terça-feira, 31 de maio de 2016

Ed Wood travestido em cores e com look 70's!

 Ed Wood aproveitou uma história real de troca de sexo que escandalizava nos jornais para se lançar como diretor explorando o tema. Ainda de lambuja pegou pra si o papel principal e revelou à esposa e amigos que sim, ele realmente gosta de se vestir com roupas femininas.

O filme é Glen ou Glenda (Glen or Glenda, 1953), uma das maiores bombas trash já impressas em película. Ed Wood também se vestia assim enquanto dirigia outros filmes, mas depois não foi mais visto como “Glenda”.

Até descobrirem sequencias não aproveitadas de Take It Out in Trade, produção de 1970. Agora aos 46 anos, visual da época com botas brancas de cano longo, ele ainda usava a peruca loira, mas está com um estilo bem mais moderno



É possível assistir a essa cenas clicando aqui. O longa foi tirado de circulação pelo próprio diretor antes de qualquer exibição pública e era tido como um de seus trabalhos perdidos até 2014 quando apareceu  completo em um festival de Nova York.

Antes disso, três latas contendo negativos brutos, sem qualquer áudio ou edição haviam sido encontradas no depósito de um velho cinema, segundo a Something Weird. As imagens contidas no post são dessa fonte.

Veja também:
Ed Wood o pai do nu frontal masculino
Texto de Ed Wood em cadeia nacional de TV no Brasil

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O avesso da cena: Gloria Swanson e o leão

A super estrela Gloria Swanson contava com orgulho das perigosas filmagens de Macho e Fêmea (Male and Female, 1919 de Cecil B. DeMille). No filme ela deixa um leão de verdade colocar as patas sobre suas costas nuas: "Foi a coisa mais impressionante, perigosa, fascinante... Suponho que o perigo seja sempre assim, eu não sei, mas foi algo que eu nunca vou esquecer".
Demille havia cancelado a cena por achar muito risco para a estrela (uma das maiores do cinema mudo). Segundo entrevista que Swanson concedeu em 1981 (aos oitenta anos) ela foi até o diretor e implorou para fazê-la.

Sabia que era um momento importante para o diretor, então lhe lembrou que quando ela era criança sua avó tinha a reprodução de quadro onde se via um grande leão com as patas em uma treinadora morta. Então, ela estava disposta a representar a imagem que tanto lhe fascinava e não, mesmo sabendo do perigo.
Ao chegar para trabalhar naquele dia sentiu o peso do que faria ao perceber que Mr. DeMille estava segurando um pedaço de pau como arma, assim como a presença de dois treinadores igualmente armados. Para piorar, diziam que a fera havia matado alguém semanas antes.

Mas o show não podia parar e podemos imagina Swanson dizendo “Estou pronta para o ato de bravura, Mr. DeMille”. Um dos treinadores foi até ela e perguntou, se desculpando pela indiscrição, mas era para sua segurança se estava menstruada, não estava, para ela o maior risco era seu figurino pesado com quilos e quilos de pérolas e contas.
Na hora de rodar, por um instante abriu uma fresta de seus olhos. Sem levantar a cabeça, viu as pessoas da equipe técnica imóveis, absolutamente silenciosas. “Entre eles, alguém vestindo uniforme, com seus olhos parecendo quase fora de sua cabeça, era papai. Sua boca estava aberta de horror com a visão de sua filha única ao lado de um leão que ruge sobre ela. Foi o nosso primeiro vislumbre de um ao outro em cinco anos.”

Aí pensamos nas maravilhas que chroma-key e computação gráfica permitem hoje em filmes recentes que misturam humanos e animais ferozes como Mogli: O Menino Lobo (The Jungle Book, 2016 de Jon Favreau).  Menos risco, mas menos histórias pitorescas no futuro.
Ela sempre será grande, os filmes é que ficaram pequenos!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Completo no YouTube: Sanpaku – O Olho da Ambição

 O filme milagre! Sanpaku – O Olho da Ambição, aka A Maldição de Sanpaku foi lançado em 1991 sobre as cinzas da Embrafilme e qualquer possibilidade de existir cinema além de abraçar um subgênero pouco comum à nossa cinematografia: O noir.

