quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Mansão de Boogie Nights está à venda

Sua chance de viver como um legítimo pornógrafo 70’s! A casa de Burt Reynolds em Boogie Nights: Prazer Sem Limites (1997 de Paul Thomas Anderson) e uma das principais locações do filme está à venda!

Vem gente, vem!
O valor do imóvel custa US $ 1,49 milhões e fica em San Gabriel na Califórnia. A coisa mais impressionante a respeito dela é que continua igualzinha a quando rodaram o filme, quase vinte anos depois!

Inclusive o papel de parede da cozinha, foi trocado, mas continua floral. Deve estar impregnado com o cheiro da cozinha porto riquenha.



Não podemos esquecer da piscina ondulada. Ah, a piscina! Ideal para orgias movidas a cocaína e outras diversões mais!


Construída em 1957, possui quatro quartos e seis banheiros.  Como não poderia deixar de ser, a garagem também é espaçosa, servindo até para três carros.



No site da corretora não há menção ao filme, apenas que ela tem sido usada por Hollywood, mas nem precisava, né? Fácil reconhecer o lugar.

Post sugerido por Alan Oliveira

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Bem vindo ao fabuloso universo das vedetes mexicanas 70's

As noites de discoteca no México foram mais iluminadas do que no resto do planeta graças a mulheres belíssimas que se tornaram deusas ao som de calorosos aplausos. O documentário Bellas de Noche, disponível na Netflix, registra cinco destes encantos antes e agora.
O filme de estreia de María José Cuevas avança sobre esse mundo de plumas, paetês e muito botox sem qualquer julgamento. Destaque do festival de Toronto de 2016 é rico em material de arquivo e de olhar carinhoso para as atuais sedutoras senhoras.

Assista ao trailer no player abaixo ou clicando aqui. Bellas de Noche (título emprestado de um sexplotation de 1975) possui Beauties of the Night como título internacional.
Olga Breeskin, Rossy Mendoza, Lyn May, Wanda Seux e Princesa Yamal além de bailarinas estenderam seu sucesso à gravação de discos e trabalhos na TV e no cinema em produções não raramente picantes até os anos 80. Suas trajetórias contam o que significa ser uma mulher de mais idade em uma carreira baseada na beleza física e apelo erótico.
No Brasil existiu um boom similar de vedetes na década de 50, mas o período retratado no México poderíamos equiparar às nossas estrelas Gretchen, Sharon, Rita Cadilac, Sol e tantas outras. Claro, com as devidas proporções, já que México é México naquele desbunde over que conhecemos tão bem.

Bem resolvidas com seu passado, se virando com o presente distante dos brilhantes e moedas de ouro dos outros tempos, há histórias pessoais incríveis como a da Princesa Yamal. Na década de 80 se viu envolvida no maior roubo de artefatos astecas, maias e incas de um museu, um escândalo nacional.

Refletindo acusa a cadeia como responsável pelo fim de sua carreira, mas que é precisos e levantar, “Não há ser humano no mundo que ame derrotados”. A seu lado vive Wanda Seux que luta pela saúde sem deixar de lado as passeatas a favor dos animais.
Lyn May, a beleza tipicamente latina transformada em chinesa, declara que tudo o que faz na vida é sexo (três vezes ao dia!) e ginástica. Olga Breeskin se declara abençoada tocando o seu famoso e sexy violino apenas para Deus,

Ainda guapíssima, Rossy Mendonza se mantém ativa nos night clubs, de todas é a que possui maior filmografia em sexplotation ou pornochanchada (pra falar na nossa linguagem). Elétrica, parece ainda manter intimidade com "el combustible blanco".
Saboroso, o filme é para ser degustado com carinho e atenção ao que é dito e ao que não é mostrado. Entre o glamour e drama ainda há muito humor, como quando uma aplica botox no rosto da outra, afinal, o show nunca para, ainda mais para vedetes.

Veja também:
6 documentários estranhos pra assistir na Netflix

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Estreia canal do La Dolce Vita no YouTube


Não é de hoje que vivem pedindo para o blog ter um canal no YouTube. Bem, chegou a hora, está criado o Dolce Video!

