quinta-feira, 31 de março de 2016

Turma da Mônica encontra Roque Santeiro

Em janeiro de 1986 chegava às bancas o especial As Melhores Piadas do Roque Sambeiro. Nele a Turma da Mônica satirizava, obviamente, Roque Santeiro, a atual novela das 8.

A trama de Dias Gomes (escrita por Aguinaldo Silva e colaboradores) terminaria em fevereiro. Mauricio de Sousa espichou a série “as Melhores Piadas”, coletânea de tirinhas, para catar sua lasca daquele sucesso da TV Globo.

Álbum de figurinhas ( Mercado Livre)
Ao contrário dos outros volumes (Roque Sambeiro é o número 7) que reuniam trabalhos já publicados, as tirinhas aqui são inéditas, todas referentes à trama da novela. Mônica é a Viúva Porcina, Cebolinha é o Sinhozinho Malta e Cascão o Roque, além de participação de muitos outros personagens.

E vendo isso hoje causa estranhamento personagens infantis reproduzindo uma trama extremamente adulta que discutia abertamente tanto política quanto sexo.  Roque Santeiro foi um fenômeno sem precedentes que atingiu até as crianças que brincavam de teatrinho da novela!

A própria emissora lançou um álbum de figurinhas cujos anúncios da TV eram crianças reproduzindo os bordões dos atores. Só não houve maior invasão de subprodutos porque era o Brasil da primeira metade da década de 80. 

Ignorando números de ibope, recentemente muito se comparou seu êxito ao de Avenida Brasil (2012). Nem de perto foi a mesma coqueluche que aconteceu entre 1985 e 1986!


quinta-feira, 24 de março de 2016

Coleção de histórias pitorescas com Tallulah Bankhead

Stirred, Straight Up, with a Twist
 As fotos acima são Tallulah Bankhead chegando ao Ritz de Londres em agosto de 1964. Nãos e sabe muito sobre as circunstâncias do acidente, mas sabemos que há mais de uma dúzia de causos com a estrela nos anais de Hollywood.

Sem medo da fofoqueira Hedda Hopper 
Amante do álcool e de personalidade ímpar fez seu nome alimentar por décadas as rodas de conversa em festas que se não estavam animadas, passaram a ficar. Aqui mesmo, no blog, já comentei algumas delas.

Por exemplo, quando estava filmando Um Barco, Nove Destinos (Lifeboat, 1944 de Alfred Hitchcock) e foram reclamar ao diretor que ela estava subindo e descendo da embarcação sem calcinha. Hitchcock teria dito que não sabia se isso era problema do figurinista ou cabeleireiro.

Quando Tallulah foi fazer uma participação no programa da Lucille Ball surpreendeu a todos do elenco quando Lucy elogiou sua camisa e ela simplesmente a tirou e deu-lhe. Vivian Vance, pra tentar suprir a torta de climão elogiou as calças e ponto! Também as ganhou de presente.

A convidada passou a ensaiar como veio ao mundo. Fingiram que estava tudo bem, pelo menos estava conseguindo passar o texto, já tinha acontecido dela simplesmente apagar.

Em 1951, numa festa no Ritz (sempre lá!) para comemorar sua chegada a Londres, estava tão feliz que tirou o sapato e tomou champanhe nele, para a alegria dos fotógrafos presentes. Em 2004 o bar do hotel celebrou o momento iconográfico lançando um drink chamado Tallulah, servido num sapato. Mas um sapato apropriado pra isso.

O fã desta página colecionou várias dessas histórias insólitas, muitas delas contadas pela própria. Uma vez Tallulah Bankhead foi a Washington numa convenção política Democrata que um amigo participava.

"Dialogando" com Marlene Dietrich
Durante um discurso mais longo de um senador quis ir rapidinho ao banheiro, mas só depois viu que não havia papel higiênico no seu reservado. "Então eu olhei por baixo e vi um par de pés na cabine ao lado, bati muito educadamente e disse:. 'Desculpe-me, darling, não tenho nenhum papel higiénico e você? ', E uma voz muito Yankee respondeu: 'Não, eu não. ' Bem, darling, eu tinha que voltar ao palanque para o discurso do (amigo) Adlai, então eu perguntei a ela, muito educadamente, você entende, 'Desculpe-me darling, mas você tem alguma Kleenex? ' E essa voz agora bastante fria disse: "Não, eu não." Então eu disse: 'Bem, então, darling, por acaso você tem duas notas de cinco para uma de dez?' 

