quinta-feira, 4 de maio de 2006

A Flor do Meu Segredo

Se um país se faz com homens e livros vou ficar devendo no último quesito... Quem me dera possuir a mesma disposição para ler livros que tenho para ver filmes. Mas vou adquirindo um ou outro para quem sabe um dia o devora-lo achando um verdadeiro tesouro escondido em minhas quinquilharias. Enquanto esse dia não vem, estão se amontoando aqui e ali, á espera da boa vontade do dono para arrumar-lhes em uma gigantesca estante. Costumo comprar nem só pela relevância do conteúdo, mas também pela arte da capa ou exotismo no caso das pechinchas em sebos. E dava pra resistir a um episódio romanceado de Charlie’s Angels onde Kelly, Jill e Sabrina são injustamente presas por policiais corruptos cheios de segundas intenções? E a verdadeira auto-ajuda de 1962 chamada “Faça Você Mesma o Seu Penteado Moderno”? Wow!!! É ricamente ilustrado! Já me apaixonei por um tipo provavelmente porque lia confortavelmente cinco livros ao mesmo tempo e em diversas línguas. Fedia de tão podre de chique. Tentei fazer igual mês passado: Asfalto Selvagem, Núpcias de Fogo, Elizabeth Taylor - Uma Paixão Pela Vida e Treinamento Prático em Action Script. Cheguei a ponto de pensar que a Engraçadinha estava dando um gotoAndPlay na Cleópatra. Devo ter outros predicados...

[Ouvindo: Contact - Brigitte Bardot]

terça-feira, 2 de maio de 2006

A Estranha Passageira

Todo filme de bandido que se preste onde eles preferem se esconder? Rio de Janeiro! Perguntei outro dia a um amigo que de Madri como ele imagina o Brasil: “Como en las películas de Hitchcock, Bossa Nova, Lucélia Santos, Xuxa, Pelé...” Quem me dera que houvesse uma retroprojeção do Corcovado no nosso dia-a-dia! Para gringo o país é um imenso Rio de Janeiro de mentirinha. Ainda! E cansei de escrever que minha língua não é espanhol ou brasilês. Mais difícil é explicar o que é rebolado depois de apresentar “Gretchen, La Reina Del Rebolado”. Sim, sim! To aculturando esse povo pro caso de quererem fazer turismo. Ele me mostrou Miguel Bosé, eu o Fábio Junior. Deve ser quase a mesma coisa. Trash por trash… Fora isso o Brasil é legal. A terra onde seu povo se acostuma com tudo. Talvez no Haiti as janelas das casas também tenham grade, as pessoas morem em barracos mas possuem carro quase do ano, TV na sala mas pedem pra vizinha guardar seu leite pra não azedar. Celular com tecnologia de ponta no bolso, mas poucos dentes na boca. Escolhemos sempre um governo incompetente que alivie nossa culpa de se dar bem a todo custo. Somos roubados e enganados praticamente a cada compra (seja do que for) e gritamos que americano é que gosta de explorar brasileiro. Em contrapartida imitamos o Jazz deles na cara dura, demos o nome de Bossa Nova e ainda somos reconhecidos internacionalmente pela “criação”. Orgulhosamente é um dos poucos países onde seus portadores de HIV recebem tratamento gratuito. Temos atores e cineastas geniais e músicos do quilate de um Chico Buarque ainda na ativa. Mas alguém no Brasil sabe disso?

[Ouvindo: I Try - Macy Gray]

quinta-feira, 27 de abril de 2006

A Dama do Cine Shangai

Gosto da Regina Casé! Desde que apareceu no Sítio do Pica Pau Amarelo com Luis Fernando Guimarães fazendo um falsificador de dinheiro. Era a primeira metade da década de 80 e eu estava lá! Tá? Sempre me encantou a semelhança com a Bruxa Má do Norte. E a Tina Pepper de Cambalacho? Roubou o livro Os Segredos de Salamandra da Wilza Carla, cliente da Phisycal, pra fazer mandinga e conquistar o seu Aramis. Isso quando não ambicionava ser ninguém menos do que Tina Tuner, ou você acha que Albertina Pimenta escolheu esse nome artístico porquê? Veio o TV Pirata, e alguns outros trabalhos solo, a maioria entrevistando o Zé Povão simpaticamente. Quanto tudo desandou foi produzir e apresentar um programa sobre árvores brasileiras em canal educativo. Era tão legal que a TV Globo também o exibiu. Ás 7 da manhã de sábado... Da fase teatral no Asdrúbal Trouxe o Trombone só ouvi falar, e posteriormente esteve nas famigeradas Pornochanchadas. “Sabe porque beijo mulher na boca, papai? Pra me sentir menos puta!” esbravejou em Os Sete Gatinhos. A cena de sexo da empregadinha espevitada com Igor, o auxiliar do cientista Wilson Grey, em O Segredo da Múmia é uma das cenas mais engraçadas que já vi em um filme. E chocantes, of course! Só decidi expor minhas fotos (mesmo com resolução tosca) no Flicker depois que comprei o seu livro Já com centenas de Polaroids. Não têm que ser obras-primas, são só imagens a serem compartilhadas com amigos! Quando pego o ônibus que passou antes pela favela quase sempre vem cheio de jovenzinhas, todas com seus filhos sentados sem cerimônia em uma poltrona ao invés do colo materno. Em pé por quase meia hora suspiro achando que é uma gente maravilhosa. Pra ser vista em um programa da Regina Casé.