Primeiro vídeo já está no ar. Primeiro, né, gente? Ainda estou tateando um formato ideal e lutando contra minha timidez, mas não deixe de assistir.

A intenção é que saia um novo a cada semana, abordando assuntos diferentes como é aqui no La Dolce Vita. Este primeiro demorou quase uma semana pra ser produzido e finalizado, mas acho que a partir dele será mais simples.

Como sempre, é possível ver no player desta página ou clicando aqui. Seria bacana (e agradeço desde já!) se você entrasse no canal, desse joinha no vídeo lá e se inscrevesse no Dolce Vídeo pra ir acompanhando os próximos episódios.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Uma nova chance à Condessa Drácula, a mais sanguinária das serial killers

Erzsébet "Elizabeth" Báthory foi uma condessa húngara que viveu no século XVI e entrou para a história como a mais prolífica serial killer feminina. Seu reinado violento de sangue rendeu-lhe na modernidade o apelido de Condessa Drácula.

Seu nome estaria relacionado ao cruel assassinato de cerca de 650 pessoas, em sua maioria moças pobres e virgens. Viúva e embebida pelo poder social, atraia camponesas com a promessa de emprego e uma vida melhor em seu castelo com a ajuda de fieis empregadas e de um anão chamado Ficzko.

Pesquisadores indicam que ela além de psicopata era adepta de práticas sádicas extremas. Entre os boatos que logo se espalharam junto ao horror da descoberta está o de que a nobre cria que ao se banhar no sangue das moças alcançaria o rejuvenescimento.

A impunidade acabou logo após o natal de 1610 quando as autoridades invadiram seu castelo e descobriram dezenas de cadáveres no pátio e ainda alguns moribundos clamando pela morte. Jamais condenada (ao contrário dos cúmplices que foram queimados) , morreu em prisão domiciliar aos 54 anos de idade numa torre do castelo  Čachtice.
CNN
Tanta depravação e morbidez alimentam por séculos a cultura popular em todo mundo. Bram Stoker teria emprestado muito desse universo para se inspirar para escrever Drácula, no cinema, um de seus retratos mais fascinantes foi feito pela atriz Ingrid Pitt no filme A Condessa Drácula (Countess Dracula, 1973 de Peter Sasdy), clássico da Hammer Films.

Recentemente historiadores revisionistas apontaram outras possibilidades para sua trajetória. Báthory teria caído numa armadilha conspiratória, armada por parentes que estavam de olho em suas terras.

Rica, mas sozinha e dona de um temperamento instável, a senhora teria sido alvo fácil após fofocas a seu respeito se espalharem. Como não foi julgada nem condenada, suas vastas propriedades não foram apreendidas pela coroa, mas passaram para seus parentes.
Mesmo com os depoimentos dos cúmplices (conseguidos por meio de tortura) descrevendo um reinado de horror de sua patroa, a história tem muitos furos. Na época tudo ainda foi resolvido com pressa demais para não levantar suspeitas.


Objetos encontrados no seu castelo (que seriam usados para torturar, segundo testemunhos) são os mesmos encontrados no museu de medicina da Hungria, como um ferro, que aquecido servia para estancar sangue. Elizabeth "Báthory”, que nunca pode se defender,  provavelmente foi uma curandeira, não uma vampira sádica.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Bette Davis cara a cara com sua maior rival

A rivalidade entre Bette Davis e Joan Crawford é muito conhecida (e festejada!), mas por muito tempo Bette nem se importava com Crawford, elas nem faziam parte do mesmo estúdio. Seu probleminha era Miriam Hopkins com quem teve o desprazer de trabalhar não uma, mas duas vezes.

Tudo teria começado porque Miriam Hopkins encanou que Bette estava apaixonada por seu marido, o diretor Anatole Litvak. Para azedar ainda mais, Bette havia ganhado o Oscar por Jezebel (1938 de William Wyler), papel que Hopkins havia interpretado com sucesso no teatro e esperava ser chamada para o filme.
Contratadas pela Warner e mantidas pelo estúdio como grandes estrelas, ambas foram escaladas para Eu Soube Amar (The Old Maid, 1939 de Edmund Goulding). Todos sabiam da rixa entre elas e esperavam as obvias faíscas.

