segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

E se Charlie Brown conhecesse HP Lovecraft


Num mundo virtual infestado por versões de princesas Disney, como não saudar essa cruza de Charles Schulz com o autor HP Lovecraft? Já clássico, você confere aqui (com exclusividade) as legendas em português do Brasil. 
  

A criação é de Julien Bazinet, artista que parece ter obsessão em mashups. Nata para a Internet.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Avesso da cena: Pulo da Marca da Pantera

Até na década de 80 muitos efeitos especiais remontavam os primórdios do cinema. Por exemplo, essa sequencia de A Marca da Pantera (Cat People, 1982 de Paul Schrader), que nada mais era do que o negativo rodando ao contrário.
O truque é tão antigo quanto a invenção dos irmãos Lumiére, mas de ótimo resultado. Como um felino gigante, Paul vai observar sorrateiramente sua irmã Irina no meio da noite.

Não foi uma super habilidade do ator Malcolm McDowell pular desse jeito, embora tudo o que fez de trás pra frente, também é admirável. Devem de ter ensaiado bastante, inclusive a câmera já que envolve um zoom.

O diretor Paul Schrader explica que não é só gravar e depois inverter na hora da edição. Foi preciso uma câmera especial de marcha inversa ou o negativo seria de segunda geração, o que acarretaria uma granulação a mais na cena, coisa que revelaria ser um efeito.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Figurinos repetidos e uma memória prodigiosa

Outro dia levei o seguinte diálogo pelo chat do Facebook com uma amiga e lhe pedi autorização para compartilhar aqui. Vai lendo o papo!


Fui conferir. O que é mais estranho: A Globo repetir figurinos em cenas marcantes de épocas próximas ou uma memória dessas misturada com um absurdo senso de observação?
O casaco “icônico” da Viúva Porcina no último capítulo de Roque Santeiro (1985/1986 de Dias Gomes e Aguinaldo Silva)

E novamente o casaco “icônico” agora na novela Cambalacho (1986 de Silvio de Abreu) vestido pela cantora Rosemary em participação especial. Atualmente a novela é exibida no canal Viva.

A blusa preta usada pela Monique Lafond (a atendente da loja em que a Raquel rasga o vestido da Maria de Fátima) em Vale Tudo (1988 de Gilberto Braga)

Serviu para Carmosina ficar de luto na missa “de corpo presente” da protagonista em Tieta (1989 de Aguinaldo Silva)

Veja também:
Sonia Braga Vs. Joan Crawford

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Quantos títulos diferentes um filme pode ter

Ao que parece, não há o menor controle quando o filme é relançado, dependendo da criatividade do distribuidor no cinema, TV, Blue-Ray ou em qualquer outra mídia. House of Drácula (1945 de Erle C. Kenton) é um caso bem bizarro de renomeio.

Na casa do Drácula há muitas moradas. Inédito em VHS, foi lançado em DVD no Brasil pela DarkSide/Works como A Mansão de Drácula, numa edição “double feature” com A Mansão de Frankenstein (House of Frankenstein, 1944 de Erle C. Kenton).
Mercado Livre
Pouco depois a própria Universal foi mais humilde distribuindo o mesmo filme em DVD como sendo A Casa de Drácula. Outra vez ele dividia o disquinho prateado, mas agora com O Filho do Drácula (Son of Dracula, 1943 de Robert Siodmak).

No IMDB ele aparece como O Retiro de Drácula! Mais um pouco e ele vira O Cafofo do Drácula.
Podemos considerar o título “correto” aquele em que foi distribuído pela primeira vez num país? 

Vamos lá! Ele foi distribuído no Brasil em 1946 como O Retiro de Drácula, conforme você confere num anúncio publicado em jornal da época.
“Retiro” é estranho, mas faz certo sentido, já que “house” no título não se refere à morada, residência do Conde da Transilvânia, mas a um local que ele vai para ser curado de sua maldição, num estranho crossover de monstros, medicina e misticismo.

Soaria estranho, mas “House of Dracula” é uma sequência de “House of Frankenstein” (do ano anterior, 1944) que foi originalmente rebatizado aqui como A Mansão de Frankenstein. Sendo assim, até pelo maior apelo comercial, “A Mansão...” dado pela DarkSide/Works em DVD tem mais sentido do que qualquer outro título.

