quinta-feira, 13 de julho de 2017

Gringos imitando brasileiros: NBC vs. TVS

 Dono da coisa toda, quando líamos na Amiga ou Contigo! que o Silvio Santos estava de férias nos EUA havia a certeza que muita coisa mudaria na TVS, futuro SBT. De camelô a sacoleiro televisivo.

A mais yankee das emissoras de televisão brasileiras. De programas de auditório a linguagem visual, tudo vinha de gringa,  como por exemplo, a vinheta "Let'sAll Be There" da rede norte-americana NBC, no ar (em sua primeira versão) desde 1983.

Em 1987 os brasileiros se depararam com “Quem Procura Acha Aqui”, adaptação composta por Mário Lúcio de Freitas. Assista abaixo e se divirta na comparação.
Detalhe para o momento das palminhas. Se eles tinham Michael J. Fox e Pierce Brosnan...
... nós contra-atacamos com Vovó Mafalda, Silvio Santos e Cristina Rocha!

Menção honrosa para um raro e rápido registro da Bozolinda, assistente de palco do palhaço Bozo, interpretada pela Flor. Depois ela foi trocada por um efeito sonoro.
Em 1985 a NBC seguiu atualizando "Let's All Be There".
Colocou seu principal elenco da época usando umas cartolas brancas fosforescentes.
E claro que em 1989 a TVS também faria uma nova versão de “Quem Procura Acha Aqui”. Hebe, Mara e o elenco de A Praça É Nossa não poderiam ficar sem a sua cartolinha.
Pelo menos a emissora era fiel ao espírito do canal estrangeiro. Perceba que muitas das estrelas que aparecem nas vinhetas da NBC, como exceção o elenco de Family Ties, na programação da Globo como Caras e Caretas desde que Michael J. Fox estourou no cinema, eram de seriados exibidos pela emissora do Baú da Felicidade.

Era uma época em que a emissora assumia rivalizar com a Globo pelo primeiro lugar no Ibope, que se autoproclamava uma das maiores emissoras de TV do mundo. Época distante, sem internet ou TV paga para que alguém comparasse e apontasse qualquer falta de originalidade.

Veja também:
O dia em que o SBT caiu numa pegadinha
Inspiração fantástica do Hans Donner?

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O improvável encontro de Tab Hunter e Divine

Depois de James Dean só Tab Hunter fez tantas adolescentes suspirarem na década de 50 e você pode ler mais sobre ele clicando aqui. Após quase duas décadas ele estava quase esquecido quando foi convidado a ser par romântico da Divine em Polyester (1981 de John Waters).

O papo de Hunter com John Waters começou com o diretor lhe perguntando o que ele achava de beijar uma travesti de 130 quilos. “Tenho certeza que já beijei coisa bem pior!” respondeu o ator, enquanto Waters torcia para que ele não tivesse assistido Pink Flamigos (1972), onde Divine apareceu comendo cocô de cachorro de verdade.
A real é que ele não tinha nada a perder no estado em que sua carreira se encontrava. Tab Hunter foi a primeira estrela hollywoodiana de verdade que a turma de John Waters pode contratar, ainda assim, só puderam contar com ele por uma semana.
“Foi o caché mais baixo que Tab Hunter já recebeu e o mais alto que já pagamos”, relembrou John Waters no documentário Tab Hunter Confidential (2015 de Jeffrey Schwarz). Com bom humor o astro lembra que foi um divertido período de trabalhar até as duas da manhã e compartilhar pizza fria no chão entre um take e outro.

Quando filmaram as cenas quentes ninguém acreditou de que estavam ali rolando no chão Divine e um astro de Hollywood. Mas a coisa aconteceu e funcionou! 
Pessoas diziam para Tab Hunter não se preocupar, porque ninguém ia assistir aquele filme, mas muito pelo contrário! Polyester foi lançado e foi um sucesso.

A ótima bilheteria reascendeu, por ironia do destino, a sua carreira! As pessoas se lembraram de seu nome e ele voltou a ser convidado para aparecer em programas de TV como há muito tempo não era, graças a um filme independente bem distante do estilo machão americano que havia ficado famoso.

Polyester está para a carreira de Tab Hunter como Pulp Fiction (1994 de Quentin Tarantino) está para a de John Travolta! E agora, que rumo tomar?  
Outro filme ao lado de Divine! E assim, o mundo ganhou a comédia faroeste A Louca Corrida do Ouro (Lust in The Dust, 1985 de John Bartel), segundo uma ideia do próprio ator.

Claro que não foi nada fácil que algum produtor aprovasse um projeto como “Lust in The Dust”, mas ele bateu de porta em porta com o roteiro debaixo do braço, tendo agora o sucesso de Polyester no currículo. Enfim seu nome poderia interessar à geração 80's!
Foi frequentando os estúdios para conseguir apoio a esta loucura que ele conheceu Allan Glaser, então um jovem executivo da 20th Century Fox, cerca de 30 anos mais jovem.  Hunter e Glaser iniciaram um romance que dura até hoje.

Veja também:
Documentário expurga demônios de Tab Hunter
Tab Hunter na TV do Brasil
Poster raro de Lust in The Dust
Pobre Francine... Pobre Francine!
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