Na biografia de Truman Capote tem a vez em que eles fora a uma reunião na casa de amigos e a dona da casa convidou as visitas a tomarem banho de piscina. Tallulah recusou os maiôs oferecidos e logo estava pulando na prancha de mergulho vestindo nada mais do que suas pérolas.

Foi uma cena típica Tallulah, até a parte em que o motorista teve que voltar mais tarde e pescar as pérolas para fora da água. Quando Capote perguntou por que ela fez isso, respondeu: "Eu só queria provar que eu era uma loira cinza natural".

Outra vez contou a um amigo que o seu médico aconselhou-a a comer uma maçã cada vez que sentisse o desejo de beber. Ela arqueou uma sobrancelha e acrescentou: "Mas, francamente, darling, sessenta maçãs por dia!".

No campo sentimental o assunto era mais reservado, mas não menos tempestuoso. Diziam que seu romance com a então aspirante a atriz Lizabeth Scott (falecida recentemente) serviu de inspiração para a peça All About Eve, que depois foi adaptada ao cinema, ganhando o título no Brasil de A Malvada, sem o teor lésbico.


Muitos negaram, mas Bette Davis, que estrela o filme maravilhosamente como a atriz veterana que toma uma rasteira, lembra bastante Tallulah até nos figurinos. A partir daí a Tallulah sempre jogou piadinhas com Bette querer ser ela chegando a declarar: “Não pense que eu não sei quem está espalhando fofocas sobre mim. Depois de todas as coisas boas que eu já disse sobre essa bruxa [Bette Davis ]. Quando for tomar satisfações, vou arrancar todos os pelos do seu bigode!”.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Documentário expurga demônios de Tab Hunter

Tab Hunter foi um galã adolescente muito popular entre as décadas de 50 e 60. Além de filmes ele teve um programa de TV (exibido até no Brasil) e gravou um disco de sucesso... Tudo ia bem até as revistas de fofocas colocarem em xeque sua sexualidade.

A vida dupla, imposta pelos estúdios e a sociedade da época logo se tornaria um pesadelo que o levaria vertiginosamente ao ostracismo. Assista no player abaixo (ou clicando aqui) ao ótimo trailer do documentário Tab Hunter Confidential e entenda melhor.

O filme tem como base a franca biografia que Hunter lançou em 2005, quando oficialmente confirmou os boatos. Parece ser um registro interessante dos costumes tanto da época quanto de Hollywood que vivia o final de sua Era de Ouro.

Se hoje (2016!!!) a sexualidade de galãs gays costuma ficar trancafiada, na década de 50 ainda tinha o peso de ser ilegal. Interessante para estender o debate sobre a quantas andamos.

Descoberto pelo empresário Henry Willson, célebre por revelar galãs como Rock Hudson, Lee Majors e Robert Wagner, foi usado como moeda de troca quando a revista Confidential  quis publicar que Rock Hudson era gay. Wilson negociou para que expusessem o jovem Tab Hunter e deixassem em paz Rock, muito mais rentável nas bilheterias.

Assim a revista quase promoveu um “outing” em pleno 1955, que foi basicamente ignorado pelas fãs. Conforme foi ficando mais famoso as publicações passaram a insistir nas insinuações, enquanto o rapaz desfilava publicamente com supostas namoradas como Natalie Wood e até Debbie Reynolds.

Na realidade ele teve um namoro longo com Anthony Perkins, que também tentou ser galã romântico, mas ficou imortalizado como Norman Bates em Psicose (Psycho, 1960 de Alfred Hitchcock). Existem fotos deles juntos em eventos, devidamente acompanhados de "suas garotas".

Vampira (Maila Nurmi) disse numa entrevista que foi sua “beard lady” (Mulher barbada), expressão da época para amigas que acompanhavam casais homo. Ela recordou que as revistas o acusavam não apenas sobre a sexualidade dele, mas também o chamavam de comunista, pervertido, traficante do governo chinês entre muitos outros insultos.

