domingo, 26 de fevereiro de 2006

Blow Up – Depois Daquele Beijo


Dia destes estava assistindo aquele programa sobre livros que passa na TV Cultura. O que a gente não faz por amor, né? É aquele apresentado pela mais sem graça das lesbiquinhas de uma novela do Manoel Carlos, lembra? Pois é, não deu pra segurar o riso ao ver uma matéria sobre um desses gênios modernos das letras brasileiras. Tão inesquecível que não faço idéia de seu nome agora! A digitadora falou que era pedir muito descrever seu patrão. Ela, como quem não quer nada, mas querendo, óbvio, dar mais ar de cult ao pobre sujeito, deixou escapar que seu trabalho era necessário porque o escritor só escrevia à máquina... Nem faz tanto tempo assim que leigos achavam que bastava apertar um botãozinho para se perdia tudo no PC, e aí, ter outra brilhante idéia só na próxima aparição do cometa Halley... Ou insistia-se na máquina (verdadeira ferramenta de tortura física!) para firmar-se como caricatura de autor sério. O tempo passou e muitos mitos literários e informáticos foram consumidos pela terra. HD queimar, nessa vida, só vi duas vezes até agora. Uma foi há algumas horas de se fechar a edição especial de trinta e cinco anos da Folha do Sul. Pernas pra que te quero refazer tudo o que estava no disco rígido principal da rede. Nem tivemos tempo para chorar sobre os bits derramados. A outra foi semana passada aqui em casa. Justo quando fui (olha só que zica!) reinstalar o Nero para fazer backup dos meus arquivos. Nos anos de janela desde a época do finado Matusalém (que, se você for habitué daqui, deve-se recordar da ínfima cyber-saúde dele) aprendi que nessa área sempre há um jeito... Sempre se o problema não for no HD! Danaram-se TODAS as fotos que tirei nestes últimos seis meses. Milhares graciosas com a Glenda, o Boris, outras tantas enfadonhas da cidade, a escola, aliás, ex (!!!) escola, alunos, ex-alunos, amigos, quase inimigos e do cotidiano em geral. Sabe quais me restaram? Aquelas ali ao lado, que estão postadas no Flicker! Oh! Isso não deve ser nem 1% delas... Os originais das artes que faço aqui para o blog, arquivos com resolução muito mais alta, simplesmente pararam de existir. Triste como uma película da Libertad Lamarque... Nem vou mais tocar nesse assunto pra não me deprimir mais. Agora o Bruce tá com 80 Gigas livres da silva, prontos para o batente. Se você tiver uma foto bem bacana, ou nem tanto, do carnaval, manda pra mim que você pode ganhar sabe o quê? Absolutamente NADA! Ou melhor, será agraciado com a publicação aqui, juntamente com um comentário esculhambador em um dos próximos posts. Vale a pena! Quanto mais fotos, mais chances de ganhar!!! Envie a sua agora mesmo para miguelandrade100@gmail.com e comece a torcer desde já!



[Ouvindo: O Cordão - Chico Buarque]

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Um Sonho Sem Limites



E se a TV virou um ralo aberto em minha sala, tá valendo a máxima de que, se as coisas não andam bem, pode esperar que vão piorar mais um pouquinho. E nem tô podendo ter TV a cabo nem muito menos a rabo! Aquele pequeno cabinho que nos dá tanta alegria, como diria Homer Simpson. E que invenção do capeta as tais retransmissoras locais! Ux! O Roberto Marinho daria 32 voltas no túmulo assistindo à TV Tem. Alguma criatura achou que Jundiaí é pertinho de Sorocaba, então é de lá que vem a produção local da Globo. Os apresentadores do Tem Notícias (uma espécie de SP TV) estão naquela qualidade entre jornalzinho escolar e rádio comunitária. Outro dia a apresentadora, vendo algo triste, tascou um “Aaaah, judiação...” Estudou (tomara!) quatro anos pra ir à TV falar “Aaaah, judiação...”. Mas clássico mesmo é nas tardes de sábado. Anote! Jogo de Cintura poderia na boa ocupar a vaga do TV Pirata. Começando pelas apresentadoras, duas “madamas” no melhor estilo interiorano, que acabaram de se esbaldar comendo ovo frito com rabada e estão ali, de perninha cruzada, arrotando peru. Quase não se contendo por estarem aparecendo na Globo. Mesmo que a local... Uma a cara da Dona Jura e a outra com uns dentinhos salientes. Aposto uma maria-mole (com balão na ponta) como essa sua peculiaridade dentária se deve ao hábito feio de chupar chupeta até tarde! Lá a receita das chinfrins madalenas vira madeleines... Tá? A moçoila dos dentinhos, mesmo quase fanha, ainda faz a narração de umas vinhetas mostrando as mais longínquas cidadelas cobertas pela tal TV Tem. “Itapiroca da Serra preserva sua forte cultura e amor à terra, de olho na modernidade.” Vê-se uma bucólica pracinha com um cachorro se coçando, parecendo até foto. Só falta passar na tela um tufo de palha sendo levado pelo vento como nos filmes de cowboy. Daí encerra toda orgulhosa: “Itapiroca da Serra está na TV Tem!”. Azar o dela...


[Ouvindo: Mount Sims – How We Do]

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Uma Loira Por Um Milhão



O carnaval de 2005 foi trash como todo carnaval deveria ser ou é. Fui a um lugar absurdo, no meio do nada, com uma cantora de um quê trágico tal qual a Cherry de Bus Stop. Entre uma marchinha e outra, dava alguns chutes para colocar a iluminação capenga no seu lugar. Animadíssima em sua minúscula roupa de oncinha, como se aquele palco côncavo, ameaçando cair a cada pulinho seu, fosse o mais glamuroso de Las Vegas. Ou se ria ou chorava por toda pobreza humana. A certa altura da noite, ouvi de uma senhora, daquelas de fala grossa, camisa dobrada na altura do cotovelo e cabelo repicado: ”Que pena que hoje ela tá cantando sambas. Bom mesmo é quando canta Madonna. Mostra até os peitos...” E não seria eu mesmo se, após alguns graus etílicos acima da sociedade, não ficasse munido daquela piedade de quem vai a partir dali salvar o planeta e aproveitasse o intervalo para ir cumprimentar a “cantora” pelo maravilhoso show e, claro, avisar que não arredaria o pé dali se não a ouvisse cantar Madonna. E foi constrangedora a honra de, perante tão ilustre platéia que acabara de se esbaldar com “encaixa, encaixa, encaixa, remexe e agacha”, ter La Isla Bonita dedicada só pra mim!


[Ouvindo: Danny Elfman – Augustus Gloop Song]

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

A Morte e a Donzela



Já me choquei menos com a associação da beleza com a mais sóbria burrice feminina. Claro que inteligência é relativíssima, e me parece ser uma questão de valores. Não se perdoa, claro, um universitário que não consiga ler e entender um texto simples, e não são poucos. Ou aquele nerd que teve sua cueca puxada até o pescoço nos intervalos do ensino básico e, ao entrar na faculdade, adere entusiasticamente ao uso da maconha para tentar se tornar menos imbecil. Liberem a maconha e passarão a dar a bunda! Se ainda não o fazem, of course. Mas eles não me irritam mais que a mocinha possuidora de ancas de matrona e está certa que isso já lhe basta para se dar bem na vida. Fico com as marafonas da esquina, mais autênticas no uso financeiro dos seus atributos. A burrice masculina aparenta ser mais camuflada, até por meio de sobrevivência social. São eles que arquetipicamente irão prover o sustento da família, enquanto a finada beldade terá que lavar, passar, amamentar e, sonhando com seu passado glorioso de ex-quase-rainha da uva, esperar o papaizinho chegar em casa, cheirosinha. Aqui ainda é assim... Tinha um conhecido que se encantava com o gênero e tascou-me, como bofetada, quando indaguei como podia travar um mínimo diálogo: "Pra discutir o novo filme do Almodóvar, tenho amigos como você". Estamos chegando já já à década de 50!