[Ouvindo: Daybreak - Barry Manilow]

terça-feira, 25 de abril de 2006

Psicose

Rapar a cabeça me fez sentir a pessoa mais importante do planeta! Ouço de qualquer pessoa que passe por mim se ficou melhor ou pior, assim ou assado. Isso sem perguntar nada, e se não pergunto... Benzadeus meu cabelo cresce pra chuchu, em uma semana já dá (teoricamente) para se pentear para o lado. Na hora de usar xampu é um desperdício que impressiona! Nunca lembro que cortei. E poucos segundos depois faço exatamente o mesmo com o condicionador. Gosto de comprar xampu e condicionador, nunca espero acabar pra ter um novo, quase sempre daqueles com moreninhas no rótulo. Caso isso vá mudar a sua vida em alguma coisa, começo sempre lavando a cabeça. Já me falaram que a gente começa pela parte que mais gosta. Não é verdade.... Falando em regras de almanaque, todo brasileiro se auto-intitula um amante de banho. O que também não deve ser verdade. No primeiro friozinho mais forte arrisque respirar profundamente no ônibus voltando pra casa e depois me conta! Também desconfio dos hábitos higiênicos de quem os propaga: “MMMMM, vou tomar um banho!”, “Nossa, que calor! Hoje já tomei três banhos!”. O pior é a catinga misturada com perfume. Nunca uso perfume e prefiro que ao meu lado também não se use. Acho bizarra uma pessoa exalando odores doces, cítricos, amadeirados ou sei lá do quê pela pele. E se é pra disfarçar a falta do banhinho piora ao cubo. Tomo normalmente dois, e olhe lá! Ninguém precisa saber disso. É necessidade, não qualidade ou vantagem. Se estiver indo a um lugar a contragosto evito ir limpinho apenas por pirraça, e se fizer muito frio prefiro dormir sujo a ter chilique no banheiro, o Boris, o único que divide a cama comigo nunca reclamou. Ele mesmo toma a cada quinze dias e parece tão feliz com isso.

[Ouvindo: Man Of The Year- Len]

quinta-feira, 20 de abril de 2006

My Fair Lady - Minha Bela Dama


Fora o fato de falar mais que o índio da cobra, e muitas vezes até exprimir em palavras meu cérebro já achou outro assunto que aparentemente não tem nada haver com o anterior, sou uma pessoa bem normal. Talvez… Lá na escola, a mocinha (mas nem tanto) do departamento de marketing quando vai fechar uma matrícula e o futuro aluno quer conhecer o professor vai logo avisando: “Ele tem essa cara de loco, mas é muito competente”... Já tirei a barba ou a mudei pra mil jeitos alterei o cabelo e continua me apresentando com toda essa finesse. Tenho implicância e posso simplesmente execrar pro resto da vida quem me responde por duas vezes seguidas com “Hã?”. Ok, quando a preguiça tá braba costumo achar que duas ou três letrinhas já servem pra me expressar, e ainda abro a boca o menos possível, mas tem horas que parece ser pobreza de vocabulário do interlocutor mesmo. Nove entre dez alunos adolescentes padecem deste mal. Corrigindo avaliações teóricas já cheguei a pensar que as respostas estavam em tupi guarani. “Índia Potira?” “Presente!”. A moçadinha (palavra típica de professora de geografia prestes a se aposentar, né?) é incapaz de formar uma frase completa com o mínimo de nexo. Pras vírgulas basta dar uma salpicada aqui e ali e tá ótimo! Outro dia no MSN fui cruel “Credo, fulana! Porque você está escrevendo assim?”, “Axim comu?”. Alegou ser só hábito de usar “mensenger”. Essa nunca mais esteve on-line pra mim...


[Ouvindo: Três da Madrugada - Nouvelle Cuisine]

terça-feira, 18 de abril de 2006

Boleiros

Acho um saco futebol. Um segundo de Globo esporte que seja já me dá náuseas de desinteresse... Ponha a culpa no meu pai que morreu quando eu era muito pequeno, antes de me ensinar as regras. Os caras ficam horas vendo outros caras correndo de um lado para o outro... E daí? E brigam! Putz, quê que tem se o Coringão perdeu esta semana se vai ter outro jogo na que vem, e outro na que vem e assim sucessivamente!!! Em Itapeva (SP) um “feliz” pra comemorar a vitória do Santos foi estourar um rojão e acabou estourando a mão junto. Virou atração na lojinha de CDs do irmão.Putz, o cara mora a quilômetros (e bota quilômetros disso) de Santos e foi se estrupicar por causa deles? Confesso que fico pelo menos interessado se o Paulista (“Gaaaaaaaaaalo!!!”) ganhou porque é o time da minha cidade, mas não passa disso. Bizarro é ver um jundiaiense sacolejando de alegria porque um time de um bairro de São Paulo ganhou. Se ainda envolvesse ideologia, sei lá, até dava pra entender... E Copa do Mundo é a lesma lerda, pra vender mais cerveja a mídia engrupe o Zé Povinho de que o evento tem alguma importância para o resto do planeta. Tem tanta importância quanto qualquer outro campeonato. E só pra ser estraga prazer lá por maio, junho começo dizendo pra quem quiser ouvir: “Tomara que perca!”. Acho chato mesmo...

[Ouvindo: Bedtime Story - Madonna]

quinta-feira, 13 de abril de 2006

A Morte lhe Cai Bem

Mostro a língua pra quem vem elogiando meus atributos físicos. Qual o controle que mantive quanto á genética? Sem demagogia alguma, tudo isso virará dia menos dia fosfato e ponto. Galanteios realmente merecedores são os ganhos por algo executado por esforço e talento meramente próprios, mesmo com todas as adversidades impostas ao redor. E nem encano com a idade em estado galopante, a maioria ainda me dá 5 anos a menos do que realmente tenho. Ou dava. Desde que passei a acordar as 6h30 (!!!) para trabalhar faz um tempinho que ninguém erra. Chego á quase que científica conclusão de que (pelo menos na conservação da cútis) Deus ajuda não quem cedo madruga, mas quem dorme bastante, não importando se de dia como todos os mortais, ou se só se consegue entrar no reino de Morpheus após as sete da manhã. Continuo amando ficar acordado de madrugada (“i love night live...”) mas despertando nesse horário cruel nem todo o botox aplicado na Cher e Sônia Braga daria jeito. Só prometo nunca usar roupa de adolescente, nem namorar tal faixa etária. E claro, se algum dia aparecer na sua frente de acaju nos cabelos interna que é pura senilidade...


