mostrada raras vezes de forma tão divertida e bem filmada. Sequencias absurdas de ação intercaladas com irônica fé no maniqueísmo.

Qualquer semelhança com Nosferatu (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922 de F.W. Murnau) talvez seja mera coincidência, mas faz sentido. O solar Bond nunca esteve tão envolto em suas sombras.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mixtape #6: Going Away


Novíssima mixtape no ar! Ouça no player abaixo ou clicando aqui.

Do mesmo jeito que não sou dos maiores apreciadores de vídeo clips, não curto muito listar as faixas utilizadas. Sempre podam o poder imaginativo da música, além do trabalhão que dá.

Mas como sempre pedem, enviam e-mails e tudo, olhaí embaixo! Qualquer coisa, encare como spoiler e não leia antes de ouvir.

  • Lovebug - Orchester Lou Castell
  • O Monstro - Radio drama Teatro de Mistérios
  • Cani Arrabbiati - Stelvio Cipriani
  • The Tragedy of Bijinda - Chumei Watanabe
  • Trevas (Noite Sem Luz) - Dorinha Freitas
  • Metal Hypnotized - The Earthbound Papas
  • Nagareboshi No Dance - Yuji Ohno
  • Latin'ia - The Sentinals
  • Irresistable You - Bobby Darin
  • El Cumbanchero - Charles Magnante
  • Chop Chop Boom - The Dandeliers
  • Youkali Tango Habanera - Kurt Weill
  • Suki Sa Suki Sa Suki Sa - Nana Kinomi
  • Rumba - Nino Rota
  • Imitation Of Life - Earl Grant
Nem todas as faixas estão na íntegra. Algumas delas podem ser apenas fundo musical, mixadas com outras, etc.

Como há limitações de espaço free no Soundcloud, tenho respostado as mixtapes anteriores em conta do Mixcloud, adicione! Não dá pra trocar plenamente um serviço pelo outro porque o player do segundo é bem ruinzinho.

[Ouvindo: Spy – Yoko Kanno]

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A outra esposa de Herman Monstro

Tem lá seu lado chocante. Após todos estes anos soube-se que Lily Monstro não foi a primeira e única esposa da Família Monstro (The Munsters, 1964-66). 

No piloto (colorido!), inédito até ser bônus nos DVDs da série lançados no mercado internacional em 2007, a esposa atendia pelo nome de Phoebe. E mais! Ela era interpretada pela atriz Joan Marshall, a versátil atriz de Homicidal (1961 de William Castle).

Ela não está nada ruim, bem mais macabra do que a Lilly, mas os produtores acharam muito parecida à Morticia Addams, da série da emissora concorrente. Morticia por sua vez era calcada na Vampira, interpretada na TV pela Maila Nurmi na década de 50, mas isso já é outra história.

Também é outra história o comentado caso de espionagem industrial envolvendo Os Monstros e A Família Addams. As mães das famílias idênticas talvez configurasse o plágio de forma gritante.

 Marshal e Carolyn Jones, a Mortícia, ainda eram parecidas fisicamente, para azar da primeira que teve que dar tchau ao trabalho. Assim entrou na parada a Lily de Yvonne De Carlo com figurino similar ao da filha de Bela Lugosi no clássico A Marca do Vampiro (Mark of the Vampire, 1935 de Tod Browning ).

De Carlo, conta-se, estava decadente, deprimida, precisando pagar as contas médicas do marido. Na década de 60 a TV era ainda muito mal vista pelo povo do cinema, aceitar um personagem fixo no veiculo era preciso certo desprendimento.

 A atriz teve uma carreira “A” estranhamente rápida, que talvez algum fã possa explicar os motivos. Segundo o Refer me contou, ela foi muito popular no Brasil na segunda metade da década de 50, chegando a ter seu LP orquestrado por John Williams editado aqui.