[Ouvindo: Edith Massey - Big Girls Don't Cry]

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Crepúsculo dos Deuses


Momento dignidade já! Histórias do mundo real dos famosos costumam ser divertidas. Mundo real seria aquele que, para preservar convenções, fica fora de qualquer mídia. De boca em boca, ou daquele conhecido que teve um encontro acidental com aquele cara que foi naquele programa não sei quando, chegam os mais diversos causos. Verdadeiros ou não, todos maldosos! A Marieta Severo detestaria ir ao programa do Jô Soares. Tinha implicância mesmo, porque na estréia do programa dele no SBT, ela era uma das entrevistadas e, assim que se sentou, ouviu a famigerada pergunta do gordo: "Como é ser casada com Chico Buarque?". Suas décadas e décadas de trabalho na dramaturgia ficaram ali relegadas perante sua vidinha matrimonial... Durante um tempo preferia não divulgar seu trabalho a enfrentar tal acinte novamente. Houve um diretor de notórias pornochanchadas em décadas remotas que passou por algo parecido. Com novo trabalho na praça, foi ao programa da Ione Borges e, por erro da produção, esperou quase 8 horas para entrar no ar. Quando conseguiu, a apresentadora perguntou-lhe como se sentia em, depois de só fazer filmes infantis, passar agora ao cinema adulto. Wow! E umas amigas de neurônios ausentes encontraram a Betty Faria em um hotel e correram puxar o saco. Mas presta atenção: não estavam atrás da mitológica Rainha da Rumba de Bye Bye Brazil, ou de tantos outros magistrais trabalhos no cinema, teatro e TV brasileira, mas da malvadona da novela das oito. Nem idéia do nome da atriz certamente tinham! Pediram pra tirar foto e foram simpaticamente atendidas, até que uma mais afoita pediu um beijo. Recebeu peremptória recusa, porque a estrela estava saindo para um espetáculo e não queria estragar seu make-up. Betty já passou faz tempo dos 50, na foto nota-se que a tal pintura deve ter-lhe custado horas e horas, e as instantâneas ex-fãs número 1 ainda saíram espalhando cobras e lagartos da "antipática". E a Hortênsia, que teria dito na década de 80 que Itapeva era uma fazenda? Quando foi lá participar dos Jogos Regionais de 1985, ouviu em coro da torcida: "Olê! Olá! Se Itapeva é fazenda, a Hortênsia é a vaca!". E quando eu era mais pirralho, tentei deixar a então primeira-dama do país, Ruth Cardoso, em maus lençóis, só de pirraça, com uma série de perguntas estúpidas. Não consegui nem fazer a segunda. Saí de lá achando ela o máximo, inteligente pra chuchu e ponto! Sem nenhuma história infame para a posteridade...


[Ouvindo: Ná Ozzeti - Atlântida]

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

O Inventor da Mocidade



Professora Lígia foi a santa mulher que, em épocas de ginásio e colegial, cumpriu a façanha de me fazer achar alguma graça naquilo ali. Sambei bonito em praticamente todas as matérias sempre. Era tão enfadonho ficar sentado ali, naquele frio, ouvindo sobre os afluentes do Solimões, paroxítonas, raízes quadradas... Hoje em dia isso me é de uma utilidade avassaladora! Só não aprendi onde entram o W e o Y no abecedário! Lígia e suas aulas pra frentex conseguiam me tirar o sono. Era um grande teatro em que às vezes metade da classe era os senhores feudais, em outras, escravagistas... Nunca tive cadernos em dia com nada, quando os tinha, mas em suas aulas isso nunca importou muito. Bastava prestar atenção e touché! Poucas vezes tirei menos que 10 em História. E pra começo de conversa, sempre disse que o que menos importa é decorar datas e, sim, os fatos. Tá? A necessidade é a mãe das invenções, era outra frase brilhante (se é que era dela). Andei tendo um destes lampejos ontem. Pode não revolucionar o mundo, mas hambúrgueres congelados retangulares me dariam menos preguiça de comê-los. Uai, não é quase este o formato de um pão francês? Filãozinho, cacetinho, chame como quiser... Aquelas bordas saltando só não são piores que salsicha em hot dog escapulindo pelos fundilhos. Prefiro não comer a passar estresse! E me sentindo o Thomas Edson, passei a idéia via 0800 para uma destas empresas logo pela manhã, antes que me esquecesse. Afinal antes de ontem tive outra. Os ônibus circulares poderiam ter um dispositivo, e quem quisesse teria outro em sua casa. Assim que o coletivo se aproximasse a uma certa distância, ouviríamos um bip, a tempo suficiente para se fechar a porta e ir até o ponto. E compraria na hora isqueiros e controles remotos que também dessem um bip quando se assobiasse.


[Ouvindo: Gal Costa - Odara]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Era Uma Vez No México



O tempo passou para mim, pra você e até praquela samambaia cada vez mais amarela ali da janela. Entra ano, sai ano, e só para o Chaves do 8 continua tudo absolutamente igual. Aquela vilinha não passa de uma versão guacamole da Terra do Nunca. Se vivêssemos em um mundo perfeito, aquelas crianças teriam finalmente ganhado 32 dentes tal qual qualquer um. Depois de três décadas, Chiquinha, com toda a sua malandragem, teria se tornado uma loura escrota de Wallstreet, e provavelmente nem daria confiança para qualquer referência a seu país de origem. Sempre de olho no sobe e desce da bolsa via laptop de última geração, pouco se lembra que um dia teve um pai, talvez ainda vivo em um asilo qualquer de Cidade Do México. Cansado de correr atrás de sanduíches de presunto, o próprio Chaves poderia na boa estar escondido no Brasil após fazer centenas de presuntos no narcotráfico latino-americano. Talvez, é claro, viraria um mega empresário do ramo dos refrescos de tamarindo, rivalizando com a Coca-Cola, mas como já disse, este não é um mundo perfeito. Dona Florinda, quem diria, após contrair núpcias com o Professor Girafales (vulgo Mestre Lingüiça) também contraiu uma série de hematomas. O outrora afável amante revelou sua verdadeira faceta logo na lua de mel. A velha carcomida deu queixa duas vezes na delegacia feminina de Acapulco. "Cafeína demais", declarou o educador inúmeras vezes às autoridades locais. Nem o Homem da Roupa Velha poderia ser tão desalmado. Por alguns mangos, Frederico, ou Quico, realizou seu sonho em uma extravagante viagem ao Marrocos. Voltou de lá pedindo para ser chamada de Kiki. E a Bruxa do 71, aliás, Dona Clotilde, deu com as dez. Trinta anos a mais é muito tempo para uma idosa senhora. Aliás, senhorita.


[Ouvindo: Pixies - Where is My Mind]

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Ghost World


A Praça É Nossa é um dos programas mais bacanas já inventados pela TV do Brasil. Mal executado, mas mesmo assim genial. É muito tosco (pra não dizer criminoso) que ainda se ache alguma graça em mulher gostosa e burra de vestidinho de malha, ou de seres efeminados entre outras minorias, mas uma praça pública é o cenário ideal (a custo de paçoquinha) para os mais bizarros tipos transitarem. Só Deus sabe em que horário está agora, e isso realmente tanto faz. Se não fosse absurdamente provável que fora do ar aquele elenco "estrelar" não teria qualquer outro tipo de emprego digno, dava pra torcer pelo fim disso. Em frente de onde trabalho há uma praça que, de tão hardcore, não dá pra chamar propriamente de nossa. Quando saio para as inevitáveis fumadas nos intervalos, tenho a oportunidade de admirar muito mais que velhinhas surdas. Às 20h teve sexo explícito, em pé mesmo, pra não se perder muito tempo. A moçoila era uma coisa tão fina que aparentava ter chegado de Paris recentemente. Ainda nem devia estar acostumada com o fuso horário, a pobrezinha... E outra cena cinematográfica foi à tarde, durante as férias, quando dois sujeitos praticamente deformaram o rosto de um terceiro aos chutes e pontapés por causa de um par de tênis. Hiper-violência de deixar Laranja Mecânica parecendo um produto Disney. Se apenas o rosto encharcado de sangue negro não fosse o suficiente para ter me tirado o sono, os dois ainda espancaram um pobre vira-lata que passeava por lá e tentou impedir aquilo tudo. Os animais têm coração. E cachorro é o que não falta. O meu preferido é um poodle branco chamado Miguel que leva para passear seu dono de vez em quando. Acho que, das criaturas que vagueiam por lá, ele ser meu homônimo só me dá orgulho! Qual seria o nome do velhinho metaleiro que se presta a alimentar os pombos todo santo dia?