E a trama dirigida por José Joffily  abraça o noir através do mito sanpaku, citando visualmente o ator Peter Lorre. Ele mesmo, que trabalhou em vários noir célebres, era um portador de olhos com três brancos, o que significaria uma premonição de morte trágica.

Está muito longe de uma obra-prima, ou até mesmo de um bom filme, merecia uma produção melhor e principalmente um roteiro melhor. Parece que foi filmado com o primeiro tratamento do roteiro, cheio de arestas a serem limadas, mas parte de um argumento bem interessante.

No elenco o papel de loira misteriosa com intenções dúbias cabe a Patrícia Pillar, o mocinho ambicioso (Sanpaku) que entra numa arapuca é Felipe Camargo e o capanga, facínora perigoso, aliás, perigosíssima, é a Rogéria. Maravilhosa, é quase um dos pontos fortes daquilo tudo.
Assista legalmente na íntegra no player abaixo ou clicando aqui. O arquivo é proveniente de um TVRip (gravado da TV), imagem não muito boa, mas você jamais encontrará outra melhor.


Procurei o post aqui no blog (Astolfo Três Oitão) onde já havia falando sobre ele. Para surpresa, minha memória é muito mais afetiva com o filme do que o que escrevi naquele texto amargo de 2010.

Devia estar doido!

Veja mais filmes completos, de graça no YouTube

segunda-feira, 23 de maio de 2016

É possível sim ter fãs sendo apenas figurante

photobucket
Sharon Ceccatti era uma enfermeira de Pittsburg que nas horas vagas de seus plantões  cantava e dançava em bares noturnos. Num belo dia soube que o diretor George A. Romero estava filmando na cidade a sequencia de seu celebrado filme de zumbi de 1968.

O cachê para morto vivo não era mais do que vinte dólares e um sanduiche, mas ela, assim como muitos jovens locais, toparam a farra. Zombie - O Despertar dos Mortos (1978) dava a liberdade de cada um ser como quisesse, e Ceccatti, claro, foi a zumbi enfermeira, economizando em figurino!
Ela teve a sorte de receber alguns closes e aparecer em fotos promocionais do filme que se tornou um grande clássico do tema.  Um grande passo para a carreira artística deslanchar?!

No ano seguinte (1979), após Romero, teve a chance de trabalhar com outro diretor grande, Russ Meyer em Beneath the Valley of the Ultra-Vixens. Seu papel no sexploitation (o último de Meyer) foi novamente o de uma... Enfermeira!  
Agora com texto e participação em várias sequencias picantes, Sharon Ceccatti foi creditada como Sharon Hill. Estava com apenas 23 e uma carreira toda pela frente.

Ela ainda apareceu no dramalhão Kenny (1987 de Claude Gagnon) que conta a história real do garoto que vive sem pernas, personagem interpretado pelo próprio menino. Pode parecer sensacionalista, mas foi premiado no Festival Canadense.
Lá está Ceccatti interpretando sabe o quê? Isso! Uma enfermeira, mas dessa vez mais recatada, séria mesmo.

Muitos consideram Hellraiser III – Inferno na Terra (Hellraiser III: Hell on Earth, 1992 de Anthony Hickox) o fundo do poço que uma cine série poderia chegar. Repense! Lá aparece novamente nossa enfermeira favorita.
Hellraiser III foi a última aparição de Sharon Ceccatti vestindo roupas de enfermeira. Por enquanto... Sharonn está afastada das telas desde 2011, quando interpretou uma delegada numa produção obscura.

Não há notícias de que alguma vez tenha reclamado de ficar marcado por um papel apenas. A carreira de atriz jamais deslanchou, mas mesmo calada em sua estreia passa o resto da vida participando de convenções de fãs de horror onde autografa fotos.

Veja também:

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Quando Joan Crawford foi fofa

gettyimages
 Joan Crawford é conhecida como a maior “bitch” que Hollywood já teve não só pelos trabalhos em que (em sua maioria) representou mulheres destemidas e obstinadas a alcançar seus objetivos, mas também por fofocas de bastidores. Também há registros da estrela sendo imensamente doce e não me refiro apenas às centenas de fotos onde ela aparece com cachorros no decorrer da vida.