Começando como dançarina e cantora, teve seu auge cinematográfico em papel de destaque no blockbuster Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments , 1956 de Cecil B. DeMille). Ironicamente seria agora mais lembrada como a bizarra matriarca televisiva e a tal da Phoebe entrou pra obscuridade.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

As Certinhas do La Dolce: Louisa Moritz

Caseira
[Ouvindo: Diga Que Me Ama – Sonia Delfino]

Stalkeando Tarantino, o balconista

Sabe aquelas matérias bem comuns nos portais de mexericos onde o leitor é induzido a enviar fotos dele com celebridades? Daí fulano envia junto ao Zezé di Camargo, cantoras de axé e ex-participantes de BBB a dar com um pau?

Se esse Todd Mecklem enviasse as dele (originalmente postadas no Flickr), iria de Beija-Flor pra avenida. Fechou o jogo!

Encontrou a Pam Grier no shopping Del Amo (Torrance) durante as filmagens de Jackie Brown (1997 de Quentin Tarantino). Ainda com o figurino de aeromoça e com cara de exausta após um dia inteiro de trabalho.

De camiseta de Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992 de Quentin Tarantino) tirou foto também com o chefão do filme. Em sua página pessoal; Mecklem explica uma antiga relação com o diretor.

Quando foi morar na casa da namorada na Califórnia em 1987, ela era cliente da locadora de VHS em que Tarantino trabalhava como balconista. Ficavam longas horas papeando sobre cinema, até que o rapaz sumiu do emprego.

Tempinho depois leram notícias sobre ele, agora todo paparicado por Cães de Aluguel. O reencontro 10 anos no shopping rendeu além destas duas fotos, um trabalho de figurante que acabou ficando de fora da edição final.

E sempre supus que o lance do Tarantino ter trabalhado recentemente numa locadora fosse pegadinha hollywoodiana, para deixar sua biografia mais interessante. Mas parece que realmente ele saiu de trás do balcão pra virar Tarantino.

[Ouvindo: ECT – Cássia Eller]

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Palmas para a tatuagem extrema. E só!

Curioso recorde de um filme registrado no Guinnes: Maquiagem que mais tempo demorou pra ficar pronta num dia. Façanha do filme Uma Sombra Passou Por Aqui (The Illustrated Man, 1969 de Jack Smight).

O ator Rod Steiger se submeteu há 20 horas (!!!) para que a pintura de seu corpo ficasse completa. Peladão ele aparece em poucas sequências, mas torço e braços em muitas delas.

Baseado no livro de contos homônimo de Ray Bradbury, o sacrifício todo ficou praticamente esquecido hoje. Belo, mas enfadonho, o filme caiu no obscurantismo.

Parece que escolheram as piores histórias e alinhavaram com o andarilho de corpo ilustrado (ele implora pra não chamarem de tatuagens) narrando suas desventuras futurísticas. Parece legal, mas é bem aborrecedor.

Como consta que foi um bonito fracasso em seu lançamento, nem dá pra dizer que envelheceu mal. Envelheceu como nasceu: Chato!


[Ouvindo: Red River rock – Roberto Delgado]

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Uma princesa Inca no topo das paradas

Quem sabe a maior estrela internacional do Peru, Yma Sumac dizia ser uma herdeira do império Inca. Era comum aos músicos de Exótica adotarem não só nomes estranhos, mas biografias também.

No caso dela havia mais chances de ser verdade do que a história do indiano Korla Pandit. Aquele que só foi descoberto como afrodescendente norte-americano, após sua morte. Relembre clicando aqui.

Yma Sumac foi originalmente batizada com um nome bem mais legal do que o seu artístico: Zoila Augusta Emperatriz Chavarri del Castillo! Lembra bastante o novo nome que Phoebe Buffay escolheu para si, Princesa Consuela Bananahammock.

Foi assim, envolta em mistérios e excentricidades, que, como cantora lírica das mais refinadas, conquistou enorme popularidade em todo planeta a partir dos anos 50. Arrastava multidões para ouvi-la entoando canções folclóricas e pseudo folclóricas.

No player abaixo (ou clicando aqui) ouça Malambo n°1, bizarra mistura de ritmos latinos com erudito. Quase um exercício para ela expor seu poder vocal que podia chegar a espantosos 2270 Hz.