Tab Hunter teve seu nome redescoberto no começo dos anos 80 ao participar de Polyester (1981 de John Waters)  e A Louca Corrida do Ouro (Lust in the Dust, 1985 de Paul Bartel).  Em ambos ele fez par romântico com Divine.
Para essa nova geração ele se tornou um ícone kitsh/gay. Ele não desenvolveu uma carreira voltada para este público por causa dos sérios problemas de saúde que sofreu. 

Veja também:
Tab Hunter na TV brasileira
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Amizade na mira das línguas de trapo
A 7 chaves: Rock Hudson e Lee Majors
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terça-feira, 22 de março de 2016

Damien antes, depois e agora

 Para quem se pergunta como está o menino Damien de A Profecia (The Omen, 1976 de Richard Donner) ele aparece no remake de 2006. É um dos repórteres que interpelam Liev Schreiber.
É o último trabalho de Harvey Stephens como ator. A participação bem pequena, mas ele tem uma frase de texto: “- Ela usava drogas?”, se referindo à babá que se enforcou no dia do aniversário.

Fora isso ele participou de um filme para TV com David Carradine em 1980 e nada mais! Será “o Damien” para sempre, papel que conquistou aos quatro anos após durante o teste dar um murro nos testículos do diretor, segundo Richard Donner recorda nos extras do DVD.

Harvey Stephens adulto tem muito pouco do Sam Neill, que interpretou o personagem crescido em A Profecia III - O Conflito Final (The Final Conflict, 1981 de Graham Baker). A cor dos olhos pelo menos...
Em compensação, lembra relativamente Bradley James, que interpreta o mesmo personagem na atual série para TV Damien. Embora seja loiro e o menino teve que pintar seu cabelo de castanho escuro em 1976.
Aliás, alguém está assistindo a isso? Depois de Bates Motel eu estou de boa com séries decorrentes de filmes clássicos...

segunda-feira, 21 de março de 2016

Pee-wee chega ao Brasil em novo filme e série clássica

 Enquanto o Brasil assistia a Xuxa, os EUA assistiam ao Pee-wee Herman a partir de 1986. O paralelo pode ser feito não para comparar programas ou apresentadores, mas para mostrar o êxito de ambos a partir de seus programas originalmente voltados ao público infantil.

Xuxa tentou a sorte lá, nós nunca entendemos ou demos a menor pelota ao homem estranho com jeito de menino. O primeiro filme de Pee-wee (Pee-wee's Big Adventure, 1985), dirigido pelo então estreante Tim Burton, chegou a ser distribuído em VHS no país pela Warner numa tiragem bastante limitada.

Agora estreia na Netflix o terceiro filme do personagem: As Grandes Férias de Pee-Wee (Pee-wee's Big Holiday, 2016 de John Lee). Produzido pelo serviço de streaming, pode ser uma boa oportunidade para conhecer finalmente o personagem, assista ao trailer no player abaixo ou clicando aqui.
Com cara de comédia da Sessão da Tarde 80’s, o filme logo mostra sua vocação a cult, muito além de uma produção apenas para o público infantil. Até por que, a começar pelo conceito kitsh do personagem será absorvido em sua totalidade muito mais por adultos.

Dessa vez o herói conhece um bonitão de Nova York que tenta convencê-lo a tirar férias e ir até a Big Apple participar de sua festa de aniversário. O que era o princípio de uma linda amizade se transforma numa aventura épica onde Pee-wee encontra vários personagens bizarros que o auxiliam a chegar a seu destino ou não.
Alguns momentos são realmente engraçados, outros compreensíveis apenas para alguns. Pra você ter uma ideia do espírito da coisa, ele cruza com uma gangue de garotas karatecas que lembra muito as meninas comandadas por Tura Satana em Faster Pussycat, Kill, Kill! (1961 de Russ Meyer).
Velocidade, sutiãs fura olho e ameaças com canivete!!!  Sequestrado por elas e preso num motel vagabundo, policiais invadem o quarto (“graças a deus!”), mas é só um grupo de stripers fetichistas para alegrar a fuga das meninas.

Se depois do filme você se sentir iniciado e quiser mais, na própria Netflix tem Pee-Wee’s Playhouse, o psicodélico e iconográfico programa de TV dos anos 80. São cinco temporadas (legendadas em português)  com cerca de 13 episódios cada que misturam atores de carne e osso (jovem Laurence Fishburne entre eles) com várias técnicas de animação, de stop motion a marionetes.