[Ouvindo: Meiko Kaji - Urami-Bushi]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Carlota Joaquina, Princeza do Brazil



E ainda tenho que responder por que moro em Jundiaí... Bem, pelo menos é diferente de Itapeva. Você leu direitinho! Não é Itupeva, muito menos Itapevi ou coisa que o valha, e fica ao sul do estado de São Paulo, não em Minas. Fui lá no Natal, lugar que já declarei ser minha Rimini, título que, pensando hoje, retiro por completo. Minhas melhores lembranças, com certeza, não estão lá plantadas. E tive uma sensação bem negativa... Gente pouco amistosa, ranzinza. Não é o Brett que me acusa disso volta e meia? Touché! Tá explicado!!! O azedume local é indiscriminado, e se você teve (na visão deles) a sorte de escapar daquilo ali, tornou-se, pelo feito em si, uma persona non grata. Talvez sejam mais autênticos, mal disfarçando o desapreço por terceiros. Será qualidade? Não chuto mais pedrinha por aquelas terras benquistas por Joaquim Furquim Pedroso, e isso está longe de me causar qualquer tipo de saudosismo. Nem acho que Jundiaí seja lá essas coisas. Se um dia (talvez daqui a 400 e tantos anos, quem sabe) Itapeva evoluir economicamente, se tornará uma espécie de Jundiaí do Sul. Só vão precisar deixar de se ocupar com ranços coloniais e entender o que realmente é desenvolvimento. Vá conhecer (por sua conta e risco!) e descubra as mais lindas cachoeiras do estado. O difícil é saber quem conhece o caminho até elas, pois aos olhos locais parece não haver riquezas... Só rancor e, claro, a disputa pelo minguado vil metal. Já Jundiaí é aquele pobre de marré que ganhou uma herança fabulosa. Toma champanhe em copo de requeijão decorado com As Meninas Superpoderosas. A poucas horas da capital, ainda não conheci quem queira se mudar pra lá. Diferente do famoso nariz em pé sorocabano. Salve as coxinhas da Real, e pouco me importo com o que sobra de lá também. Jundiaienses possuem sotaque três vezes mais carregado do que em qualquer outro lugar onde morei. E na aula explico assim o RGB: "Verrrrrmelho, Verrrrde e Azul". Às vezes exagerava, tipo Rei do Gado, pra ver se eles percebiam a graça, mas que nada. Claro que hoje esse erre caprichado já me escapa autenticamente: "Carla, fecha a porta que esse ar me perturba!". Estou ficando nato, só dá pra perceber que sou forasteiro porque não como macarronada todo dia, meu sobrenome não tem aquele monte de eles, esses, erres, e ainda não aprendi a cantar o hino municipal! Pasme! Qualquer um aqui sabe cantarolar o hino a Jundiaí: "Ó terra querida Jundiaí, teus filhos amantes são de ti...".


[Ouvindo: Chingon - Malaguena Salerosa]

sexta-feira, 30 de dezembro de 2005

Nunca Fomos Tão Felizes



Vi 2 Filhos de Francisco, o estouro nas bilheterias de 2005 e a aposta brasileira ao Oscar. Minha modesta opinião em uma palavra: PODRE! Muitas outras você lê clicando aqui, no Cinemorama . E fazendo a quase já tradicional retrospectiva (e expectativa) do ano, foi a vez, na filmoteca daqui de casa, de Kill Bill. Visto e ouvido à exaustão. Reconheci enfim que Tarantino é o cara. Como se isso fizesse alguma diferença para ele, né? Mais! Foi quando dei um "já vai tarde" ao Video Home System!!! E a pirataria correu solta não só na pracinha, mas aqui em casa. Aqui em casa correu, mas cansou. DVD original é mais bacana até pra fazer screenshot, transformar áudio em MP3 e os pirateiros em si são uma gente muito chata. E de gente escrota, já sabe, né? Distância! Minha fobia a seres humanos nunca esteve tão forte... Humpf! Falando nisso, agora em janeiro já faz dois (!!!) anos, parecendo 80, que dou aulas. Aliás, dou mesmo, porque o salário, ó! Não tô podendo! Queira o bom Deus a possibilidade em 2006 de mandar tudo à merda! Decidi que vou fazer kung fu, aprender japonês e ganhar mais 20 quilos às custas de shake gringo. Devotei-me a São Francisco de Assis, mesmo não sendo católico, graças a um sumiço da Glenda. Passei a dormir agarrado todas as noites ao Boris, porque um dia isso não será mais possível. O orgânico tem destas coisas, envelhece e some, sabe-se lá pra onde. E teve aquele sustão do hacker em agosto, bem quando reeditei o Come Bolacha, Graziela!, e por coincidência absurda tudo estava relacionado. Oh! E o vídeo ganhou até (quem diria) comunidade no Orkut feita pelo Brett e um trailer. Dá pra conferir ambos clicando ali ao lado. Junior, meu segundo PC, teve morte súbita, porque queimou o cooler. E lá sabia que queimar o cooler era tão perigoso? Agora jaz ao lado do finado Matusalém, dando vez a Bruce, vindo de uma forte linhagem de Bruces. Banner, Lee, Wayne, Willis, todos bons de porrada!

[Ouvindo: Alexa Vega - Game Over]

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Tomates Verdes Fritos



E entre minhas frases de fréu-fréu-fréu prediletas (ditas logo depois de ouvir uma coisa estúpida qualquer) estão aquelas em resposta a "Trabalho porque gosto" ou "O que me paga são os sorrisos de satisfação"... Ok, minha fofa, então já que não faz questão nenhuma, passa teu rico dinheirinho pra mim, porque realmente ao sair de casa é nele que estou pensando. Sem vergonha nenhuma! Não sou um daqueles medonhos mercenários da informática e claro que ver sorrisos por um trabalho bem feito conta muito... Mas e lá sou dentista? Fala sério se o aconchego do teu lar não é o melhor lugar do mundo para se passar dias e noites de chinelão (aquele mesmo que não tem - ou tinha - cheiro, não deforma nem solta as tiras)? E aquela amiga de humor precário exclamando que pra ir trabalhar e não fazer nada, preferia ficar em casa fazendo um booooooolo de chocolate vai para minha antologia de momentos ímpares!!! Já pensei seriamente em comprar a fantástica fábrica de coxinhas (como visto na TV) e vender o cento a cinquentão. Emprego dos sonhos mesmo seria aquele muito bem remunerado, após as 14 hs, executado em frente (apenas) a um PC, a que se pudesse ir de camiseta (ou uniforme extremamente cool) e, no caso de nem confiança pra fazer a barba todo santo dia, tudo bem. Ah, e um chefe que te ache a coisa mais incrível deste lado do ocidente, e assuma que sem você aquela empresa não seria a mesma. Enquanto seu lobo não vem, a gente tenta pelo menos fazer tudo direitinho, sem o menor stress possível, afinal, muito trabalho sem diversão faz de Jack um bobão!

[Ouvindo: Mohammed Rafi - Jaan Pehechaan Ho]

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Um Dia de Fúria



E tô bege que levei um trucão da SAMSUNG! Cá ente nós, este humilíssimo escriba merece que uma multinacional de origem coreana leve seu minguado aqüé, conseguido com muito suor, honestidade, e principalmente, na vertical e sem enganar ninguém? Hung? Tá, conto o calvário, até com certa preguiça, porque tive que contar por exatas 6 vezes ao telefone hoje! Wow, wow, wow! Adquiri um "incrível" modelo de celular SCH-N480 da referida marca, que vinha com uma graciosa câmera fotográfica embutida e necas de pitibiriba de USB, software ou coisa do gênero para poder ver as fotos em qualquer PC. Pensei se tratar de mais um truque da operadora Vivo, a fim de que fosse possível enviar as fotografias apenas via e-mail e, assim, consumir créditos, e depois que procurei comprar (!!!) o cabo a um preço pra lá de abusivo, e óbvio, via site oficial da SAMSUNG, baixei o drive e o software indicado para tal modelo. Não só eu como centenas de outras pessoas (segundo se constata na comunidade deste modelo no Orkut!) clicaram na seção downloads, digitaram SCH-N480 e foram levados ao link. O PC Link 1.0 é um arquivo zipado de "apenas" 16 mega!!! Bem, que não tenho internet em casa até o Zorro já deve saber a essas alturas, e que isso causou um transtorno triplo nem preciso contar aqui... Horas baixando, depois dezipando, e a surpresa ao ver que aquilo criou várias outras pastinhas estranhas com arquivos .cab. Bizarro uma corporação como a SAMSUNG entregar aos clientes um software mal compilado como aquele, mas já não duvido de nada nos dias de hoje... Mas depois de todo transtorno, só consigo usá-lo após reinstalá-lo, precisando fazer isso diariamente!!! O manual é porcamente sucinto no que diz respeito a qualquer informação de como entrar em contato com a empresa, indicando apenas a homepage, aliás, não há nele uma linha sequer de como se proceder para descarregar as fotos! Só consegui o tal telefone ontem, e qual não foi minha surpresa ao ligar e ser muito mal atendido por umas gurias bem desinformadas quanto a softwares e que ainda têm a petulância de teimar (comigo!!!) que arquivos .cab são "programinhas" (para usar exatamente a mesma palavra que ouvi) e que eu deveria entrar em um outro endereço e baixar (!!!!!!) um novo (!!!!!) programa. Nas entrelinhas, claro, o idiota fui eu... Se tivesse feito sozinho, até admitiria um possível erro. Será que a SAMSUNG acha que faço downloads desde ontem? E desde quando uma empresa que vende celulares possui um S.A.C. onde mal se ouve o atendente, porque se escuta ao mesmo tempo dezenas de outros atendentes? Aliás, que treinamento têm essas fulanas que as permite serem petulantes com um cliente que só quer ver sua situação resolvida até o ponto de ele espumar (literalmente) de raiva? E mais, não serei eu a arcar com o ônus, se eles têm dificuldades em administrar sua própria homepage. É problema deles, o meu é possuir um celular da marca SAMSUNG ELECTRONICS CO., onde o consumidor, depois de quase uma hora, após muito empurra-empurra, descobre ter sido lesado, além de ainda ouvir alguns deboches, e nada pode ser feito por eles. Nem tava reclamando de os botões, com apenas alguns meses de uso, já estarem descascando, ou de que os mesmos travam muito, mas queria somente resolver algo a respeito do que o manual do proprietário não diz absolutamente nada. Ok, ok, La Dolce Vita nem sempre trata de flores, mas pelo menos já sabe, se quiser um celular novo, e (repito) ganha seu dinheirim honesto, na vertical e sem enganar ninguém, fuja da marca SAMSUNG, ou depois pelo menos lembre-se o que é quem avisa...