[Ouvindo: Rock and Birds - Cowboy Junkies ]

terça-feira, 11 de abril de 2006

Rosalie Vai às Compras

Mudo de canal ininterruptamente! Pode ser o presidente Bush alardeando a invasão marciana que eu nem qüém! As vezes os comerciais são bem mais divertidos. Principalmente absolutamente todos que envolvem a filha da Glória Pires, aquela guria com boca de coringa mal amado. Se alguém já a viu fazendo um deles que não a deixasse com cara de idiota que me diga, porque quando esse foi exibido acho que tinha mudado pro programa do Ronnie Von, que ás quartas, junto com Casamento á Moda Antiga são as únicas coisas realmente assistíveis na TV á noite. Mas voltando á filha da outra, a fulana já apareceu contracenando com um tosco Napoleão em GC pra vender gordura de passar no pão (“MMMM, então você é o mister Deli?”), levando um cata em anuncio de chinelo furreca e agora com toda a prole Pires pra jurar que uma rede de eletrodomésticos fala sério. Fala sério! Os de carro estão na categoria insuportáveis, e misteriosos porque mesmo sendo um produto caríssimo, anunciam mais que sabonete. Sempre com o subtexto de que se você não tem um deles não é cool o suficiente. Minha filha, nem andar de patinete eu sei! E aquele da Fiat onde criancinhas detestáveis falam de como imaginam o futuro? Que falta faz o Homem do Saco!!! Os de supermercados são os vitoriosos no quesito “escolhe um dedo”. Os reclames de onde compro tem o slogan “Bons motivos pra sorrir”. Caraca, então deve ser por isso que posso comprar uma dúzia de bananas mais mais beterraba, chego no caixa e desembolso R$ 50,00! Ah, sim, ta explicado! E aqueles funcionários com distribuição farta de sorrisos são igualzinhos aos que vi domingo. Outro dia pedi pra levar uma conversinha daquelas com o gerente. Se é pra ver gente trabalhar mau humorada peço pra dona da escola encher a sala de aula de espelhos e pronto!

[Ouvindo: Bette Davis Eyes - Kim Carnes ]

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Os Goonies

Sempre admirei crianças e velhos. Ambos são um porre, mas possuem suas vantagens neste planeta. E nem me refiro a andar de ônibus free. Os pequenos no contorcionismo de passar por debaixo da roleta e a galera da Corega exibindo RG como se fossem agentes do FBI. Me encanta o fato de ambas as categorias não darem patavina de bola á opinião alheia, pelo menos teoricamente. É dia do índio? Êêêêê!!! Não se tira a maquiagem de Pele Vermelha que a tia da escola cruelmente nos pintou! É páscoa? Vou passear de coelho usando uma máscara de cartolina. É absolutamente natural! Deveria haver uma lei estipulando pelo menos um dia do mês para se ir ao trabalho trajando o que bem entendesse. Tentaria conseguir de volta minha roupa de Superman. Era da marca Capitão 7 e vinha com umas polainas de plástico amarelo fingindo ser bota, e tanto a capa quanto a cueca que fica por cima (!!!) da calça eram feitas de tule vermelho. Amava chegar da escola e vesti-la pra ver TV, fazer a lição de caça, ir á padaria... Quem já soprou mais de 60 velinhas parece ganhar o crachá que o libera pra dizer o que bem entender sobre e para qualquer um. Minha avó parece ser PHD nisso. Tacou na cara de sua cunhada que ela é absolutamente ridícula. “Uma velha como tu, com a cara toda amassada usando cabelo preto! Onde já se viu?” Assim, na bucha! Detalhe, a outra havia apenas atravessado o oceano para visitá-la, no que seria (agora se sabe) a última vez que se veriam nesta vida. Se tiverem que reclamar da alface no supermercado, pode ter certeza que o gerente será chamado. No figurino nem confiança se a moda mudou ou não, sempre ficam em algum ponto de quando tinham 30 anos. Me imaginei em 2040 de costeleta, pulmão artificial, usando exatamente a mesma armação de óculos, levando pela centésima vez os bigodes da Glenda e os do Boris pra clona-los. Já tenho um cofrinho de 1,99 cheio deles. Batuta!

[Ouvindo: Tango Pra Teresa - Angela Maria ]

terça-feira, 4 de abril de 2006

Laranja Mecânica

Não uso drogas ilícitas simplesmente porque em um belo dia acordei, lindo, e vi que á minha volta só havia resquícios de personalidades moldadas no ventre da classe média burguesa. Desde que meu pai morreu, quando eu tinha 5 anos, minha situação financeiras caiu vertiginosamente, subiu, desceu, desceu mais um pouco e agora, com algumas braçadas tento pegar fôlego com a cabeça pra fora. Não posso me dar ao luxo de brincar de menino mau, deixemos isso aos pequenos de alma. Certa vez, (a um bom tempo) saindo do club onde trabalhava (No chamado circuito Bebete Indarte dos Jardins) encontrei uma amiga supostamente acompanhada por um conhecido. E lá fomos até uma cidade da região pegar cocaína, ou como chamávamos Mary Claire. Lembro dos primeiros raios do sol nos lavando a cara amanhecida, e nós ali, na porta de uma caótica favela com aviões dando rasantes em nossas cabeças. Uma longa espera até o “amigo” dela voltar das entranhas da miséria com alguns gramas. Já no caminho pra casa já mandei parar em um posto de gasolina pra usar o banheiro. Mesmo passando muito mal o dia estava só começando, e ás 11 da manhã estávamos todos de saco cheio daquele “amigo da amiga”, que na verdade (olha que perigo!) era um desconhecido que se aproximou quando nos cumprimentamos, e agora, ali depois de muita cocaína não parava de falar em peças de moto, carros turbinados, e eu apenas sonhando que aquilo tudo acabasse logo, todos fossem embora... Precisei simular um ridículo sono (!!!) súbito pra me ver livre deles e correr ao banheiro pra regurgitar centenas de pequenos pontos negros. Tal e qual o teto de um fusca 68. Fiquei desacordado praticamente 24 horas e nem sequer vi um túnel de luz na minha frente... Vaso ruim sabe como é, né?

