terça-feira, 29 de setembro de 2020

Novela que se inspirou em videoclipe


Desde seu inicio radiofônico, as novelas sempre se inspiraram nos melodramas hollywoodianos. Silvio de Abreu, autor de clássicos como Guerra dos Sexos (1983) e Sassaricando (1987), escancarando referências a seus clássicos.

Uma das diversões em suas novelas era justamente identificar de onde ele tinha retirado núcleos, situações e personagens. Já vimos, porexemplo, aqui no blog que Abreu já enxergou Marilyn Monroe na Susana Vieira e James Cagney no Daniel Filho.

Em 1995 resolveu fazer uma novela noir, toda montada num “Quem é o assassino?”. Novamente A Próxima Vítima foi uma profusão da Era de Ouro de Hollywood, mas não apenas isso!

A música tema de abertura foi Vítima de Rita Lee e Roberto de Carvalho. É daqueles casos que a música serviu como uma luva para o serial killer do Horóscopo Chinês.

Seria composta exclusivamente para a trama como alguns outros casos felizes do tipo Tieta, composta em 1989 por Boni para a festejada adaptação de Jorge Amado? Não! Vítima foi gravada pela primeira vez para o álbum Rita e Roberto de 1985 cuja primeira do lado A era O Vírus do Amor.

Ainda em 85 o casal teve especial na TV Globo chamado Oi Nós Aqui Traveis. O programa era basicamente um amontoado de videoclipes, num tempo em que a MTV engatinhava até nos EUA.

Com direção geral de Jorge Fernando, o videoclipe de vítima é quase um trailer da novela que seria produzida dez anos depois, principalmente do que seria feito para a abertura! Assista essa preciosidade no player abaixo (aliás, mal parece ser coisa 80’s).

Tem citações aos montes a Hitchcock, claro, “janela indiscreta” está até na letra! Mas ali já estava também o carro preto que perseguiria as vítimas no cenário extremamente paulistano, o voyeurismo e o efeito sonoro do tiro é o mesmo (do estoque da BBC).

Como bem se sabe, a direção da novela também era de Jorge Fernando que não apenas deve ter ajudado a escolher o tema, como se lembrado bastante do que havia feito no especial de uma década antes.

Veja também:
Desvendando a alma hollywoodiana da novela Vale Tudo
Susana Vieira em seu momento Marilyn Monroe
Apenas duas garotinhas da Rochinha
5 coisas que fazem a abertura da novela Elas por Elas ser inesquecível
Lita Ree na Armação dos Anjos
Una trama muy peligrosa


segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Série reuniu as maiores estrelas dos anos 80

Absurdamente nostálgica, a série O Teatro dos Contos de Fadas (Faerie Tale Theatre) ao todo teve 27 episódios distribuídos em seis temporadas (1982-1987). No Brasil foi exibida a partir dos anos 90 via TV Cultura.

A Empire a distribuiu um box de DVD contendo a série completa. Por muitos anos os episódios eram encontrados avulso , em embalagem simples.

Produzida e apresentada por Shelley Duval, o programa está com um visual bem datado, mas, quando foi que não esteve? Pelo menos no nosso país, quando estreou com cerca de uma década de defasagem.

Ainda assim, sobrevive bem além da nostalgia. Primeiro que a série adapta histórias clássicas bem alteradas pela ótica Disney, segundo que os efeitos televisivos dos anos 80 tem um delicioso sabor trash e por último o espetacular elenco!

Nunca uma série reuniu tantos astros e estrelas que estavam na crista da onda e tantos outros, cults e queridos como Vincent Price e Christopher Lee. Até Coppola dirige um episódio!

Veja detalhes no vídeo de hoje. O seu like ajuda bastante o canal e se inscreva se chegou agora!

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Vivo ou morto! Bela Lugosi nas estreias de Vincent Price

Vincent Price apreciando o boneco de cera de Bela Lugosi, ou melhor, Drácula  é daqueles registros amadores que nos fazem bendizer a popularização a fotografia no século XX.  A data causa dúvidas em alguns lugares da web

Alguns acreditam ser na première de O Museu de Cera (House of Wax, 1953 de André De Toth) pela obviedade. Há quem ache se tratar da noite de estreia de Túmulo Sinistro (The Tomb of Ligei, 1964 de Roger Corman).