Crawford com Haines em 1929: amizade pra toda vida
Quando o galã William Haines se recusou a abandonar o namorado e assumir uma postura hétero para fãs teve que abandonar o cinema. Crawford foi uma das melhores clientes que ele passou a ter na nova carreira de designer de interiores.

Durante as filmagens de Felicidade de Mentira (The Bride Wore Red, 1937 de Dorothy Arzner) um eletricista caiu da passarela acima do set, sendo que o acidente foi quase fatal e ainda machucaria a estrela da MGM. As filmagens foram interrompidas e Crawford recusou-se a voltar a trabalhar enquanto não tivesse certeza de que o homem fosse completamente cuidado, continuasse recebendo seu salário e que sua família fosse assistida.

Isso num tempo distante da força que os sindicatos norte- americanos tomariam. O hospital ainda recebeu ligações diárias da atriz em buscas de informações sobre o estado de saúde do colega.

Cartas, muitas cartas para os fãs!
Devotada aos fãs, a própria Joan Crawford gastava muitashoras de seu dia respondendo pessoalmente a eles, enviando junto foto autografada do próprio punho. Geralmente atrizes usam papel timbrado com assinatura impressa, relegando a secretárias a função de responder a correspondência.

Hoje existem muitas dessas cartas sendo vendidas pela internet afora. No Ebay podem custar de 50 a mais de 300 dólares.

Foi uma das grandes damas de Hollywood (a própria se declarava pertencente à “realeza de Hollywood”) a comprar vestidos de L'Tanya Griffin, estilista negra que fazia relativo sucesso apenas entre as esposas das poucas celebridades negras que haviam na época. O ato num período de forte segregação racial é simbólico, mas de grande importância.

Outra estilista que ganhou não só seu apoio, mas sua amizade foi a brasileira Zuzu Angel. Elas se conheceram durante uma das visitas de Crawford ao Brasil já como executiva da Pepsi e continuaram se conversando por carta por anos.

Ao saber pelos jornais que o filho de Zuzu estava desaparecido (na verdade, uma das vítimas do golpe militar) enviou um bilhete com amor e esperança de que ele seria encontrado datado de 19 de agosto de 1971. Abaixo você lê a correspondência, disponibilizada no site de uma exposição sobre a estilista, assinada de forma diferente do que os fãs recebiam.
Em agosto de 1962 o mundo ficou transtornado com a morte da jovem Marilyn Monroe, Joan Crawford não foi diferente, mesmo tendo menosprezado publicamente sua chega a Hollywood. Numa manhã apareceu transtornada e visivelmente alcoolizada na casa do diretor e amigo George Cukor.

Cukor quis saber qual o motivo do abalo já que todos sabiam que ela não gostava da loira. Ouviu como resposta: “Você está certo. Ela era vulgar, uma exibicionista. Ela nunca foi profissional. Mas, pelo amor de Deus, ela precisava de ajuda. Ela tinha todas essas pessoas em sua folha de pagamento. Onde diabos eles estavam quando precisou deles? Por que diabos Marilyn teve que morrer sozinha?”.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Cannes 2016: Além de Sonia Braga festival exibirá filme com Norma Bengell

Cannes Classics
Por coincidência, neste ano o festival de Cannes exibirá filmes com duas das maiores musas que nosso cinema já teve: Sonia Braga e Norma Bengell! Braga está lá competindo com Aquarius (2016 de Kleber Mendonça Filho) e Bengell na sessão de clássicos em O Planeta dos Vampiros (Terrore nello spazio, 1965 de Mario Bava).

Na ficção científica cult italiana, Bengell, que faleceu em 2013, é a Sanya, tripulante de relativa importância à trama. O filme de Mario Bava será exibido numa cópia 35 mm recém restaurada em 4K!

Assista no player abaixo ao trailer sobre a cópia tinindo de nova. Um novo mundo redescoberto 50 anos depois graças à tecnologia.