[Ouvindo: Cuando tu me miras - Victoria Abril ]

terça-feira, 28 de março de 2006

Melhor é Impossível


Trata-se de um jogo, surgido no blog lusitano Nuvem Número 9 envolvendo outros blogueiros. Fui convidado a participar pelo meu primo Samuel Andrade. Convite feito, convite aceito. Seguem abaixo as regras, minhas principais manias e em seguida meus escolhidos:

«Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs aviso do ‘recrutamento’. Ademais, cada participante deve reproduzir este ‘regulamento’ no seu blog.»
Mania Nº1

Tudo que gosto neste mundo queria que durasse para sempre, e poucas coisas nessa vida atraem meu apreço mais que DVDs, Livros, revistas, CDs entre outras traquitanas. E que upa é conserva-los tal e qual foram adquiridos. Alguns livros mais xiquis simplesmente não os leio para não marcar ou amarelar. Com DVDs e CDs faço questão de guarda-los no estojo com os dizeres do disquinho retos. Com as letras na horizontal ou como foram originalmente criados. Não é porque seu formato é circular que podem ser guardados de qualquer maneira, não senhor! Já levantei da cama no meio da madrugada para ver se tinha guardado um DVD corretamente.
Mania Nº2

Não importa se o café é fresquinho, saindo fumacinha. Frio ou gelado, feito ontem á tarde ou hoje de manhã. Fraco, quase precisando de ajuda pra sair da garrafa térmica, ou aquela porrada de manchar a xícara. Daquela marca carerrérrérrima ou do anunciado no Programa do Ratinho, tomo sem frescura nenhuma, me sentindo o mais macho e corajoso ser do planeta.

Mania Nº3


Fotografo animais vira latas na rua quase que religiosamente. Mesmo muitas vezes sendo caninamente acusado de explorar o mundo cão literalmente quase sempre levando mordidas, emociona-me aqueles olhinhos solitários, mas livres. Já publiquei uma foto de um deles meramente para ilustrar uma matéria sobre vacina anti-rábica, o que fez seu dono reconhecer o fujão no jornal. A Glenda poderia ser uma das fotografadas se não fosse uma gata além de cores sortidas, muito sortuda.

Mania Nº4

Ok, já me convenci de que revistas no Brasil são podres, custam os olhos da cara e seus conteúdos não me satisfazem mais. Mas bancas podem ter inúmeras surpresas a cada semana, e aquele cheiro de papel novinho me faz ficar alegre! Sempre que posso, e às vezes posso diariamente, entro em três ou quatro. Faço questão de comprar a Set lá há quase 20 anos mensalmente e não em recebe-la no conforto do meu lar.
Mania Nº5

TV! Aquele objeto que amo odiar! Posso lembrar o nome de todo elenco de uma novela de 1987 e nem confiança ao atual número do meu telefone. Posso contar a programação do dia inteiro nos 10 canais abertos, foi assim que aprendi a ver as horas. Não mudando absolutamente em minha vida sei qual a novena atual da Igreja Universal do Reino de Deus, não durmo até ver que filme vai passar no Corujão e sei em que pé estão todas as tramas das telenovelas (até da mexicana mais medonha) mesmo sem assisti-las, apenas pelas chamadas. Acordo, ligo a TV e acendo um cigarro. Se ouve um hecatombe nuclear, eles devem estar anunciando...
Continuando o Jogo da Manias


Os indicados para continuar serão os donos dos seguintes endereços:

O Cafofo do Metheoro do Junior
Fragmanetos Croniquizados de Pedro Paes do Flavimar
New Alriada Express do Duende
Meu Jornal do Juliano
e o blog da Lilith


[Ouvindo: You Are My Destine - Paul Anka ]

sábado, 25 de março de 2006

Aluga-se Moças

E já se foi o tempo em que a embalagem de meias calças, com uma modelo de perfil trajando apenas a peça, me animavam! E tinha a cara-de-pau de recortar e fazer uns pequenos álbuns com elas... Até descobrir que catálogo de lingerie era a evolução da coisa em si. Com a internet e minhas coleçõezinhas x-rated cada vez mais abastada tudo ficou tão banalizado que acho gostoso colecionar, separar por categoria, cada qual em sua pastinha, mas a sua função não vai além disso. Não captei ainda se isso acontece pela fartura ou se é porque a industria cosmética evoluiu junto com a pornô. Muita depilação, silicone, luz, Photoshop, plástico... Chego a ponto de ficar alegre identificando estria em uma bunda qualquer. Juro que não estranharei quando a Princesa Fiona estiver com suas vergonhas á mostra. Não é à toa que a minha subpasta favorita hoje é justamente a “Vintage” com imagens produzidas antes de 1986. Tudo muito grotesco e selvagem como deve ser essas fotos de basfond. Me divirto pela make-up tentando descobrir de qual década elas pertencem. E não só. Dependendo do período é só associar a estética a alguém famoso do período. Nomeio algumas subcategorias inclusive com a palavra “pseudo” seguida pelo nome dos astros: Charles Bronson, Lucélia Santos, Maria Alcina, Jayne Mansfield, Vanderleia, Stallone. E óóóóóbvio as 50’s queriam ser Marilyn Monroe de cabelo (mal) desbotado e pintinha fajuta acima da boca. As das décadas de 10 e 20 me dão medo com aquelas mulheres em figurino vitoriano cedendo aos caprichos de senhores de fartos bigodes. Todos já mortos. Uma espécie de “Os Outros” da sacanagem.



[Ouvindo: Game Over - Alexa Vega]