 E quem acredita na segunda hipótese está certíssimo! Existe um vídeo em 16mm disponível no Getty Images da gloriosa noite de arrepios que foi a première de Túmulo Sinistro em Los Angeles.

Na foto não dá pra ver, mas a esquerda do caixão estava a atriz Elsa Lanchester. Em 64 já bem distante de seu auge como Noiva de Frankenstein do filme (Bride of Frankenstein, 1935 de James Whale), mas uma eterna estrela aos fãs de filmes de terror.

Não foi a única celebridade da área a marcar presença. Estiveram lá Maila Nurmi (a Vampira) com chapéu de cossaca e Carroll Borland, vampiresca “filha” de Lugosi do já bem antigo A Marca do Vampiro (Mark of the Vampire, 1935 de Tod Browning).

Nenhuma delas esteva no elenco de Túmulo Sinistro. Só foram dar close mesmo, fazer presença não é coisa desde a invenção do BBB, né?

O luxo do luxo! Bela Lugosi representado num boneco de cera só coroa o evento. Com o advento da popularização da TV ele se tornaria muito famoso novamente com a exibição de seus velhos filmes com copyrights baratos.


Infelizmente Lugosi havia falecido oito anos antes, aos 73 anos de idade. Na pior das situações para um astro de cinema: Esquecido por todos, viciado, com dificuldades financeiras topando aparecer em filmes verdadeiramente terríveis.

Mas ele havia estado (inadvertidamente?) em pessoa em outra première de um filme com Vincent Price. Em 1953 Hollywood parou para a noite de gala de O Museu de Cera (House of Wax de  de André De Toth).

O filme era a aposta da Warner Bros para a cada vez mais acirrada concorrência com a televisão, então uma novidade que seduziu de cara o público. Só numa sala de cinema poderíamos assisti-lo em 3D, outra novidade da época.

Claro, premier de um filme de grande estúdio explorando o 3D atrairia uma multidão de curiosos e veículos de imprensa. Tanto auê ajudou a firmar Vincent Price como um dos maiores vilões do cinema.

E aí alguém de um estúdio nanico teve a brilhante ideia de promover seu filme aproveitando o furdunço. Mandou pra lá o Bela Lugosi (que maioria achava que já estivesse morto) com a velha capa de Drácula segurando ela coleira um homem vestido de gorila.

Um homem vestido de gorila na coleira! Na festa dos outros...  Assista com seus próprios olhos!

O filme classe Z em questão era “Bela Lugosi Meets a Brooklyn Gorilla” (1952 de William Beaudine). Comédia esdrúxula protagonizada por um genérico patético da dupla Dean Martin e Jerry Lewis.

Enquanto O Museu de Cera com a première glamorosa foi produzido com 658.000 dólares, “Bela Lugosi Meets a Brooklyn Gorilla” custou em dinheiro da época 50.000 dólares. Há quem jure que foram só 12.000 mesmo.

Será que no meio dessa miséria alguém achou ruim o Bela Lugosi ir naquela noite pra divulgar seu filme tão pobrinho?  Bom, a aparição foi incluída no cinejornal da WB da época e posteriormente incluída nos extras do DVD e BD de O Museu de Cera.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

VHS se mantém superior em alguns quesitos

class="MsoNormal">E mídia dita ultrapassada sempre tem seus admiradores. Seja Super 8, disco de vinil, VHS ou qualquer outra!

Saudosismos à parte, nem sempre elas foram devidamente superadas pelos sucessores. No vídeo desta semana comento algumas coisas ruins do VHS e outras que faze3m falta na mídia digital.

Evitando realmente qualquer nostalgia. Apenas lembrando de seu uso prático enquanto mídia vigente.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Luxuosa biografa de José Mojica Marins pela Darkside

No Brasil a gente cresce ouvindo falar no José Mojica Marins tendo assistido ou não seus filmes. Figura mítica da nossa cultura, sua criatura mais famosa, o Zé do Caixão, transcendeu o cinema onde nasceu.