Veja também:
Universal 40's: multiplicando horror
Carradine, o Drácula favorito de Coppola
O que terá ou o que aconteceu com Baby Jane?
Casa da Mãe Joana de títulos. Até quando?


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Para quem enfrentou Carrie, poltergeist é pouco

A loirinha Carol Anne, aquela que tinha que ir pra luz, é deixada pela família em Nova York, na casa de uns tios yuppies. Isso em Poltergeist III: O Capítulo Final (Poltergeist III, 1988 de Gary Sherman).

A intenção deles é que ela estude num colégio para crianças especiais, com poderes mediúnicos ou parapsicológicos. E a tia nova yorkina arrogante é interpretada logo por quem?

Nancy Allen!  Segue o seguinte diálogo do marido pedindo pra ela não rejeitar a menina.
Logo ela que nunca teve paciência com quem tá começando com poderes parapsicológicos. Até balde com sangue de porco já foi vista jogando numa  ~certa garota~.

Poltergeist III é daqueles filmes terríveis que se tornaram divertidos após todos esses anos. Assista com um caderninho pra ir anotando quantos furos o roteiro vai deixando pelo caminho.

Veja também:
4 Vezes Nancy Allen

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Clássico repaginado: Más negro que la noche

Elenco de Más negro que la noche (2014 de Henry Bedwell)
Elenco de Más negro que la noche  (1975 de Carlos Enrique Taboada)

Assim como Hollywood, o México tem refeito alguns de seus filmes de terror clássicos como "Hasta el viento tiene miedo" em 2007,  e este "Más negro que la noche" (Mais Negro Que A Noite, literalmente). Ao primeiro impacto, inegável que a estética do elenco de 2014 seja meio RBD.

Sem o fator kitsch, mas de ambientação mais soturna, o remake (primeiro do gênero em 3D no país) não faz nada feio perante o original. Aliás, poderia ter sido menos fiel e injetado um ritmo melhor, não enrolando muito para os fenômenos e mortes.

História clássica de casa mal assombrada em que jovem se muda na companhia de três amigas para a mansão que herdou da tia. Em testamento, a única coisa que terá que fazer é cuidar de Becker, o velho gato da finada.

Além do convívio nem sempre suave das senhoritas, elas começam a perceber os inevitáveis acontecimentos sobrenaturais e ainda um crime que ocorreu no passado. Muitas informações são jogadas verbalmente enquanto pouca coisa relevante acontece.

Nesse emaranhado vários pontos nunca se fecham, nem tão pouco fica claro a motivação das assombrações. Mas o que é realmente imperdoável, coisa com que o de 75 tomou muito cuidado em representar, é a morte bastante realista do gato.

Esse momento desagradável torna quase difícil terminar de assistir. Só com muita boa vontade.

Era King Kong! Novos filmes e série para ele reinar até 2020

Arte de AliceInDrawingland
Teremos King Kong por todos os lados nos próximos quatro anos!  Com estreia prevista para 2017, Kong: Skull Island (de Jordan Vogt-Roberts) irá ignorar o filme mais recente de King Kong, aquele dirigido por Peter Jackson em 2005.

Segundo a sinopse divulgada na internet, o filme partirá da história mostrada no original de 1933. Assim que o macaco gigante cai morto do Empire State seu corpo e Carl Denham, o explorador que o trouxe da Ilha da Caveira, desaparecem.

Muitos anos depois, na década de 70, o filho de Denham faz uma descoberta chocante que o leva de volta à ilha. Pode esperar esperar, como em qualquer filme atual, muitas explicações que eram desnecessárias no tempo em que plateias tinham imaginação, como por exemplo, quem construiu as muralhas na ilha? Para que serve aquele portão gigante, etc.

King Kong teve três versões oficiais: em 1933, 1976 e 2005, além de sequencias em 1933 e em 1986. A ideia de ignorar a produção recente muito provável que seja por ele estar sendo planejado como trilogia pela Legendary Pictures e a Warner Bros.

 Assim, como um recomeço do que já se sabe da história clássica, será possível construir elos com os outros próximos filmes, além de poderem alterar as dimensões do astro principal. Kong: Skull Island em 2017 deve ter alguma relação com Godzilla 2 (2018) e culminar em 2020 com o embate King Kong Vs. Godzilla.