A “grande aventura” da tia de Dorothy na vida real

A atriz Clara Blandick será para sempre lembrada como a doce tia Em de O Mágico de Oz (Wizard of Oz, 1939). E é muito triste saber como foi sua morte num domingo de ramos de 1962.

Ela estava com 82 anos, católica, foi na missa naquela manhã, voltou pra casa tomou cartelas de soníferos, deitou-se no sofá e enfiou um saco na cabeça. Deixou uma carta de suicídio que começa com “Agora estou prestes a fazer uma grande aventura”.

Foi encontrada ainda com sua melhor roupa e cercada por recortes de jornal e fotos de sua longa carreira. Nascida em 1876, ela começou a trabalhar no cinema em 1907, antes mesmo de Hollywood ser inventada.

Clara Blandick estava sem trabalhar desde 1951, quando se aposentou. Depois teve atrite grave e cegueira completa, situação que lhe deprimiu imensamente em seus últimos dias.


Seu trabalho em O Mágico de Oz, que a levou à posteridade, foi filmado em apenas uma semana. Pequeno, mas de grande importância à trama por simbolizar a luta de Dorothy em retornar ao lar, para seus braços.

Veja também:
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Controversa morte de Lupe Vélez
Breve trajetória de uma estrelinha Universal
O dia em que Geoge Sanders se entediou
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quinta-feira, 17 de março de 2016

Trailer do novo Ben-Hur e as versões clássicas

Essa semana passou a circular o trailer do Ben-Hur que deve estrear ainda neste ano de 2016. Assista no player abaixo ou clicando aqui e depois voltamos a conversar.
Fora uma preguiça chamada Morgan Freeman, não parece nada muito além do que já vimos. Mas não deixa de ser curioso ver uma releitura atual de histórias bastante manjadas.

O trailer explora mais a ação do que a religião, embora exponha Jesus Cristo interpretado pelo brasileiro Rodrigo Santoro. A versão mais famosa de Ben-Hur é aquela dirigida por William Willer em 1959 que jamais mostrava o rosto de Cristo.
Ao todo, excluindo peças de teatro e contando com um curta em 1907 e a minissérie de 2010 o livro de General Lew Wallace gerou seis adaptações. A de William Willer foi um fenômeno de bilheteria ganhador de 11 Óscares num total de 12 indicações (perdeu apenas o de roteiro adaptado).

Além da corrida de bigas, um dos grandes momentos é a batalha náutica, quando a galera onde o herói está preso e escravizado começa a afundar. Ela está presente logo no começo do trailer do novo.

E lá vamos nós compararmos com as das outras versões de Ben-Hur por puro passatempo. A de 59 com Charlton Heston e a de 1925, também famosa, estrelada pelo galã Ramon Novarro.
Exemplo de que a imagem limpinha da alta resolução costuma fazer mal a grandes clássicos. A partir do DVD dava pra perceber que no filme de 59 os pobres figurantes que levam a tora na cara são na verdade são bonecos.
O de 25 foi um filme colossal quando o cinema ainda nem som tinha, sendo considerado o mais caro produzido naquele tempo. E tudo o que você vê aí foi de verdade, inclusive a tragédia.

Tão realista que é provável que alguns figurantes tenham morrido de verdade! A sequencia foi filmada no mar da Itália e muitos populares locais se candidataram a trabalhar no filme como extras mentindo na ficha de inscrição que sabiam nadar.

Na hora de rodar, o vento fez o incêndio na embarcação sair de controle e centenas de figurantes se jogaram na água tentando sobreviver. Há relatos de vitimas fatais, não confirmadas por historiadores.

Veja também:
Ben-Hur: Será que ele é?
Mitos, exageros e mentirinhas do Oscar
Supremacia peplum

quarta-feira, 16 de março de 2016

Filmes caseiros revelam intimidade de Joan Crawford


Os vídeos amadores que você assistirá foram feitos em sua maioria na casa de Joan Crawford talvez entre os anos 1939 e 1942. Após 60 anos foram descobertos nos guardados da família pelo seu neto Casey.

