Há exatos 40 anos os norte americanos assistiam a uma das
mais famosas gafes da TV. Foi em 1977 no programa tradicional The
Newlywed Game (O Jogo dos Recém Casados).
No programa uma das pessoas do casal responde perguntas sem
o outro saber, aí esse outro terá que adivinhar. Silvio Santos já fez
incontáveis versões disso no Brasil.
Na ocasião o apresentador perguntou à dona de casa Olga
Perez qual o lugar mais estranho você já fez “woopie” (algo como “nheco nheco”).
Ela pensou um pouco e respondeu na lata: “No cu?”.
O apresentador correu corrigir que era lugar, espaço da casa!!!!
Por muitos anos isso foi tido como mera lenda urbana, inclusive negada pelo
apresentador Bob Eubanks, que chegou a oferecer uma recompensa para quem
provasse que isto realmente existiu.
Até que uma antiga fita do programa veio à luz e esclareceu
que realmente isso foi ao ar. Esse trecho aparece ainda no filme Confissões de
Uma Mente Perigosa (Confessions of a Dangerous Mind, 2002 de George Clooney).
A lenda urbana chegou até aqui ao Brasil. Mas claro,
dizia-se que isto tinha acontecido num programa da TV portuguesa.
The Newlywed Game foi produzido entre 1966 a 2013, existiram
muitos outros constrangimentos, mas nenhum ficou tão conhecido quanto este. Olga Perez agora está imortalizada em incontáveis arquivos upados ao YouTube.
A Hammer inovou, entre outras coisas, na cor! Nunca o sangue
havia sido visto em cores tão vermelhas quanto em seus filmes, e é claro, os
olhos de Drácula sanguinários como nunca!
Os olhos de Christopher, o maior Drácula desde Bela Lugosi,
eram assustadoramente vermelhos. Vermelhos como quem não pisca nunca, como um
morto.
Hoje isso é conseguido fácil, lentes de contato coloridas vendem
a cada esquina. Em 1966, ano de Drácula, O Príncipe das Trevas (Dracula: Prince
of Darkness de Terence Fisher) a coisa não era tão simples inclusive para o
ator.
O efeito era conseguido com lentes de acrílico, duras, que
se encaixavam no glóbulo ocular. Nas imagens dos bastidores desse filme dá pra
ver o maquiador colocando no Lee e claro, imaginar o desconforto dele.
E nesse mundão de filmes posteriores de vampiros, monstros e
zumbis a coisa continuou assim! Só a partir da década de 80 que chegaram as
lentes coloridas gelatinosas que conhecemos hoje e foi uma revolução!
Os Garotos Perdidos (The Lost Boys, 1987 de Joel Schumacher)
é considerado o primeiro filme a mostrar os olhos dos vampiros coloridos pela nova
maravilha! 21 anos após o filme da Hammer.
Aliás, parece algo tão comum, mas esse filme faz apenas 30 anos agora em 2017. É relativamente recente se compararmos ao estrelado pelo Christopher Lee.
Um ano antes das lentes de contato coloridas dos vampiros adolescentes no cinema elas foram muito
importantes nos rumos da novela Selva de Pedra da TV Globo. Para desvendar um
suposto atentado Simone, a mocinha, volta disfarçada como outra pessoa.
Se na primeira versão (de 1972) ela se transformava em
Rosana Reis apenas com uma peruca, agora ela mudava até a cor dos olhos. Fernanda
Torres ficou super natural e irreconhecível, né?
Na metade da década de 90 alguém achou que seria uma ótima
juntar quatro dos nomes do cinema independente americano mais promissores
naquela época. O resultado foi Grand Hotel (Four Rooms, 1996 de Allison Anders,
Alexandre Rockwell, Robert Rodriguez e Quentin Tarantino).
Irregular como era de se esperar (e o tempo confirmou),
apenas os episódios de Rodriguez (Os Pestinhas) e Tarantino (O Homem de
Hollywood) são memoráveis. Pra ser sincero, naquela época eu só gostei do de Rodriguez,
bastante cartunesco.
Não me era muito palatável aquela verborragia do Tarantino sobre
a superioridade de Jerry Lewis, champanhe Crystal. Até ali ele só tinha
dirigido dois longas bastante incesados: Cãe de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992)
e Pulp Fiction: Tempo de Violência (Pulp Fiction, 1994).