Por trás da restauração e a exibição entre os maiores diretores de todos os tempo está Nicolas Winding Refn. O diretor de filmes como Driver (2011) é um apaixonado e defensor de cinema B.

Poster especial para a cópia restaurada
À Variety abriu polêmica, embora já conhecida por muitos, garantindo que O Planeta dos Vampiros é o filme que Ridley Scott e o roteirista Dan O'Bannon roubaram para fazer Alien, o Oitavo Passageiro (Alien, 1979). "Digo isso com o maior respeito", Refn foi rápido esclarecer.

 "Quando você olha para os dois filmes não são apenas semelhanças. É visível a estrutura, cenas, personagens, dilemas, temas que são muito semelhantes". Completou dizendo que não acha isso errado, “todo mundo rouba de todo mundo” e Alien, que também é uma obra-prima ,definiu o alto padrão artístico para o cinema fantástico.

"Mas a ironia é que tudo volta para este filme italiano que eu não acho que tenha obtido o reconhecimento que merecia.". É sempre compensador dar foco a filmes que às vezes o tempo não foi tão justo quanto outros.

Veja também:
Norma Bengell eterna
Centenário Mario Bava

Ennio Morricone em primeira pessoa

Harmonia Sangreal
 Aos 87 anos, um Oscar finalmente conquistado por uma trilha sonora, 527 créditos como compositor cinematográfico que inclui obras de Sergio Leoni a Pedro Almodóvar se declara ainda inquieto. O The Guardian foi atrás dele para saber um pouco sobre quem, além de sua obra, realmente ele é na seção “This much I know”.

Teorema, uma das parcerias entre Pasolini e Morricone
“Mesmo que eu esteja mais confiante agora, a minha necessidade de fazer sempre melhor e melhorar a mim mesmo é mais forte. Se pareço muito preocupado e concentrado a maior parte do tempo - é porque eu sou. Meu trabalho carrega grande responsabilidade.”. Morricone diz acordar muito cedo e também dormir cedo, o que já imaginávamos pela quantidade absurda de trabalhos.

Estudou no primário com Sergio Leoni, mas Leoni não o reconheceu quando se reencontraram pela primeira vez, na época de Por Um Punhado de Dólares (Per un pugno di dollari, 1964). Mesmo com filmografia tão extensa, às vezes recusa trabalhos como aconteceu com Pasolini quando o diretor lhe pediu apenas para adaptar peças clássicas, ambos cederam de alguma forma e Morricone considera o resultado magnífico.

Para o Tarantino (sonho que o diretor acalentava há anos) ele só compôs depois de receber a transcrição para o italiano do roteiro de Os Oito Odiados (The Hateful Eight, 2015). Ele e a esposa Maria leram, gostaram e a empreitada foi aceita.

Napoletana!
O compositor tem muito orgulho do casamento com a antiga amiga de suas irmãs, união que já dura o mesmo tempo que sua carreira, 60 anos, “É o momento mais romântico da minha vida”. Quando fez 40 anos prometeu à esposa que pararia de compor para o cinema e se dedicaria apenas ao que chama de “música absoluta”, mas aí disse a mesma coisa aos 50, 60, 70 e 80, “Talvez quando eu pare quando chegar aos 90”...

Não gosta de gatos, mas gosta de cavalos, macacos e cachorros dóceis. Guardou mágoa do gato gordo que tinha e se desfez porque num dia o bichano entrou na cozinha subiu à mesa, estragando toda a refeição.

Sua pizza favorita é a tradicional Napoletana: tomate, mozzarella e algumas anchovas. A massa deve ser fina.

Conformado com a naturalidade da morte, o mestre diz não temê-la. O que assusta é sua esposa ir antes e deixa-lo sozinho, ou o contrário, o ideal seria irem juntos.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Ed Wood teria contado com a primeira figurinista negra a trabalhar em Hollywood

Sabemos em 2016 que L'Tanya Griffin existiu graças a alguns sites e blogs atentos ao século XX. Mulher e negra, a estilista é quase um mistério hoje, mas os poucos registros de sua existência apontam para uma vida artística promissora entre as décadas de 40 e 50.

