terça-feira, 23 de agosto de 2016

30 anos de A Mosca: Tenha medo. Tenha muito medo!

 Neste ano (2016) faz três décadas que David Cronenberg fez A Mosca sobrevoar nossos pesadelos. O filme de monstro definitivo para quem era criança na década de 80.

Todo mundo precisava assistir! Alguns diziam que passaram mal, vomitaram, não dormiram à noite o que fazia a vontade de assistir só aumentar.

Como nem todas as mães deixavam assistir filmes de terror entrou em cena uma maravilhosa máquina que poucos tinham na época: videocassete! Aí valia até vaquinha  pra alugar e assistir todo mundo junto depois da aula.

Assistindo novamente, agora adulto, o filme para ir além de mero entretenimento barato. Cronenberg era relativamente novo nos EUA e ainda assim, compreendeu a essência do melodrama hollywoodiano como poucos.

Na década de 80 o caminhar do mundo parecia assustador e isso se refletiu em tantos filmes apocalípticos e outros que tentavam dar novo frescor a estilos que remetiam ao cinema dos anos trinta e quarenta. A Mosca conseguiu flertar muito bem com seu tempo conversando com velhos estilos de Hollywood.

Seu ponto de partida foi o filme homônimo de enorme sucesso em 1958, intitulado no Brasil como A Mosca da Cabeça Branca (de Kurt Neumann), que por sua vez veio de um conto curto. Alguns filmes de monstros de trinta anos atrás foram refeitos na época, mas Cronenberg absorveu apenas o ponto de partida.
Cientista testando uma máquina de teletransporte acaba por, acidentalmente, ter seu DNA misturado ao de uma mosca e assim, vai se transformando num inseto deixando pra trás sua humanidade. Ok!  As semelhanças param aí, o que, portanto, não é muito justo compará-los.

No filme de 1986 o cientista Seth Brundle (Jeff Goldblum) compartilha não só suas descobertas com a jornalista Veronica Quaife (Geena Davis), mas seu afeto. E o que poderia se tornar um ponto fraco, o romance, dá um verniz fabuloso em meio a vísceras, fraturas expostas e desmembramentos.
O filme torna-se bizarramente o equivalente a uma comédia romântica, mas sem a parte da comédia, claro. Poderia ser uma das histórias tolas das décadas de 30 e 40 (conforme já citado), com a intrépida repórter às voltas com seu trabalho e uma relação amorosa que se opõe a ele.

Mas aqui vemos de forma explicita esse amor se desintegrando, apodrecendo até chegar na carne viva. E assim, Cronenberg abraça o melodrama hollywoodiano para esfregar na nossa cara que o mais forte de seus alicerces, o amor eterno e sempre belo, é uma grande mentira.

O amor não só acaba como apodrece em vida. A Mosca nos permite vislumbrar a decrepitude de um relacionamento como nunca.

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