segunda-feira, 4 de abril de 2016

Gaslighting: Do cinema para a psiquiatria

O cinema ajudou a difundir termos clínicos como psicose, que entrou na moda a partir do filme dirigido por Alfred Hitchcock em 1961, mas também batizou outros como gaslighting. É basicamente o que o vilão interpretado por Charles Boyer faz com Ingrid Bergman em À Meia Luz (Gaslight, 1944 de George Cukor).

Gaslighting é o ato de distorcer ações, inventar ou omitir que a vítima passe a duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. O termo, adotado oficialmente na psiquiatria a partir de 1960, vem justamente do filme que adaptava o texto escrito com muito sucesso para os palcos ingleses em 1938, servindo para um filme local dois anos depois, mas a produção mais famosa é a de Hollywood.

Na ficção no Brasil vimos Gaslighting na novela Rainha da Sucata (1990) escrita por Silvio de Abreu. O autor reproduziu o filme de 1944 nos personagens interpretados por Daniel Filho e Renata Sorrah, que pouco a pouco começou a achar que estava enlouquecendo, mas era o marido quem armava as situações.

A prática adotada por sociopatas, bem fácil de entender para quem assistiu ao filme, é bastante comum no ambiente doméstico para esconder infidelidades conjugais. As vítimas (comumente femininas) costumam ser tratadas como histéricas, descontroladas e muitas vezes passam a acreditar que são elas quem estão fazendo mal ao abusador.

É possível nos lembrarmos de situações semelhantes também no ambiente profissional, geralmente usado por patrões que pensam estar mantendo o domínio sobre os subordinados. Todos os erros e falhas recaem no funcionário que terá dificuldade em se justificar.

1 comentários:

Anônimo disse...

Não sabia que isso tinha um nome. Já senti na pele o que é as pessoas tentarem te fazer acreditar que você está louco. Achava que era o #diferentão por nunca ter ouvido falar em casos assim.

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