Griffin, considerada uma das primeiras afro-americanas a ficar conhecida com seu sobrenome de solteira, teria conseguido um histórico contrato como figurinista em Hollywood. Não com qualquer estúdio, mas com a Companhia de Ed Wood Jr., conhecido na posteridade como o pior cineasta de todos os tempos.
Dorothy Dandridge na Life com um dos vestidos

Ela não recebeu crédito nenhum pelos trabalhos. Ao contrário de outras que viviam no obscurantismo, como Vampira, não é citada na cinebiografia de Ed Wood dirigida por Tim Burton em 1994.

Por motivos desconhecidos, mesmo de origem bastante humilde, L'Tanya Griffin  se inscreveu para um curso de designer de moda na tradicional Lipson School de Los Angeles. Seus professores a incentivaram a ir para Nova York, capital da moda norte americana.

Ficou apenas um ano lá, trabalhando mais como modelo, mercado bem limitado na época, com a segregação racial a todo vapor.  De volta a Los Angeles começou a  vender alguns desenhos.

A sorte finalmente bateu na sua porta quando o independente Guild Studios a contratou para desenhar os vestidos da transgressora Ida Lupino. Belíssima estrela ruiva à frente do seu tempo, Lupino ficou conhecida por ir além do glamour, dirigindo também muitos filmes, alguns considerados clássicos.

De boca em boca L'Tanya Griffin  ficou conhecida passando a desenhar para outras grandes estrelas como Joan Crawford, Dorothy Dandridge e as esposas de muitas celebridades negras, incluindo Marie Ellington que era senhora Nat King Cole. Há uma seção de fotos de Dandridge para a revista Life Time onde ela usa um vestido alegre de L'Tanya.

Capa da Jet com L'Tanya Griffin
Nesse meio tempo a estilista se casou passando a ter um relacionamento possessivo e autodestrutivo. Numa das brigas com o marido acabou cega de uma vista o que não a afastou da profissão, embora tenha lhe tirado do eixo que seguia.

A partir de 1954 passou a desenhar para filmes B em Hollywood, principalmente os filmes de Ed Wood. Esse universo é tão extensamente revisitado que causa estranhamento que L'Tanya Griffin  seja um nome praticamente desconhecido até entre estudiosos.

Também em 1954 ela foi capa da revista Jet (voltada a comunidade afro). Na matéria ela comentava que a mulher afro americana estava se vestindo muito mais e descartando as multe cores que sempre lhes favoreceu.

O historiador Michael Henry Adams confessa que até 2005 jamais tinha ouvido falar nela! Foi pesquisando para uma exposição no museu da Cidade de Nova York que ele tropeçou em seu nome pela primeira vez e puxou o fio do novelo, descobrindo parte da trajetória da artista, embora ainda falte bastante.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Completo no YouTube: Street Fighter (o clássico!)

 Programão para um final de semana chuvoso: Street Fighter de 1974 está na íntegra no YouTube e legendado em português!  Aquele que revelou ao ocidente o astro Sonny Chiba (Shin'ichi Chiba ).

Historicamente, Bruce Lee, após abrir o mercado das salas grindhouse ao dragão ensandecido das artes marciais, morreu em 1973 e ficou o vácuo de grandes estrela do gênero. Produtores chineses criaram vários atores com sobrenome Lee, os americanos deram spot a anti-heróis que trocaram as armas de fogo pela pancadaria como Jim Kelly.

Ainda procurando alternativas, distribuidores norte americanos chegaram ao Japão e importaram Gekitotsu! Satsujin Ken e o rebatizaram de “Street Fighter”.  Foi o primeiro filme da história a receber o certificado X-Rated, normalmente destinado a fitas pornográficas, mas aqui foi pela violência gráfica.

E que violência! Tem uma cena especificamente que depois foi copiada algumas vezes: Sonny Chiba dá um golpe na cabeça do inimigo e vemos o traumatismo craniano num tipo de raio X.

