
Antigamente parecia que demorava uma eternidade para chegar o Natal. O tempo diminui assim como os presentes... A data mais cool do ano. Sinto uma euforia Burtoniana ao ver as ruas decoradas com luzinhas. Lembro bem o cheiro do pinheiro na sala, tendo embaixo um presépio gigantesco. E quando meu falecido gato Buiú fez cocô na areia do caminho que levava à manjedoura foi um drama! Toda manhã eu e minhas irmãs íamos correndo até o presépio pra fazer os reis magos andarem mais um pouquinho até que, naquela manhã, qual não foi a surpresa!!! E, nessas horas, às vezes dava briga, porque alguém os fazia andar demais, o que os faria chegar até o redentor bem antes do dia 25. E havia chocolates espalhados pela mesa que me levavam ao furto logo nesta data sagrada. Nunca podia comê-los por causa da alergia. Passava o ano novo me coçando, o que acabava me denunciando. Visitar os presépios das vizinhas apurou meu senso crítico logo cedo. Principalmente o da Rosa do Bumbo, o qual ocupava metade da sala azul turquesa. Protegendo o menino Jesus viam-se até pequenos soldadinhos de plástico verde com possantes rifles em punho! Parece que só eu ainda acho um dia mágico. Junto com a degradação do catolicismo, ele também está indo para o ralo! E tô bege até agora com aqueles católicos falando igual a Oompa Loompas no Fantástico! Cê viu? Chegaria a ser triste, se não fosse risível! E, além do teatro, ainda chuparam a mania dos crentes pra pedir aqüé? Nem tenho sintonizado aquele canalzinho deles na minha TV. Wow! No começo pensei que era uma emissora voltada ao público G, com tantos rapazolas de voz molenga, mas de saia e pedindo dinheiro daquele jeito já era demais, né não? E uma retórica sempre tão pobre... O dia em que ouvir uma igreja, seita, ou qualquer coisa REALMENTE renovada a ponto de pregar integralmente o respeito às diferenças e a todos os seres viventes sobre a terra, e não este imbróglio egocentrista, me converto! Podem começar evitando a poluição sonora, puramente em respeito ao próximo. Quem disse que Deus é surdo? "Enquanto os homens exercem seus podres poderes, índios e padres e bichas, negros e mulheres e adolescentes fazem o carnaval. Queria querer cantar afinado com eles, silenciar em respeito ao seu transe no êxtase, ser indecente, mas tudo é muito mau...".