Nessa época ela casou duas vezes, com Franchot Tone (1935 a 1939) e Phillip Terry (1942 a 1945). Ambos aparecem nas filmagens, assim como a recém-adotada Christina, a filha que mais ficaria famosa com um livro falando mal da mãe.
Filmados em 8 mm, negativo colorido em sua maioria, sem áudio(conforme a tecnologia da época), foram feitos para uso doméstico, não para serem exibidos ao grande público. Nossa geração poder assistir a eles é um privilégio.

Crawford estava em seu auge de beleza e carreira. Rara oportunidade de vê-la  na luz natural, sem estar produzida para um personagem ou num evento público.

Segundo o usuário do YouTube que os postou, existem apenas estes seis que você assiste abaixo. No título de cada um deles está incluído link para a página original, caso o seu navegador não consiga visualizá-los.

Joan, muito bem humorada, recebe convidados em sua casa para o aniversário da filha. Ela usa a mesma roupa de outras duas mulheres, provavelmente para servir.

Porco amestrado, pôneis e um palhaço triste. A partir de 5:30 passa a ser o corte do bolo dentro da casa e imagens dos amiguinhos da aniversariante à mesa.

Várias tomadas do rosto da atriz, ela com o marido e a filha sentados num gramado e algumas tomadas mais introspectiva. Joan Crawford (belíssima!) foi ruiva nessa época, mas temos a ilusão de ser morena por causa dos filmes em preto e branco.

Um passeio nas montanhas da Pensilvânia com o colunista e amigo Charles McCabe. No final da fita alguns panoramas muito especiais de Nova York da década de 30.

Feliz dança e brinca com seu salsicha. Joan era cachorreira, teve vários cães durante a vida, aparecendo inclusive com dois na capa de sua autobiografia.

Datado como sendo 19 de junho de 1941, Joan Crawford aparece cuidando (sem muito jeito) do menino Christopher, seu filho por meses até que a mãe biológica o pediu de volta. Anos mais tarde adotaria outro e o rebatizaria de Christopher também.

A menina brincando em casa coma mãe e depois lá fora com o pai Franchot Tone. Joan, de óculos escuros,  parece estar a ensinando a andar.

Negativo em preto e branco, Christina brinca com os pais, cachorro e é filmada mesmo dormindo sentada. Impossível não nos lembrar de alguma coisa de Mamãezinha Querida (Mommie Dearest, 1981 de Frank Perry).

Veja também:
Estrelas ao sol: Os filmes caseiros de Roddy McDowall
Imagens de Planeta dos Macacos ao vivo!
Paulo Affonso e Elisinha contraem núpcias
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terça-feira, 15 de março de 2016

Fotonovela reúne Joey Ramone, Debbie Harry e Edith Massey!

A revista Punk produziu uma fotonovela em 1978 chamada Mutant Monster Beach Party. No elenco ninguém menos que Joey Ramone (vocalista dos Ramones), Debbie Harry (vocalista do Blondie) e a atriz Edith Massey.

A história completa ainda conta com Andy Warhol entre outros da época. Mais estrelas que a constelação dizia o velho slogan da MGM.

Punk magazine circulou entre 1975 e 1979 contabilizando um total de 19 edições. Ela é considerada a principal responsável por popularizar a expressão “punk”.
-Venha para a cama, baby! Estou esperando quarenta páginas por isso!


-Ok.,... Joey, estou indo!

-Joey, eu tenho uma confissão a fazer...
-Você me ama por minha mente, não é?
-Eek! Estou caindo fora daqui, o mas rápido!

Ai! Outro casamento adolescente cai por terra! Joey surfa de volta à "Big Apple", enquanto Debbie procura por alguma ação hard-core

-Alô, Associação dos Bikers enfadonhos? Aqui é Debbie, vocês se lembram de mim? ... Bem...

Veja também:
Entrevista com Edith Massey
Edith Massey, a dama dos ovos

Estranha trajetória de Orson Welles

Orson Welles tinha apenas 22 anos quando foi capa da conceituada Time em 1938. Caracterizado de velhinho para uma de suas adaptações de Bernard Shaw, o moleque já tinha conquistado muito mais do que alguns passarão a vida tentando.

