
O tempo passou para mim, pra você e até praquela samambaia cada vez mais amarela ali da janela. Entra ano, sai ano, e só para o Chaves do 8 continua tudo absolutamente igual. Aquela vilinha não passa de uma versão guacamole da Terra do Nunca. Se vivêssemos em um mundo perfeito, aquelas crianças teriam finalmente ganhado 32 dentes tal qual qualquer um. Depois de três décadas, Chiquinha, com toda a sua malandragem, teria se tornado uma loura escrota de Wallstreet, e provavelmente nem daria confiança para qualquer referência a seu país de origem. Sempre de olho no sobe e desce da bolsa via laptop de última geração, pouco se lembra que um dia teve um pai, talvez ainda vivo em um asilo qualquer de Cidade Do México. Cansado de correr atrás de sanduíches de presunto, o próprio Chaves poderia na boa estar escondido no Brasil após fazer centenas de presuntos no narcotráfico latino-americano. Talvez, é claro, viraria um mega empresário do ramo dos refrescos de tamarindo, rivalizando com a Coca-Cola, mas como já disse, este não é um mundo perfeito. Dona Florinda, quem diria, após contrair núpcias com o Professor Girafales (vulgo Mestre Lingüiça) também contraiu uma série de hematomas. O outrora afável amante revelou sua verdadeira faceta logo na lua de mel. A velha carcomida deu queixa duas vezes na delegacia feminina de Acapulco. "Cafeína demais", declarou o educador inúmeras vezes às autoridades locais. Nem o Homem da Roupa Velha poderia ser tão desalmado. Por alguns mangos, Frederico, ou Quico, realizou seu sonho em uma extravagante viagem ao Marrocos. Voltou de lá pedindo para ser chamada de Kiki. E a Bruxa do 71, aliás, Dona Clotilde, deu com as dez. Trinta anos a mais é muito tempo para uma idosa senhora. Aliás, senhorita.