Logo de cara Bette Davis percebeu que a colega estava interpretando de forma muito mais suave e gentil do que o papel pedia, e encarou isso como uma forma de conquistar a simpatia do público, roubando-lhe o filme. Hopkins ainda acentuou seu sotaque natural do sul, para realçar o falso da rival.

Como de praxe, negavam publicamente qualquer problema entre elas. Com bom humor aceitaram, inclusive, posar para a publicidade usando luvas de boxe.
Classic Movies Digest
Quatro anos depois foram novamente escaladas para Uma Velha Amizade (Old Acquaintance, 1943 de Vincent Sherman). Bette ficou possessa em ter que dividir novamente os sets  com a outra, mas teve que concordar que ela era o melhor nome para interpretar uma “bitch”.

Já Hopkins, que mesmo tendo se tornado uma estrela de menor peso, fez uma série de exigências, inclusive um salário maior que o da inimiga, aquela altura um dos principais nomes femininos de Hollywood (e o primeiro a aparecer nos créditos dos dois filmes que elas estrelaram).  Muito mais armada desta vez, foi trabalhar desde o primeiro dia disposta infernizar o máximo que podia.
Para espanto geral chegou vestindo seu antigo figurino de Jezebel nos palcos, aquele vestidão vermelho.  Bette Davis dando baforadas viu logo que as filmagens seriam longas e duras como rocha. 

O que ela passou nas filmagens de Uma Velha Amizade foi único em sua extensa carreira. Nem Joan Crawford fez um terço durante O Que Aconteceu com Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?, 1962 de Robert Aldrich).

Todas as tomadas que as duas conversavam e a câmera estava no ombro de Miriam mostrando Bette, Miriam acendia um cigarro, passava o isqueiro pelo rosto da colega, olhava em outra direção. Em planos que estivesse fora não ficava para dar o contraponto, ia arrumar as almofadas do sofá, se abaixava pra catar no chão algum grampo imaginário.
Quando Bette Davis (conhecida por primar pelo profissionalismo) reclamava, docilmente lhe dizia que ninguém estava olhando pra ela mesma. Foi reclamar ainda ao diretor que Davis estava ganhando muito mais closes que ela, Vincent Sherman lhe garantiu que mesmo se fosse sua mãe ali, só receberia os closes necessários a contar a história.

Assumindo a má vontade passou a fingir que sofria de surdez toda vez que Bette falava alguma tirada ácida contra ela. Abria a bolsa e pegava um aparelho auditivo e depois lamentava ele não funcionar.

Numa tarde Bette Davis passa por uma loja de discos e vê a trilha sonora do filme: fica não menos que histérica com a Warner! Disse que jamais autorizou aquela capa, que a letra sobre a imagem dava a entender que ela faziam papel de lésbicas apaixonada.

E assim ficou semanas a fio reclamando do suposto lesbianismo. De qualquer forma, não existe vestígio daquela capa hoje em dia na internet.

Tensa, algumas vezes Bette teve o ímpeto de esbofeteá-la e ela não se mexia, apenas virava o rosto dando a outra face. Bette comentou em alto em bom som que a rival havia interpretado uma cena como um cadáver e no outro dia lá estava Hopkins no estúdio vestida de luto dos pés a cabeça.
Miriam Hopkins teve que interpretar uma longa sequencia melosamente dramática e Bette ficou nos bastidores narrando baixinho como se fosse uma corrida de cavalos. Numa manhã Hopkins estava tão nervosa que escorregou no sabonete ao sair do banho, bateu a cabeça tendo que levar pontos na orelha, sem dúvida saiu espalhando que foi Bette quem havia posto aquele sabonete ali.

Chegou dia de filmar a grande cena, talvez a mais famosa do filme, em que Bette Davis furiosa chacoalharia Hopkins pelos ombros e a jogaria num sofá. Foi um grande evento! Todo o elenco, mesmo os que não tinham nada a fazer naquele dia, apareceram ao set, técnicos de todos os filmes que estavam em produção também foram pra lá ver.