Mas esta é só uma das tantas sequencias que seriam “homenageadas” em produções futuras. As lutas são rápidas, editadas de um jeito muito moderno para a época em um universo pop/kitsh que só os japoneses podem fazer, elevado ao cubo em se tratando de década de 70.
Chiba é Takuma Tsurugi (Terry no inglês) um mercenário mestres das artes marciais contratado pela Yakuza para sequestrar uma bela garota, herdeira de uma fortuna de milhares de ienes. Quando Takuma se recusa a executar o plano passa a ser perseguido pela máfia e ele jura vingança (claro!).

Em se tratando desse tipo de filme, isto é meramente a espinha dorsal. Há várias sub tramas e personagens cartunescos, literalmente a dar com um pau e momentos inacreditáveis.
Dirigido por Shigehiro Ozawa, o elenco ainda conta com Etsuko Shihomi, que se tronaria uma das mais populares estrelas do cinema de ação japonês. Aqui no Brasil ele foi distribuído em DVD pela London Filmes com o título Street Fighter – O original, provavelmente para não ser confundido com aquele de 1994 baseado no videogame homônimo.

Atualmente em domínio público, a cópia legendada em português presente no YouTube tem o áudio original japonês, assim como os letreiros dos créditos e qualidade relativamente boa de imagem. Assista online no player abaixo ou clicando aqui


Veja também:
Grandes nomes da pancadaria: Sonny Chiba
Sonny Chiba com equipe JAC no Brasil!
Completo no You Tube: A Hora do Medo
Completo no You Tube: Amityville 2 - A Possessão
Completo no You Tube: Noite Maldita

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Filme caseiro mostra Steve Reeves em papel pouco conhecido

No vídeo acima (a partir de um negativo 8mm) Steve Reeves aparece cuidado da "The Steve Reeves Athletic Club", academia que inaugurou no ano de 1955 em Miami. A empresa não durou muito, mas vale o registro do futuro astro com um físico maior do que nunca.

Antes de ser imortalizado como Hércules a partir do filme dirigido em 1958 pelo italiano Pietro Francisci, Steve Reeves já era relativamente conhecido. Pelo menos para quem consumia material sobre o universo fisiculturista, visto que ele conquistou os títulos Mr. América em 1947 e Mr. Universo em 1950.

Com os títulos, Reeves, como qualquer jovem aspirante à fama faria na época, partiu para tentar uma carreira em Hollywood. Enquanto um bom contrato com um estúdio não vinha, montou sua academia de ginastica em Miami tentando exercitar seu lado empresário.

Estudioso, leu tudo o que estava ao seu alcance sobre fisiculturismo e além da academia lançou livros a respeito. O mais conhecido dele é "Building the Classic Physique - the Natural Way" (Construindo o Físico Clássico – Da Maneira Natural traduzindo literalmente), considerado quase uma bíblia daquela geração.

Como ator foi fazendo figurações até conquistar seu primeiro papel de destaque num filme. Infelizmente foi em A Face do Crime (Jail Bait), bizarro noir dirigido por Ed Wood em 1954 que ninguém deu bola.

Dias melhores vieram e na Europa se tornou o mitológico herói Júpiter e Alcmena. Steve Reeves se tornou o primeiro grande nome no subgênero peplum, ou “sandália e espada”, como se tornariam conhecidos jocosamente a série de filmes populares produzidos na Itália explorando mitos gregos ou romanos.

Steve Reeves, que começou com Ed Wood, considerado o pior diretor de todos os tempos, acabou dirigido por gênios como Sergio Corbucci, Umberto Lenzi e Mario Bava e Sergio Leone. Serviu ainda como inspiração a outros conhecidos no fisiculturismo a tentarem o cinema como Lou Ferrigno, David Prowse e Arnold Schwarzenegger.

Veja também:
Supremacia peplum
Vista-se como um gladiador
11 fotos estranhas do jovem Schwarzenegger
Nem todo passado condena

terça-feira, 10 de maio de 2016

Conheça um dos pratos favoritos de Vincent Price

Quem conhece pouco do mitológico ator Vincent Price pode ter dificuldades em imaginá-lo de avental num fogão. Muitos podem imediatamente lembrar daquela infame torta de poodles.
Vincent Price, um dos maiores nomes do cinema de terror, era um homem letrado, amante das artes e da boa mesa. Da segunda paixão lançou alguns livros de receitas.

