segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Dietrich finalmente em edição bem chique

E das coisas difíceis de entender: Marlene Dietrich sempre foi bastante popular no Brasil, mas na era do DVD recebeu poucas edições de seus filmes condizentes a seu nome.  Quando não tinham uma qualidade VHS de imagem, qualquer extra era um verdadeiro milagre!

Então, mais que bem vinda esta edição de agora da Obras-Primas dedicada à atriz. Realmente merecedora do título “Edição especial”, com todos os cuidados que um produto que tenha esta definição precisa ter.

Ao todo são quatro filmes dirigidos por Josef von Sternberg, o diretor que, para muitos, criou Marlene Dietrich. Quatro verdadeiros clássicos, dos sete que a parceria entre os dois rendeu.

No vídeo desta segunda você conhece os detalhes desta edição. Lembrando, claro, que este vídeo não faz parte de parceria.

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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Ator conseguiu o impossível: carreira no cinema convencional e adulto

Robert Kerman foi um dos poucos a conquistar a façanha de ser reconhecido como ator “sério”, após estrelar muitas produções adultas. Como sempre sonhou em atuar, após estudar participou de várias peças, inclusive na Broadway, mas precisava pagar as contas!

Eram os anos 70 e a indústria do cinema pornográfico explodiu após o sucesso de Garganta Profunda (Depp Throat, 1972 de Gerard Damiano). Como muitos aspirantes ao estrelato, o caché por pequenos papeis não sexuais nestas produções eram alguma fonte de renda extra.

Aquela época é conhecida como os anos dourados do cinema adulto, havia a pretensão de transformar aqueles filmes como outro gênero qualquer. Participar de um trabalho desses não significava o mesmo que hoje, claro.

Pós revolução sexual dos anos 60, atuar nestas produções significava que você era uma pessoa pra frente, liberta. Porém, sempre existiu o preconceito  e o estigma com sexo, tanto que Robert Kerman só foi realmente atuar pra valer aos 28 anos em Anyone But My Husband de 1975, quando sua mãe já havia morrido.
Estreando com C.J. Laing em Anyone But My Husband
Ele pegou logo o papel do protagonista, o marido do título, um libertino que negligencia a esposa num dos poucos filmes do tipo dirigidos por uma mulher, Roberta Findlay. Teve apenas duas sequências de sexo e apareceu sob o infeliz pseudônimo Robert Kerr, quase o nome real dele.

Logo mais ouviria de um produtor a importância de ter outro nome para esse tipo de filme se ele pretendia ser ator fora dali, então, vendo uma caixa e vinho Bolla passou a assinar R. Bolla nas quase duas centenas de filmes que participou.

Robert Kerman ou R. Bolla, era charmoso, mas não era bonito ou tinha o físico avantajado em nenhum sentido. Mas ele era um ator de verdade, com vasta experiência no teatro e topava, então, como havia tentativa de se fazer cinema de verdade, embora adulto, diretores e produtores escalavam R. Bolla para papéis importantes.
Com a lendária Bambi Woods em Debby Topa Tudo 
Papeis importantes como o patrão insistente de Bambi Woods em Debbie Topa Tudo (Debbie Does Dallas, 1978 de Jim Buckley). Ele é muito lembrado por este filme que se tornou um cult bastante discutido na internet.

E nunca desistiu de atuar em produções convencionais, se dizia muito orgulhoso do talento dramático. Esteve ao lado de Richard Dreyfuss em participação pequena no oscarizado A Garota do Adeus (The Goodbye Girl, 1977 de Herbert Ross).

Sua grande chance aconteceu ao conhecer o produtor italiano Giovanni Masini. Ele acabou escalado para o papel principal do polêmico Holocausto Canibal (Cannibal Holocaust, 1980 de Ruggero Deodato), uma experiência única que lhe abriu as portas ao cinema italiano.
Em Canibal Holocausto de 1980, seu filme mais importante
A seguir conquistaria outro personagem de destaque em outro filme forte: Vivos Serão Devorados (Mangiati vivi!, 1980 de Umberto Lenzi). Cansado do pornô, Kerman entendeu que  o caminho seria trabalhar na Europa, mas a Itália não concedeu visto para trabalhar lá.
Em 1981 esteve em Os Vivos Serão Devorados, outra produção de horror italiana
Isso fez com que sua participação no hoje cult Canibal Ferox (Cannibal ferox, 1981, também de Umberto Lenzi) ficasse restrita a algumas sequências filmadas em Nova York, e claro, minou sua carreira internacional no cinema “convencional”. Nesse período ele apareceu em algumas séries de TV e continuou atuando como R. Bolla em fitas proibidas para menores.

R. Bolla sobreviveu à transição da película para o videotape da indústria pornô, época em que o VHS inundou as videolocadoras e sem dúvidas, ajudaram a consolidar a mania de alugar filmes. O videotape barateou a produção, mas também banalizou o subgênero exigindo que fossem produzidos um atrás do outro.