E não foi fácil! Poucos segundos levaram a tarde toda para ficarem prontos porque Hopkins amolecia o corpo pra outra não conseguir lhe sacudir. Bette protestou que assim era impossível, o diretor pediu “pelo amor de Deus” para Hopkins brigar e ela disse: “Mas estou brigando com Bette”.
Bette Davis vendo que havia uma plateia extra tratou de provocar a rival para ela gritar, coisa que não conseguiu, pelo menos ali na frente de todo mundo. Dizem, segundo o biografo Charles Higham de Bete Davis, que em casa Hopkins berrou a todos os pulmões para quem quisesse ouvir sua raiva.

Com tudo isso, mais o texto sendo constantemente reescrito, muitas vezes a pedido de Bette Davis, a rodagem conseguiu ficar nada menos do que 36 dias atrasada. As atrizes ainda começaram a faltar alegando vários problemas de saúde, as vezes as duas ao menos tempo.

E ainda assim o filme foi um grande sucesso daquele ano, o mais comentado antes de ficar pronto. Todas as desavenças ficaram públicas e notórias o que levou o público a ir ao cinema como quem vai assistir a um campeonato de pugilistas.

Veja também:
Com a maldade na alma: Joan Crawford por Bette Davis

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A melhor dancinha na cadeia que você respeita

É nada menos do que uma das sequencias mais marcantes de toda filmografia de Pedro Almodóvar.  Assista a grande dança na cadeia em De Salto Alto (Tacones Lejanos, 1991) no player abaixo ou clicando aqui.

O personagem de Bibiana Fernandes (na época chamada de Bibi Andersen) é bemsecundário, mas ganha incrível força. Sabemos aí que ela é prostituta e deu tijolada num guarda para voltar pra cadeia junto da amada.
“Tem o coração maior do que as tetas” define a assistente social. Pelo menos em relação à namorada delinquente.

Fernandes e todo o elenco de presidiárias dançariam pelo menos mais uma vez, durante a festa de lançamento de De Salto Alto no Circulo de Bellas Artes de Madrid. E sim! Havia uma boa alma lá que gravou tudinho pra gente aqui do futuro e publicou no YouTube, assista no player abaixo (é logo no começo da fita, abertura do evento).
É a chance de assistir a coreografia na íntegra, inclusive as partes do meio que no filme não aparecem durante os diálogos de Victoria Abril e Cristina Marcos! Empolgante é o mínimo que vem à mente.
Aliás, a música chama-se Pecadora e é do conjunto dominicano Los Hermanos Rosario. A letra é sobre um rapaz apaixonado por uma garota (Tonha) de coração sujo pelo pecado e que ficará sem ninguém quando ele for embora.
 Antes do filme de Almodóvar a canção de 1985 havia sido um grande sucesso em muitos países hispânicos. O sexteto é uma referência quando o assunto é merengue, ritmo que ajudaram a difundir em toda América Latina a partir da década de 70.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Dick Rambone, o esquecido gigante 80’s

Rei morto, rei posto inclusive na indústria do entretenimento adulto. Quando Dick Rambone surgiu, John Holmes estava em franca decadência, bem distante dos gloriosos anos em que reinou no efervescente cinema X-Rated norte-americano.

Rambone (batizado como Frank Whitehead) tinha 28 anos quando apareceu nas páginas da revista Hustler em dezembro de 1985. Descoberta pessoal do diretor Gregory Dark (o mais maluco dos Dark Bros.), o, segundo a lenda, descendente de porto-riquenhos chegou exibindo suas avantajadas credenciais: 15/2 polegadas!

Nada menos do que duas polegadas e meio a mais do que Holmes!  Pros amiguinhos se divertirem fazendo a conversão, cada polegada equivale a 2,45 centímetros. Aham...

Mesmo à parte (e às vezes bem marginalizado) a indústria de cinema pornô dos Estados Unidos se organizou como o cinema de estúdio de Hollywood. Seja mantendo astros sobre contrato, seja produzindo por gênero ou cometendo alguns exageros na hora de promover seus produtos.

Assim sendo, não acredite que um Titanic custou tudo aquilo para ser produzido, se é que você me entende. Ninguém paga pra ver mixaria e isso tanto Hollywood quanto o cinema adulto sempre soube.