Os dois monstros gigantes mais famosos já tiveram um crossover em King Kong vs. Godzilla (Kingu Kongu tai Gojira , 1962 de Ishirô Honda). Claro que o de 2020, produzido pelos americanos, não terá relação alguma com este, restando saber se será tão divertido quanto.

Antes de tudo isso, King Kong dará as caras numa série de animação em computação gráfica da Netflix neste ano de 2016. Kong: King of the Apes levará a criatura para o ano de 2050, onde com a ajuda de três garotos tentará salvar o mundo de dinossauros autômatas.
Pelas imagens divulgadas, seguirá o estilo fofo, para crianças. O estúdio de animação responsável é o Sprite Animation Studios, empresa sediada em Los Angeles, mas que segue um estilo anime.

King Kong já havia virado uma série de animação produzida no Japão em 1966 e nos EUA em 2000 que gerou um longa em 2005, Kong - O Rei de Atlantis (Kong: King of Atlantis de Patrick Archibald) . 

Veja também:
Hammer tentou produzir King Kong!
Jessica Lange e King Kong no Playcenter
King Kong agora ao vivo no teatro
King Kong seria pai do Monstro do Lago Ness. É sério!!!
King Kong 2: Ele está com a macaca!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Phoebe Cates canta tema do filme Paradise

Como toda bonitinha famosinha com alguma aptidão pra cantar nos anos 80, Phoebe Cates soltou a voz em um disco. Ouça no player abaixo ou clicando aqui Paradise, tema do filme homônimo de 1982.
Paradise, dirigido por Stuart Gillard, em VHS no Brasil se chamou Paraíso Azul, numa alusão ao A Lagoa Azul (The Blue Lagoon, 1980 de Randal Kleiser).  Pode acontecer alguma confusão porque foi exibido nos cinemas e no SBT daquela época como Paradise mesmo, enquanto Paraíso Azul foi o título nacional para “Due gocce d'acqua salata”, filme italiano que também era um sub A Lagoa Azul.


Phoebe Cates, que era modelo, estreava ali como cantora e atriz aos 17 anos se passando por menos idade. Jamais se tornaria tão popular quanto Brooke Shields (da Lagoa) foi naquela época.

Embora seja bastante lembrada, sua carreira no cinema foi curta.  Se destacou principalmente nos dois Gremlins (1984 e 1990 de Joe Dante) e Picardias Estudantis (Fast Times at Ridgemont High, 1982 de Amy Heckerling).

Ela se casou em 1989 com o ator Kevin Kline (com quem tem dois filhos) e estão juntos até hoje. Sem filmar desde 2001, atualmente se divide entre a propriedade rural da família e a cobertura em Manhattan onde recebe amigos, além de alguns trabalhos como empresária.

 Os filhos Greta e Owen Kline trabalharam em A Lula e a Baleia (The Squid and the Whale, 2005 de Noah Baumbach) e ela os acompanhava às filmagens. Ao que tudo indica, parou por opção, para cuidar da vida pessoal, sem qualquer mágoa com a profissão.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Refilmagem de "Plan 9 From Outer Space" estreia nesta sexta-feira

Não era brincadeira! Plan 9, remake de Plano 9 do Espaço Sideral (Plan 9 From Outer Space, 1959 de Ed Wood Jr.) estreia nesta sexta feira (16) em serviços Video-On-Demand dos EUA.

Assista ao trailer final no player abaixo ou clicando aqui.

Iniciado em 2009, o projeto causou controvérsia nas redes sociais desde o seu inicio. Afinal, como dizemos para qualquer tentativa de refazer um filme de sucesso, pra quê recontar algo que já foi feito de forma tão maravilhosa?

Mas e um filme conhecido exatamente por ser considerado o pior de todos os tempos? Tirar sarro do que já era naturalmente engraçado parece ser muita estupidez.

Os produtores divulgaram que a ideia não é fazer uma paródia, nem uma homenagem literal, mas uma nova versão do mesmo argumento. Assim pretendem apresentar um filme como o que Ed Wood deveria ter feito se pudesse contar com o orçamento e a tecnologia de hoje.

 Pelo que se vê no trailer, parece mais um filme genérico de mortos-vivos, com um grupo de sobreviventes tentando dar cabo na maioria possível. Será que acontece contágio ou eles são obra de alienígenas?

Pra quem nunca viu o original (e bota original nisso), alienígenas têm um plano (9!) de reviver mortos do planeta Terra. Isso porque estão preocupados com as descobertas científicas dos homens que chegaram a um elemento que pode explodir todo o universo.