terça-feira, 21 de março de 2006

Old Boy

E se houve uma imagem que me acompanhou a vida inteira (além do Darth Vader, claro!) foi a do papa João Paulo II chegando a um país, se ajoelhando e beijando o solo. Alimentei por anos a fio a vontade de fazer o mesmo assim que desembarcasse em Tokyo. Isso antes, bem antes de virar moda, e boa parte das multinacionais serem compradas por japoneses. Aos sábados, na TV Bandeirantes, no saudoso Japão Pop Show, dava pra sonhar um pouco. Muito raramente eles passavam animações stop motion, aliás, as mesmas exibidas também em Portugal. Elas começavam com “mocachi, mocachi, mocachi,”, e uma voz na nossa língua ia traduzindo: “Era uma vez...”. Hoje as programações matinais das TVs abertas ou fechadas estão abarrotadas de animés, e não só japoneses, mas coreanos e chineses estão aqui e ali, com suas caras amarradas e nada de sorrisos, mesmo que amarelos. Gelo ao entrar em lojinha “a partir de 1,99” de compatriotas da Gong Li. Pensou se essa gente encana que você roubou algo? Vá se explicar em mandarim que eu quero ver! E se lutam kung fu? Pensou? Comprava cigarro em um boteco e o chinesinho (sempre no caixa) ficava segurando o maço e avisava: “É dois leal!” TODO SANTO DIA!!! Tonto que sou, já entrava mostrando os dois reais, até o dia em que encrespei sem o mínimo medo de receber um shaolin kick em contrapartida... Outra vez fui em outro pra comprar isqueiro. Só lá dentro notei que a dona devia de ter (sendo otimista) uns 283 anos, tipo o Pai Mae de Kill Bill. Na hora (e você sabe, né? A gente pra pré julgar é 1, 2, 3!) pensei que não devia nem saber falar português. “Bom dia! (insisto sempre em bom dia, por favor, obrigado, quem sabe um hora eles...) a senhora tem isqueiro?”, e ela “É puzá?”, “Isqueiro, minha senhora, quero um isqueiro”, e ela cada vez mais alto “É puzá?”. Hi, cacete, puzá deve ser isqueiro em mandarim... “Isqueiro! Isqueiro!”, “Puzá, Puzá”. Até que vi uns paraguaios na vitrine e apontei pra eles: “Isqueiro, Bic!”, aí ela: “No! Este no é Bic e custa dois leais. O Bic é só puzá aqui dentlo!”. Comunicação realmente é tudo nesse mundo globalizado...



[Ouvindo: Nós - Cássia Eller ]

terça-feira, 14 de março de 2006

Os Brutos Também Amam

Rôo as unhas da mão e nas do pé uso Trim. Preciso que alguém instale o botijão de gás porque tenho medo dele. Pulo da cama todo santo dia pra recarregar de cafeína meu organismo. Já dei porrada em gente desinteressante só pra voltar pra casa com um desaforo a menos na mochila. Hoje minha paz não tem preço. Longe do que imaginei um dia, bem perto do que mais me é conveniente. Muitos quando crescessem queriam ser o Macgyver, bombeiros, Rambo, astronautas, o Juba ou o Lula... Eu queria ser Paulo César Pereio. A persona dele em dezenas de filmes das décadas de 70 e 80 sempre me pareceu a de um devasso incorrigível e sem a mínima sombra de culpa em seu niilismo. Figurinha fácil nas noites de sexta da finada TV Manchete resolvia seus problemas conjugais com um “Porque eu te amo, porra!” e ponto. Não precisava de muito mais para que qualquer atriz habitué da rua Aurora fosse a seus braços na mais desavergonhada volúpia em 35 mm granulado. Bom vivant sem um puto no bolso com aparentes graus etílicos á frente de qualquer um de nós, era do tipo que dava surra de pinto e ainda roubava os cigarros vagabundos. Independente de que história se desenrolava, Pereio sempre foi brilhante interpretando ninguém menos que Pereio. E isso jamais foi problema. Provavelmente único astro cinematográfico genuinamente brasileiro que possuímos. Ou possuíamos, já que é difícil imagina-lo nos atuais filmes, cada vez mais com cara de novela das oito. Entre as milhares de lendas a seu respeito está a de que mascava cebola quando tinha de beijar Sônia Braga em cena porque a detestava. Dia desses, naquele programa do Abujamra, desmentiu que mascava cebola...



[Ouvindo: Duvet (accoustic version) - Boa ]

segunda-feira, 6 de março de 2006

A Má Educação


E é bacana quando acidentalmente se deixa escapar um preconceito medonho em um bate-papo qualquer e ouve-se eco na outra pessoa. Nem sou de ter muitos, não senhora... Mas, como todo ser humano, possuo uma meia dúzia. Como todo ser humano, tento escondê-los, mas também entender sua lógica, quase sempre refletida em mim. Queria ter mais simpatia por lésbicas... Achar lindo duas menininhas de mãos dadas trocando bitocas em pracinhas menos pudicas. Tenho a impressão de que não tardarão a serem grossas, dando barraco a qualquer momento. Um azedume congênito. Da mais feminina à tiazona caminhoneira, todas possuem um eterno palito Gina no canto da boca. Quando perguntaram à Cássia Eller por que sempre mostrava os seios, disse que era porque não tinha pinto, senão sairia em carro aberto mostrado o cacetão pra todo mundo. Gosto de atitude... Na mídia. Outro pré-conceito? Gordo! Quando vejo um gordo subindo com dificuldade no ônibus me controlo para não gritar: “Puta que pariu, pra quê comer tanto?”. E argh se senta ao meu lado nos bancos de trás!!! Minha claustrofobia vai a mil. Janela, eu e um gordo. SEMPRE! Ele senta ali, bloqueando o corredor, pra ocupar dois lugares... E com as pernas abertas pra tentar um terceiro! Acho que os mais gritantes são só esses mesmo, gordos e lésbicas. Ah é, tenho com maconheiros, dançarinas de axé, domadores de circo, padres, pastores e crentes (que estão podendo), mas isso já é pós-conceito, e desses não discuto, fujo!


[Ouvindo: Canción Del Mariachi (Morena de Mi Corazón) - Los Lobos with Antonio Banderas]

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Blow Up – Depois Daquele Beijo


