sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O avesso da cena: A timeline do efeito morfe

 Conforme a computação gráfica foi evoluindo entre as décadas de 80 e 90 alguns efeitos especiais foram se tornando conhecidos. Mas nenhum efeito se comparar ao morfe (morph, morphing), onde uma pessoa se torna outra, que virou verdadeira coqueluche!

Isso, claro, a partir do clipe Black or White do Michael Jackson, que deixou todo mundo de queixo caído em 1991. Dirigido por John Landis o curta apresentava uma sequencia inteira de pessoas de vários biótipos raciais, entre eles a futura supermodelo Tyra Banks.
Só que, como toda a tecnologia, nada aconteceu de um dia para o outro. Hollywood vinha experimentando o efeito há algum tempo, pra falar a verdade, até mesmo antes do surgimento da computação gráfica.
Lon Chaney Jr. teria sofrido menos para se transformar desde O Lobisomem (The Wolf Man, 1941 de George Waggner) se houvesse computação gráfica naquele tempo. A maquiagem demorava cerca de seis horas para ser aplicada, quadro a quadro, o que exigia do ator ficar quase estático diante das câmeras e holofotes.

Voltando à “era dos computadores”, o registro mais arcaico do uso do efeito com fotorrealismo aparece no filme O Rapto do Menino Dourado (The Golden Child, 1986 de Michael Ritchie). Ainda de forma bastante rudimentar um animal se torna o vilão e depois exatamente o contrário.
A façanha ficou a cargo da Industrial Light & Magic (ILM), que continuaria aperfeiçoando a técnica. Dois anos depois parecia que se passaram décadas para o efeito de morfe apresentado pela mesma ILM em Willow - Na Terra da Magia (Willow, 1988 de Ron Howard).
No ano seguinte, em Indiana Jones e A Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989 de Steven Spielberg), o vilão (mais uma vez o vilão) mostra que o efeito evoluía muito mais rápido.  Ao beber no cálice sagrado ele literalmente apodrece bem diante dos nossos olhos!
O incrível dessa vez foi a mistura de computador, stop motion e animatronic que manteve o aspecto retrô da aventura. 

Aí chegamos à década de 90 e o efeito acabou popularmente sendo conhecido como “Black or White” devido ao estrondoso sucesso do clipe de Michael Jackson em 1991. Nesse mesmo ano ele também apareceu com destaque em dois filmes: O Exterminador do Futuro 2 – O julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day, 1991 de James Cameron) e Jornada nas Estrelas VI - A Terra Desconhecida ( Star Trek VI: The Undiscovered Country, 1991 de Nicholas Meyer) .

E surpresa! No Brasil a TV Globo produziria o mesmo efeito de ponta, o último grito da moda tecnológica, nas emoções finais da novela Vamp (1991/1992), utilizando os atores do elenco (só os do bem) que foram vampirizados no decorrer da história de Antônio Calmon.
Meses antes a novela havia estreado com efeitos especiais executados por um profissional "vindo de Hollywood" (conforme o noticiado na época), mas ainda ópticos, não digitais. Leia mais sobre isso clicando aqui.

A dor e a delícia da computação gráfica é que ela surgiu como algo eficaz, mas caro, disponível para pouquíssimas pessoas. Caminhando a passos largos, logo seus efeitos ficam superados, pelo menos o uso mais óbvio deles.

O efeito de morfar, incrível desenvolvimento da Industrial Light & Magic, impressionou o mundo no clipe de um mega astro da música, uns cinco anos depois estava sendo utilizado no palco do Domingo Legal no SBT! Numa brincadeira onde os convidados tinham que adivinhar em qual celebridade o apresentador Gugu se transformava, isso em pouco mais de dez anos desde O Rapto do Menino Dourado.

Não foi a primeira vez que um efeito especial do cinema foi parar no palco do Gugu, como já vimos aqui antes com o julgamento de do general Zord de Superman. “É as mulheres. Oba! É as mulheres. Oba!”. 

Atualmente o morfe continua sendo aperfeiçoado e é utilizado de forma maciça na TV e cinema de forma bem mais discreta. E não só! Existem apps para celular que prometem o resultado além de vários tutoriais amadores no Youtube ensinando passo a passo como fazer o mesmo em casa.

Veja também:
Cinema e computação gráfica: 40 anos!
Quando novelas precisam de ajuda internacional
Avesso da cena: O Iluminado em movimento
Avesso da cena: Tom Savini em Zombie
Avesso da cena: Minutos finais de Profissão: Reporter

2 comentários:

Eduardo disse...

Quem é quem na sequência de Vamp?
1) Ney Latorraca
2) Bel Kutner
3) ?????
4) Claudia Ohana
5) Joanna Fomm (??? - achei que era Lady Francisco...)
6) Guilherme Leme (lindo as ever)
7) Fábio Assunção
8) Ney de novo
9) Cadáver (kkkkk)

Miguel Andrade disse...

Eduardo, a terceira é a Vera Holtz e a 5ª é mesmo a Fomm.

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