[Ouvindo: Ed Motta - Vamos Dançar]

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Guerra nas Estrelas



Raras as vezes em que releio um livro. Esta semana foi uma delas! A biografia de Marilyn Monroe assinada por Donald Spoto. E não é uma biografia qualquer, é A biografia, escrita por um historiador, o que nos poupa de um bocado de fofocas e mentiras nada salvadoras... O autor deixa bem claro que o que não falta são inverdades absurdas a respeito da maior estrela (no sentido bruto da palavra) que o mundo já viu. Claro que, na época de Sarah Bernard, a mídia ainda engatinhava, e como bem lembrou a Garota em O Pecado Mora Ao Lado, uma única aparição na TV para anunciar pasta de dente representa uma audiência muitas vezes maior que a platéia que Bernard teve em toda sua carreira no teatro! E sempre quando acabo de ler dá aquela coceira de sair por aí fazendo arruaça com quem ainda propaga aquela imagem de devassa ninfomaníaca. Vontade de uma espécie de guerrilha cinematográfica. Se me sobrasse um pouco mais de tempo e vontade de aprender, poderia começar aqui pela net mesmo, pegando umas aulinhas com aquele nosso amigo do sabre luminoso. Virar uma espécie de Cecil B. Demented pró Marilyn! "O quê? Sua locadora tem aquele filme com aquela bagaceira fingindo ser Marilyn? Pow! Tinha!" Ou quem sabe bater de porta em porta, tipo Tê Jota mesmo, contando pras pessoas a Grande Verdade. "Toc Toc Toc! Bom dia, minha senhora! A senhora sabia que Marilyn nunca foi amante de JFK, nem tampouco de seu irmão Robert? A senhora foi enganada! E nem em seus últimos dias estava neurótica, desempregada, sem amigos... A propósito, esqueça a hipótese de suicídio, queima de arquivo etc! Está tudo nas escrituras!". E é sacanagem quando a comparam com Madonna, talvez a loura (?) que mais tentou chegar perto da lenda M.M. Achar que a principal diferença entre as duas é que a atual sabe muito bem aonde quer chegar, e a outra foi simplesmente levada e dominada, é simplificar demais as coisas. Já em 1954, Monroe abriu fogo contra as louras laqueadas e ocas que o estúdio lhe impingia e, em plena vigoração do star system, tentou levar sua carreira sozinha, abrindo sua própria produtora. Numa época em que a mulher era considerada figura meramente decorativa na sociedade. E que declarações inspiradas sabia divulgar pela imprensa... Talvez uma das melhores seja a de que não queria ser rica, mas apenas maravilhosa. Ou neste telegrama, enviado a Robert Kennedy e esposa, datado de 13 de julho de 1962, em plena luta contra a Fox:
"Prezados Sr. e Sra. Kennedy:
Eu teria o maior prazer em aceitar o convite(...). Infelizmente, porém, estou envolvida numa luta de protesto pela perda dos direitos da minoria, como uma das poucas estrelas que ainda restam neste mundo. Afinal, tudo o que pedimos é nosso direito de cintilar."
Ninguém, puramente humano, cintila mais que Marilyn Monroe.


[Ouvindo: Duke Ellington - Cotton Tail]

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Fé Demais Não Cheira Bem



Antigamente parecia que demorava uma eternidade para chegar o Natal. O tempo diminui assim como os presentes... A data mais cool do ano. Sinto uma euforia Burtoniana ao ver as ruas decoradas com luzinhas. Lembro bem o cheiro do pinheiro na sala, tendo embaixo um presépio gigantesco. E quando meu falecido gato Buiú fez cocô na areia do caminho que levava à manjedoura foi um drama! Toda manhã eu e minhas irmãs íamos correndo até o presépio pra fazer os reis magos andarem mais um pouquinho até que, naquela manhã, qual não foi a surpresa!!! E, nessas horas, às vezes dava briga, porque alguém os fazia andar demais, o que os faria chegar até o redentor bem antes do dia 25. E havia chocolates espalhados pela mesa que me levavam ao furto logo nesta data sagrada. Nunca podia comê-los por causa da alergia. Passava o ano novo me coçando, o que acabava me denunciando. Visitar os presépios das vizinhas apurou meu senso crítico logo cedo. Principalmente o da Rosa do Bumbo, o qual ocupava metade da sala azul turquesa. Protegendo o menino Jesus viam-se até pequenos soldadinhos de plástico verde com possantes rifles em punho! Parece que só eu ainda acho um dia mágico. Junto com a degradação do catolicismo, ele também está indo para o ralo! E tô bege até agora com aqueles católicos falando igual a Oompa Loompas no Fantástico! Cê viu? Chegaria a ser triste, se não fosse risível! E, além do teatro, ainda chuparam a mania dos crentes pra pedir aqüé? Nem tenho sintonizado aquele canalzinho deles na minha TV. Wow! No começo pensei que era uma emissora voltada ao público G, com tantos rapazolas de voz molenga, mas de saia e pedindo dinheiro daquele jeito já era demais, né não? E uma retórica sempre tão pobre... O dia em que ouvir uma igreja, seita, ou qualquer coisa REALMENTE renovada a ponto de pregar integralmente o respeito às diferenças e a todos os seres viventes sobre a terra, e não este imbróglio egocentrista, me converto! Podem começar evitando a poluição sonora, puramente em respeito ao próximo. Quem disse que Deus é surdo? "Enquanto os homens exercem seus podres poderes, índios e padres e bichas, negros e mulheres e adolescentes fazem o carnaval. Queria querer cantar afinado com eles, silenciar em respeito ao seu transe no êxtase, ser indecente, mas tudo é muito mau...".


[Ouvindo: Satri Dun - Played-A-Live (The Bongo Song)]

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

A Insustentável Leveza do Ser



Sou magro. De frente não pareço que estou de lado, nem tampouco de lado pareço que fui embora, mas bem longe de ser gordo. Óbvio que, para minha altura, ganhar peso não é tarefa fácil. Olhando direito, nem alto sou. Tenho pernas curtas. Se me chamar de mentira, eu desço o braço! Por um mistério da anatomia, aparento altura. No supermercado, sou do tipo para quem as velhinhas pedem aquele pacote de açúcar. Cheguei a fazer aquela simpatia de achar uma moedinha, chegar pra amiga acima das medidas e pedir pra comprar alguns quilos de seu toicinho. Depois é só dar a moedinha ao primeiro mendigo que achar. Bem, pela simples existência deste post dá pra perceber qual foi o resultado, né? E, criado no meio de tantas mulheres, nunca me faltaram aquelas revistas Claudia da vida, e jamais achei um matéria sobre ganhar peso. Nem nas Caprichos. Tipo, somos uma minoria altamente excluída! E pior, raramente alguém chega a um gordo e diz: "Cacete, como você tá gordo! Baleia mesmo!!!", mas aos magros parece haver um prazer mórbido de lembrá-los da balança. É como se você carregasse uma plaquinha escrito "como estou dirigindo?", mas em vez disso: "quanto estou pesando?". É consenso que gordura ofende, magreza não. E que alegria aqueles quilos a mais, mas que logo vão embora... Posso ganhar quatro quilos, basta me alimentar mal um dia e já se vão embora seis!!! Ou ter uma dor de barriga daquelas. Olha ali na porta, enquanto escrevo este post devem estar me escapando uns três. Acho tão sexy umas gordurinhas extras. E que ódio da Anna Hickman vendendo balinhas com apenas duas calorias! Eu só compraria com mais de 5000. Pensou se tenho anorexia às avessas? Olho no espelho e me vejo magro, exatamente o contrário da realidade, e vou engordando, engordando. Quando pararem de perceber que emagreço, talvez seja um sinal disso.