E mesmo pra quem já viu inúmeras vezes é difícil recordar o que os zumbis podem ajudar nisso tudo. Se é que existe alguma lógica num roteiro confuso filmado da maneira mais precária que se possa imaginar.

A obra de Ed Wood ainda contava no elenco com a apresentava de TV desempregada Vampira (Maila Nurmi), o vidente Criswell, o lutador Tor Johnson e o astro Bela Lugosi. Lugosi já estava morto, aparece em pedaços de filmes caseiros e com um dublê que não é nem um pouco parecido com ele.

Famosa produtora de filmes B dos anos 80 pode voltar à ativa

Qualquer moleque que frequentou locadora de VHS na década de 80/90 deve ter um apreço pela Cannon Films. Ela ia na cola de qualquer hit dos grandes estúdios e produzia suas próprias versões ou sequencias, que poderiam ir mal nas bilheterias, mas arrebentavam nas locadoras e na TV.

Foi assim que lançaram Mestres do Universo (Masters of the Universe, 1987 de Gary Goddard), Gor E os Guerreiros Selvagens (Gor, 1987 de Fritz Kiersch), Desejo de Matar 2 (Death Wish II, 1982 de Michael Winner) e tantos outros. Subcrias de Rambo, Conan, Star Wars, Superman e o que mais parecesse rentável.  

Também possuíam seu próprio star system, a exemplo dos antigos estúdios de Hollywood, com nomes como Chuck Norris, Michael Dudikoff e Jean-Claude Van Damme. A Cannon acabou falindo e arrendada pela MGM pouco depois de dar ao mundo Lambada (1990, Joel Silberg) . 

Agora a página oficial publicou um comunicado (que você lê na íntegra logo abaixo) anunciando seu retorno oficial. Buscam inclusive manter o estilo “sem tempo pra blábláblá e muita pancadaria” de seus filmes com ninjas e justiceiros implacáveis.
HISTÓRICO CANNON Voltando na década de 1980, The Cannon Group Inc., foi um dos maiores estúdios de cinema independente do mundo, a obteve diversas instituições de cinema como Thorn EMI Cinemas, Elstree Studios e da Biblioteca de Cinema Pathe, antes de ser arrendada pela MGM Studios em meados da década de 1990. O estúdio, sob a liderança do produtor de cinema israelense Menahem Golan, gostava de relações produtivas com estrelas de cinema como Chuck Norris, Charles Bronson, Richard Chamberlain, Franco Nero e Sylvester Stallone.
A empresa também atraiu cineastas visionários, como John Cassavetes, Barbet Schroeder e Andrei Konchalovsky e criou alguns dos filmes mais marcantes de todos os tempos. Relações como estas, juntamente com projetos com apelo comercial amplo, resultou na produção de alguns dos filmes mais lembradas da década de 1980, incluindo os filmes box office 1, Invasion USA (Invasão USA) e Death Wish 3 (Desejo de Matar 3).
CANNON HOJECannon Films Ltd foi fundada em 2014 por Richard Albiston, depois de passar anos sob a orientação do ex-CEO do Cannon Group Inc. e Presidente, Menahem Golan.
Hoje, a empresa orgulha-se de cumprir os ideais de Menahem Golan, colocando o artista em primeiro lugar e permitindo-lhes ter a liberdade para criar sua visão, o seu caminho; uma abordagem única que não é encontrada em nenhum outro lugar na indústria de hoje.
Cannon Films Ltd desenvolveu relações de trabalho bem sucedidas em todo o mundo com as empresas que operam em mais de quinze países. Juntos, a sua missão é produzir novas e originais filmes para um público do século 21.
A nova lista de filmes está no horizonte incluindo a América Ninja Apprentice, Return of The Force Delta, US Sniper e muito mais...
O jornal britânico Lancaster Guardian, foi atrás dessa retomada e conversou com Richard Albiston, um aspirante a cineasta e grande fã das produções da empresa que casualmente cruzou com o fundador Menahem Golan em 2010. Durante um bate papo sugeriu reerguer a Cannon se aproveitando do que ela transformou em ícone de cinema B, um estilo de se fazer cinema barato e rentável.

Golan faleceu em agosto de 2014 e a empresa foi dissolvida, até Albiston conseguir seu nome.  Atualmente ele busca apoio financeiro para levar às telas American Ninja Aprendiz (American Ninja Apprentic) e O Retorno do Comando delta (Return of the Delta Force).

