sábado, 14 de abril de 2018

Crepúsculo dos deuses tupiniquins: a novela dentro da novela

Espelho Mágico é aquela novela que a gente não viu, mas não acredita ter ido mal no ibope. Produzida pela Rede Globo em 1977, a trama escrita por Lauro Cesar Muniz transcorria nos bastidores de uma novela!


Coquetel de Amor era a novela dentro da novela, estrelada pelo casal Tarcísio Meira e Glória Menezes interpretando um casal de atores. Imagino que isso deve ter sido bem confuso para o telespectador, afinal, se levarmos em conta que são um casal na vida real, cada um representa três personagens aos olhos do público.
Do mesmo jeito Daniel Filho era um dos diretores de Espelho Mágico e interpretava o diretor de Coquetel de Amor. Sonia Braga (pré Julia de Dancin Days) era a jovem ambiciosa aspirante a estrela Maria Jacinta que assume o nome artístico Cynthia Levi, além de ser apontada como o estopim da separação do casal Tarcísio e Gloria (OH!) emplacou o bordão "Pomba!" .

E ainda Vera Fischer realmente estreando como uma ex miss Brasil que depois de ter estrelado pornochanchadas tentava a sorte na TV! Acaba se envolvendo com o marido de Pepita Rodrigues, aquela que abandonou a carreira pra cuidar do lar.
Parabéns ao Bidu que escalou a  Pepita pra esse papel! Se todos interpretavam algo similar ao que viveram ou viviam, ela fez o que ainda viveria.

Interessante também a Yoná Magalhães, uma ex-promessa que começou junto com a Gloria Menezes, mas foi ficando pra trás, pegando papeis de menor destaque. Inclusive em Coquetel de Amor, escrita por seu marido Juca de Oliveira.

Ressentida com a vida passa os dias solitária, tilintando um copão de whisky enquanto revê um de seus filmes antigos em 16mm. No caso, nada mais era do que a obra prima Deus e O Diabo na Terra do Sol, dirigido por Glauber Rocha em 1964.
A personagem tem um inegável quê de Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950 de Billy Wilder). Seu nome era Nora Pelegrini que ainda remete ao nome de Pola Negri, primeira femme fatale de Hollywood e primeira opção de Wilder para viver Norma Desmond.

Yoná, como sabemos, morreu ainda muito querida pelo público em 2015 após uma longa carreira principalmente na TV. Não podemos chamá-la de decadente, porém, em 1977 estava madura e distante dos papéis centrais que interpretou como mocinha das primeiras novelas da Globo.

O site Memória Globo disponibiliza algumas cenas de Espelho Mágico, as mesmas repostadas por alguém, todas juntas, no YouTube. Lá ainda existe o ultimo capítulo completo.

Veja também:
A Gata de Vison: Metralhadoras e lágrimas
RIP Yoná Magalhães
A novela mais anos 80 dos anos 80
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