O mais famoso é A Treasury of Great Recipes, assinado junto à esposa Mary.  Chamado de grande cozinheiro pela Veja em 1973, a publicação mereceu notinha na revistabrasileira.

Agora sua filha Victoria Price está relançando a obra em celebração aos 50 anos da primeira edição. Abaixo você lê uma das receitas conforme está no livro e apresentada no canal Fox 8.

Risotto Alla Milanese (arroz com açafrão e queijo parmesão)

4 colheres de sopa de manteiga
1 cebola branca doce - cubos pequenos
2 dentes de alho - picados
1 1/2 xícaras de arroz - estilo Arbóreo
3 xícaras de caldo de legumes - pode usar caldo de galinha ou caldo de açafrão
1/4 xícara de vinho branco (eu uso Chablis)
1 / 2 xícara de creme de leite
1/2 parmesão ralado
1 colher de chá de raminhos de açafrão
pitada de sal e pimenta branca 
Modo de preparo
Na panela derreta a manteiga, adicione a cebola e o alho até ficarem claros e adicione o arroz (Arbóreo). Refogue o arroz até que fique claro, junte o vinho e 1 1/2 xícaras do caldo (de qualquer sabor que você escolher). Cozinhe em fogo baixo até que o líquido se esvaia. Adicione as 1 1/2 xícaras restantes do caldo e cozinhe até que todo o líquido tenha desaparecido.  O Arroz deve ficar pegajoso mas ainda um pouco al dente. Adicione o creme de leite, sal e pimenta e raminhos de açafrão. Com a mistura o arroz vai se tornar de cor amarela. Cozinhe em fogo alto até que o creme de leite se vá e adicione o queijo parmesão ralando. Sirva quente adicionando mais queijo por cima do prato, se desejar.
 Deve ser bom pra quem gosta de risotos.Olha, impossível não achar que com Vincent Price não tinha como não gostasse...

"Está maravilhoso! Maravilhoso!"


segunda-feira, 9 de maio de 2016

Quando Bacall estava na bancarrota

Periudcult
 Lauren Bacall voltou à moda ali entre as décadas de 70 e 80, período onde o mundo repensou os anos 40 culturalmente.  Em 1978 Com incrível senso de oportunidade lançou a autobiografia Lauren Bacall By Myself, publicado no Brasil com o trocadilho Bacall Fenomenal.

Consecutivamente ela passou a fazer publicidade na TV e revistas. E é dessa época o seguinte diálogo a respeito de Lauren Bacall no capítulo 48 da novela Água Viva, escrita por Gilberto Braga em 1980.

Tônia Carrero é a socialite Stella Simpson que chega de Nova York cheia de novidades. Entre elas a saúde financeira ascendente da Jackie-O e a decadente de Lauren Bacall, que claro, não passava de boato.

Gilberto Braga fabuloso como sempre em retratar as grã-finas brasileiras, jecas como só elas. Só nestas partes dos trópicos pra ganhar dinheiro seja motivo de se sentir pena, não?

Bacall fez anúncios para a tradicional joalheria Fortunoff, fundada em 1922. Não é possível encontrar no YouTube nenhuma das propagandas para TV que a novela se refere, apenas o material de revistas da época.
Vintage paper
No começo dos anos 80 Bacall foi frequente na TV dos EUA anunciando café instantâneo. Desses sim, é possível assistir a todos.

Ao falecer em 2014 a estrela deixou uma fortuna de cerca de US$ 26,6 milhões, sendo que desse valor, 10.000 foram herdados só por sua cachorrinha Sophie. Se ela está mal das finanças em 1981 se recuperou super bem, hein?

Veja também:
Lauren Bacall conquista a imortalidade
Grã fina com hábitos de pedreiro
Bacall animada



sexta-feira, 6 de maio de 2016

Botas procuradas desesperadamente

 As botas de Susan são um ícone do cinema pop 80s! É graças a elas que a trama de Procura-se Susan Desesperadamente (Desperately Seeking Susan, 1985 de Susan Seidelman) se desenrola.

