domingo, 4 de março de 2018

Tônia Carrero: morre a atriz ascende o mito

Em É Proibido Beijar clássico da Vera Cruz/Divulgação VC
 Tônia Carrero, a belíssima, faleceu ontem (3) aos 95 anos de idade. Grande dama dos palcos, estrela cinematográfica, diva de telenovelas ou simplesmente a mulher do Leite de Aveia Davene. Ela foi diversas pessoas para múltiplas gerações.

O G1 contabilizou 54 peças, 19 filmes e 15 novelas. No cinema foi importante nome na Companhia Cinematográfica Vera Cruz, onde conheceu o segundo marido, o ator e diretor italiano Adolfo Celi, do casamento anterior teve o filho Cecil Thiré.
Dirigida por Ruy Guerra no filme A Bela Palomera de 1988
De beleza física hollywoodiana e trejeitos refinados, teve no longa Fogo E Paixão (1988 de Isay Weinfeld e Marcio Kogan) uma das raras oportunidades de interpretar uma pessoa em situação de rua. Em contrapartida contracenava com Zezé Macedo, outra veterana da sétima arte brasileira, agora vivendo uma ricaça.
No cinema em seu último trabalho como atriz /Globo Filmes
Seu último trabalho foi no cinema, em 2007, no filme Chega de Saudade de Laís Bodanzky. Ao lado do ator Leonardo Villar, Chega de Saudade foi uma justa despedida num trabalho sensível sem pieguismo.

Embora tenha marcado seu nome no teatro a partir do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) ao lado de Paulo Autran, foi a TV que lhe trouxe a popularidade, como para tantos astros brasileiros. Seu visual na novela Pigmaleão 70 (1970, escrita por Vicente Sesso) popularizou o corte de cabelo Pigmaleão.
Dando nome a corte de cabela na novela Pigmaleão70/ foto Novelas Clássicas
Outro papel que marcou época na TV foi em Água Viva (1980, escrita por Gilberto Braga). Na trama das 20 horas ela foi a grã fina pra frentex Stella Simpson que chocou ao defender o topless e hábitos como tratar jovens rapazes como objeto.

Em Sassaricando (1987, escrita por Silvio de Abreu) teve seu último grande trabalho em uma telenovela. Rebecca reunia três amigas cansadas de se darem mal na vida para arrumar maridos endinheirados.
Tentando agarrar um milionário com Irene Ravache e Eva Wilma na novela Sassaricando
Acaba por se envolver com Aparício Varella (o antigo parceiro dos palcos Paulo Autran), um amor do passado que julga agora ser um faxineiro das tecelagens Abdala, desconhecendo que na verdade ele é o presidente da indústria. O núcleo claramente calcado no clássico Como Agarrar Um Milionário (How to Marry a Millionaire, 1953 de Jean Negulesco), sendo seu papel referente ao de Lauren Bacall.

Enquanto isso, aparecia todos os domingos no bloco de propaganda do programa Os Trapalhões. Eloísa Mafalda contava sobre as maravilhas da salada com o molho Sakura, Kadu Moliterno as malhas Sulfabril e Tônia Carrero do Leite de Aveia Davene. Ou melhor, ~ Daveeeene ~.
Não havia rosto melhor para anunciar um produto que prometia o rejuvenescimento. Carrero jamais escondeu a idade avançada e era mesmo espantoso aquela mulher com seus 60 e tantos ainda tão jovial.

Lá em casa não perdíamos um Os Trapalhões e costumeiramente lembrávamos que ela tinha a idade da minha avó, uma senhorinha grisalha, adepta a usar sempre umas batas floridas por casa, arrastando chinelinhos. Tônia Carrero não parecia ser desse mundo.

Veja também:
Grã fina com hábitos de pedreiro
Quando Bacall estava na bancarrota

1 comentários:

Eduardo disse...

Acho que o último grande trabalho dela em telenovelas foi em "Kananga do Japão" (Rede Manchete, 1989), interpretando a ricaça Letícia Vianna, que caía de amores pelo galã muito mais jovem (Raul Gazzola). Considero "Kananga" muito superior a "Sassaricando" em todos os aspectos artísticos.

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