terça-feira, 24 de janeiro de 2017

“Sorte” da principiante Teresa Wright

David Paris
Tem gente que começa lá por baixo e precisa de degrau em degrau. Teresa Wright começou no cinema em Pérfida, dirigido em 1941 por William Wyler!  

Ela estava com 23 anos, mas com um jeito doce que lhe garantiu papeis de adolescente. Teve que contracenar logo de cara com ninguém menos do que Bette Davis!
E as duas foram indicadas ao Oscar: Atriz e atriz coadjuvante. Ao todo o filme recebeu nove indicações e a garota ainda disputou na sua categoria com a colega de elenco Patricia Collinge, mas ninguém levou nada!

Os próximos filmes de Teresa Wright foram Rosa da Esperança (Mrs. Miniver, 1942 de William Wyler) e Ídolo, Amante e Herói (The Pride of the Yankees, 1942 de Sam Wood). E surpresa! Ela foi indicada ao Oscar por estes dois também!

Na festa da Academia disputou contra ela mesma e ganhou! Com apenas dois anos de carreira conseguiu três indicações ao Oscar com uma vitória por Rosa da Esperança, um feito inédito até hoje.
Oscars
Wright com seu precoce Oscar parece não acreditar. Naquela época o prêmio para coadjuvantes era uma plaquinha, não um homenzinho como passaram a receber até a atualidade.

Até Jennifer Lawrence ser indicada em 2014 (ela recebeu o prêmio em 2013 e teve outra indicação em 2016, totalizando quatro disputas), Wright era a mais jovem a acumular três indicações! Ainda é dela o recorde do ator a ser indicado em seus três primeiros filmes.

Seu quarto filme foi Sombra de Uma Dúvida (Shadow of a Doubt, 1943 de Alfred Hitchcok) que seria sucedido por trabalhos com Fred Zinnemann, Raoul Walsh e Frank Capra. Só que a garota dizia querer ser uma atriz, não uma estrela, o que não condiz com todo esse glamour de prêmios.
Em 1948, já casada e com filhos se encheu daquilo tudo! Simplesmente se recusou a viajar para promover Encantamento (Enchantment de Irving Reis) o que acarretou no cancelamento de seu contrato com Samuel Goldwyn. Na época justificou dizendo que “o tipo de contrato entre atores e estúdios é antiquado na forma e abstrato no conceito. Não há privacidade que os produtores não possam invadir. Tratam-nos como gado e mandam na gente como se fossemos crianças”.


Ela continuou trabalhando em produções televisivas, veículo tratado como menor, e claro, com salário muito menor. Até sua morte em 2005, Teresa Wright dizia que jamais se arrependeu da troca e só pra constar, na TV ela acumulou outras três indicações ao Emmy.

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