Estava com 23 quando provocou pânico narrando no rádio A Guerra dos Mundos de H.G.Wells. Até o mais isolado dos norte americanos passaram a conhecer seu nome, tamanha repercussão do que muitos acreditaram ser real.

Aos 25 anos dirigiu nada menos que Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941), a obra máxima do cinema para muitos críticos. Tornou-se instantaneamente o principal candidato a gênio máximo das artes.

Ruy Castro comenta em seu livro Saudade do século 20 que isso tudo era pouco. Quem conheceu a criança Orson Welles considerava o adulto Orson Welles um tremendo fiasco.

Morreu em 1985 aos 70 anos e na época era possível que desavisados estranhassem a noticia: “Ele já não estava morto?”. Nem de longe poderia lembrar o rapaz auspicioso que havia sido.


Naquela altura ressurgia de vez enquanto na TV e revistas em anúncios de charuto e bebidas alcoólicas.  Também podia ser visto em pequenas participações em filmes de gente que, ainda segundo Castro, se não fosse Welles estariam vendendo picolé na esquina.

Fracassou? Literalmente muito pelo contrário. Tão gênio que inverteu a ordem da ascensão à glória.

Veja também:
Então rosebud era o trenó?
Aplausos para a destemida Rita!

segunda-feira, 14 de março de 2016

Powertool: filme que transformou Jeff Stryker em ícone completa 30 anos

 Esqueça grandes clássicos pornográficos como Garganta Profunda  (Deep Throat, 1972 de Gerard Damiano) e Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972 de Artie e Jim Mitchell) e suas pretensões artísticas. Powertool (1986 de John Travis) é um marco sobretudo comercial.

Produzido em 1986, mais de uma década depois do alvorecer da indústria adulta, Powertool foi o primeiro blockbuster VHS para o público estritamente gay.  O mercado de home vídeo estava em plena ascensão e junto com ele o do sexo explícito.

Ao contrario das produções da década de 70 para o público hétero, que chegaram a ser exibidos em cinemas normais de todo mundo, as para o público gay eram restritas a salas especiais, com um público bem menor. Como consequência, eles evoluíram tecnicamente de forma bem mais lenta.

Enquanto haviam filas quilométricas para verem Garganta Profunda, filmes gays ainda nem tinham diálogos ou qualquer outro áudio. Eram feitos loops de poucos minutos, em sua maioria, para o mercado de Super 8 (ou 8mm), espécie de bisavô do Blu-Ray para as pessoas exibirem filmes na parede de suas casas, que de tão caro, poucas pessoas podiam ter.

Dessa forma, o boom dos filmes X-Rated para homossexuais aconteceria apenas na década de 80, com a popularização das fitas de VHS no conforto e discrição dos lares. Aí surgiram produções como Powertool, da produtora Catalina que alçaram seus atores à categoria de astros.

Jeff Stryker tinha 24 anos, não era bem um novato, mas a partir dali sua trajetória de vida jamais seria a mesma. Considerado por John Waters como o Cary Grant do cinema pornô, seu nome virou frequente nas locadoras também em produções para bissexuais e heterossexuais e até filmes de zumbi italianos (como Chuck Peyton).
O roteiro de Powertool parece mera desculpa para lança-lo. Logo no começo ele é julgado e preso por um crime que não sabemos qual é, nem tão pouco nos interessa, e a partir daí ele passa a usar a ~ferramenta poderosa~ do título atrás das grades, entre colegas de cela e policiais.


Não tem nada demais mesmo (exceto por 25 cm... Risos!), existem talvez milhares de vídeos produzidos nos últimos trinta anos bem mais interessantes. Mas se tornou iconográfico, um cult à prova do tempo! 

Não tem nada demais, é bom deixar claro, visto hoje em dia. O mundo em 1986 vivia o pânico da epidemia da AIDS, fitas como esta elevavam a autoestima da comunidade LGBT, além de proporcionarem prazer seguro através da fantasia.
A cada 10 anos é relançado em edições especiais. Foi assim na década de 90 com a comemorativa ao 10º aniversário, em 2006 para o 20º aniversário, (restaurado com cenas adicionais, nova trilha sonora e alguns extras interessantes) .