Não se pode falar em ostracismo, ele nunca sumiu da mídia. Falecido no começo de 2020, temos a certeza que seu legado sobreviverá.

Sobreviverá daquele jeitinho tão nosso, com altos e baixos, além de sua genialidade artística. Foi num período assim, nos anos 90, quando os norte americanos descobriram o “Coffin Joe”  que André Barcinski e Ivan Finotti produziram o documentário que gerou sua biografia.

Fora de catálogo por décadas, teve uma reedição revista e ampliada em 2015 caprichadíssima pela editora Darkside. Disponível ainda nas boas casas do ramo, é um livro essencial para amantes do cinema e da cultura popular brasileira.

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sábado, 19 de setembro de 2020

Para espanhóis cigana destronou Quasímodo

Mais uma pra série “títulos locais estranhos”. Na Espanha O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame), a versão de 39, foi chamado de Esmeralda, A Cigana (Esmeralda, la zíngara).

Charles Laughton ficou horas na maquiagem todos os dias num desempenho de Quasimodo que rivalizava ao grande Lon Chaney da então mais famosa versão, a muda de 1923 pra quê?. Distribuidores acharam melhor apelar a belíssima Esmeralda da Mauren O’hara.


Aliás, lá a versão de 23 foi “El jorobado de Notre Dame” mesmo. O que é bem óbvio dar ao “Corcunda” o destaque no título, como sempre foi em todo o planeta em todas as adaptações da obra de Victor Hugo.

E dá nem pra apostar que foram atrás do estrelismo de Mauren O’hara, visto que era seu primeiro papel em Hollywood. E não só! Um de seus primeiros papeis na carreira.

Britânica, o mais relevante que havia feito no cinema de seu país foi Estalagem Maldita (Jamaica Inn) de um certo Alfred Hitchcock. Rodado um ano antes, por coincidência, também estrelado por Laughton e o último filme de Hitchcock antes de ir a Hollywood.

Mauren O'hara e Charles Laughton no filme de Hitchcock

Antes ela havia feito dois trabalhos que foram distribuídos depois de 39. Ou seja, era uma desconhecida, ainda uma aposta com a sorte de ter conquistado logo de cara um papel importante numa produção de grande estúdio, a RKO.

No trailer original ela aparece no meio de todo o elenco. É o quarto nome, mesmo sendo a relevante cigana Esmeralda.

Um dos grandes atrativos era a maquiagem de Quasimodo. Em todo o trailer ele aparece de relance ou de costas e no final um letreiro diz: “Veja o rosto do corcunda... E uma excelente performance de Charles Laughton!”.

Enfim, e Portugal? Há tantas ledas urbanas sobre títulos bizarros (o que é injusto já que aqui as vezes caprichamos também), mas O Corcunda de Nore Dame de 39 foi apenas “Nossa Senhora de Paris”.

Traduziram literalmente o título do romance!!! Justo apelar aos leitores do clássico, mas também, imagino algum desavisado indo assistir a um filme de santinha...

.Veja também:


20 anos de Tudo Sobre Minha Mãe: conheça outros títulos com Bette Davis em espanhol

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Voltamos a mesma loja que vende de tudo, até DVD e as coisas não estão boas

E apenas após sete meses voltamos aquela loja aqui perto de casa e o cenário já é bem diferente. Pertencente a uma grande rede, ela foi marcante durante o boom da venda direta de mídia física ao consumidor.

Num tempo em que serviços de streaming ganham força e se popularizam , a visão para colecionadores, não é a da mais esperançosa para colecionadores. Neste vídeo você vê a situação que deve se refletir em todo o país.

Ainda discutimos os possíveis rumos que o DVD e Blu-ray podem ter. A única certeza é que vivemos um momento de transição social e tecnológica!

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Quadrinhos no mundo das pornochanchadas!

No princípio era o sonho. Boca do Lixo - Os Anos Que Estão Por Vir narra as desventuras de três amigos que nos anos 60 desembarcaram na região central de São Paulo por um lugar ao sol.