Continuaria até 1985 quando rodou Sexo & Cia.(Corporate Assets, 1985 de Thomas Paine). O ator garantiu que esta sátira dramática ao mundo corporativo foi seu ultimo trabalho adulto.
Aos 38 anos em Sexo & Companhia, seu último trabalho adulto
Porém, como era comum na indústria pornô na época do vídeo cassete, continuaram saindo fitas com seu nome em coletâneas, remontagens e coisas do tipo. Assim, você podia assistir Kerman ao lado de Kevin Costner em Sem Saída (No Way Out, 1987 de Roger Donaldson) e alugar um lançamento picante em VHS onde, agora sob pseudônimo R. Bolla,o mesmo ator atuava ao lado de Amber Lynn.

As coisas só desandaram quando o agente cancelou o contrato desistindo de representar o ator pelo passado no cinema adulto. Robert Kerman, que dizia nunca ter se envergonhado desse passado, mas se arrependido de não ter focado apenas na carreira de “ator convencional” entrou em depressão se afastando até boa parte dos anos 90.
Na ficção científica The Satisfiers of Alpha Blue, 1981, do mesmo diretor de Garganta Profunda
Seu nome seria lembrado em 2001, no relançamento nos cinemas dos EUA de uma cópia restaurada de Canibal Holocausto. Ele aceitou sair da aposentadoria para promover o filme em Los Angeles.

Foi neste evento onde conheceu Sam Raimi. O diretor o convidou para participar de O Homem-Aranha (Spiderman, 2002) numa pequena aparição, mas importante, visto que ele estava fora do show buzines por mais de uma década.
Na cena da grande luta na ponte de O Homem-Aranha
Acabou sendo sua despedida num longa metragem. Nos últimos anos, graças ao DVD e a internet, seus filmes, principalmente os italianos, voltaram a ser populares e ele frequentou algumas vezes convenções de fãs de horror.

Robert Kerman nunca casou, nem teve filhos e vivia numa casa de repouso na companhia do gato Socrates. Ele estava com 71 anos de idade quando faleceu de complicações derivadas do diabete em dezembro de 2018.

Veja também:
Tal qual Hitchcock, diretor de Garganta Profunda apareceu em vários de seus filmes. Veja!
Hit levou atriz de filmes adultos às pistas de discoteca e trilhas de novelas
O improvável romance de ícone gay com cantora de jazz
5 astros clássicos em filmes disponíveis em sites de vídeos adultos

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Sim! Tem quem leve Mamãezinha Querida a sério

E me senti na obrigação de retornar ao episódio 57 do canal aqui do blog. Aquele vídeo onde eu opinava sobre o quão estranho era atacarem Joan Crawford por Mamãezinha Querida. https://youtu.be/zy0ESORFp7o

O vídeo mostrava ambos os lados sobre o livro escrito por sua filha e como aquilo tudo parece ser mero chamariz para lucrar em cima de uma mãe/estrela de Hollywood que já não está aqui para se explicar. E não é que surgiram vários comentários (muitos bem agressivos) garantindo que aquilo é tudo verdade mesmo?

De gente acreditando que a Joan Crawford interpretada por Faye Dunaway em Mamãezinha Querida (hoje a adaptação do filme é bem mais popular do que o livro) e a pessoa que viveu de verdade são a mesma? Pois é! 2019 e ainda se mistura cinema com realidade!

E essa “verdade absoluta” trouxe algumas acusações e até diagnóstico psiquiátrico "Mãe Narcisista" (embora as próprias pessoas já tenham apagado alguns). Então cabe voltar ao tema, porque parece que as coisas entre transtornos sérios e mexericos com estrela de Hollywood não são claras para muitos.

Para entender melhor, assista ao vídeo, o papo tá bem reto e o assunto é sério, embora eu tenha tentado levar com a leveza que condiz a um canal de entretenimento! Por favor, para comentar, assista antes até o final e lembre-se de ser educado.  

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Veja também:
O que há de errado em Mamãezinha Querida
Para quem me pergunta se Joan Crawford era mesmo a bruaca que maltratava criancinhas


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Filme de horror seria bizarra tradição natalina de Elvis Presley

É bem normal que mitos como Elvis Presley sejam cercados de algumas lendas pitorescas debatidas por legiões de fãs. Consta, por exemplo, que seu filme favorito de natal era Noite do Terror (Black Christmas, 1974 de Bob Clark).

Todo natal ele assistia, se transformando em verdadeira tradição da família. Após sua morte Priscilla e Lisa-Marie, sua ex-esposa e filha, continuam assistindo todo fim de ano como forma de homenageá-lo.   
Noite do Terror ajudou a moldar o que se chamaria de slasher nos anos 80. Dirigido com elegância pelo mesmo Bob Clark de Porky's: A Casa do Amor e do Riso (1981), o filme é sobre um serial killer que ataca uma república de garotas na noite natalina.

No documentário O Legado de A Noite do Terror (Black Christmas Legacy, 2015 de Justin McConnell e George Mihalka) a estrela Olivia Hussey cita essa predileção do Elvis e de sua família. Ou seja, é dado como certo até por quem fez o filme.
Não podemos esquecer que Elvis morreu (?) em 1977 e o filme é de 1974, então, se verdade, não foi uma tradição natalina tão tradicional assim. Tradicional pro Elvis é usar costeletas e comer sanduíche de pasta de amendoim com banana. 

