quarta-feira, 18 de maio de 2016

Ennio Morricone em primeira pessoa

Harmonia Sangreal
 Aos 87 anos, um Oscar finalmente conquistado por uma trilha sonora, 527 créditos como compositor cinematográfico que inclui obras de Sergio Leoni a Pedro Almodóvar se declara ainda inquieto. O The Guardian foi atrás dele para saber um pouco sobre quem, além de sua obra, realmente ele é na seção “This much I know”.

Teorema, uma das parcerias entre Pasolini e Morricone
“Mesmo que eu esteja mais confiante agora, a minha necessidade de fazer sempre melhor e melhorar a mim mesmo é mais forte. Se pareço muito preocupado e concentrado a maior parte do tempo - é porque eu sou. Meu trabalho carrega grande responsabilidade.”. Morricone diz acordar muito cedo e também dormir cedo, o que já imaginávamos pela quantidade absurda de trabalhos.

Estudou no primário com Sergio Leoni, mas Leoni não o reconheceu quando se reencontraram pela primeira vez, na época de Por Um Punhado de Dólares (Per un pugno di dollari, 1964). Mesmo com filmografia tão extensa, às vezes recusa trabalhos como aconteceu com Pasolini quando o diretor lhe pediu apenas para adaptar peças clássicas, ambos cederam de alguma forma e Morricone considera o resultado magnífico.

Para o Tarantino (sonho que o diretor acalentava há anos) ele só compôs depois de receber a transcrição para o italiano do roteiro de Os Oito Odiados (The Hateful Eight, 2015). Ele e a esposa Maria leram, gostaram e a empreitada foi aceita.

Napoletana!
O compositor tem muito orgulho do casamento com a antiga amiga de suas irmãs, união que já dura o mesmo tempo que sua carreira, 60 anos, “É o momento mais romântico da minha vida”. Quando fez 40 anos prometeu à esposa que pararia de compor para o cinema e se dedicaria apenas ao que chama de “música absoluta”, mas aí disse a mesma coisa aos 50, 60, 70 e 80, “Talvez quando eu pare quando chegar aos 90”...

Não gosta de gatos, mas gosta de cavalos, macacos e cachorros dóceis. Guardou mágoa do gato gordo que tinha e se desfez porque num dia o bichano entrou na cozinha subiu à mesa, estragando toda a refeição.

Sua pizza favorita é a tradicional Napoletana: tomate, mozzarella e algumas anchovas. A massa deve ser fina.

Conformado com a naturalidade da morte, o mestre diz não temê-la. O que assusta é sua esposa ir antes e deixa-lo sozinho, ou o contrário, o ideal seria irem juntos.

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