Incrível graphic novel de Jamal Singh e Wendell Cavalcanti tem como pano de fundo todas as transformações socioculturais que o país viveu naquele período. Sou bem chatinho com reconstituições e fiquei maravilhado!

Prato cheio para quem gosta de cinema e quadrinhos com muitas referências identificáveis! Acho que no vídeo não cheguei a comentar, mas além do traço forte de Wendell, destaco ainda os diálogos maduros de Jamal, preciosos em sua narrativa.

Todos os detalhes sobre ela você assiste no vídeo. Dá pra encontrar Boca do Lixo - Os Anos Que Estão Por Vir nas boas lojas do ramo físicas e virtuais!

Conto com o seu like no vídeo e se inscreva no canal para não perder nada! Vídeos novos  toda segunda e quinta, mas pode rolar um terceiro a qualquer momento, não perca!

sábado, 12 de setembro de 2020

Especialíssima! Betty Faria estreou na TV portuguesa com 5 personagens diferentes

 

No Brasil Betty Faria já estava em Baila Comigo, trama de Manuel Carlos de 1982. Em Portugal ela ainda colhia os loros de Lígia, protagonista de Água Viva de Gilberto Braga de 1981.

Todos se reuniram em frente à TV para ver a atriz brasileira numa produção local, a série Gente Fina é Outra Coisa. Teledramaturgia lusitana, perto do que se fazia no Brasil, engatinhava.

Por mais apaixonados por novelas brasileiras que os portugueses fossem, o formato era quase inexplorado. Provavelmente porque sabiam que estavam bem servidos pelo que importavam do Brasil.


Gente Fina É Outra Coisa ia mais na linha do humor britânico. Falava sobre uma família aristocrática as voltas para pagar as contas do mês usando o secular casarão para hospedar estranhos sem que a velha matriarca (papel da lendária Amélia Rey Colaço) soubesse.

Durou apenas 12 episódios, mas se tornou um clássico reprisado algumas vezes pela RTP1, até 1995 a maior emissora do país. Betty Faria era grande demais para apenas um episódio, foi a convidada de “O Amor Tem OCiclo das Flores”, oitavo episódio, comemorativo ao ano novo, dividido em duas partes.

No jantar de réveillon da família, ao abrir um antigo vinho a matriarca encontra carta de seu pai datada justamente de 31 de dezembro de 1882.  Escrita no dia de seu casamento, o já morto pede um jogo: Que cada homem da família pense em sua “mulher fundamental”.

É a desculpa para que cada um pense em sua paixão memorável. Desculpa também para atriz brasileira interpretar 5 personagens.


A prima sensual Heloisa, 

a grã fina dramática e já morta Olívia (num visual semelhante ao da sua Viúva Porcina), 

   A nerd vendedora de enciclopédias Helvética, 

       a perua comissária de bordo Celina, 

  e a prima carioca Madalena. 

Em comum, além da atriz que as interpreta , está o fato delas serem brasileiras. Afinal, aquele sotaque todo de Betty Faria não daria pra perder do dia pra noite.

Chover no molhado dizer que ela está colossal, transformando cada personagem num jeito só seu, dona de todas as vezes em que aparece em cena. Em entrevista na época ela disse que Madalena, a última personagem a aparecer, no tempo presente para brindar a chegada de 1983, era ela mesma.

Quem viu na época nunca mais esqueceu. Para Betty Faria a experiência deve ter sido bem válida também.

Em 1993 ela voltou à RTPI para estrelar uma novela inteirinha: Verão Quente. Por ironia do destino, fez par romântico com o saudoso Nicolau Breyner com quem já havia contracenado e sido dirigida na série de 1982.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Todas as caixas de bombons que tem no supermercado!!!

Na hora de beliscar alguma coisinha enquanto se assiste a um filme vai bem uma caixa de bombom. Juntamos todas as caixas de bombons disponíveis no supermercado para ver qual era de cada uma.