Refrescando a memória: Susan (Madonna) fica deslumbrada ao encontra-las na vitrine de um brechó. Sem dinheiro a troca pela jaqueta (aquela da pirâmide dourada nas costas) que é comprada por Roberta (Rosanna Arquette) e o resto é aquela espécie de O Principio E O Mendigo.

Aquela altura Madonna era uma máquina de fazer dinheiro e claro, o calçado foi licenciado pela marca Bakers–Leeds que os vendeu feito amendoim torradinho. O anúncio da época deixa claro que eles são uma criação da assistente de figurino Alison Lances.
kitsch-slapped
Óbvio que havia similares no mercado. Town & Country fez a sua versão (de vinil, não de couro) que até um tempo atrás podia ser encontrada em brechós virtuais gringos como este aqui e custavam entre 250 e 500 dólares.

No filme Susan/Madonna aparece as usando de dois jeitos. Cano para cima e cano para baixo.
Cano pra cima tem a vantagem de servir para guardar cigarros. Susan compra cigarro solto?

É um item disputado por fashionistas amantes do vintage e, claro, fãs de Madonna. Aqui no Brasil temos pelo menos uma feliz proprietária que fez questão em publicar o vídeo abaixo, abrindo a encomenda dos Estados Unidos à caráter. ASSISTA!

Parabéns, ViC Spears! And you can dance.

Veja também:
Jaquetas famosas no cinema
Material girls contra as bonecas assassinas
Cores reais: Histórico figurino de Joan Crawford
Look do dia: Lu-lu Fishpaw

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Veja como estão locações de Bye Bye Brasil

 Que tal um pouco de turismo cinéfilo via Google Maps? Filmado por Cacá Diegues em 1978, Bye Bye Brasil mostra algumas cidades que estavam em desenvolvimento.

O filme percorre cinco Estados, três regiões, culminando no Distrito Federal. Pesquisei sobre duas cidades marcantes na história: Piranhas e Murici, ambas em Alagoas.

Piranhas

É a primeira parada da Caravana Rolidei, onde eles conhecem Ciço (Fábio Júnior) e Das Dô (Zaira Zambelli). Segundo o mais recente censo ela possui 21.716 habitantes, seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,607 segundo a Wikipédia.


Piranhas foi palco da luta entre seus moradores e Lampião, sendo que as cabeças do cangaceiro e seu bando foram expostas na cidade. Seu centro histórico é tombado e por isso continua quase idêntico ao visto nas telas.
Dá pra perceber que apenas um local foi filmado, no largo às margens do Rio São Francisco. A equipe se concentrou no viaduto para a maioria das tomadas.

Murici

Quando a Caravana Rolidei chega, não vê “espinhas de peixe”, as antenas de TV, mas logo descobrem que a prefeitura instalou uma televisão comunitária, e todo o povo se reúne para assistir Dancin Days, a novela das oito do momento. Atualmente tem 28.335 habitantes e seu IDH é de 0,58, um dos mais baixos do país também segundo a Wikipédia.

O Google StreetView ainda não chegou até lá! O mais próximo que podemos ir virtualmente é na BR 104.

Consegui apenas uma foto recente da igreja matriz para comparar com o visto em 1979 e apenas ela continua igual. Ao contrário de Piranhas, parece que não há preservação histórica ou exploração turistica.
Globo Esporte
Recentemente Murici apareceu no noticiário nacional como o município mais pobre do Brasil por onde a tocha Olímpica passará. Antes disso, em 2010, por ter sido arrasada por enchentes.

Só depois de começar a pesquisar, tirar e escolher screenshots do DVD do filme é que descobri que em 2013 o G1 fez uma extensa matéria sobre as locações de Bye Bye Brasil. Teria me poupado de ver muita desgraça.

Sim, não recomendo de forma alguma que se pesquise imagens no Google por “Murici Alagoas”. Decapitações, desmembramentos, cadáveres pútridos e toda sorte de mazelas humanas expostas a um clique.

Cacá Diegues encerra seu filme o dedicando ao brasileiro do século XXI. Infelizmente o século XXI ainda não chegou para todos os brasileiros.

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