quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O dia em que Alessandra Negrini enfrentou a Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça

 A recepção ao A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, 1999 de Tim Burton) foi um grande reflexo dos tempos moralistas que estávamos entrando com a virada do milênio. Nos EUA ele saiu com a classificação R (Menores de 17 apenas acompanhados dos pais) e no Brasil foi proibido para menores de 18 anos (mesmo acompanhados por responsáveis).

Levando em conta que a maioria da plateia de multiplex é composta por adolescentes, tais classificações são o mesmo que fadar qualquer filme ao fracasso. Aqui no nosso país A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça foi parar nas revistas de fofoca e páginas policiais quando Alessandra Negrini foi notificada por levar seu filho de três (frito do casamento com o também ator Murilo Benício) a uma sessão do filme no Leblon.
Como alguém saberia quem foi aonde ver qual filme? O então juiz da 1ª Vara da Infância, Siro Darlan, segundo o publicado na época (o filme estreou no Brasil em janeiro de 2000), leu numa notinha de jornal que a atriz (então no ar na minissérie A Muralha da TV Globo) tinha estado com o filho numa sessão do filme de Tim Burton em tal cinema.

A partir daí enviou uma equipe até o local, para checar se a notinha era verdadeira. Funcionários confirmaram, mas o gerente negou ter visto Negrini e a criança. O gerente disse que estava lá naquele dia e não a viu, nem ela poderia ter entrado, porque três anos é muito pequeno até para o forte áudio da sala.

Assim foram autuados o cinema e a mãe por descumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente em seu artigo 249, que considera uma infração descumprir (intencionalmente ou não) deveres inerentes ao pátrio poder. Ele teve dez dias para se justificar e a pena era de advertência a multa de 3 a 20 salários mínimos.

Ao jornal Folha de São Paulo, em sete de fevereiro de 2000, Alessandra Negrini se disse chocada. Ainda se explicou: "Não sabia que era um filme de terror. Achei que era um filme de época. Vi um trailer na TV e meu filho pediu para ir. Achei que tinha um pé na comédia. Mas não, era terror. E o meu filho dormiu o filme inteiro. Eu mesma não gostei do filme. E acho que não é um filme para crianças. Na porta do cinema, ninguém me barrou.".

Tim Burton diante da classificação R dos EUA disse que violência era uma questão subjetiva. Lamentou que esta homenagem a obras do Mario Bava e das produções da Hammer tenham ficado restritas, e que ele mesmo cresceu assistindo filmes assim e que deve muito a eles por ser quem ele é.

"Eu cresci assistindo filmes assustadores e nunca tinha medo deles. A sociedade tem uma maneira de fazer que pareçam incomuns de alguma forma...” disse em 1999 à revista Entertainment Weekly. O diretor ainda prosseguiu: “Eu não teria nenhum problema em mostrar 'A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça' para algumas crianças, porque as crianças são como adultos em que alguns iriam adorar esse tipo de coisa, enquanto para outros seria demais. Todo mundo tem uma percepção diferente das coisas. ".

1 comentários:

Bruno disse...

Eu assisti a esse filme quando tinha 11 anos. Ok, me impressionei um pouco e um colega até ficou com medo á noite, mas censura 18 anos é um exagero! Acho que foi tanta encheção de saco á Alessandra Negrini que foi ela quem perdeu a cabeça! (não resisti a essa piada...)

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