É provável que apareça uma quarta edição em Blue-Ray para o 30º aniversário. John Waters disse que espera ver Jeff Stryker convertido ao 3D (ao invés dos filmes do James Cameron), quem sabe é dessa vez.

Veja também:
Jeff Stryker zumbi
O Crepúsculo de Jeff Stryker
Memorável Jack Wrangler
Colby Keller: O segundo filho mais ilustre de Baltimore
Rainha do pornô aos 15 anos
A Hora do Espanto: Ator em produções X-Rated
Sua Majestade, John King
Onda nova que virou tsunami
Boogie nights: Europa vs. EUA
Carbono erótico: Incrível reprodução de Boogie Nights

sexta-feira, 11 de março de 2016

Assista ao melancólico final de Judy Garland na TV

TheFamousPeople
A vida de Judy Garland nunca foi uma estradinha de tijolos amarelos, mas o show não pode parar! Sempre entregou interpretações tocantes até nos piores momentos.

Em 1964, fragilizada, com grandes dificuldades financeiras e dependente de remédios, teve que lutar para manter programa “The Judy Garland Show” na TV. Em vão! O último número gravado, em que ela canta "By Myself" emocionada, não chegou a ir ao ar porque os produtores acharam muito “dark”.

Agora ele está no YouTube para novas gerações se embasbacarem com seu talento e garra. Assista no player abaixo ou clicando aqui.
Os fãs se organizaram criando uma comissão de defesa. Elogiado pela crítica, consta que, além de perder para a emissora concorrente que exibia o seriado Bonanza, o novo presidente da rede CBS simplesmente não gostou de Garland quando a conheceu e não fazia questão de esconder isso.

“The Judy Garland Show” foi cancelado com apenas 26 episódios. Seu fracasso é considerado por algumas pessoas como um dos principais fatores que contribuíram para os atormentados anos finais da estrela e subsequente a morte precoce em 1969 aos 47 anos de idade.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Há mais coisas em comum entre Friends e Um Amor de Família do que você imagina

Quando Friends começou em 1994 Um Amor de Família (Married with Children) já era consagrado, entrando em sua oitava temporada. Involuntariamente, ou não, acabou herdando algumas coisas da sitcom antecessora.

E vice versa. Já sentindo um inevitável desgaste, Um Amor de Família passou a focar no cotidiano dos filhos Kelly (Christina Applegate) e Bundy (David Faustino) assim que Friends se tornou um fenômeno.
Além, claro, do corte de cabelo da Kelly ficar parecido ao da Rachel (Jennifer Aniston). Como o mundo dá voltas, em 2003 Applegate acabou participando de Friends como a irmã de Rachel em dois episódios, participação que lhe valeu um Emmy.
Em 1991 Matt LeBlanc interpretou Vincent "Vinnie" Verducci, um dos muitos namorados de Kelly. Quase uma versão masculina da garota, bonito, mas de intelecto limitado.

O episódio de estreia dele foi no 17º episódio da quinta temporada. O futuro Joey voltaria no 20º episódio que funcionaria como piloto do spin-off de Um Amor de Família.

O novo programa “Top of the Heap” teve apenas sete episódios. Depois LeBlanc voltaria a se juntar aos Bundy uma última vez, no primeiro episódio da sexta temporada.

Mike Hagerty interpretou dois papéis em Friends: O mal humorado zelador que queria aprender a dançar e de forma não creditada o "Naked Ugly Guy".
Em Um Amor de Família ele foi o policial bonachão no 13º episódio da segunda temporada. Naquele histórico especial de natal onde o Papai Noel morre.
O argumento de Aquele Em Que Ninguém Está Pronto (The One Where No-one's Ready), episódio 2 da terceira temporada de Friends, exibido em 1996, é praticamente o mesmo de Adeus Johnny (Johnny Be Gone), episódio 13 da primeira temporada de Um Amor de Família, exibido em 1987.

Em ambos tudo ocorre em panas um cenário e há um evento muito importante para o personagem mais deslocado (Ross e  Peggy) e todos os outros personagens ficam dando voltas até perderem o horário. Não há relação entre os autores.

Veja também:
Posteres de Friends: arte e história
Divine quase participou de Um Amor de Família
Dona de casa arma boicote a seriado e acaba criando um dos maiores sucessos da TV
O mais inteligente dos Bundy
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