Isso é que é esforço de reportagem!  A gente se acostumou com duas ou três marcas bem tradicionais, mas existem várias outras!

 É provável que na sua cidade você encontre outras, ou menos marcas até. Algumas baratinhas, obscuras foram surpreendentes e dá pra comprar de novo sim.

Como sempre, conto com o seu joinha no vídeo e se inscreva  se chegou agora! Assim você ajuda o canal a crescer e não perde nenhuma atualização!

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Elvira assombrando em edição especial de DVD

Elvira é um personagem B da TV norte americana 80’s que  ousou pular para o cinema. E é graças a esse filme que ela se tornou extremamente conhecida no Brasil.

Elvira, a Rainha das Trevas (Elvira: Mistress of the Dark, 1988 de James Signorelli) foi reprisado tantas vezes que se tornou cult. A personagem Elvira (da ex striper Cassandra Peterson) transcendeu sua essência.

Ela só voltaria a estrelar outro filme em 2001 com As Loucas Aventuras de Elvira (Elvira's Haunted Hills de Sam Irvin). Produção bem mais radical que desprende a personagem de sua origem como apresentadora de filmes de terror na TV.

E embora muito conhecida nestes lados dos trópicos, Elvira nunca teve uma distribuição a contento seja em VHS ou DVD. Até a Classicline agora distribuir seus dois filmes nesta edição caprichada.

Todos os detalhes desta edição você confere neste vídeo. Não se esqueça do seu like e se chegou agora, se inscreva no canal para não perder nada!

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Primeiros anos de Brasil: Mickey tinha outro nome e estava disposto a matar ou morrer

 
Mickey Mouse, personagem central da hoje mega corporação Disney, chegou ao Brasil ao mesmo tempo que nos jornais dos EUA, no ano de 1930. Mais precisamente no jornal infantil Tico – Tico de 26 de Março daquele ano, edição 1277.

Sem alarde algum, o destaque na capa daquele número foi para uma tira de J Carlos. Mickey estreou aqui como quem não quer nada, azul e seu nome era O Ratinho Curioso.

A primeira tirinha publicada auto explica o nome que ganhou aqui. Obviamente depois o Mickey iria muito além de sua curiosidade.

O Tico-Tico trazia quadrinhos, poesias, brinquedos de recortar e montar, lendas brasileiras e coisas do tipo. Porém, As Aventura do Ratinho Curioso eram, aos olhos de hoje e toda fofice que a Disney impregnou seus trabalhos, barra pesadíssima!

Tinha caso extraconjugal da Minnie (que se chamava Macaquita!!!), lavar a honra com sangue e... Suicídio! Veja essa tira publicada em 8 de abril de 1931, preservada a ortografia da época.

 

-Isso é demais! - Dizia Ratinho Curioso ao ver a Macaquita "flirtando",

- Vou entrar e arrebentar a cabeça daquelle rato inferior!

- Venha cá, seu Ratinho Curioso! - Gritou uma voz. - Não seja maluco! Não comprehende, 

 ...que se voe! entrar e matar o "seu" Guedes a Macaquita fica contra você?

- Sim! - respondeu Ratinho Curioso dando voltas em redor da casa da Macaquita.

Emquanto isso se passava, Macaquita perguntava: - Que devo tocar agora, "seu" Guedes? 

E do lado de fora, Ratinho Curioso pensava que "seu” Guedes estava beijando Macaquita.

E, furioso, passeava de um lado para o outro, apressado, agitado, zangado.

Depois, Ratinho Curioso sentou-se, muito triste. A Macaquita - pensava - era uma ingrata.  

E agitado, parava para as pessoas que passavam na rua.

Por fim, Ratinho Curioso tomou uma resolução. Ia matar-se

-Por que devo viver mais? Vou pôr termino á vida (continua)


Eita! Que o Ratinho Curioso era da pá virada, hein?! Não sei o que acontece na continuação, o próximo não parece ter sequência a isso, mas certeza que não teve Ratinho Curioso com os miolos esmagados. Certeza?

Bom, eu fui atrás das tiras originais em inglês. Só pra tirar a limpo se esse lado hardcore do Mickey não era coisa da tradução brasileira e, realmente, lá foi bem mais suavizado.