O principal empecilho enfrentado foi o momento difícil para o cinema independente nos EUA. Com muitos fãs em todo planeta, ele conseguiria financiamento fácil através de "vaquinhas" na Internet, como tantos produtores têm feito.

Não há nada do catálogo da Cannon na Netflix Brasil. Alguns títulos como Cyborg, O Dragão do Futuro (Cyborg, 1989 de Albert Pyun). e O Grande Dragão Branco (Bloodsport, 1989 de Newt Arnold) foram distribuídos em DVD e Blu-Ray pela Brookfilm.



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Uma bomba chamada Gilda

 Em 1 de julho de 1946, nos testes nucleares que arrasaram o Atol de Bikini, Rita Hayworth receberia a pior “homenagem” que uma estrela poderia receber. Noticiada como grande honraria pela mídia, uma das bombas levou a sua foto junto à palavra Gilda.
Pôster francês: "a estrela atômica"

A referência óbvia é ao seu mais famoso trabalho que havia sido lançado quatro meses antes. Consta que a atriz ficou horrorizada e depois furiosa quando descobriu que a Columbia Pictures estava usando isso para promover o filme.

Segundo Orson Welles, seu marido na época, ela quis ir a Washington fazer uma coletiva de imprensa, mas Harry Cohn (presidente do estúdio) não a deixou porque seria antipatriótico. Oficialmente a “homenagem” havia partido dos soldados que eram seus fãs.
Por décadas, aliás, essa ninguém nunca tinha realmente visto a foto de Rita Hayworth na tal bomba. Parecia mais um hoax difundido pela imprensa da época que se estendeu pela história.

Até que o pessoal do blog Conelrad Adjacente especializado sobre Guerra Fria, segredos atômicos e coisas do tipo chegou até as imagens abaixo num documentário. 

E realmente era verdade. A foto de Rita Hayworth, foi pintada a partir de uma outra originalmente publicada na revista Esquire (veja na imagem ao lado).

Conforme o Conelrad frisa: “Não foi apenas o Atol de Bikini, que foi amaldiçoado com a precipitação persistente da bomba Gilda após um de Julho de 1946. Rita Hayworth teve que viver com a lenda gerada pela bomba para o resto de sua vida. Como a radiação real, os efeitos da história da bomba dissiparam-se ao longo dos anos, mas como o registro público reflete, ela nunca foi embora completamente.”

Como golpe de marketing momentaneamente funcionou sem maiores esforços do estúdio. Junto ás notícias das bombas em todos os jornais e revistas do planeta aparecia a foto e uma menção a "Deusa do Amor".

Ainda assim, o departamento de publicidade da Columbia não abriu mão de associar Gilda, de Charles Vidor, ao fato da bomba de forma explicita. Abaixo você confere anúncios do filme publicados em jornais brasileiros de 1946 com menções claras a Gilda, a bomba.
Com o cogumelo atômico ao fundo: “Após ter merecido a suprema consagração do EXÉRCITO dos Estados Unidos, "Gilda" está agora arrebatando as plateias paulistanas!”

No da terceira semana a imagem do cogumelo atômico ocupou metade do anúncio, com muito mais destaque do que o rosto da atriz.  Essas peças publicitárias com a bomba são extremamente raras em qualquer outro país, inclusive nos EUA.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Avesso da cena: Ricardo Montalban volta a andar

 Lendário ator Ricardo Montalban estava desde 1993 numa cadeira de rodas quando voltou a “andar” em Pequenos Espiões 3-D: Game Over (Spy Kids 3-D: Game Over, 2003 de Robert Rodriguez). O filme de ação infantil foi o último de sua carreira, iniciada em 1942.

O diretor Robert Rodriguez lembra que ele (que morreria em 2009) sentia muita dor e implorava para que começassem a gravar logo. Interpretando sempre com “o semblante suave, Montalban foi o verdadeiro herói do filme”.

Tiveram dúvidas em como o ator de 84 anos se comportaria ao trabalhar com o fundo verde do chroma-key, sem cenários e outros atores, mas ele havia sido Khan em Jornada nas Estrelas II - A Ira de Khan (Star Trek: The Wrath of Khan, 1982 de Nicholas Meyer). Embora na tela aparecessem juntos, Montalban não chegou a trabalhar com William Shatner, tendo filmado suas cenas antes num fundo branco.