O nome artístico veio, claro, do personagem Rambo, sendo que em algumas produções ele apareceu também com uma faixa típica amarrada na cabeça. Ao todo participou em 29 vídeos, mas essa conta pode ser revista, porque na época muitas coletâneas reaproveitavam sequencias de outros trabalhos.

Era o boom do videocassete e, ao contrário dos tempos áureos de John Holmes na década de 70, eles tinham desencanado de pretensamente fazer cinema com sexo explícito. Assim bastava um monte de sequencias aleatórias filmadas com luz de padaria e ponto, fita nova nas locadoras!

Como mero chamariz, “Rambone” apareceu no titulo de produções em que o ator participava de apenas uma cena, como em Rambone the Destroyer (1985 de William Whett ) distribuído no Brasil como Rambone, O Destruidor. Mesma coisa em Rambone Meets the Double Penetrators (1986 de William Whett), intitulado aqui como Rambone em Dose Dupla.

O único trabalho de Dick Rambone voltado ao público gay foi Hot Shots Vol. 2 produzido pela HIS Video em 1985. A fita nada mais é do que várias sequencias de exibicionismos e masturbação solitária

Sua carreira como grande astro duraria pouco, participando logo depois como só mais um do elenco dos vídeos até se aposentar 1989. A crítica da época (como a registrada no Guia Nova Cultural de 1991) torceu o nariz para seu desempenho de “cabeça baixa” e pouco animado, o que para a rápida indústria do vídeo significava tempo perdido.

Entre as pouquíssimas informações na Internet sobre seu atual paradeiro está a de que na década de 90 trocou de nome e aceitou Jesus Cristo como seu salvador tendo uma vida recatada em algum lugar dos Estados Unidos. Ainda assim, Rambone é referência de medida em sex shops do mundo todo até hoje.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Duelo de Tietas: Betty Faria Vs. Sonia Braga

Quem gosta de uma boa contenda entre damas se divertiu bastante quando foi anunciado que Tieta, livro de Jorge Amado, viraria um filme estrelado por Sonia Braga. Betty Faria, que havia estrelado a adaptação do mesmo livro em telenovela em 1988, não se fez de rogada e aproveitou todas as entrevistas para reclamar que ela era a única Tieta.

Dirigido por Cacá Diegues, o filme chegou ao cinema em 1996. Betty Faria reclamando foi o menor dos problemas visto que o banco que apoiava a produção faliu no meio do caminho, o que atrasou as filmagens dramaticamente, mas causou mais burburinho.

É claro que sem o tremendo sucesso da novela em 1989 o filme não teria chamado tanta atenção, atraindo os melhores do Brasil em termos de música, figurinos, fotografia, etc. Mesmo sendo um  veículo diferente da televisão, Betty alegava que as pessoas jamais deixarão de lembrar dela  como Tieta.

Em entrevista recente ao programa do Pedro Bial no canal GNT (2016) a atriz relembrou que Zelia Gatai, esposa do autor foi quem disse que Tieta era para ela, enquanto ele ainda finalizava o romance lá em 1977. “Daqui a alguns anos você poderá ser ela” teria escutado, e assim foi, Betty correu atrás dos direitos para televisão na década de 80.

Consta que Sonia Braga, rosto fortemente associado a Amado por ter estrelado os grandes sucessos de bilheteria Dona Flor e Seus Dois Maridos e Gabriela (1976 e 1983, ambos de Bruno Barreto), além de Gabriela como novela em 1976, também foi atrás dos direitos da anti-heroína do agreste assim que terminou de filmar Luar Sobre o Parador (Moon Over Parador, 1988 de Paul Mazursky). Na época ela se relacionava com Robert Redford que aceitou bancar a obra.

Só que no meio do caminho estreou a novela escrita por Aguinaldo Silva e acabaram por engavetar o projeto cinematográfico. Em 1994, o produtor norte americano Donald Ranvaud (o mais importante do momento segundo o jornal Folha de São Paulo), concedeu entrevista ao jornal dizendo que só viu um capítulo da novela e gostou bastante da atuação de Betty Faria, mas a história seria diferente, atualizada para a era Collor.