Falecida em 2008, suas antigas gravações aparecem volta e meia nas trilhas sonoras de produções com temática peculiar, como O Grande Lebowski (The Big Lebowski, 1998 de Ethan e Joel Coen) e Confissões de Uma Mente Perigosa (Confessions of a Dangerous Mind, 2002 de George Clooney). Seus timbres também são comuns em remixes de música eletrônica.

A primeira imagem é um oferecimento artyfakt*, a segunda, Chuck T.


[Ouvindo: The Name Game – Shirley Ellis]

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

King Kong 2: Ele está com a macaca!

Se King Kong 2 / A Volta de King Kong (King Kong Lives, 1986 de John Guillermin) não aparecer em qualquer lista das maiores ideias de jerico cinematográficas, é porque este mundo é muito injusto mesmo. Obscuro, tinha vaga lembrança da sua existência.

Lembrava do SBT o anunciando junto a Superman 4 e tantas outras bombas que ele adquiriu na alavancada 80’s da emissora, pra competir com da Globo. Aliás, o King Kong e (1976) foi exibido com alarde na concorrência em 1986.

A ideia é tão bizonha que causa estranhamento logo de cara, nos créditos iniciais, os nomes do produtor De Laurentiis e do diretor John Guillermin, os mesmos do filme dos anos 70. Não é uma picaretagem qualquer, é uma picaretagem oficial!

O roteiro começa exatamente de onde acabou o anterior, inclusive com cenas dele onde aparecem os astros Jessica Lange e Jeff Bridges. Macacão é baleado, cai das Torres Gêmeas, corte, volta ao presente!

Ele está em coma, necessitando de uma transfusão de sangue para que o coração artificial possa ser usado. Sim! Todos nós, criancinhas que viam a Sessão da Tarde, choramos à toa.

Kong está mais pra cá o que pra lá, mas há chances de sobreviver. Ele está aos cuidados de Linda "Terminator" Hamilton, doutora competente (com a escova do cabelo em dia), que por sorte, tem contato com um explorador que conhece uma macaca super desenvolvida em matas selvagens sabe deus onde (eles falam, mas é tanto absurdo que não guardei o nome).

Hilário quando o novo macacão se estufa bem diante da câmera, revelando proeminentes ~ peitinhos ~. Para que não haja dúvidas de que se trata de uma fêmea, claro.

E mesmo depois de toda a merda que acontece no final do primeiro filme, eles levam essa macaca pra civilização! E mesmo depois de toda a merda que acontece no final do primeiro filme o exercito investirá pesado contra o casal Kong.

Com o agravante da fortuna que custou a operação pra salvar o astro principal ser jogada no lixo pelas maldades do exército. Mas não dá pra esperar lógica nenhuma em nada!

O grotesco embalado por uma sucessão de obviedades, como o romance entre os gigantes, assim como o da Doutora com o explorador loirinho e descolado. Os quatro (cada qual com o parceiro de sua espécie, of course) arranjam tempo pra transar, mesmo sabendo que os soldados estão na caça, por exemplo.

Listar poucos momentos estramboticamente incríveis é tarefa árdua. King Kong come um caçador (herbívoro/ carnívoro?) e depois limpa os dentes, retirando de lá o boné do cara, transito de veículos louco dentro de um depósito, humanismo exagerado entre os animais, etc.


Se você amava a música “King Kong e o Seu King Konguinho”, sucesso dos palhaços Atchin & Espirro, vai ficar completamente satisfeito com o previsível final. Acho que isso nem pode ser considerado um spoiler...

[Ouvindo: Mini Skirt – Orchester Lou Castell]

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Outro punhadinho de dias para coisas doces

E assim entramos em um ano novo! Nada menos do que o 11º deste blog!!! Nem pude, por motivos de força maior, celebrar em 2012 uma longa década de existência. Celebrando a diversidade!
Chame como quiser. Mais um ano juntos! Feliz 2013.

A primeira imagem é um oferecimento Retro-Space

[Ouvindo: Johnny Are You Queer – Josie Cotton]

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Quê que tem pra hoje, Agnetha?