Além dos efeitos especiais, ele sempre teve muita força de vontade. Latin lover da era de ouro de Hollywood, Montalban participou de alguns musicais dançando muito bem com estrelas como Esther Williams sem que o público jamais soubesse que tinha uma perna menor que a outra, segundo a jornalista Dulce Damasceno de Britto.

Pequenos Espiões 3-D: Game Over teve efeitos inovadores para a época, 13 anos é uma eternidade em termos de tecnologia. Mas também merece destaque o personagem do vovô em si.

Geralmente em produções hollywoodianas de ação o idoso é mostrado como o destrutivo mal humorado, o vilão. Aqui ele vira robô gigante e luta ao lado dos garotos, não contra eles, dentro de um videogame.

Veja também:
Pessoas que não estavam lá

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

5 papéis que Bette Davis perdeu e que foram sucesso com outras atrizes

Em uma entrevista na década de 80, já considerada um mito, Bette Davis relembrou dos papeis que teve no seu auge como mocinha da Warner: "Lixo! Lixo e lixo!".  Sua fama de terrível começou aí, na década de 30.
Parece claro que essa “fama” não é muito justa, visto que a maioria dos problemas era porque ela só queria atuar em bons filmes. Mais do que uma estrela, foi uma operária da arte. Um filme com Bette Davis sempre vale a pena!

A própria se divertia ao se definir como um “lendário terror”. Na ocasião de seu obituário (em 1989) o New York Times relembrou suas palavras: "Eu era insuportavelmente rude e mal-educada no cultivo da minha carreira. Não tinha tempo para brincadeiras. Disse o que estava na minha mente e nem sempre era o que interessava. Eu tenho sido intransigente, apimentada, intratável, monomaníaco, sem tato, volátil e muitas vezes desagradável. Acho que sou maior que a vida".

10 vezes indicada ao Oscar (sempre por atriz principal), Bette Davis estrelou cerca de uma centena de filmes e apareceu em outros tantos entre 1931 a 1989. Alguns papeis ela perdeu, outros simplesmente não quis!

O jornal News Max listou cinco desses papeis que deixaram de tê-la no elenco e que foram um tremendo sucesso para a s atrizes que lhe substituíram.

1 – Uma Aventura na África (The African Queen, 1951 de John Huston)
O projeto original da Warner em 1938 era colocar David Niven e Bette no berço da civilização. Só que o filme empacou até 1949 quando a atriz estava grávida. O papel acabou dando uma indicação ao prêmio da Academia a Katharine Hepburn.

2- Anna E O Rei do Sião (Anna and the King of Siam, 1946 de John Cromwell)
A atriz ficou empolgada em aparecer nesta primeira adaptação de “Anna e o Rei” segundo seu biógrafo Ed Sikov. Já o estúdio dela, a Warner, não ficou nem um pouco e recusou emprestá-la para a Fox. Sorte para a atriz Irene Dunne.

3 – A Cruz da Minha Vida (Come Back, Little Sheba, 1952 de Daniel Mann)
Bette Davis recusou o papel neste melodrama sobre alcoolismo e considerava este o maior erro de sua carreira. Em 1952 ela havia feito Lágrimas Amargas (The Star, 1952 de Stuart Heisler) onde interpretou maravilhosamente uma estrela de Hollywood decadente (dizem que era inspirada na Joan Crawford), foi indicada ao Oscar e perdeu para Shirley Booth por A Cruz da Minha Vida. Booth ainda levaria o Golden Globe naquele ano.

4 - Porque o Diabo Quis (God's Country and the Woman , 1937 de William Keighley)
Célebre estopim da homérica briga que Bette Davis teve com a Warner. Seria este um dos “Lixo! Lixo e lixo!” que lhe ofereciam? Recusou-se a aparecer para trabalhar e foi suspensa o que gerou uma batalha legal entre ela e o estúdio. Coube a Beverly Roberts  estrelar o primeiro longa da Warner em Technicolor.

5 - ... E O Vento Levou (Gone with the Wind, 1939 de Victor Fleming e outros)
A decepção mais amarga foi perder o papel de Scarlett O'Hara para Vivian Leigh, conforme revela seu biografo.  Pro resto da vida ela se irritava ouvindo até uma simples menção ao filme.



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