Outra coisa é que um de seus hits se chama Blue Christmas, nome homônimo ao single que ele lançou em 1964. De blue pra black é um pulo e pode fazer sentido pra muita gente, né?

Postagens em um dos maiores fórum de fãs de Elvis dizem que nunca tinham ouvido falar sobre esta relação entre ele e o filme de terror. Ainda assim, o remake de 2006, cujo título no Brasil recebeu uma tradução literal (Natal Negro) batizou sua protagonista como Kelly Presley.

Veja também:

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Sailor Moon teve gibi estranho no Brasil

Sailor Moon aportou no Brasil em 1996 na extinta TV Manchete. Fazia parte daquele boom de anime e seriados japoneses que tomaram conta do Brasil naquela época e as expectativas dos licenciadores eram as melhores possíveis.

Mas para chegara às bancas, caminho certo de tantos desenhos da TV, não se pensou no mangá. Provavelmente supondo que não estávamos preparado para o formato tão comum aos japoneses, a Editora Abril lançou uma revista em quadrinhos que tentava ser “comum”, não o mangá que havia lançado a personagem no país de origem em 1992.

Editoras como a Nova Sampa já haviam distribuído mangás nas bancas nacionais, mas títulos adultos do tipo Crying Freeman. Não eram obviamente coisas que iriam atingir um público gigantesco como uma publicação de personagens de desenho animado visto numa emissora aberta.

Ainda em 1996 a editora JBC apareceria distribuindo finalmente mangás fieis a sua origem, mas traduzidos ao português. Títulos como Samurai X, Sakura Card Captors e Video Girl AI preservavam a ausência de cores e até a leitura da esquerda para a direita. Um sonho?

Bem, mas estamos falando do gibi da Sailor Moon e da adaptação que apareceu nas bancas dos episódios do anime.  Logo no número um explicam que o estrilo é “quadrinhos animados”, um tipo de fotonovela que transportava em algumas páginas a ação do desenho.

No vídeo desta segunda-feira você vê detalhes de algumas destas edições da serie publicada pela Editora Abril. São quase todos os números, embora nem eu lembrava que tinha tudo isso...

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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Olivia de Havilland como você nunca viu (Até porquê nem era ela!)

 Hollywood é isso: nos vende a imagem de astros e estrelas que levamos pro resto da vida. Como por exemplo, a Olivia de Haviland, a doce e virginal Olivinha para sempre.

Aí me deparei com esta imagem de 1936, loira e glamorosa com essa legenda garantindo que é a Olivia de Havilland. Ué...  Tô louco?! Que fase cocota da Olivinha é essa que eu nunca tinha visto?
A foto é uma referência a Sonho de uma Noite de Verão (A Midsummer Night's Dream, 1935 de William Dieterle e Max Reinhardt). Mas NÃO É MESMO a Olivia de Havilland!

É na verdade a atriz Anita Louise como Titania, a Rainha das Fadas. Não sei como aconteceu essa confusão, porque Olivia estava apenas em seu terceiro filme enquanto Anita era veterana, oriunda do primórdios do cinema, mais de dez anos antes.

Aliás, o reclame do filme nem incluiu o nome de Olivia de Havilland e sim o de Anita Louise. O quarto nome, mas ainda o único nome feminino ali.
Fora esse engano num jornal brasileiro, as duas se esbarraram na carreira de verdade. Quando foi produzir As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of Robin Hood de Michael Curtiz) a Warner pensou primeiramente no nome de Anita Louise para ser a doce Maria, mas recuou ao ver o apelo de Havilland em filmes de aventura como Capitão Blood (Captain Blood , 1935) e A Carga Ligeira (The Charge of the Light Brigade, 1936, todos sob direção de Michael Curtiz).

Todos, não por acaso, fazendo dupla com o galã Errol Flynn. Não seria nada prudente perder esse apelo numa super produção como aquela transcorrida em Sherwood e assim foi!
Sim, sim! Errol Flynn e Olivia de Havilland se detestavam, mas... “There's no business like show business”! Robin Wood foi um tremendo sucesso, consagrou de vez o status da moça com apenas 3 anos em Hollywood e sua vida só não foi um mar de rosas na Warner porque ela bateu o pé pra poder ir no estúdio rival fazer ...E O Vento Levou (Gone with the Wind, 1939 de Victor Fleming e outros).

Já Anita Louise, a veterana, se contentou em estrelar O Filho de Ron Wood (The Bandit of Sherwood Fores, 1946 de Henry Levin e George Sherman), versão bem mais modesta que a Columbia produziria ainda tentando espremer o hit que o concorrente fez em 1938. Logo ela se dedicaria exclusivamente a series de TV, tornando-se pioneira no veículo.

Veja também:
Quando Olivinha completou um século
Beijos na tela, desprezo fora dela


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Origem de Betty Boop que o mundo esqueceu

Betty Boop é um dos personagens dos desenhos animados mais duradouros da história. Sua origem não era segredo pra ninguém, na época causou escândalo e estampou os principais jornais do mundo, mas a história esqueceu disso!

Para todos os efeitos, a criação da personagem sexy foi a partir de Helen Kane, uma cantora popular branca do final dos loucos anos 20. No vídeo desta semana vemos que não é bem assim e que a persistência nesta versão omite uma talentosa artista afro americana.