O episódio “O Homem de Hollywood” é a essência de Tarantino
conforme veríamos posteriormente, muito mais do que seus dois primeiros filmes.
Texto, texto, texto e PÁ! A antítese do
que se pode considerar suspense.
Aos menos interessados pode aborrecer como pode aborrecer
comer uma coxinha. Tem que estar muito disposto pra aguentar toda aquela massa
pastosa até chegar ao frango desfiado.
A premissa é ótima, citando “O Homem do Sul” (Man from the
South), 15º episódio da quinta temporada da série Alfred Hitchcock Apresenta (Alfred
Hitchcock Presents), exibido em 1960. No filme eles se referem a ele como O
Homem do Rio, mas na verdade é do Sul.
Na história um homem oferece a um rapaz ambicioso a
oportunidade de ter seu carrão conversível. Para isso ele precisa apostar que
acenderá seu isqueiro zippo 10 vezes sem a chama falhar uma única vez.
Se falhar ele perde o dedo mindinho ali na hora, a sangue
frio! Para quem não conhece, a famosa marca de isqueiros é conhecida por ser resistente
inclusive ao vento, na realidade não é bem assim, além de dar um trabalhão
ficar trocando a pedrinha e o fluído.
Essa história é na verdade uma adaptação conto de Roald Dahl
(o mesmo de A Fantástica Fábrica de Chocolate e tantas outras histórias)
publicado pela primeira vez em 1948. Antes da série de Hitchcock o texto já
havia sido adaptado para a TV em 1955, para a série Cameo Theater.
Como a história é boa mesmo, foi novamente adaptada em 1979 para
a série Tales of the Unexpected (exibida na Globo com o título Shock). É possível assistir a este episódio legendado
em português no YouTube ou clicando no player abaixo.
“O Homem do Sul” ainda seria refeito em 1985 no piloto do
remake da série Alfred Hitchcock Apresenta. O elenco contava com John Houston, Melanie
Griffith (no papel da garota do rapaz) e Kim Novak e Tippi Hedren.
Assim como a ação de Grand Hotel, todas as versões se passam em hotéis. O que foi engenhoso resgatar o velho episódio, visto que todos os episódios dos outros diretores transcorrem no mesmo espaço, interligados pelo carregador atrapalhado.
Pode não parecer nada agora, veja bem, tem até uma versão de
O Homem do Sul legendado em nossa língua disponível no YouTube, mas foi uma
referência bem legal lá em 1996. Nem parece que existiu um tempo em que penávamos
para assistir, ou até mesmo ter conhecimento, sobre alguma coisinha mais diferentona.
Uma bruxa com séculos, não é uma bruxa há séculos se ela não
tiver algum quadro na parede registrando o tempo. Angelique Bouchard Collins de
Sombras da Noite (Dark Shadows, 2012 de Tim Burton) ostenta nada menos do que cinco
pinturas e uma foto (além de uma escultura que não vem ao caso agora).
Não entendo muito de artes plásticas, mas parecem estar bem
ok pelos estilos de épocas distintas. Não há um período de tempo exato entre
uma tela e outra, mas provavelmente é de cerca de sessenta anos.
Isso levando em conta a pintura art decó com a fotografia 80’s (antes que alguém pergunte, o filme se passa em 1972, mas a Angelique viaja no tempo. Pelo menos na novela do qual o filme se inspirou).
Eva Green art decó é a mais encantadora por não ser realista.
Aliás, a fotografia de uma fase yuppie é a única a aparecer apenas de relance no filme. Lembra um pouco o visual da Bette Midler naquela época.
Dois nomes aparecem nos créditos como responsáveis pelos
retratos: Gill Andrae-Reid e Sally Dray. Ambos, numa rápida pesquisa, possuem
uma variedade de estilos de pintura.
Suas trajetórias em Hollywood possuem um mínimo de vinte
anos. Seus nomes também são creditados em produções como Titanic (1997 de James
Cameron), Harry Potter’s e o novo A Bela e A Fera (Beauty and the Beast, 2017
de Bill Condon).
No currículo de Sally ainda consta um retrato particular
para a então família formada por Helena Bonham Carter e Tim Burton. Sombras da
Noite foi o único trabalho que ela fez para Burton, então ele deve ter ficado
bastante satisfeito com as representações de Eva Green para contratar seus
serviços de forma privada.