[Ouvindo: Marilyn Monroe - I Wanna Be Loved By You]

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

As Aventuras de Chatran



Nunca me foi muito grata a idéia da existência de santos. Pessoas rezando diante de uma estatueta, implorando para quem já morreu. Entendo que é só uma simbologia, como se fosse um retrato de um ente querido, mas por que não pedir a Deus diretamente? Tem um deles que admiro pra caramba, e outro dia até ganhei uma imagenzinha em resina. São Francisco de Assis não só mandou toda a herança, nome e tudo à merda para se dedicar a uma causa maior, como amou os animais independentemente de serem fofos ou não. E até os poodles devem ir para o céu! Mesmo com seus donos egocêntricos declarando que são os bichos mais espertos do mundo. De ouvir isso tantas vezes, acho que devem ser mesmo. Até mais que os golfinhos, né? Aranhas são abomináveis, mas um dia vão morrer deixando centenas de aranhinhas recém-saídas dos ovos dando tchauzinho. E muito provavelmente nem terão um Wilbor que derrame lágrimas por elas... Na frente da minha casa tem uma árvore, infelizmente ainda não é do tipo Tim Burton como a da vizinha, (mas um dia quem sabe?) e descobri que lá há um ninho de rola! Daquelas de penas cinzas. Só não entendo que no mais ferrado dos temporais, dona rola não caia ou derrube os ovos. E que alegria quando abro a porta e o agente Boris Bola tem a explosão de felicidade lancinante. E mereço? Domingo mesmo comprei, por pura muquiranice, uma ração mais barata para ele... Certa vez uma fulana teve a audácia de me falar que era nojento dormir com animais. "Muito mais nojento é dormir com um velho bafento como teu marido!!!" teria dito eu, se fosse um terço menos educado e/ou mais corajoso. E wow! Nem contei o dia em que a Glenda foi abduzida! Desapareceu no começo do ano, assim, sem deixar recado. Cheguei a andar embaixo de chuva atrás de seu cadaverzinho atropelado depois de um dia inteiro sem pista alguma. Já era tarde da noite quando ela voltou (absolutamente seca!!!) intacta. Fim da história, faltam agora só 4 meses para eu tirar o papel de parede do meu PC com o São Francisco de Assis.


[Ouvindo: Siouxsie and the Banshees - Face to Face]

terça-feira, 25 de outubro de 2005

A Marcha do Imperador



E até que demorei a me aventurar na plataforma Linux! Tô escrevendo este post naquele Kurumin, a versão que roda diretamente do CD. Lembra, há algum tempo atrás, quando o governo proibiu uma lista enorme de remédios e entre eles havia um certo Virgin Again? Pois é! É exatamente assim que me sinto longe do Windows!!! Ou quando se muda de casa e não se sabe direito o que está onde, e se passa meses a fio apertando o interruptor errado. Pra você ter uma idéia, estou salvando no disquete (uma das coisas que mais odeio neste planeta, após a invenção da calcinha secando na torneira do chuveiro), porque simplesmente não consigo salvar no HD. Dá ao mesmo tempo um gostinho de rebeldia, não só por toda utopia em torno deste sistema operacional, mas também por não me sentir só nas mãos de uma mega-ultra-empresa como a do senhor Bill Gates. Tipo, deu pau? É só colocar o disquinho no drive e shazam! Esta versão é bonita, coisa e tal, e mal fucei ainda em todos os beriguinaites, mas já deu pra ver que pelo menos os joguinhos dão de 10 nos da Microsoft. Putz, entra versão, sai versão e lá é sempre a mesma coisa!!! Desde o finado Matusalém, um Windows 95, depois o Júnior era 98, e os jogos sempre os mesmos. Quando veio a plástica do XP, o quêêêê? É a primeira coisa da qual me livro. Agora no atual Bruce com o Service Pack 2 fui correndo ver e lá estava a mesma paciência. Paciência! Aqui é tudo meio chupado da Nintendo, troca-se o Mario (Que Mario?) pelo Pingüin, mas são bonitos. O que me faz falta é meu Photoshop, Flash, meu ACDSee, Winamp... E todos os outros aplicativos que, se um dia tiver que viver em uma ilha deserta, são eles que levo! Claro que se lá tiver energia elétrica...


[Ouvindo: Erasure - Voulez Vous]

sábado, 22 de outubro de 2005

De Salto Alto



E falando (vide post anterior) em rebotalho e suas cafonices, essa gente mega ultra colorida meteu o pé de vez na informática, né? Colam sticks das Meninas Super Poderosas ou Hello Kitty no monitor. Ou pior, imã de geladeira na CPU!!! Antes de ir para uma festa 80's, deu uma olhadinha no horóscopo do iG, aliás, se conectou pelo iG e, na pior das hipóteses, possui e-mail iG ou Bol. Usa Internet Explorer pela metade, já que de tanto clicarem em qualquer pop-up (hun?), está cheio de barrinhas "úteis" que infestaram há muito tempo seu PC com spyware. Aliás, tente explicar a diferença entre vírus e spyware... E aqueles e-mails bem legais informando de um novo e apavorante vírus, repassado por aquela amiga super hiper mega confiável? Melhor! E-mails com animações em Power Point, piadinhas, pedidos de ajuda duvidosa e correntes em geral! Se tiver a infeliz idéia de se firmar no Cyber Space (ok, bate-papo Uol ou Terra cansa, né?) terá um flogão, um flog, e no orkut sairá correndo atrás de centenas de pessoas, mesmo sem as conhecer, para ser aceito como amigo. Lá entrará em comunidades do tipo odeio tal coisa, amo tal coisa, e inundarão os scraps alheios com as maiores inutilidades possíveis. Se aderir ao mundo blogger, possuirá um layout chupado de sites que também dão bonequinhas fofas, gifs animados (!!!), reloginhos e um monte de códigos Java para enroscar navegadores de desavisados. Nem vou me repetir citando os comentários do tipo "Um beijo! Visita meu blog também!", né? É só esperar um pouco, logo logo ele cansa a beleza e adere à nova febre (sempre 40°) da Internet nos deixando em paz. Teve um tempo em que o ICQ dominava. Hoje é tão xiqui a gente dar um oi pra turma no Menssegér. E isso não basta! Se, em vez do próprio nick, usar uma frase bíblica ou uma obviedade qualquer com smiles, é show também. É 10! Será que eles já sabem o que é MP3 para poderem baixar pagode, sertanejo e tema de novela? Parece que a vida por aqui era mais fácil quando eles riam assistindo a Praça é Nossa e não o Humortadela, caçavam o par ideal enquanto se esbaldavam com cajuzinhos freqüentando festas regadas a muita FM ao invés de chats, ou passeavam por aí com o som do carro a todo volume ouvindo SSSC, SSSC, SSSC... Eu hein, Rosa! Os tempos são realmente outros...