Conheça Baby Esther, a avó negra de Betty Boop! Conto com o seu like e se inscreva no canal para que mais vídeos como este aconteçam.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Super-herói brasileiro contra a Censura Federal

Em 1984 a Ditadura Militar no Brasil dava seus últimos suspiros, mas ainda se agarrava ao que podia: Censurar! No período pelo menos já se podia noticiar que ela existia, ao contrário de épocas mais duras onde não se podia revelar casos de corrupção e abusos do governo.

A novela Vereda Tropical foi ao ar de julho de 1984 até fevereiro de 1985 no horário das 19 horas da TV Globo e representa um pouco o momento que vivíamos. Escrita por Carlos Lombardi e Silvio de Abreu, três dias antes de sua estreia, numa sexta feira, a Censura Federal proibiu a trama de ir ao ar naquele horário, exigindo 32 cortes no primeiro capítulo, segundo a página de memórias da emissora.

Lombardi, Abreu e representantes da Globo tiveram que esperar a segunda-feira para voarem até Brasília pela manhã e negociar com o DCP (Divisão de Censura de Diversões Públicas, Órgão Federal criado para censurar o que era produzido na TV, rádio, cinema e teatro) até conseguirem liberar o que seria exibido algumas horas depois. Após a novela ser anunciada por meses, muitos capítulos gravados, empregos gerados, poucas horas antes de sua estreia ainda estavam tendo que se explicar para ela ser liberada.

Tudo Isso É TV
Ainda assim, a história de Vereda Tropical aproveitava o espirito de chanchada para tocar em alguns pontos importantes para o país, como eleições na fábrica de perfumes em que a trama girava. Todos com figurinos verde e amarelo, embora fosse apenas a disputa de presidência de uma industria.

E claro, a mocinha Silvana, interpretada por Lucélia Santos, era grevista e lutava contra o poderoso dono da empresa de perfumes em que trabalhava, interpretado por Walmor Chagas. Não por acaso, o avô de seu filho Zequinha (Jonas Torres), que quer pegar para si a guarda da criança.
Memória Globo
Mas não vivianos a ditadura? Sim, vivianos! Censores podiam até deixar passar coisas relativas a política (afinal, era só uma comédia rasgada), mas se focaram em temas conservadores, que mexem muito mais com o telespectador mediano.

Tanto que até hoje existe para alguns a ilusão de que aqueles tempos eram uma maravilha, não havia corrupção e o governo nos protegia da "bandalheira". A censura, aos olhos de muitos, só existiu para defender “a moral e bons costumes”, nunca para esconder desvios do governo.

Foi assim que o personagem Teo do Marcos Frota correu risco de desaparecer da trama, segundo contou o autor Carlos Lombardi a revista Amiga daquele ano, escaneado e publicado no blog Tudo Isso É TV. A censura federal pediu explicações maiores sobre o fictício “chá de raiz de corajeira” que o personagem tomava para se transformar no descolado Cazuza.
Tudo Isso É TV
Várias cenas já haviam sido aprovadas antes deles identificarem como possível “erva alucinógena”, conforme Lombardi disse à época. Assim sendo, Cazuza desapareceu da trama e ganhou destaque o herói Super Teo, alter ego do personagem quando se imaginava corajoso, que estava em segundo plano após o aparecimento do chá na história.

O autor ainda denunciou que a censura federal agia com frequência em seu texto, cortando diálogos como os de Silvana e Luca (Mario Gomes) sobre viverem maritalmente sem serem casados oficialmente. Em outra edição a revista Amiga também publicou que o romance entre os personagens de Angelina Muniz e John Herbert teve que voltar pra traz a mando da censura já que ele era casado e adultério não podia.

Parece que estamos falando de 1930 ou uma outra era muito remota onde tudo escandalizava, mas era apenas 35 anos atrás. Mesmo com o fim da Ditadura em 1985, o DCP continuaria existindo até 1988, quando a nova constituinte nos trouxe a tão almejada democracia plena.

Veja também:
Censura e as mentiras que a memória nos conta

terça-feira, 17 de setembro de 2019

O desespero de Sybille Schmitz

 Assim que terminou os estudados de artes dramáticas, Sybille Schmitz entrou para o cinema alemão se tornando rapidamente em uma das maiores estrelas dos gloriosos primeiros anos do cinema sonoro daquele país. Sua trajetória é lembrada por ser tão rápida quanto trágica.

O primeiro longa da atriz foi Dário de Uma Perdida (Tagebuch einer Verlorenen, 1929 de Georg Wilhelm Pabst) ao lado da lendária Louise Brooks. Schmitz tinha apenas 20 anos e após Pabst trabalharia com outro gigante, Carl Theodor Dreyer em O Vampiro (Vampyr, 1932), já um filme sonoro.
Seu personagem de O Vampiro a literalmente a imortalizou. É hoje um dos seus papeis mais lembrados, sendo que o nome Sybille Schmitz batiza uma vampira na série japonesa de romances pop Vampire Hunter D.