Eles não vieram do espaço sideral, mas nem sempre são
visíveis a todos os olhos! Nesta edição do Dolce Video falo de alguns filmes B
da década e 50 que podiam estar se referindo a gays.
Época efervescente para a ficção científica, existiu lugar
para todo tipo analogia travestida de alienígena. Entre comunistas, armas nucleares
e planetas feministas habitados apenas por mulheres malvadas a sexualidade também
assombrava as plateias.
Como sempre, peço para que dê seu like lá no Youtube, se inscreva no canal e acione o “sininho”, para ser alertado a cada nova atualização. Nem
sempre consigo atualizá-lo com a frequência que gostaria, então, você será
informado sempre que isto acontecer.
Circula pela web uma única foto dos bastidores de O Suplício
de Uma Saudade (Love is a Many-Splendored Thing, 1955 de Henry King). E ela deprava
um pouquinho de todo aquele encantamento.
A célebre colina, importantíssima para a triste história de
amor não existe! Ou melhor, existe, mas Jennifer Jones não estava realmente lá!
No corte final não há o ângulo da foto, com o ponto de vista
da árvore para a vista da cidade. O espaço também parece ser bem maior do que o que parece na maioria do filme.
Algumas filmagens realmente aconteceram na China,
mas interiores e planos fechados ficaram em Hollywood mesmo, nos estúdios da Fox. Toda a colina, a
real, que serve de fundo ao romance e recebeu atores e dublês deles para
algumas tomadas fica na Califórnia, não em Hong Kong.
Retroprojeção, blackmate e o moderno chroma-key são manjados recursos para inserirem atores em lugares onde não precisam ou podem ir. Sabemos
que são usados desde sempre à exaustão, mas especificamente neste filme era bom
acreditar na mentira.
Ok! Nem Jennifer Joner tem uma gota que seja de sangue
chinês, mas ela interpreta a eurasiana Han Suyn. Acreditar nisso já basta para
o filme funcionar e muita gente acreditou, afinal, a atriz conquistou sua
quinta indicação ao Oscar pelo papel.
A Empire Films está distribuindo no Brasil um box de DVD contendo
a série O Teatro dos Contos de Fada (Faerie Tale Theatre). Uma caixa branca que
remete a um robusto livro de histórias, linda, linda!
São ao todo cinco discos contendo as seis temporadas do programa, de 1982 a
1987. Lembra dele? Passava na TV Cultura de São Paulo e era apresentado (e
criado) pela Shelley Duvall.
Aliás, a apresentação dela em cada episódio é por si só um
bordão maravilhoso. Todos os “Hello! I’m Shelley Duvall” foram compilados hipnoticamente
no vídeo abaixo.
Anteriormente a série havia sido distribuída em DVD no nosso
país em discos separados para cada história. E qualquer um que coleciona DVDs e
os separa por temas já suou a cuequinha pra achar aquele episódio especificamente.
Prometo que num dos próximos vídeos do canal aqui do blog
explicarei um pouco sobre meu estilo de colecionismo de filmes. Por hora, basta
dizer que muitos astros e diretores de sub coleções fizeram parte de O Teatro
dos Contos de Fada.
Vincent Price é o Espelho em Branca de Neve
Por exemplo, Aladim é dirigido por Tim Burton (uma das
primeiras coisas que ele dirigiu), assim como O Dorminhoco foi assinado por
Francis Ford Coppola. Astros colecionáveis idem! Vincent Price é o narrador num
episódio e o Espelho em Branca de Neve, assunto já abordado aqui antes neste post.
Ainda em Branca temos Vanessa Redgrave como a Madrasta
Malvada (!!!). Susan Sarandon é a Bela e o colossal Klaus Kinski como a Fera
(!!!) num episódio que ainda conta com Anjelica Houston.
Mick Jagger no assustador O Rouxinol
Um dos elencos mais bacanas é o de O Menino Que Saiu de Casa
Para Saber O Que Era Medo, com narração de Vincent Price, Christopher Lee como
o rei e o músico Frank Zappa como corcunda Attila. A Flashdance Jennifer Beal é
a Cinderela numa história que conta ainda com o curtindo a vida adoidado Matthew
Broderick como príncipe.