[Ouvindo: Tavares - Heaven Must Be Missing An Angel]

domingo, 16 de outubro de 2005

A Rosa Púrpura do Cairo


E passaram-se 3 anos desde o primeiro post. Aliás, 3 anos e 2 meses, né? E o contador ali embaixo vai muito bem obrigado. Estaria sendo ridiculamente falso se te falasse que nem qüén pra ele. Aliás 2! Não compre um carro usado de alguém que fale que não liga para um contador de visitas. Também não compre um DVD Gradiente. O meu deve ser demo ou estar com ele. Tem vida própria. Nem coma no Habibs. Nem desmate as florestas, alimente os pombos, ou deixe de separar seu lixo! Mas blog é o quarto onde expomos aquela coleção de vinil tão bacana e que algumas pessoas vão morrer de inveja, outras sacanas pedirão emprestado (ou simplesmente surrupiarão) e muitas farão vista grossa. E no início foi febre e os comments não eram comments e sim "Oi, passei pra te dar um beijo. Visita meu blog, tá?". Graças a Deus veio o fotolog, e óbvio, estas pessoas abraçaram de peito aberto, dando-lhe alcunhas do tipo flog e flogão. Nada mais povão, né? Pra eles, mais fácil ainda, pra deixar seus cérebros ocupados com coisas do tipo achar o parceiro ideal, chapinhas, etc, surgiu o orkut. Idéia legal, mas de que estou quase caindo fora. Comunidades ocas, e nos scraps aquele tal de clique aqui, clique acolá. E as propagandas? Putz! Esse povo se conecta pra ser escroto? Ser idiota na vida real é fácil, mas se sentar na frente de um PC pra tais façanhas... Enfim, blogs são legais, e não são pra qualquer bico! Criar mais um nunca me passou pela gulliver, sou fiel por natureza, meu bem! Não entendo a obrigatoriedade de colocar comentários sem ler posts, postar apenas pra marcar presença, inúmeros blogs imitando o estilo de terceiros... Por que não fazer isso apenas por prazer? Com prazer não é mais gostoso? Mas enfim, agora deu vontade, e estou achando o máximo ter um outro pra falar apenas da coisa de que mais entendo e gosto neste planeta. E ganha uma maria mole verde oliva quem adivinhar sobre o que é! Ó, vamos fazer tipo o Google, tá? Ainda é beta! O link já está ali ao lado há algum tempo, bem quietinho, porque andei mexendo muito no template, e ainda estou não só nele, mas em todo seu conceito. Pra conhecer, clica aqui. Enquanto tiver gostoso continuo, se der uma parada fui ali comprar cigarro, já volto!


[Ouvindo: Pizzicato Five - Drinking Wine]

sábado, 8 de outubro de 2005

De repente 30


E sobrevivi bonito aos 70, 80, 90! Já não comentei aqui sobre o dia em que o dublador do Seu Barriga foi no programa da Sonia Abrão e, quando mal conseguiu subir um degrau, falou bem-humorado que, se soubesse que ia durar tanto, teria se cuidado mais! E na 4ª série fizemos uma festa dos anos 60. Tombei com os coleguinhas por ter achado em uma farmácia legítima brilhantina Gessy! Depois chorei por quase 2 meses quando ela não saía do meu cabelo e minha mãe quase me espancou por ter que trocar as fronhas todo santo dia. Nos 90 foi a vez dos embalos de sábado à noite voltarem ou serem revividos. Era extremamente cool ter um sapato plataforma. Bem, acabou descambando pras festas do ridículo ou do brega, no que nunca vi muita graça mesmo. Sempre que tinha festa, lá ia o povão correr pro brechó mais fulô que encontrasse e ponto! Well, o que essa gente faz hoje em dia? Celebra o que teve de pior nos 80! E espero não estar neste planeta quando se valorizar o que apareceu nos 90. E Carla Perez será cult, bundinhas rebolativas a poucos centímetros de bocas de garrafas serão enfim reverenciadas pelos mesmos apedrejadores. E a festa que não tiver uma acirrada disputa de sabonete dentro de uma banheira será um flop absoluto!


[Ouvindo: Chico Buarque - Caçada]

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Desventuras em Série


Parafraseando aquele chato que diz que de perto ninguém é normal, completo que de longe também... 22 horas, cansado, voltando pra casa, puxo a cordinha do ônibus. Triiiiiiiiiiim, e o motorista pára na hora o veículo e diz: Alô? Vou ao boteco da esquina comprar um mísero chanã: Por favor, vê um Hollywood. E não é que o sujeito pega um maço e fica olhando pra ele? Dá pra rir? E primo do post no blog do Junior, o já clássico contraversor do bom gosto no mundo bloguístico (link ali ao lado), em que ele reproduziu um diálogo com uma amiga e depois comparou as fases de sua vida às fases da carreira da Madonna (!?!?), ouvi certa dama no ponto do ônibus, proseando com um cavalheiro de finesse semelhante: "O que eu mais queria nesta vida, porra, é achar um macho, bem macho, que me proibisse de sair por aí dando a boceta! Dar a boceta pra ganhar a vida é foda". Fina, né? Certamente chegou de Paris ontem. Ainda nem deve estar acostumada com o fuso... E o pai de um amigo, vendo as chamadas da nova novelinha das sete : "Ney Latorraca bichona! Ele é que devia aparecer vestido de mulher!" E na aula, após longa explicação sobre bits, bytes, perguntei se havia alguma dúvida. Lá no meio uma garotinha de cara angelical ergue o braço, e muito séria: "Professor, o senhor acha a Déborah Secco bonita?" O que menos nos falta neste mundão de Deus é quem cheire a cola e lamba a lata...


[Ouvindo: Edith Massey - Big Girls Don't Cry]

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

A Guerra dos Roses



Wow!!! E quando digo que minha vida é uma chanchada, daquelas com favela carioca de papelão atrás e tudo, ninguém acredita, né? Certo mesmo foi meu primo: "Briga de cinéfilo é assim mesmo, descamba pra conversa de comadre..." Trufas! Na bucha me cheirou de cara a roteiro chulé tipo Michel Bay, mas felizmente era Almodóvar puro. Começou naquele rebu, e terminou em frente a uma lareira, na maior calmaria, tomando champanhe, trocando confidências. Acaso mesmo foi Come Bolacha, Graziela! estar indiretamente ligado. Meias verdades ou não, sempre dá pra pensar mais nisso ou naquilo. E Deus do céu, que coments engraçados aquele post gerou, não é? Nem dá pra tirar. Ah, e o Brett que criou comunidade e tudo no orkut para o Come Bolacha, Graziela!? Tá? Tá? Entra lá! Até a Graziela em si (propriamente dita), a Viviane Briccia, deu as caras. Casou, tá linda, lôra e japonesa, morando longe pra chuchu. E sabia que nunca mais a vi desde o último dia de gravação? Nem tampouco a conhecia antes do primeiro dia!!! Ela foi pra lá de fofa ao aceitar o convite de última hora, depois de uma outra dar furo. E não se poderia ter conseguido uma Graziela melhor. Com uma frase apenas de texto, sem entender lhufas das cenas sendo feitas fora de ordem, ela relaxou e ficou com ar blasé, no meio de um monte de gente absolutamente desconhecida, vestida de forma absurda. E não há postura mais Graziela de ser que exatamente isso. Não viu o trailer ainda? Clica aqui ou ali ao lado. Agora tô batalhando para conseguir da melhor maneira possível uma versão em DVD, com extras etc. Enquanto isso, dá pra ir se falando até pelo orkut, e discutindo da melhor maneira possível o próximo projeto da Big Wig Arts, com sexo e violência na terceira idade, ao som do Cauby; afinal, tem horas que só ele nos conforta! E no trailer, clica no botão "sobre" que tem o nome de todos os envolvidos no antigo projeto. Antes que alguém realmente apareça empunhando uma legítima Hattori Hanzo!


[Ouvindo: O Sole Mio/It's Now Or Never - Christopher Lee]

domingo, 18 de setembro de 2005

quem não chora não mama!!??