Momento mocinha prendada de Agnetha Fältskog, registro por uma revista em 1973. Sua vidinha doméstica devia causar bastante curiosidade no público, visto que era casada com Björn Ulvaeus, colega no Abba .

Eu mesmo, sendo bem franco, jamais imaginei que ela tivesse uma vida além daquela dos palcos. Pensei que acordasse, vestisse roupas extravagantes com brilhos e fosse ensaiar passinhos pouco elaborados.

As fotos são um oferecimento My Abba World

[Ouvindo: Double Bass Duo – Moondog]

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Crime perfeito na noite do Oscar!

Sorte e azar andando de mãos dadas na cerimônia do Oscar de 1938. Indicada pelo segundo ano consecutivo como atriz coadjuvante, Alice Brandy finalmente ganhou por Na Velha Chicago (In Old Chicago, 1937 de Henry King)... Mas não levou!

Impossibilitada de participar da festa, a atriz não chegou a pedir a alguém para representá-la. Um desconhecido se levantou, subiu ao palco para receber e tomou chá de sumiço nas barbas de todos!

Até hoje, após 74 anos, ninguém sabe quem foi o larápio mais descarado da história da Academia, nem que fim levou a estatueta em si. Foi o primeiro e único caso parecido a acontecer!

 Reflexo de quando a entrega não era transmitida pela TV ou com maiores cuidados de registro. O crime só foi descoberto dias depois, quando Alice Brandy ligou na Academia reclamando que ainda não tinha recebido seu Oscar, esclarecendo depois que desconhecia a pessoa que o recebeu.

O site Original Prop desmente o final triste largamente propagado (inclusive no IMDB). Teriam demorado tanto pra fabricar outra cópia e fazer justiça, que ela morreu antes, em 1939, sem chegar a botar as mãos no tão sonhado prêmio.

Realmente a atriz faleceu no ano seguinte, mas, conforme a foto publicada num jornal da época, foi ressarcida. Hoje é um dos raros prêmios que sobreviveu de quando coadjuvantes eram considerados subcategoria e recebiam estatuetas de tamanho menor com plaquinha.

A primeira imagem é um oferecimento Listal.

[Ouvindo: Freedom – Anthony Hamilton]

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Ode às moças que preferem pratos frios

Vingança é dos mais antigos argumentos de uma trama cinematográfica. Do sexo explícito ao mais bucólico romance, todos os gêneros já apelaram ao famoso “Dar o troco”.

Em termos de cinema asiático (coreano, mais precisamente), então... Difícil o que não tenha! Raríssimos os que deem a outra face de boa.

Então, aparando as arestas, selecionei só quatro mocinhas que não se fizeram de rogadas. Tão parecidas que todas poderiam sair de mãos dadas, castrando, decapitando ou “apenas” descendo chumbo grosso em seus algozes.

Thriller - en grym film (1974 de Bo Arne Vibenius) – Com gigantescos olhos tristes, Christina Lindberg é a jovem muda que cai numa armadilha. Violentada e seviciada, é presa à teia de traficantes de escravas brancas ao ser viciada em heroína.

Com um olho a menos se transformará em máquina sanguinárias em busca de justiça. Nessa hora o filme perde bastante a força, mas no geral não deixa de ser interessante, até porque os suecos enxertam ousados frames de sexo explícito.

A Vingança de Jeniffer (I Spit on Your Grave, 1978 de Meir Zarchi) – Nada menos do que o filme que ofendeu moralmente John Walter segundo ele mesmo disse. Camille Keaton (neta de Buster!) é uma escritora Nova-iorquina que vai descobrir o quão perigosas podem ser as pessoas “simples do interior”.

De estrutura muito simples, quase uma hora de metragem é ela sendo estuprada por um grupo de caipiras. A outra hora é ela indo à forra contra os agressores e fim!

Já era uma refilmagem e foi refeito há pouco tempo. Não é nada demais, mas as imagens fortes de violência persistem na nossa cabeça quando ele acaba.

Sedução e Vingança (Ms. 45, 1981 de Abel Ferrara) – Novamente uma garota muda! Depois que foi atacada sexualmente duas vezes no mesmo dia, mata o segundo violador e passa a distribuir seus pedaços em sacos pretos pelas lixeiras de Nova Iorque.