Dia destes estava assistindo aquele programa sobre livros que passa na TV Cultura. O que a gente não faz por amor, né? É aquele apresentado pela mais sem graça das lesbiquinhas de uma novela do Manoel Carlos, lembra? Pois é, não deu pra segurar o riso ao ver uma matéria sobre um desses gênios modernos das letras brasileiras. Tão inesquecível que não faço idéia de seu nome agora! A digitadora falou que era pedir muito descrever seu patrão. Ela, como quem não quer nada, mas querendo, óbvio, dar mais ar de cult ao pobre sujeito, deixou escapar que seu trabalho era necessário porque o escritor só escrevia à máquina... Nem faz tanto tempo assim que leigos achavam que bastava apertar um botãozinho para se perdia tudo no PC, e aí, ter outra brilhante idéia só na próxima aparição do cometa Halley... Ou insistia-se na máquina (verdadeira ferramenta de tortura física!) para firmar-se como caricatura de autor sério. O tempo passou e muitos mitos literários e informáticos foram consumidos pela terra. HD queimar, nessa vida, só vi duas vezes até agora. Uma foi há algumas horas de se fechar a edição especial de trinta e cinco anos da Folha do Sul. Pernas pra que te quero refazer tudo o que estava no disco rígido principal da rede. Nem tivemos tempo para chorar sobre os bits derramados. A outra foi semana passada aqui em casa. Justo quando fui (olha só que zica!) reinstalar o Nero para fazer backup dos meus arquivos. Nos anos de janela desde a época do finado Matusalém (que, se você for habitué daqui, deve-se recordar da ínfima cyber-saúde dele) aprendi que nessa área sempre há um jeito... Sempre se o problema não for no HD! Danaram-se TODAS as fotos que tirei nestes últimos seis meses. Milhares graciosas com a Glenda, o Boris, outras tantas enfadonhas da cidade, a escola, aliás, ex (!!!) escola, alunos, ex-alunos, amigos, quase inimigos e do cotidiano em geral. Sabe quais me restaram? Aquelas ali ao lado, que estão postadas no Flicker! Oh! Isso não deve ser nem 1% delas... Os originais das artes que faço aqui para o blog, arquivos com resolução muito mais alta, simplesmente pararam de existir. Triste como uma película da Libertad Lamarque... Nem vou mais tocar nesse assunto pra não me deprimir mais. Agora o Bruce tá com 80 Gigas livres da silva, prontos para o batente. Se você tiver uma foto bem bacana, ou nem tanto, do carnaval, manda pra mim que você pode ganhar sabe o quê? Absolutamente NADA! Ou melhor, será agraciado com a publicação aqui, juntamente com um comentário esculhambador em um dos próximos posts. Vale a pena! Quanto mais fotos, mais chances de ganhar!!! Envie a sua agora mesmo para miguelandrade100@gmail.com e comece a torcer desde já!



[Ouvindo: O Cordão - Chico Buarque]

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Um Sonho Sem Limites



E se a TV virou um ralo aberto em minha sala, tá valendo a máxima de que, se as coisas não andam bem, pode esperar que vão piorar mais um pouquinho. E nem tô podendo ter TV a cabo nem muito menos a rabo! Aquele pequeno cabinho que nos dá tanta alegria, como diria Homer Simpson. E que invenção do capeta as tais retransmissoras locais! Ux! O Roberto Marinho daria 32 voltas no túmulo assistindo à TV Tem. Alguma criatura achou que Jundiaí é pertinho de Sorocaba, então é de lá que vem a produção local da Globo. Os apresentadores do Tem Notícias (uma espécie de SP TV) estão naquela qualidade entre jornalzinho escolar e rádio comunitária. Outro dia a apresentadora, vendo algo triste, tascou um “Aaaah, judiação...” Estudou (tomara!) quatro anos pra ir à TV falar “Aaaah, judiação...”. Mas clássico mesmo é nas tardes de sábado. Anote! Jogo de Cintura poderia na boa ocupar a vaga do TV Pirata. Começando pelas apresentadoras, duas “madamas” no melhor estilo interiorano, que acabaram de se esbaldar comendo ovo frito com rabada e estão ali, de perninha cruzada, arrotando peru. Quase não se contendo por estarem aparecendo na Globo. Mesmo que a local... Uma a cara da Dona Jura e a outra com uns dentinhos salientes. Aposto uma maria-mole (com balão na ponta) como essa sua peculiaridade dentária se deve ao hábito feio de chupar chupeta até tarde! Lá a receita das chinfrins madalenas vira madeleines... Tá? A moçoila dos dentinhos, mesmo quase fanha, ainda faz a narração de umas vinhetas mostrando as mais longínquas cidadelas cobertas pela tal TV Tem. “Itapiroca da Serra preserva sua forte cultura e amor à terra, de olho na modernidade.” Vê-se uma bucólica pracinha com um cachorro se coçando, parecendo até foto. Só falta passar na tela um tufo de palha sendo levado pelo vento como nos filmes de cowboy. Daí encerra toda orgulhosa: “Itapiroca da Serra está na TV Tem!”. Azar o dela...


[Ouvindo: Mount Sims – How We Do]

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Uma Loira Por Um Milhão



O carnaval de 2005 foi trash como todo carnaval deveria ser ou é. Fui a um lugar absurdo, no meio do nada, com uma cantora de um quê trágico tal qual a Cherry de Bus Stop. Entre uma marchinha e outra, dava alguns chutes para colocar a iluminação capenga no seu lugar. Animadíssima em sua minúscula roupa de oncinha, como se aquele palco côncavo, ameaçando cair a cada pulinho seu, fosse o mais glamuroso de Las Vegas. Ou se ria ou chorava por toda pobreza humana. A certa altura da noite, ouvi de uma senhora, daquelas de fala grossa, camisa dobrada na altura do cotovelo e cabelo repicado: ”Que pena que hoje ela tá cantando sambas. Bom mesmo é quando canta Madonna. Mostra até os peitos...” E não seria eu mesmo se, após alguns graus etílicos acima da sociedade, não ficasse munido daquela piedade de quem vai a partir dali salvar o planeta e aproveitasse o intervalo para ir cumprimentar a “cantora” pelo maravilhoso show e, claro, avisar que não arredaria o pé dali se não a ouvisse cantar Madonna. E foi constrangedora a honra de, perante tão ilustre platéia que acabara de se esbaldar com “encaixa, encaixa, encaixa, remexe e agacha”, ter La Isla Bonita dedicada só pra mim!