sabe foi um tempo que as pessoas antes de julgar olhavam para o julgado.bom quero dizer n que deixe de ter impunidade neste pais ou outra instituição.escória??não acho que não por que a curiosidade gera conhecimento,como em linux e unix e até na vida.,pensou se todos nós fossemos covardes de não tentar??nunca!!! nem teriamos liberdade de expressão ou auto-conhecimento.na medicina ou em tecnologia nem se fala,o engraçado que o cachorro em questão já deu de alimentar a mão que o morde agora!!o cachorro fez um filme acontecer embaixo de muitas risadas e contratempos,foi ameaçado de assalto,tentou comprar equipamentos com dinheiro escondido,o cão nunca julgou as opções do amigo,pelo contrario nunca colocou em questão a sua sexualidade que é um absurdo ou falta de imaginação!!a escória fazia questão de visitar e pagar certas vontades,a escória chamava para sair e mostrava coisas.mas o cachorro sarnento assim chamado pela falta de cavalherismo do assim prejudicado recorre a certas pessoas para ameaçar e ajudar em momentos que só ele que diz "honro o que tenho nas minhas pernas"poderia revolver!"covarde"??acho que não amigo. eu resolveria mano a mano só eu e vc!!não com ameaças.punição ??todos sempre terão,veja a merda que está esse pais,e acha que o umbigo gira em torno de si?acha que foi o unico?falta que fazer não,eu acho que queria sua atenção para algo bem maior, e vc não entendeu!!mandou o e-mail perguntando o ???não o orgulho não deixa,e seu diretor citado robert rodrigues é fã de george lucas.é o criador do filme de idiotas,ele ficou dias vendo as cameras que lucas mandou desenvolver na sony,ficou tão bobo que só faz filme digital,interessante que admiração não venha só da obra + da idéia de fazer som digital thx e cameras que dispensam 35mm,a camera digital não perde o foco nunca,isso que é foda para o cinema,e não precisa revelar,tudo do dia vai em uma maleta.incrivel para o sr dos filmes idiotas!!!ah!!! que o cachorro respeitou seu tim burton com uma dor no coração de invadir isso vc não diz???e vc chegou num ponto certo,é só um maldito blog,vc deve se preocupar com outar coisas,acho que vc é maior que isso não???é só tenha respeito como não falar mal de mim para conhecidos como vc estava fazendo e olha a boca,por que uma segunda vez não iria acontecer, eu disse que ia devolver e ia dar seu msn de novo e vc cuspiu na minha cara!!!vc me ameaçou de violencia fisica é isso que quer??faça que achar melhor eu estou afim de parar se vc respeitar a minha pessoa,depende de vc!!"amigo"(sou totalmente louco e vou até o inferno se assim desejar!!vou esperar a punição então antes de dar outro passo,se me pegarem como sempre acontece de ter pessoas + inteligentes que eu ou vc vou pagar ,depois de sair vou atras até o limite,ou se quiser resolver com paz vc sabe meu e-mail...ou vá contar de novo a diretora que comeram seu lanche,perdeu no bafo e cortaram sua pipa...

Postado por: #@#@#




[Ouvindo: rogério skylab::::eu fico nervoso]

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Matrix Reloaded


E salve nossa senhora da informática! Depois de quase uma década, só agora sinto que Come Bolacha, Graziela!, aquele curta dirigido por mim, está finalmente pronto, ou pelo menos o mais próximo do idealizado originalmente. Pude passar dias e noites no material (TODO, inclusive o roteiro original) digitalizado. E que delícia brincar de Robert Rodriguez!!! É uma música aqui, um efeito sonoro beeeeeem discreto ali, menos tempo acolá e pronto! Um filme novinho em folha e muito mais ágil e com melhor acabamento, do que o visto no Espaço Unibanco em 1996 durante o 6º Mix Brasil. Com uma máquina possante e muito mais tecnologia à disposição, até que nem levou tanto tempo assim, e perto do que estava, como diria um dos personagens: "Dio, Mio!!!". Hoje rejeito em absoluto a primeira edição, paga a preço exorbitante e feita no piloto automático. A qualidade não só da totalmente nova edição, mas também de áudio e imagem me fizeram reacender uma certa chama. Nem mais a fotografia amarelada tipo Chaves há! Com quase cinco minutos a menos de "gorduras", agora todo o destaque fica no roteiro em si, e claro nas absurdas interpretações. E que vontade de sair mostrando pra todo mundo! Pra começo de conversa, se você clicar aqui, assiste a um teaser trailer, e na imagem deste post ganha um exclusivo wallpaper publicitário do cosmético preferido da tia Pepita!

***


A idéia do roteiro surgiu numa daquelas noitadas, em um bar pra bolachas sorocabanas, e não dava pra ficar só nas risadas. Passei praticamente uma noite em claro na Praça Anchieta de Itapeva, junto ao amigo Rodrigo Moura (co-autor do projeto), destilando o mais puro veneno contra tudo e todos que nos incomodavam na época. E em outras com certeza! Nunca nossa idéia foi fazer um Cidadão Kane. Era só pra juntar um povo legal, rir e ponto. Amador no sentido original da palavra. Tanto é que do dia em que foi DATILOGRAFADO ao dia do primeiro "rodando" não lembro o que aconteceu, nem como decidimos que seria neste ou naquele dia. Mágico assim mesmo. Aliás, sabíamos também da pérola trash que estávamos gerando, e que até por isso, a estética e linguagem usada seriam as das telenovelas da TV brasileira, inclusive o tosco sotaque italiano. De qualquer forma, acho que só depois de assistido algumas vezes se consegue absorver todas as referências pops ali inseridas. São personagens vivendo de maneira analógica e atemporal. Mas o mais bacana é justamente o rumo que os atores deram a cada um deles. Fiquei absolutamente fã de alguns, que mesmo sem terem feito nada daquilo antes, (e infelizmente depois) se saem hilariantemente brilhantes. Triste pensar que talvez o melhor deles, a Mamma, nem está mais entre nós... O que pelo menos poupa o mundo de um novo episódio, né?


[Ouvindo: A Martini For Mancini - Joey Altruda and His Cocktails Crew]

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

A Coisa


E você acredita que nem me incomodou ter sido tirado do ar porque um saco de merda qualquer assim o quis? Sabe porquê? Primeiro, um blog é só um blog, um domínio é só um domínio. Sim, mantido a duras penas por mais de três anos, mas mesmo assim, nada mais que um blog. Muitas vezes não morreu às custas de muito sacrifício (e você não imagina quanto) para que volta e meia tenha algo novo por aqui. Mesmo assim, sempre poderia arrumar outro trocadalho do carilho para juntar a “blogspot.com” e começar do zero. Meu caro, benzadeus boas idéias e verdadeiros amigos nunca me faltaram. Nesse tempo todo não foram poucas as vezes em que fui chupado (no mau sentido da palavra), copiado em pequenos detalhes, etc, mas quem vem aqui volta e meia já notou que isso também não me incomoda. Chegará um dia em que estarei igual a tantos outros, e provavelmente a todos, com terra bem vermelha sobre meu corpo. Só aí será tarde para surgir qualquer outra idéia, qualquer outra ação. E muitas delas também estarão sob a terra, e como só elas eu levarei pra lá, tenho verdadeiro apreço por cultivá-las. Mas o que me deixou cabreiro, puto, enraivecido, e extremamente deprimido, foi o fato de haver em contrapartida um escroto medíocre daquele quilate. E incompetente o suficiente, que provavelmente não deve valer uma remela daquele cão sarnento ali da esquina, convivendo no mesmo planeta e o pior de tudo, já deve ter convivido comigo. E é cada vez mais difícil nos proteger deste rebotalho em nosso dia-a-dia, já notou? Acrescente naquela listinha dada no post anterior, onde dizia que não admito ser chamado de mentiroso ou ladrão, o item “covarde”. Entre minhas pernas há algo muito bem valorizado. Sou macho pra caralho a fim de SEMPRE assumir meus atos. Queria ver o lord do estrume vir ser bonzão diante de mim!!! Imagina a cara da merda ambulante, pulha o suficiente pra ver um filme tosco, se achar o cara e ao invés de ir fazer qualquer coisa produtiva, entra na Internet pra encher o saco de quem nem faz parte de sua triste escória. Dá pra imaginar? Agora vamos todos aplaudir a postura do Blogger gringo que não só resolveu prontamente tudo como rastreou e buscará uma punição ao nosso “amiguinho” fã de Darth Vader! Será que agora ele vai ser poderoso mesmo? Hã? E confirmou, né? Só os realmente idiotas gostam de Star Wars!!!