Ainda sai á cata do primeiro, mesmo que pra chegar ao bandido precise mandar bala em todo e qualquer homem que cruze seu caminho. Homem ou ser do sexo masculino já que pode sobrar até pro totózinho da vizinha doida.

Usando elementos vistos nos dois comentados antes, o diretor Ferrara consegue uma beleza plástica ímpar em meio ao caos silencioso da protagonista.

Kill Bill – Vol. 1 e 2 (2003, 2004 de Quetin Tarantino) – Podemos considerar Beatrix Kiddo uma espécie de neta de todas as garotas vingativas. Grávida, vestida de noiva, ensaiando seu casamento, toma uma sova homérica do ex amante e da gangue de assassinos do qual participava.

Em coma, é violentada por décadas no hospital por quem pagasse ao enfermeiro responsável. Picada por mosquito, desperta para botar tudo em pratos limpos.

[Ouvindo: Un Monumento – Ennio Morricone]

domingo, 16 de dezembro de 2012

“Dolores Duran: Viveu e morreu do coração”

Fantástica manchete do jornal Última Hora em outubro de 1959. A cantora sofreu um ataque cardíaco aos 29 anos, após uma meteórica, mas marcante carreira como compositora e intérprete de músicas sentimentais.

 Não dá pra dizer que seu falecimento pegou todo mundo de surpresa porque um tempo antes ela havia sido internada. Continuou fumando e bebendo, até por isso condizer com a época da sua profissão.

Por uma pesquisa rápida, nota-se que impacto da morte foi muito maior na imprensa carioca do que no resto do país (embora sua perda seja eternamente lamentável a toda a música). Com a mídia engatinhando, artistas, mesmo conhecidos do Oiapoque ao Chuí, ainda eram seres regionais.

[Ouvindo: In Fiesta – Hideo Shiraki]

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

kriptonianos, ciborgues, lambada e o Homem- Aranha que nunca existiu

Pôster do projeto Spider-Man, prometendo o filme para 1986. Virou a célebre produção do herói que jamais saiu do papel!

Quando vi esse pôster pensei que se tratava daquele Homem – Aranha E O Desafio do Dragão (Spider-Man: The Dragon's Challenge, 1981 de Don McDougall). Junção de dois episódios da série 70 exibidas nos cinemas (inclusive no Brasil) como se fosse um longa.

Mas era o da Cannon Group , aquela produtora especializada em sensacionalismos cinematográficos do tipo Braddock, Desejo de Matar e Comando Delta. Tudo com a cara do SBT, que aliás, comprou um pacotão deles nos anos 80 e anunciou aos quatro cantos com toda pompa imaginável.

Por alguma manobra das boas os direitos do Superman também haviam parado nas mãos deles. Assim, Superman IV: Em Busca da Paz (Superman IV: The Quest for Peace, 1987 de Sidney J. Furie) saiu com um incrível verniz trash, destoando dos três primeiros.

Consta que foi o fracasso deste último Superman com o ator Christopher Reeve que fez com que a Cannon não produzisse O Homem-Aranha. O que, pelo pôster constar natal de 1986 e o do Super-Homem ser de 1987, demonstra ou informação errada ou absurda falta de planejamento da empresa que mandou fazer o material muito antes de realmente começar a mexer no filme.

Neste site (off)  existem várias informações como trechos do roteiro e material promocional , incluindo link para o teaser que pode ser assistido clicando aqui. A logomarca é bem parecida a do Superman.

Mal das pernas, deixaram passar os cinco anos de direitos do uso do personagem. Não sem antes tentar filmar às pressas, chegando a gastar dois milhões de dólares em cenários, até que foram informados de que expiraram e a Marvel não renovaria.

Nada foi perdido! Reaproveitaram os sets em Cyborg (1989 de Albert Pyun), estrelado por Jean-Claude Van Damme, que ainda contou com os figurinos da continuação de Mestres do Universo (Masters of the Universe, 1987 de Gary Goddard ) que também não saiu do papel.

