
Raras as vezes em que releio um livro. Esta semana foi uma delas! A biografia de Marilyn Monroe assinada por Donald Spoto. E não é uma biografia qualquer, é A biografia, escrita por um historiador, o que nos poupa de um bocado de fofocas e mentiras nada salvadoras... O autor deixa bem claro que o que não falta são inverdades absurdas a respeito da maior estrela (no sentido bruto da palavra) que o mundo já viu. Claro que, na época de Sarah Bernard, a mídia ainda engatinhava, e como bem lembrou a Garota em O Pecado Mora Ao Lado, uma única aparição na TV para anunciar pasta de dente representa uma audiência muitas vezes maior que a platéia que Bernard teve em toda sua carreira no teatro! E sempre quando acabo de ler dá aquela coceira de sair por aí fazendo arruaça com quem ainda propaga aquela imagem de devassa ninfomaníaca. Vontade de uma espécie de guerrilha cinematográfica. Se me sobrasse um pouco mais de tempo e vontade de aprender, poderia começar aqui pela net mesmo, pegando umas aulinhas com aquele nosso amigo do sabre luminoso. Virar uma espécie de Cecil B. Demented pró Marilyn! "O quê? Sua locadora tem aquele filme com aquela bagaceira fingindo ser Marilyn? Pow! Tinha!" Ou quem sabe bater de porta em porta, tipo Tê Jota mesmo, contando pras pessoas a Grande Verdade. "Toc Toc Toc! Bom dia, minha senhora! A senhora sabia que Marilyn nunca foi amante de JFK, nem tampouco de seu irmão Robert? A senhora foi enganada! E nem em seus últimos dias estava neurótica, desempregada, sem amigos... A propósito, esqueça a hipótese de suicídio, queima de arquivo etc! Está tudo nas escrituras!". E é sacanagem quando a comparam com Madonna, talvez a loura (?) que mais tentou chegar perto da lenda M.M. Achar que a principal diferença entre as duas é que a atual sabe muito bem aonde quer chegar, e a outra foi simplesmente levada e dominada, é simplificar demais as coisas. Já em 1954, Monroe abriu fogo contra as louras laqueadas e ocas que o estúdio lhe impingia e, em plena vigoração do star system, tentou levar sua carreira sozinha, abrindo sua própria produtora. Numa época em que a mulher era considerada figura meramente decorativa na sociedade. E que declarações inspiradas sabia divulgar pela imprensa... Talvez uma das melhores seja a de que não queria ser rica, mas apenas maravilhosa. Ou neste telegrama, enviado a Robert Kennedy e esposa, datado de 13 de julho de 1962, em plena luta contra a Fox:
"Prezados Sr. e Sra. Kennedy:
Eu teria o maior prazer em aceitar o convite(...). Infelizmente, porém, estou envolvida numa luta de protesto pela perda dos direitos da minoria, como uma das poucas estrelas que ainda restam neste mundo. Afinal, tudo o que pedimos é nosso direito de cintilar."
Ninguém, puramente humano, cintila mais que Marilyn Monroe.