[Ouvindo: Suck It To Me - Almodóvar e McNamara]

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

A Ilha das Gargantas Cortadas

E me dá nos nervos imaginar que um DVD bacanudo, novíssimo e com extras a dar com o pau sai por cerca de 40 pilins e um CD de áudio com encarte marreta custa exatamente a mesma coisa! E que pena que coisinhas do tipo da trilha sonora de Kill Bill não se vendam ali no piratinha safado da esquina... E nem gosto de furtos, não, senhor! Podem me chamar de tudo, menos de mentiroso e ladrão. E isto levo a sério, sim, senhor, e prometo um daqueles posts beeeeeeeeem extensos sobre o tema! Mas a dita febre da ilegalidade, já bastante discutida, tem mais lados prós e contras do que possa imaginar. Não ficando só no campo das diferenças de preço. Se achar um desses disquinhos abençoados com qualquer coisa da fase 70’s de John Walters, não importando o preço de forma alguma, tô levando pra casa. Mas vivemos no Brasil, meu filho, e por aqui só é lançado o óbvio ululante! Mais ululante do que óbvio, of course! E quando lançam, é sempre em edições toscas, full screen, miseráveis em extras, etc. e tal. E que bom que às vezes um Hitchcock em fase pré-histórica pode ser encontrado nas bancas por 9,90 reais, ou vários da Hammer nas Lojas Americanas com o mesmíssimo preço. Foi lá que comprei a Mansão do Morcego, filme trash de 59 com Vincent Price e Agnes Moorehead. Com um elenco destes, não é um filme, mas uma parada gay em restaurado B&W. Mas e os piratinhas de estimação, onde ficam nessa conversa toda? Bien, em se tratando de filmes em cartaz, acho as cópias deles (quase sempre conseguidas através de uma câmera VHS clandestina em salas de exibição sabe Deus onde) um nojo. Fora bombas do nível de Resident Evil: Apocalypse, onde as risadas da platéia até deixam a coisa um pouco assistível em meio àquela chanchada toda, de resto não vejo lógica pela falta de qualidade. Claro que é mais barato que ir ao cinema, e não assistimos com aquela platéia cada vez mais mal educada e que insiste em comer ao seu lado aquelas pipocas com futum de nádegas amanhecidas. Mas onde os bucaneiros de DVDs têm virado uma mão na roda é no comércio de filmes que nunca foram e provavelmente jamais serão lançados nestas terras tapuias. E estes, adquiro sem peso algum na minha guliver, meu caro! Muito pelo contrário. Sem eles seria realmente difícil ter acesso a películas modernas feitas na Ásia além do divertido cine porrada de Jet Lee ou épicos grandiloqüentes de Zhang Yimou. No início, comecei a achar apenas as de terror feitas no Japão (Juon, Ringu...), vindas claramente na cola do remake norte americano The Ring. Agora qualquer gênero de qualquer outro país daquele continente é facilmente encontrável a módicos 10 reais. Ou 8 se você der uma pechinchada.



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Destes títulos não dá pra deixar de destacar o próprio Juon, obra prima do virtuosismo narrativo e dramático que dá um olé na versão yankee que ganhou o nome aqui de O Grito (The Grudge). Mesmo tendo em comum alguns atores, personagens e até o diretor Takashi Shimizu, as coincidências acabam aí, com roteiro linear e extremamente simplificado diluindo os sustinhos ao mais que evidente. O medo que vem do nipônico, vai além de seus 86 minutos de duração. Outra, o Clube do Suicídio (Jisatsu No Saakuru)! Apelando para o clichê, diria que é mais que um soco na boca do estômago ao som medíocre da girl band Dessret. Ou Dessert, já que mesmo durante o filme ninguém sabe direito como aquele imbróglio da indústria fonográfica se chama. De múltiplas interpretações, a trama deste, à primeira vista totalmente subversiva em seu emaranhado de subtramas e personagens imersos em um mundo frio e multimídia. E um amigo meu que após assistir a ele teve a visão apocalíptica de todo o elenco de A Praça É Nossa de mãozinhas dadas se atirando (por vontade própria!) nos trilhos do metrô paulista. Pensou? Você se importaria? Um dos personagens, Gênesis, que se auto denomina o Charles Manson da era da informática nos remete diretamente a outra bicha tresloucada do cinema, o personagem de Tim Curry em The Rock Horror Picture Show. Assim, como o transexual, Gênesis arruma tempo para cantar entre um crime e outro, e até durante. Aliás, referências a obras norte americanas são só um atrativo a mais para cinéfilos mais atentos. O principal deles é O Iluminado de Kubrick. Jack Nicholson arregaçando a porta a machadadas foi lembrado nos chineses Koma (que dá voz á lenda urbana do tráfico de rins em banheiras de gelo) e no fraquinho The Eye 2. Até aquele elevador de onde jorram litros de sangue teve sua versão H2O em Dark Water. O coreano Old Boy (famoso no ocidente após Tarantino ter achado uma das melhores coisas de Cannes em 2004) é outro que bebe em muitas fontes hollywoodianas conseguindo ir muito além. Aliás, o que mais se nota em todos estes filmes é que vão além exatamente porque estão livres daquela pasteurização imposta por engravatados californianos e um público cada vez mais ingênuo e infantil do ocidente. Alguns temas são gratos à grande maioria destas obras, talvez os mais gritantes sejam a figura de pais ausentes gerando o mal inconscientemente e os acontecimentos em cadeia, que se repetem infinitamente querendo os protagonistas deles ou não, tudo, claro, em se tratando daquelas terras, sempre seguido por aparelhos câmeras, sejam elas de circuitos internos de TV, fotográficas, etc. Qualquer um destes discos, oriundos de arquivos em Divix com imagem às vezes sofrível, vale a pena por uma ou outra seqüência absurdamente inesperada, ou roteiro que trilha nem sempre os caminhos fáceis de serem compreendidos quando se assiste pela primeira vez. Um refresco quando não se quer ver apenas o que os distribuidores nos impõem. E azeite se eles ainda não sacaram que nem todo mundo é todo mundo.


[Ouvindo: It Just Won't Do - FatBoy Slim]

sexta-feira, 15 de julho de 2005

La Serva Padrona

E que uma das últimas coisas a me dar prazer nesta vida é cortar o cabelo não é novidade, muito provavelmente, nem pro Bento XVI, né não? Aliás, porque tanto luxo com alguma coisa que em 3 semanas volta a ser exatamente como antes. Se pudesse falava: "Moça faz assim ó: Pega a tesourinha de picotar da Eliana e mete bronca. Se eu aparecer no Fantástico, pode deixar que lhe dou os créditos!" Mas não é que consegui arrumar uma cabeleireira muito da espevitada? Mistura de Almodóvar com ópera bufa. Ux, novidadêra que só ela. Desencanei de fazer cara de poucos amigos assim que sentava e já vinha nos meus ouvidos todo o dia-a-dia do filho, do filho do irmão, do irmão do filho!!!!! Fala, minha filha, fala mas trabalha rapidinho, tá? E as sugestões pra arrumar minha vida? Se deixar, saio de lá não só com cabelo novo mas de empresária a tira colo. "Ai que você ia ganhar tão mais se trabalhasse por conta!" "Ai que uma diarista ia facilitar tanto a rua vida... Minha irmã tem uma ótima!" Essa da diarista foi a conversa do dia quando, assim que sentei, ouvi em um suspiro: "O Miguel é moço sofrido, mora sozinho!" Que as pessoas viram madres Terezas quando sabem que moro só já sabia, mas sofrido? Nesse dia tive até um calafrio imaginando que elinha em si estava a fim de se candidatar pra resolver o problema não só com diarista não! E nem me espanto mais com olhares atravessados de senhoras obesas olhando atravessado no supermercado quando estou escolhendo tomate, tranqüilamente. Ou intranqüilo. Você vai amaldiçoar o dia da escolha quando for fazer aquele molho pro macarrão com atum que tão bem sabe fazer, mas os tomates estão todos passados. Preciso dizer quem também fica passado? Nem é ruim morar sozinho. No começo foi uma coisa usar o banheiro e não precisar trancar a porta. E nem confiança ainda pra comprar panela de pressão. Sabe quando pobre sobe na vida? Toda santa semana alguém quer me arranjar casório, apresentar aquela moça joinha, a prima intelectual ou a gostosona da faculdade, mas c'est la vie! Ah sim, se ela souber passar camisa até posso pensar no seu caso! Quem inventou camisa não conhecia o ferro de passar. Faço tudo direitinho, só não passo bem! Ah sim, também não bato! Dá uma lida a seguir na introdução do que ando escrevendo.




Manual Prático do Solteiro




Introdução



Há três coisas que

você precisa ter em mente antes de prosseguir na leitura deste

manual:




1-Infelizmente não há a opção de ser solteiro

2-Admita de uma vez que ninguém é, mas está solteiro

3-Sendo assim, todas as pessoas tanto no ocidente, quanto no oriente
deste planeta, e/ou fora dele, já foram, ou podem vir a fazer parte
deste estilo de vida que é ser solteiro



Tendo consciência destas leis irrefutáveis, tome para si todos os
conhecimentos que forem encontrados nas próximas páginas, se os achar
úteis, of course. No caso de haver alguém que o "chame de meu bem",
guarde-os cuidadosamente após a leitura. Por mais absurda que esta idéia possa lhe parecer hoje, a maré pode (toc toc toc) mudar. Esteja
prevenido! Aliás, neste caso, nunca perca a oportunidade de aprender
tarefas domésticas com esta pessoa, ou até aquele prato que tanto te
agrada. Sabe do quê morreu o seguro?






[Ouvindo: Love Street - The Doors ]