Foi a pazinha de cal pra Cannon, que acabou perecendo com a barriga pra cima. Olha que ela ainda fez algum barulho com Lambada (1990 de Joel Silberg), mas não o suficiente...

Veja também:
O fantástico Spider-Man!
A impagável Troma

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ficha corrida de um ladrãozinho de cenas

Jerry Lewis aprendendo com quantos gibis se faz uma criança mal educada em Artistas e Modelos (Artists and Models, 1955 de Frank Tashlin). O diabinho em questão é George Winslow.

Daqueles atores mirins aposentados antes de trocar todos os dentes de leite. Sua carreira no cinema acabou em 1958, aos 12 anos.
E nesse curto espaço de tempo teve a chance de contracenar com grandes astros do porte de Cary Grant, Clifton Webb e Jane Russell. Revendo o filme de Jerry Lewis corri ao IMDB pra checar se não era o menininho que contracena com Marilyn Monroe em os Homens Preferem As Loiras (Gentlemen Prefer Blondes, 1953 de Howard Hawks ). Touché!

Com voz estranhamente rouca ele é o pequeno magnata de nome pomposo (Henry Spofford III) que a loira pensa em conquistar antes de saber da pouquíssima idade. Os dois ainda participam de uma das mais engraçadas cenas já filmadas.

Aquela sequencia quando ela está entalada na janela do navio e o garoto a ajuda a não ser pega por ladra. Ele é o corpo (coberto por um cobertor), ela é a cabeça, pra tentar enganar o velho Charles Coburn.

Um ano antes (e um ano faz toda a diferença no crescimento de uma criança), George Winslow tinha participado de outro filme com Marilyn, embora não contracenem juntos. Em O Inventor da Mocidade (Monkey Business, 1952) do mesmo diretor, é um dos amiguinhos do Cary Grant infantilizado com quem brinca de cowboy e índio.

Sobre Marilyn, teria dito em 1983 que se lembra bastante de trabalhar com ela de manhã até tarde da noite e quando estava se trocando com seus pais para ir embora, recebia sua visita no camarim. Sem maquiagem, ele tinha dificuldade em reconhecer de que se tratava da mesma pessoa, exceto pela voz.

Após deixar o cinema (teria perdido até o jeito engraçado de falar) alistou-se por anos na marinha. Voltando de lá, adotou o nome de batismo (George Carl Wenzlaff) e fez um curso de fotografia.

Teve mais sorte do que aquele outro guri que trabalhou com Marilyn em Rio das Almas Perdidas (River of No Return, 1954 de Otto Preminger), conforme você lê clicando aqui. Embora seu estrelato tenha durado bem menos.

Atualmente segue a carreira de fotografo, discreto, evitando ao máximo aparecer para relembrar seus tempos de Hollywood. Mora em Las Vegas (Nevada – EUA) e jamais se casou.


Veja também:
Hora de brincar com a tia Marilyn
Seis meninas prodígio que cresceram bem


[Ouvindo: Like Cats – Bear]

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pausa para nossos comerciais

Viva o Formicida Guanabara!

Talvez o primeiro viral de sucesso da publicidade nacional. O formicida Guanabara caiu na boca do povo em 1888 graças a uma estratégia de marketing hoje banalíssima.

Quem comprava o produto levava de brinde uma partitura com música escrita por Enrico Borgongino. Lançado no mesmo ano em que a escravidão foi abolida, a polca (sim, POLCA!) é um dos primeiros jingles compostos aqui, embora a história da música na propaganda brasileira comece alguns anos antes.

Sem letra exceto em dois momentos quando o pianista diz “Viva o Formicida Guanabara” para que todos gritassem “Vivaaaaa!”. Muito dançante, ela pegou, chegando a ser tocada nos bailes da época.

Grande façanha num tempo em que o comércio de música se restringia a apresentações ao vivo e distribuição de partituras (as de publicidade publicadas muitas vezes em jornais). Muito, mas muito antes do rádio, TV, LPs, k-7, Cds e MP3.

A bem sucedida história foi relembrada no livro Música e Propaganda de Paulo Cezar Alves Goulart. O grupo Os Matutos executaram o referido jingle numa apresentação em 2009, assista clicando aqui...