Edição do livro após a novela EstanteVirtual
A ideia de Betty, segundo dizia na época, era registrar todo o elenco em película, o que seria muito prazeroso a todos, inclusive ao público. Hoje, com tanta coisa menor sendo adaptada da TV para as telas do cinema, pode parecer comum, mas na época não, fazer cinema no Brasil havia se tornado um luxo.

Em 1970 a novela Beto Rockfeller ganhou uma versão em filme com quase o mesmo elenco dirigido por Olivier Perroy, sendo que o maior atrativo era assistir aos personagens em cores! Tieta nos cinemas com elenco da novela teria, pelo menos, evitado as inevitáveis  comparações por parte do público.

 Em entrevista aocolunista Bruno Astuto em outubro deste ano (2016, vinte anos após a estreia do filme), Betty Faria respondeu sobre a suposta rixa que teria com Sonia Braga. “Tivemos contato há muitos anos, mas não somos amigas. Pelo contrário: ela não pediu licença para ser Tieta no cinema, e isso foi péssimo. Eu fazia turnê na época e, a cada cidade que chegava, as pessoas comentavam que odiavam, ficaram indignadas.” respondeu a musa.

Muitos anos antes disso tudo, Sonia Braga ficou com o papel de Julia Matos, protagonista originalmente escrita para Betty na novela Dancin Days (1978 de Gilberto Braga). Ela havia terminado o relacionamento com o diretor Daniel Filho preferindo estrelar o programa Brasil Pandeiro, musical mensal nas noites de sexta-feira da Globo.

A presidiária Julia Matos se tornou um tremendo sucesso, consagrando sua intérprete no país. Betty Faria sempre garantiu não ter problema nenhum com isso, que cada personagem tem “seu endereço certo”.

Veja também:

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Olha o lobo! Jack Nicholson e Claudia Schiffer em ensaio selvagem

Estas fotos foram publicadas na edição da revista Vanity Fair em abril de 1994. Jack Nicholson estava lançando o filme Lobo (Wolf de Mike Nichols) enquanto Claudia Schiffer estava só sendo linda.
Se além do ator houvesse alguma relação destas imagens com Wolf seria uma maravilha, né? Chega a lembra a caracterização de Oliver Reed em A Maldição do Lobisomem (The Curse of the Werewolf, 1961 de Terence Fisher) da Hammer.
Olha, mas só nas fotos mesmo. A verdadeira maldição do lobisomem é raramente ter sorte no cinema, como em Wolf, quanto um super elenco (Michelle Pfeiffer é a mocinha), um diretor renomado, maquiagem do Rick Baker, trilha sonora de Ennio Morricone e o resultado é tão insosso.

E o melhor são alguns momentos involuntariamente cômicos como Jack Nicholson farejando um chifre. De resto, ao invés de carregar nos tons como um filme de monstro, se leva muito a sério para ser verdadeiramente divertido tanto como terror ou romance.

 Na época havia uma tentativa de reviver no cinema monstros clássicos depois de anos dominados por slashers como os estrelados por Jason Verhoeven. Wolf foi só um latindo, mas naquele ano ainda chegou às telas Frankenstein de Mary Shelley (Frankenstein de Kenneth Branagh) e Entrevista Com O Vampiro (Interview with the Vampire de Neil Jordan).

A maior responsável por esta retomada foi a Columbia Pictures que colheu bons resultados com Drácula de Bram Stoker (Dracula 1992, de Francis Ford Coppola) o que fez com realizassem o sonho de Jack Nicholson interpretar uma vítima de licantropia. O estúdio da mulherzinha com a tocha produziria alguns outros, seguindo na linha até 2000 quando lançou O Homem Sem Sombra (Hollow Man de Paul Paul Verhoeven), sua versão de O Homem Invisível.

 A Paramount contra-atacou com A Lenda do cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, 1999 de Tum Burton). A decepção, por incrível que pareça, ficou com a Universal, dona dos mais famosos monstros da história de Hollywood que produziu uma versão em ritmo de aventura de A Múmia (The Mummy, 1999 de Stephen Sommers).

Veja também:
Quando os monstros voltaram a assombrar nos anos 90
Universal planeja a volta de TODOS os monstros em novos filmes
Nas trevas com Claudia Schiffer
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