No mesmo ano ela seria contratada pela uFa, o poderoso estúdio de cinema germânico que passou a lhe dar papeis de protagonistas fortes e sedutoras. Seu nome seria estampado nos jornais do mundo todo, inclusive no Brasil, pela profética ficção científica Devastador do Mundo (Der Herr der Welt, 1934 de Harry Piel).
Anuncio publicado no Brasil em 1934 com o nome de Sybelle Schmitz
O período de estrelato de Sybille Schmitz coincide com a ascensão de Hitler e o Terceiro Reich.  Ao contrário de muitos astros, estrelas, técnicos e artistas em geral que saíram da Alemanha e conquistaram brilhantes carreiras em Hollywood, Schmitz seguiu brilhando em produções locais.

Seu nome não foi sancionado pela Reichsfilmkammer (RFK), órgão criado para regular a indústria cinematográfica na Alemanha nazista entre 1933 e 1945, mas também não causou incomodo a Joseph Goebbels, Ministro da Propagando do Partido Nazi. O antes forte cinema alemão passou a ser usado como propaganda dos ideais do Partido perdendo qualquer relevância ao resto do mundo.

Sybille Schmitz tinha traços semitas e ligações com a comunidade judaica. Começou a receber papeis em sua maioria secundários, perdendo espaço a heroínas loiras de olhos claros, perfil alinhado ao governo vigente, ou interpretando estrangeiras pouco confiáveis.  
1934 em A Valsa do Adeus
Sua carreira foi minguando e as coisas ficaram cada vez mais difíceis durante a Segunda Grande Guerra. Seguiu esperando Hitler cair e quem sabe assim, sua situação profissional voltasse ao que era. 

Deprimida, Schmitz passou a beber cada vez mais e a usar drogas. O abuso de entorpecentes ajudou a deteriorar seu casamento com o roteirista Harald G. Petersson, união que foi de 1940 a 1945, quase o mesmo tempo da Guerra, sendo que os melhores filmes em que esteve no período tinham roteiro do marido. 
Em 1943 na versão nazi do titanic
Quando Hitler finalmente foi derrubado em 1945 países como os EUA tiveram como uma das prioridades resguardar o agora cambaleante cinema alemão para que mais nenhum nazista tivesse acesso a esta poderosa ferramenta de comunicação de massas. Assim, todos os que haviam trabalhado lá passaram a ser proibidos na área.

Se os papeis de Sybille Schmitz no cinema já eram difíceis nos últimos anos, agora se tornaram quase impossíveis. Levou dois anos pra voltar a atuar, e ainda assim em personagens bem distantes dos que já interpretou.

Rumo ao anonimato e misturando drogas a álcool ainda com mais frequência, a atriz teve algumas tentativas de suicídio. Cada vez com menos dinheiro, passou a ser vista implorando trabalho, tentando fazer as pessoas se lembrarem de quem ela era antes da Alemanha Nazista.
Em 1954 no filme Das Haus an der Küste
Em 1955, com apenas 45 anos de idade, ela se matou com uma overdose de soníferos. Na época vivia com uma médica chamada Ursula Moritz. Segundo suspeitaram, essa mulher vendia-lhe morfina em “doses” cada vez maiores e mais frequentes enquanto fazia uso do pouco dinheiro que ela ainda tinha, até ficar sem nada e não lhe interessar mais.

Em 1982 Fassbinder dirigiu O Desespero de Veronika Voss  (Die Sehnsucht der Veronika Voss) inspirado nos trágicos últimos dias de Sybille Schmitz. Aliás, talvez o filme mais maravilhoso “baseado numa história real”.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Edição especial de colecionador (de verdade) a preço de amendoim torradinho!

Se há um astro da Era de Ouro de Hollywood cuja trajetória está bem representada em DVD no Brasil, este astro é John Wayne. O cowboy que sobreviveu a tantas fases do cinema comercial norte americano é um nome bastante conhecido no Brasil.

Há muitos DVDs, caixas e edições disponíveis, mas esta da Paramount se distingue por reunir quatro filmes pouco exibidos produzidos pela Batjac, empresa do próprio ator. Eles estão distribuídos em quatro discos, sendo três deles em edições especiais de colecionador.

E neste caso, são “edições de colecionador” mesmo! Cheios de material bônus relevante de interesse além de fãs do faroeste, mas do cinema clássico em si.

Tudo isso pode ser encontrado nas boas lojas do ramo a preço incrivelmente palatável! Assista ao vídeo para saber mais e claro, nãos e esqueça de deixar o seu like e se inscrever no canal caso ainda não tenha feito. :)

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Não! O primeiro beijo inter-racial da TV não foi o de Star Trek

 Nesta semana voltou a circular nas redes sociais matéria de2018 da Revista Galileu da Editora Globo comemorativa aos supostos 50 anos do primeiro beijo inter-racial da história da televisão. Teria acontecido em um episódio de Star Trek (Jornada nas Estrelas) exibido pela primeira vez em 10 de setembro de 1968.

No episódio "Plato's Stepchildren" (E10S03) o Capitão Kirk e a tenente Uhura ficam em transe e acabam praticando o então escandaloso beijo. O ato rendeu a emissora verdadeira chuva de cartas reclamando da afronta a moral e bons costumes.

