quarta-feira, 13 de julho de 2016

Avesso da cena: O Iluminado em movimento


O que seria de O Iluminado (The Shining, 1980 de Stanley Kubrick) sem Steadicam e o que seria da Steadicam sem O Iluminado... O equipamento já vinha sendo utilizado no cinema desde 1976, mas apenas ali ele se tornaria popularmente conhecido, além de ganhar novos recursos utilizados até hoje.

Explicando de forma simples, Steadicam permite que seu operador se movimente com a câmera sem trepidações bruscas, com a mesma qualidade de um tripé estático. Diferente do trilho (ou Dolly, que também foi utilizado Kubrick) a câmera ainda pode passear pelo cenário como é possível observar no segundo gif, em que ela passa por dois pequenos sofás.

Para atender aos pedidos do diretor para que a câmera deslizasse pouco acima do chão (como nas sequencias em que o menino Danny anda de triciclo) foi criado o "low mode", assim ela pode ser manobrada com tranquilidade em ângulos baixos, sendo que antes só era possível na altura da cintura do operador. O "low mode" continua presente nos modelos atuais da ferramenta.

Steadicam não era novidade quando apareceu em O Iluminado, mas nunca tinha sido utilizado com tanta inteligencia. Como todo bom uso de tecnologias, foi utilizado para ajudar a contar a história, não a história uma mera desculpa para exibir a inovação.

Aqui no Brasil o Steadicam foi primeiramente visto de forma notável na minissérie Boca do Lixo, produção da TV Globo de 1990. Após uma década, mas devia ser algo tão caro e requintado que até seu operador mereceu destaque nos créditos iniciais, logo depois do elenco, antes da equipe técnica.
Trinta e seis anos depois de Kubrick é possível encontrar o equipamento á venda em sites como o Mercado Livre. De versões sofisticadas para câmeras robustas por cerca de R$ 9.000 a simples, para câmeras DSLR por R$ 180,00.

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