 ...E fique com ela martelando na cabeça! Ainda gruda que é uma beleza após 125 anos.

Imagem e informações são um oferecimento Vermute com Amendoim.

[Ouvindo: As Long As I Have You – Elvis Presley]

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Quase uma parisiense

Melhor cena de Hasta el Viento Tiene Miedo (1968 de Carlos Enrique Taboada): O streep da mocinha.

E cinema de horror mexicano 60's é mesmo um encanto! Esse por exemplo, além do título tão delicioso tem uma estética datada incrível.

O argumento parte daquela velha curiosidade (clichê?) sobre o que acontece em colégios restritamente para moças. Um pouco de nudez (pouco MESMO!) e certo contato com o além.

Bem engraçadinho! E é inevitável a vontade de procurar a filmografia de todas, saber que fim levaram.

Em se tratando de México, seguiram longa carreira em telenovelas. A mais ousada (Kitty) é interpretada pela Norma Lazareno, conhecida no Brasil via SBT em novelas como Carinha de Anjo (2000) e Canavial de Paixões (1996).

a foto é um oferecimento Telenovelawiki


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A casa mais cool de um vilão

Todo mundo que assiste Intriga Internacional (North by Northwes , 1959 de Alfred Hitchcock) se encanta com a residência do espião erguida no Monte Rushmore. É possível visitá-la?

Ela não existe, nem nunca existiu! Foi construída pelos cenógrafos da MGM seguindo o estilo do arquiteto modernista Frank Lloyd Wright, o mais famoso do mundo quando o filme foi rodado.

O site Jet Set Modern descreve a longa jornada envolvendo a construção do imóvel. A começar pelo fato de que a vegetação da área mostrada era extremamente sensível, impossibilitando qualquer construção ali.

Foi mais fácil e econômico construir os interiores em estúdio e a fachada como uma miniatura que depois foi adicionada à ação filmada realmente no monte. Como acreditamos na existência deste lugar o resultado é excelente para um efeito rudimentar.

Ainda sobre economia, este foi o principal motivo para que o próprio Frank Lloyd Wright não tenha emprestado seu renome ao filme. Dez anos antes a Warner Bros. o tentou contratar, e ele teria pedido 10% do orçamento, o que era fora dos padrões de Hollywood, lugar onde jamais trabalharia.

Voltando ao “Intriga”, Hitchcock vinha do (espantosamente) fracassado Um Corpo Que cai (Vertigo, 1958) e investiu forças em atrair o público médio. Aquele que mesmo distante de viver em um universo rico sente-se bem em dizer que o conhece, ou o compreende.

Assim não faltaram idas e vindas em locações luxuosas, assim como populares, reconhecíveis por qualquer um. O próprio personagem central interpretado por Cary Grant é um dos lendários publicitários bem sucedido de Madison Square.

Casas projetadas por Wright era o sonho de consumo distante para a maioria, mas recorrente. Assim veio a ideia da moradia do vilão interpretado por James Mason ser uma delas junto ao monumento esculpido na rocha, palco do grande final.

Ela segue não só o estilo das formas, mas os materiais típicos, como granito e madeira escura. O que foge da regra são as vigas de metal que a sustentam, cujo herói escalará para ter acesso sem ser visto.

Em seu interior, a decoração descreve o quão internacional são os serviços de espionagem que seu proprietário exerce. Também segundo o site, o mobiliário é em grande parte escandinavo moderno com arte chinesa, tapetes gregos flokati e artesanato latino.

Sabendo que Hitchcock tomava cuidados com a atemporalidade dos figurinos (leia clicando aqui), é provável que fizesse o mesmo com os cenários. Frank Lloyd Wright, que faleceria no ano em que o filme foi lançado, já era considerado um clássico sem riscos, embora bastante celebrado na época.

Veja também:
Pessoas que não estavam lá
A casa de Mamãe é de Morte
O que há na música favorita de Norman Bates?
O menininho que sabia demais
Figurinos modernos, filme antigo

Um Corpo Que Cai contado por cores