Pela gigante base de fãs da série de ficção científica, consagrou-se o fato histórico a ela, mas em 2015 descobriram cenas em episódio da novela britânica Emergency - Ward 10 de 1964 com um beijo inter-racial. E foi beijo de afeto, não um beijo não consensual por meio de "hipnose" como Star Trek mostraria quatro anos depois.
Joan Hooley e John White em Emergy Ward 10,  episódio de julho de 1964
Porém, depois ainda descobriu-se que este também não foi o primeiro beijo entre pessoas de origens étnicas diferentes na televisão! Em 1958, portanto, mais de uma década antes de Star Trek, telespectadores da rede britânica ITV assistiram a um beijo inter-racial no teleteatro Hot Summer Night de Ted Willis.
Andrée Melly e Lloyd Reckord em  Hot Summer Night de 1 de fevereiro de 1959
Então foi pelo menos o primeiro da TV americana? Desconsiderando o casal da série I Love Lucy (1951 a 1957) formado por uma atriz de ascendência europeia com um homem hispânico de origem cubana por ele ser considerado branco, ainda houveram beijos de caucasianos a atrizes de ascendência asiática nas séries  Adventures in Paradise (1960), Os Destemidos (I Spy, 1966) e James West (The Wild Wild West, 1966) .
Os Destemidos - Episódio The Tiger, 5 de janeiro de 1966
 James West - Episódio The Night the Dragon Screamed, 14 de janeiro de 1966
Fora da ficção os norte americanos viram uma garota branca beijando um homem negro (quase na boca) em 1967, um ano antes de Star Trek, em Movin' with Nancy, especial de fim de ano da cantora Nancy Sinatra. Foi bem rápido entre ela e Sammy Davis Jr.
Nancy Sinatra e Sammy Davis Jr no especial Movin' with Nancy de dezembro de 1967
Na faixa de comentários de quando o especial saiu em DVD em 2009 a cantora diz que o beijo pueril no amigo de seu pai foi deliberadamente no final das gravações daquele número.  Era o último dia de filmagens e depois ele não estaria mais disponível, forma para que não fosse cortado na edição por pressão de emissora ou anunciantes.

Aqui no Brasil é ainda mais complicado precisar quando aconteceu o primeiro beijo inter-racial na TV porque tivemos muitos teleteatros desde a sua inauguração, em 1950. Porém, mereceu destaque no documentário A Negação do Brasil (2000 de Joel Zito Araújo) a novela Antônio Maria escrita por Geraldo Vietri para a TV Tupi entre 1968 e 1969.
Jacira Silva e Marcos Plonka em Antônio Maria (1968/1969)
Nela a empregada Maria Clara, interpretada por Jacira Silva, conquistou destaque na trama se relacionando com o bondoso Honório Severino, interpretado pelo ator e humorista Marcos Plonka. O casal chega a se casar e o noivo dá um beijo na testa dela. Severino declara olhando pra câmera: “Eu também amo a Maria Clara. O que importa se ela é de cor se a alma dela é branca e pura? É só isso que interessa”.  

Voltando à Star Trek, por enquanto, podemos considerar mais correto considerá-lo como o primeiro beijo entre um  ator branco e uma atriz negra apenas na TV dos Estados Unidos. Não foi o primeiro inter-racial daquele país, nem o primeiro da história de toda televisão.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Nem todos assistem filmes sabendo o que é

Talvez seja o maior problema das equipes de marketing! Não importa a quantidade de dinheiro gasto, muitas pessoas vão assistir aquele filme sem saber nada dele.

Não filminho alternativo, independente coisa e tal. Filme de Oscar, de diretores celebrados cujas informações sobre o projeto lemos desde que tudo era apenas um roteiro!

No vídeo desta semana vemos alguns destes casos estranhos, porém pouco comuns.  Selecionei histórias divertidas, mas há aqueles tristes em que “graphic novel” é tratada como gibi infantil porque tem desenho e a palavra “criança” no título.

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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Segredo de beleza da mulher mais bela do mundo

Em 1966 Ursula Andress era a mulher mais bela do mundo. E ela adorava a espuma cosmética de Lux!

Anúncio de sabonete do tempo em que as pessoas tinham tempo para ler textão. A vida da bond girl parecia um conto de fadas em que ela passava os dias chupando uvas de seu próprio parreiral.
Aos 30 anos o seu segredo de beleza era passar o sabonete da marca na cara. "É claro que eu tenho recursos para custear tratamentos de beleza caros. Mas por que me preocupar, se Lux basta para garantir minha aparência suave, feminina, que os outros dizem ser encantadora?".

Na década de 60 a indústria cosmética ainda apelava a seu mais surrado expediente para convencer pessoas (mulheres especificamente) a trocarem a barra de sabão por um sabonete. Não apenas lava, mas é “um tratamento de beleza”.
Até o sabonete Lux com seu tradicional slogan “Preferido por 9 entre 10 estrelas de cinema” não abria mão da santa experiência embelezadora. Sabonetes ficaram tão comuns que passaram a ser vendidos apenas pelo cheirinho lá pelos anos 80.

Isso até o Dove aportar no Brasil em 1992 com seu alardeado “creme umectante”. E ponto! Lá vamos nós de novo consumir sabonete milagroso para as cútis mais exigentes.
Eu!
Calma que depois do tratamento de beleza os sabonetes ainda ficaram hiper poderosos contra 99.9% das bactérias. É claro que o 1% das bactérias equivale aquela estrela de cinema que era diferentona das outras nove na hora de tomar banho.

