terça-feira, 17 de maio de 2016

Ed Wood teria contado com a primeira figurinista negra a trabalhar em Hollywood

Sabemos em 2016 que L'Tanya Griffin existiu graças a alguns sites e blogs atentos ao século XX. Mulher e negra, a estilista é quase um mistério hoje, mas os poucos registros de sua existência apontam para uma vida artística promissora entre as décadas de 40 e 50.

Griffin, considerada uma das primeiras afro-americanas a ficar conhecida com seu sobrenome de solteira, teria conseguido um histórico contrato como figurinista em Hollywood. Não com qualquer estúdio, mas com a Companhia de Ed Wood Jr., conhecido na posteridade como o pior cineasta de todos os tempos.
Dorothy Dandridge na Life com um dos vestidos

Ela não recebeu crédito nenhum pelos trabalhos. Ao contrário de outras que viviam no obscurantismo, como Vampira, não é citada na cinebiografia de Ed Wood dirigida por Tim Burton em 1994.

Por motivos desconhecidos, mesmo de origem bastante humilde, L'Tanya Griffin  se inscreveu para um curso de designer de moda na tradicional Lipson School de Los Angeles. Seus professores a incentivaram a ir para Nova York, capital da moda norte americana.

Ficou apenas um ano lá, trabalhando mais como modelo, mercado bem limitado na época, com a segregação racial a todo vapor.  De volta a Los Angeles começou a  vender alguns desenhos.

A sorte finalmente bateu na sua porta quando o independente Guild Studios a contratou para desenhar os vestidos da transgressora Ida Lupino. Belíssima estrela ruiva à frente do seu tempo, Lupino ficou conhecida por ir além do glamour, dirigindo também muitos filmes, alguns considerados clássicos.

De boca em boca L'Tanya Griffin  ficou conhecida passando a desenhar para outras grandes estrelas como Joan Crawford, Dorothy Dandridge e as esposas de muitas celebridades negras, incluindo Marie Ellington que era senhora Nat King Cole. Há uma seção de fotos de Dandridge para a revista Life Time onde ela usa um vestido alegre de L'Tanya.

Capa da Jet com L'Tanya Griffin
Nesse meio tempo a estilista se casou passando a ter um relacionamento possessivo e autodestrutivo. Numa das brigas com o marido acabou cega de uma vista o que não a afastou da profissão, embora tenha lhe tirado do eixo que seguia.

A partir de 1954 passou a desenhar para filmes B em Hollywood, principalmente os filmes de Ed Wood. Esse universo é tão extensamente revisitado que causa estranhamento que L'Tanya Griffin  seja um nome praticamente desconhecido até entre estudiosos.

Também em 1954 ela foi capa da revista Jet (voltada a comunidade afro). Na matéria ela comentava que a mulher afro americana estava se vestindo muito mais e descartando as multe cores que sempre lhes favoreceu.

O historiador Michael Henry Adams confessa que até 2005 jamais tinha ouvido falar nela! Foi pesquisando para uma exposição no museu da Cidade de Nova York que ele tropeçou em seu nome pela primeira vez e puxou o fio do novelo, descobrindo parte da trajetória da artista, embora ainda falte bastante.

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