[Ouvindo: Danny Elfman – Augustus Gloop Song]

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

A Morte e a Donzela



Já me choquei menos com a associação da beleza com a mais sóbria burrice feminina. Claro que inteligência é relativíssima, e me parece ser uma questão de valores. Não se perdoa, claro, um universitário que não consiga ler e entender um texto simples, e não são poucos. Ou aquele nerd que teve sua cueca puxada até o pescoço nos intervalos do ensino básico e, ao entrar na faculdade, adere entusiasticamente ao uso da maconha para tentar se tornar menos imbecil. Liberem a maconha e passarão a dar a bunda! Se ainda não o fazem, of course. Mas eles não me irritam mais que a mocinha possuidora de ancas de matrona e está certa que isso já lhe basta para se dar bem na vida. Fico com as marafonas da esquina, mais autênticas no uso financeiro dos seus atributos. A burrice masculina aparenta ser mais camuflada, até por meio de sobrevivência social. São eles que arquetipicamente irão prover o sustento da família, enquanto a finada beldade terá que lavar, passar, amamentar e, sonhando com seu passado glorioso de ex-quase-rainha da uva, esperar o papaizinho chegar em casa, cheirosinha. Aqui ainda é assim... Tinha um conhecido que se encantava com o gênero e tascou-me, como bofetada, quando indaguei como podia travar um mínimo diálogo: "Pra discutir o novo filme do Almodóvar, tenho amigos como você". Estamos chegando já já à década de 50!


[Ouvindo: Edith Massey - Big Girls Don't Cry]

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Crepúsculo dos Deuses


Momento dignidade já! Histórias do mundo real dos famosos costumam ser divertidas. Mundo real seria aquele que, para preservar convenções, fica fora de qualquer mídia. De boca em boca, ou daquele conhecido que teve um encontro acidental com aquele cara que foi naquele programa não sei quando, chegam os mais diversos causos. Verdadeiros ou não, todos maldosos! A Marieta Severo detestaria ir ao programa do Jô Soares. Tinha implicância mesmo, porque na estréia do programa dele no SBT, ela era uma das entrevistadas e, assim que se sentou, ouviu a famigerada pergunta do gordo: "Como é ser casada com Chico Buarque?". Suas décadas e décadas de trabalho na dramaturgia ficaram ali relegadas perante sua vidinha matrimonial... Durante um tempo preferia não divulgar seu trabalho a enfrentar tal acinte novamente. Houve um diretor de notórias pornochanchadas em décadas remotas que passou por algo parecido. Com novo trabalho na praça, foi ao programa da Ione Borges e, por erro da produção, esperou quase 8 horas para entrar no ar. Quando conseguiu, a apresentadora perguntou-lhe como se sentia em, depois de só fazer filmes infantis, passar agora ao cinema adulto. Wow! E umas amigas de neurônios ausentes encontraram a Betty Faria em um hotel e correram puxar o saco. Mas presta atenção: não estavam atrás da mitológica Rainha da Rumba de Bye Bye Brazil, ou de tantos outros magistrais trabalhos no cinema, teatro e TV brasileira, mas da malvadona da novela das oito. Nem idéia do nome da atriz certamente tinham! Pediram pra tirar foto e foram simpaticamente atendidas, até que uma mais afoita pediu um beijo. Recebeu peremptória recusa, porque a estrela estava saindo para um espetáculo e não queria estragar seu make-up. Betty já passou faz tempo dos 50, na foto nota-se que a tal pintura deve ter-lhe custado horas e horas, e as instantâneas ex-fãs número 1 ainda saíram espalhando cobras e lagartos da "antipática". E a Hortênsia, que teria dito na década de 80 que Itapeva era uma fazenda? Quando foi lá participar dos Jogos Regionais de 1985, ouviu em coro da torcida: "Olê! Olá! Se Itapeva é fazenda, a Hortênsia é a vaca!". E quando eu era mais pirralho, tentei deixar a então primeira-dama do país, Ruth Cardoso, em maus lençóis, só de pirraça, com uma série de perguntas estúpidas. Não consegui nem fazer a segunda. Saí de lá achando ela o máximo, inteligente pra chuchu e ponto! Sem nenhuma história infame para a posteridade...


[Ouvindo: Ná Ozzeti - Atlântida]

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

O Inventor da Mocidade



Professora Lígia foi a santa mulher que, em épocas de ginásio e colegial, cumpriu a façanha de me fazer achar alguma graça naquilo ali. Sambei bonito em praticamente todas as matérias sempre. Era tão enfadonho ficar sentado ali, naquele frio, ouvindo sobre os afluentes do Solimões, paroxítonas, raízes quadradas... Hoje em dia isso me é de uma utilidade avassaladora! Só não aprendi onde entram o W e o Y no abecedário! Lígia e suas aulas pra frentex conseguiam me tirar o sono. Era um grande teatro em que às vezes metade da classe era os senhores feudais, em outras, escravagistas... Nunca tive cadernos em dia com nada, quando os tinha, mas em suas aulas isso nunca importou muito. Bastava prestar atenção e touché! Poucas vezes tirei menos que 10 em História. E pra começo de conversa, sempre disse que o que menos importa é decorar datas e, sim, os fatos. Tá? A necessidade é a mãe das invenções, era outra frase brilhante (se é que era dela). Andei tendo um destes lampejos ontem. Pode não revolucionar o mundo, mas hambúrgueres congelados retangulares me dariam menos preguiça de comê-los. Uai, não é quase este o formato de um pão francês? Filãozinho, cacetinho, chame como quiser... Aquelas bordas saltando só não são piores que salsicha em hot dog escapulindo pelos fundilhos. Prefiro não comer a passar estresse! E me sentindo o Thomas Edson, passei a idéia via 0800 para uma destas empresas logo pela manhã, antes que me esquecesse. Afinal antes de ontem tive outra. Os ônibus circulares poderiam ter um dispositivo, e quem quisesse teria outro em sua casa. Assim que o coletivo se aproximasse a uma certa distância, ouviríamos um bip, a tempo suficiente para se fechar a porta e ir até o ponto. E compraria na hora isqueiros e controles remotos que também dessem um bip quando se assobiasse.