Veja também:


terça-feira, 10 de setembro de 2019

Tempão que filme favorito de Al Bundy foi exibido na televisão

Diga-me que filme gostas e te direi quem és. O de Al Bundy é o pouco lembrado Caminhos Ásperos, cujo título original é Hondo, o nome do protagonista interpretado por John Wayne em 1953.

No 24º episódio da oitava temporada de Um Amor de Família (Married with Children) Al está empolgadíssimo porque a TV vai finalmente reprisar Hondo. Só que, claro, não será fácil ele matar essa saudade toda porque as coisas nunca são fáceis a um Bundy.
O filme foi um colossal flop na carreira de Wayne e o próprio pôs a culpa na semelhança até no título com Os Brutos Também Amam (Shane) dirigido por George Stevens no mesmo ano.  Era da produtora do astro, fotografado em 3D e tudo isso fez com que o filme fosse raro de ser exibido na Televisão.

Al Bundy não está exagerando quando diz que não assiste há 17 anos. Aqui no Brasil não foi diferente com raríssimas exibições televisivas, um VHS que só saiu em 2003 segundo o IMDB, fez de Caminhos Ásperos se tornar dos menos conhecidos trabalhos na  filmografia do maior cowboy de todos.
É o melhor dele? Muito provavelmente não. Um totem em celuloide ao velho homem norte americano, no sentido de velho e ultrapassado mesmo e não há a menor dúvida que pessoas como o esposo de Peg amariam assistir Hondo!

Grosso e racista, a história não se poupa de mostrar um menininho atirando contra nativos americanos! Pra você ter uma noção da aspereza da coisa, o moleque diz que não se refresca no rio porque não sabe nadar e Hondo dá um jeito nisso.
Não entrando na água e ensinando braço pós braço como qualquer pessoa com noção faria, mas jogando o moleque longe, pra ele se virar sozinha ou morrer afogado. Tai uma coisa que Al Bundy faria com o seu filho Bud.

No episódio em questão ele faz isso! Mas com uma máquina registradora quando fica preso no supermercado justo no dia em que vai passar seu filme favorito na TV.
Até ele chegar em casa e conseguir ligar a TV, claro que Hondo já acabou. É 1994 e o narrador da emissora diz para aguardarem a próxima exibição em 18 de fevereiro de 2011!

Bem, aqui em 2019 Caminhos Ásperos já está devidamente distribuído em DVD para todo o planeta pela Paramount. Dá pra encontrar, inclusive, em qualquer bacia das almas, a preço de amendoim torradinho... 

...e acho que só Al Bundy se importaria com isso.

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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Tudo sobre os primeiros volumes da coleção Slashers da Versátil


Ali no começo dos anos 80, mas precisamente entre 1980 e 1983, os slashers eram verdadeira febre nos cinema.  A Versátil Home Vídeo tem agora resgatado várias dessas pérolas do terror numa coleção de DVDs.

Eles tiveram seu auge após Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, 1980 de Sean S. Cunningham), mas a árvore genealógica é bem longa. Fizeram a alegria dos frequentadores das videolocadoras, alcançando outro ápice enquanto o VHS existiu.

Fora os filmes mais famosos como o já mencionado Sexta-Feira 13 e Halloween: A Noite do Terror (1978 de John Carpenter), o subgênero não viveu a mesma glória com o DVD e posteriormente Blu-Ray. Sendo assim, muitos títulos são mais famosos do que as produções em si.

Relegados ao nada, lugar que o futuro geralmente reserva a sucessos muito populares popular, esta coleção da Versátil se faz relevante em mapear alguns hits do período. A boa maioria jamais lançada aqui, inclusive no formato VHS, como é o caso do infame Acampamento Sinistro (Sleepaway Camp, 1983 de Robert Hiltzik)

Há casos, como o de Dia dos Namorados Macabro (My Bloody Valentine, 1981 de George Mihalka), em que nem o lançamento de uma refilmagem empolgou o surgimento de um bom DVD do original. A propósito, a versão que eles incluíram no volume 2 está na íntegra, com todas as sequências mais brutais reintegradas, numa charmosa textura de 16mm.

No vídeo desta segunda mostro todos os detalhes dos dois primeiros volumes, inclusive o material bônus, indico os filés de cada um, avaliando também, claro, os produtos em si. Lembrando sempre que este vídeo não é resultado de parceria com a distribuidora.

Como sempre, conto com o seu like e se inscreva no canal! https://www.youtube.com/c/DolceVideo

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Arrepiante marketing de O Sexto Sentido


A maior bilheteria de 1999 no Brasil e a segunda nos EUA (ficando a trás do aguardado retorno da franquia Star Wars), O Sexto Sentido (The Sixth Sense, de M. Night Shyamalan) teve uma bem cuidada campanha de marketing. E claro, um roteiro inteligente que fez as pessoas voltarem ao cinema.

Ele entrou em circuito nacional no dia 22 de outubro. Tinha o Bruce Willis (então mais lembrado por quem assistia filmes de ação) de peruca, a “Muriel” nos EUA fazendo papel de mãe e era de um diretor de nome estranho que ninguém tinha ouvido falar.