Bem, não faltam ótimos nomes a apontar (Karen Black, Leonard
Nimoy, Liza Minnelli...). A encenação é mesmo de teatro infantil, os pequenos
devem adorar, mas ex-crianças que assistiam na TV e colecionadores de DVDs também
vão curtir ter a coleção toda.
O esvoaçante fundo do mar de A Pequena Sereia
Digo isso porque nunca assisti na TV, eu já era adulto,
nunca tive muita paciência pra ver, porém, as
adaptações dos contos clássicos são diferentes das apresentadas pelos filmes da
Disney e dá certa curiosidade desse pacote de gente boa atuando, além da
estética televisa 80’s dos EUA ser legal (um monte de chromakey todo vazado <3) . E óbvio, o fator acumulador também dá
uma gritada.
Por último, destacando que este não é um post pago, vocês
sabem que eu avisaria se fosse. A empresa gentilmente me enviou alguns produtos
e achei bacana frisar a disponibilidade no mercado deste especificamente.
Percebendo que Gretchen, sua principal criação, fazia um
tremendo sucesso entre as crianças o produtor argentino Mister Sam bolou um
projeto direcionado a elas. Os Três Patinhos – Fazendo a Festa foi lançado em
1980 pelo selo Visior/Copacabana.
O carro chefe era, claro,
suas composições já gravadas por adultos como Freak Le Boom Boom da
Gretchen e ainda Severina Xique Xique muito popular na voz de Genival Lacerda.
Aliás, os vocais eram de anônimos eletronicamente alterados para parecerem
patos.
Deu bastante certo como sabemos e gerou muitos outros discos. A
ideia não era novidade alguma. Em 1958, nos Estados Unidos, Alvin and the
Chipmunks (Alvim e os Esquilos) foi um fenômeno de vendas também com anônimos
de vozes alteradas cantando músicas natalinas, sucesso que se estendeu por
décadas até virar série de filmes e desenho animado nos dias atuais.
Os Três Patinhos vinham num vinil colorido que enchia os
olhos da molecada. Curiosamente (ou não), mesmo voltado ao público infantil
eles incluíam músicas de duplo sentido, como por exemplo Ela Deu o Rádio ou
Mata o Véio que você escuta no player abaixo.
Até citações a drogas como nessa versão de Lança Perfume da
Rita Lee. Patinho nem se furta de imitar o tsss, tsss do entorpecente. Ah, os anos 80 (“no meu
tempo era tudo tão ingênuo”?)!
No embalo do sucesso passaram a lançar discos temáticos para
festividades como dia das mães, natal, etc. Nenhum vendeu tanto quanto o que
tinha “parabéns a você”, um compacto praticamente onipresente nas festinhas da
época.
Único porém é que os convidados cantando sempre abafavam os
Três Patinhos na vitrola, por mais alto que estivesse o volume. Essa situação está na memória afetiva de toda uma
geração.
O inevitável encontro finalmente aconteceu, Gretchen, a
Rainha do Bumbum, máquina de hits da discoteca nacional, se encontrou com os
Três Patinhos num compacto por volta de 1984. Foram nada menos do que quatro
grandes sucessos da diva agora acompanhados do vocal dos nossos amiguinhos
baladeiros. Ouça a contagiante Freak Le Boom Boom!
Incluindo aí os tradicionais gemidos da cantora e na capa um
dos patinhos de olho no célebre traseiro da cantora. Isso tudo anos antes de Xuxa, modelo e capa de revistas masculinas, virar a maior vendedora de discos cantando para crianças.
Gretchen, como já dito aqui, era muito popular
entre crianças. Tanto que espontaneamente virou cantiga de roda e jogo no recreio da
molecada: “Gretchen, bolete, pisa no chiclete, quem se mexer vai imitar o
bumbum da Gretchen” e quem se mexia depois de girar ia no meio da roda e
rebolava com todo mundo cantando Piripiripiri.
Mas o tempo passou e se foi difícil para Leo Jaime e Ovelha, foi difícil para Os
Três Patinhos. Como tantas outras estrelas oitentistas, Os Três Patinhos continuaram
sua trajetória lançando discos e coletâneas até serem esquecidos pela maioria.
Atualizados com o momento, chegaram a lançar CDs na
década de 90, com visual modernizado na capa e cantando hits do momento, mas foi difícil se manterem no
auge. Hoje vídeos no YouTube com seus
grandes sucessos são sempre acompanhados de centenas de comentários nostálgicos.