[Ouvindo: Gal Costa - Odara]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Era Uma Vez No México



O tempo passou para mim, pra você e até praquela samambaia cada vez mais amarela ali da janela. Entra ano, sai ano, e só para o Chaves do 8 continua tudo absolutamente igual. Aquela vilinha não passa de uma versão guacamole da Terra do Nunca. Se vivêssemos em um mundo perfeito, aquelas crianças teriam finalmente ganhado 32 dentes tal qual qualquer um. Depois de três décadas, Chiquinha, com toda a sua malandragem, teria se tornado uma loura escrota de Wallstreet, e provavelmente nem daria confiança para qualquer referência a seu país de origem. Sempre de olho no sobe e desce da bolsa via laptop de última geração, pouco se lembra que um dia teve um pai, talvez ainda vivo em um asilo qualquer de Cidade Do México. Cansado de correr atrás de sanduíches de presunto, o próprio Chaves poderia na boa estar escondido no Brasil após fazer centenas de presuntos no narcotráfico latino-americano. Talvez, é claro, viraria um mega empresário do ramo dos refrescos de tamarindo, rivalizando com a Coca-Cola, mas como já disse, este não é um mundo perfeito. Dona Florinda, quem diria, após contrair núpcias com o Professor Girafales (vulgo Mestre Lingüiça) também contraiu uma série de hematomas. O outrora afável amante revelou sua verdadeira faceta logo na lua de mel. A velha carcomida deu queixa duas vezes na delegacia feminina de Acapulco. "Cafeína demais", declarou o educador inúmeras vezes às autoridades locais. Nem o Homem da Roupa Velha poderia ser tão desalmado. Por alguns mangos, Frederico, ou Quico, realizou seu sonho em uma extravagante viagem ao Marrocos. Voltou de lá pedindo para ser chamada de Kiki. E a Bruxa do 71, aliás, Dona Clotilde, deu com as dez. Trinta anos a mais é muito tempo para uma idosa senhora. Aliás, senhorita.


[Ouvindo: Pixies - Where is My Mind]

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Ghost World


A Praça É Nossa é um dos programas mais bacanas já inventados pela TV do Brasil. Mal executado, mas mesmo assim genial. É muito tosco (pra não dizer criminoso) que ainda se ache alguma graça em mulher gostosa e burra de vestidinho de malha, ou de seres efeminados entre outras minorias, mas uma praça pública é o cenário ideal (a custo de paçoquinha) para os mais bizarros tipos transitarem. Só Deus sabe em que horário está agora, e isso realmente tanto faz. Se não fosse absurdamente provável que fora do ar aquele elenco "estrelar" não teria qualquer outro tipo de emprego digno, dava pra torcer pelo fim disso. Em frente de onde trabalho há uma praça que, de tão hardcore, não dá pra chamar propriamente de nossa. Quando saio para as inevitáveis fumadas nos intervalos, tenho a oportunidade de admirar muito mais que velhinhas surdas. Às 20h teve sexo explícito, em pé mesmo, pra não se perder muito tempo. A moçoila era uma coisa tão fina que aparentava ter chegado de Paris recentemente. Ainda nem devia estar acostumada com o fuso horário, a pobrezinha... E outra cena cinematográfica foi à tarde, durante as férias, quando dois sujeitos praticamente deformaram o rosto de um terceiro aos chutes e pontapés por causa de um par de tênis. Hiper-violência de deixar Laranja Mecânica parecendo um produto Disney. Se apenas o rosto encharcado de sangue negro não fosse o suficiente para ter me tirado o sono, os dois ainda espancaram um pobre vira-lata que passeava por lá e tentou impedir aquilo tudo. Os animais têm coração. E cachorro é o que não falta. O meu preferido é um poodle branco chamado Miguel que leva para passear seu dono de vez em quando. Acho que, das criaturas que vagueiam por lá, ele ser meu homônimo só me dá orgulho! Qual seria o nome do velhinho metaleiro que se presta a alimentar os pombos todo santo dia?

[Ouvindo: Meiko Kaji - Urami-Bushi]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Carlota Joaquina, Princeza do Brazil



E ainda tenho que responder por que moro em Jundiaí... Bem, pelo menos é diferente de Itapeva. Você leu direitinho! Não é Itupeva, muito menos Itapevi ou coisa que o valha, e fica ao sul do estado de São Paulo, não em Minas. Fui lá no Natal, lugar que já declarei ser minha Rimini, título que, pensando hoje, retiro por completo. Minhas melhores lembranças, com certeza, não estão lá plantadas. E tive uma sensação bem negativa... Gente pouco amistosa, ranzinza. Não é o Brett que me acusa disso volta e meia? Touché! Tá explicado!!! O azedume local é indiscriminado, e se você teve (na visão deles) a sorte de escapar daquilo ali, tornou-se, pelo feito em si, uma persona non grata. Talvez sejam mais autênticos, mal disfarçando o desapreço por terceiros. Será qualidade? Não chuto mais pedrinha por aquelas terras benquistas por Joaquim Furquim Pedroso, e isso está longe de me causar qualquer tipo de saudosismo. Nem acho que Jundiaí seja lá essas coisas. Se um dia (talvez daqui a 400 e tantos anos, quem sabe) Itapeva evoluir economicamente, se tornará uma espécie de Jundiaí do Sul. Só vão precisar deixar de se ocupar com ranços coloniais e entender o que realmente é desenvolvimento. Vá conhecer (por sua conta e risco!) e descubra as mais lindas cachoeiras do estado. O difícil é saber quem conhece o caminho até elas, pois aos olhos locais parece não haver riquezas... Só rancor e, claro, a disputa pelo minguado vil metal. Já Jundiaí é aquele pobre de marré que ganhou uma herança fabulosa. Toma champanhe em copo de requeijão decorado com As Meninas Superpoderosas. A poucas horas da capital, ainda não conheci quem queira se mudar pra lá. Diferente do famoso nariz em pé sorocabano. Salve as coxinhas da Real, e pouco me importo com o que sobra de lá também. Jundiaienses possuem sotaque três vezes mais carregado do que em qualquer outro lugar onde morei. E na aula explico assim o RGB: "Verrrrrmelho, Verrrrde e Azul". Às vezes exagerava, tipo Rei do Gado, pra ver se eles percebiam a graça, mas que nada. Claro que hoje esse erre caprichado já me escapa autenticamente: "Carla, fecha a porta que esse ar me perturba!". Estou ficando nato, só dá pra perceber que sou forasteiro porque não como macarronada todo dia, meu sobrenome não tem aquele monte de eles, esses, erres, e ainda não aprendi a cantar o hino municipal! Pasme! Qualquer um aqui sabe cantarolar o hino a Jundiaí: "Ó terra querida Jundiaí, teus filhos amantes são de ti...".


[Ouvindo: Chingon - Malaguena Salerosa]