Mickey não fala que vai “arrebentar a cabeça” do oponente, nem o Horácio fala em matar, mas dar uma surra. Ainda assim, o final é esse mesmo, o rato decide por fim à sua vida.

Isso explica porque a publicação brasileira não seguiu a trama. Nas próximas tiras é mesmo ele tentando dar cabo a própria vida.

Interessante que no Brasil, como a Tico-Tico era semanal, saiam logo três ou quatro tiras juntas e coloridas. Originalmente eram diárias de uma em uma, sem cor e faziam uso de balõezinhos para o texto.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Vale a pena brincar de novo: NOVELAS!

Mais dez novelas favoritas pra gente tentar adivinhar quais são. Dessa vez, só revelamos quando a rodada acaba, pra você tentar adivinhar junto qual é só pelas pistas.

Ainda há o que aperfeiçoar no joguinho (limitar a quantidade de pistas?), mas ainda assim, é bem divertido. Tão divertido que o primeiro nem foi tão bem assim aqui e a gente repetiu agora.

Spoiler: Preparei um Hadouken pra surpreender o Marco! Conto com o seu like e se inscreva no canal para não perder as atualizações!

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Bette Davis fazendo fumaça mais que todas

Bette Davis ganhou uma pagina inteirinha para si na edição de juho de 1939 da revista O Malho. Ano mágico de sua carreira, a mocinha dos melodramas da Warner conquistava o mundo.

Esteve nas telas com nada menos do que quatro filmes. Incluindo Vitória Amarga (Dark Victory de Edmund Goulding) que lhe valeu uma indicação ao Oscar e o alardeado desempenho favorito da estrela.

Mas o texto da revista não se referia a nenhuma interpretação emblemática da maior atriz de Hollywood. Leia abaixo, preservando a grafia da época (pra termos uma noção como a coisa é antiga pra valer).



"Bette Davis, Como Marlene Dietrich, é uma das estrellas cinematographicas que mais frequentemente se mostra na tela com um cigarro nos lábios.

Vemo-la sempre nessa atitude elegantíssima que é hoje tão comum nas mulheres de bom gosto e de bons meios, num tempo em que cigarro pôde ser considerado o indice de aristocracia espiritual.

Mas o curioso é que essa notável preferência não é apenas um recurso para agradar e attrahir "fans".

Entrevistada, ha pouco tempo, pela redactora de uma publicação novayorkina - senhora propensa, aliás, a condennar o delicioso prazer do fumo - Bette respondeu, sinceramente, singelamente, á pergunta que ella lhe fez sobre essa preferência:

- Fumo, porque fumar me dá prazer...

O cigarro, assim como Bette Davis tem duas faces bôas, duas úteis qualidades."


Isso mesmo! Uma ode ao cigarro! E nem é publicidade de alguma marca nem nada, mas elogios ao hábito de fumar.

Bette, maravilhosa, pertence a um outro tempo, um outro mundo. Fez gêmeas duas vezes, geralmente em filmes e novelas o cigarro é usado para distinguir qual é a má.

Em Uma Vida Roubada (A Stolen Life, 1945 de Curtis Bernhardt) ambas fumam. Em Alguém Morreu em Meu Lugar (Dead Ringer, 1964 de Paul Henreid) a gêmea rica parou de fumar porque isso fazia mal a sua cútis. 

Adivinha qual delas é a morta do título?

Aliás, Paul Henreid, o diretor deste último foi também seu galã em A Estranha Passageira (Now, Voyager, 1942). Famoso pelo mocinho acender dois cigarros ao mesmo tempo e depois dar um para ela.

A atitude virou mania entre os românticos da década de 40. Coisa que os dois não podiam deixar de repetiram nos bastidores do filme 60’s. Para alegria do departamento de marketing.

Um hábito de toda uma vida. Incrível que mesmo quando não era um hábito condenável, como no final da década de 30, Bette Davis já era referência ao tema entre atrizes de Hollywood.


Veja também:

Baforadas de maldade