Algumas semanas antes começaram a aparecer publicados nos jornais uns quadradinhos pretos com o número 6 como se fosse luz e a silhueta de uma pessoa na frente. O único texto fixo era “Mensagem do além:” e seguiam-se frases alteradas diariamente.
"Diga para ela que a resposta é sim" e "Tenho medo do escuro. Me Ajude"
Coisas como “Tenho medo do escuro. Me ajude” e “se você tem alma, tente me ver” segudias pelo que parecia ser iniciais de nomes. Acho que desde Os Fantasmas se Divertem (Beetlejuice, 1988 de Tim Burton) não éramos confrontados com nada do ponto de vista dos desencarnados.
"Se você tem alma, tente me ver."
E foi assim até começar a dar certo medinho e irritar. O que será isso? Outro livro espírita da Gasparetto? Não havia internet, não como agora! Seria fácil conhecer a fundo um filme com um astro como o Bruce Willis bem antes de estrear como fazemos agora.

Aliás, querendo ou não, agora recebemos uma saraivada de informação sobre absolutamente qualquer filme. Inclusive uns que antigamente não ganhariam uma nota de rodapé na imprensa.
"Estou a seu lado e você não percebe."
Em 1999 ficamos com este fiapo de manga no dente por mais de uma semana. “Estou a seu lado e você não percebe” e “Aqui faz muito frio. Preciso de ajuda”, sim, parecem ser frases que mortos diriam...!

Até que os anúncios passaram a ocupar mais de ¼ de página e ficou claro que se tratava de um filme. “Drama, suspense, mensagens do além e de repente tudo parece fazer sentido.”
É um trocadilho com o título do filme, mas também não deixa de andar no fio tênue dos spoilers, já que avisava que as coisas fariam sentido. Mas o que faria sentido? 

A trama do filme toda apoiada num hiper twiste final ou aqueles tijolinhos de publicidade que fizeram meio mundo ficar encafifado?
"Hoje nos cinemas"
Consegui escapar de qualquer revelação (ah, os tempos sem internet!) e fui alugar em VHS assim que possível. Sim! Fiquei embasbacada, rebobinei a fita e assisti tudo de novo pra ver se fazia sentido mesmo.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Minha coleção de DVDs e Blu-Rays após organizá-la

No vídeo desta semana organizo finalmente todos os DVDs e Blu-Rays da minha coleção. Quando a desorganização fica insuportável isso tinha que acontecer!

E não apenas isso. Depois de tudo finalmente mostro como os divido na estante para encontrar o mais rápido possível o título que eu quero.

Já haviam pedido pra ver isso algumas vezes, mas confesso que fiz mais porque venci a preguiça. Então, foram dois coelhos com uma cajadada só! (Tadinhos dos coelhos, mas não consigo pensar em outra velha expressão pra deixar aqui).

Nessa mesma edição ainda mostro a aquarela incrível que o Lucas Voigt me presenteou. O Instagram dele é @LuckVoigt.

Claro, não se esqueça de deixar o seu like e se inscrever no canal. Coisas bem fáceis e que ajudam bastante! https://www.youtube.com/c/DolceVideo

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Veterana revela qual é a maior dificuldade em dublar filme adulto

Pioneira da dublagem, Arlete Montenegro fala com orgulho que atua na profissão desde que começou a existir. Do alto de seus 80 anos tem uma longa trajetória como atriz no rádio, TV, teatro e cinema sem nunca ter abandonado a arte de colocar a voz em português em filmes, desenhos e séries internacionais.

No momento é imediatamente lembrada como a Senhora Puff, professora do Bob Esponja. Em filmes foi mulheres fortes como Lana Turner e Meryl Streep em O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006 de David Frankel).

Saudosistas da infância nos anos 80 vão identifica-la na voz da Urânia, a vilã de cabelo verde no clássico desenho Jem e As Holograma. Quando Urânia cantava aí era a vez da diva disco Lady Zu.

Arlete Montenegro dublou de tudo, até filme pornô! Houve uma época, ali no alvorecer do VHS (o gênero foi um grande impulsionador do fenômeno vídeolocadora) que algumas fitas pornôs foram dubladas.

Cinema do Brasil também precisou de dubladores profissionais quando não trabalhava com som direto. Então, entre os anos 70 e 80 muita sensualidade, gemidos e sussurros precisaram ser adicionado na pós produção.

A veterana, super profissional, não vê o menor problema em emprestar sua voz a qualquer que seja o material. Em entrevista ao programa Persona em Foco da TV Cultura lembrou da dificuldade em dublar filmes adultos, mas não porque haja algo a mais nas produções em si.
Considera horrível pelo comportamento de quem está a volta. Se fizer bem a cena o pessoal do estúdio fica todo assim: “Mmmm! Ó como ela sabe...”. E se não fizer bem, recatada, não lhe chamam mais pra outros trabalhos.

Isso lembra o que uma amiga quadrinista já comentou das garotas que desenham bons quadrinhos eróticos. É comum serem abordadas por leitores que acreditam que aquilo tudo no papel é baseado em experiência própria.