segunda-feira, 30 de novembro de 2015

No começa pegavam até ônibus pra ver TV!

Que no começo TV no Brasil era privilégio de meia dúzia não é novidade. Que depois existiram os televizinhos, gente que ia visitar só pra ver novela, também não. Mas pegar ônibus pra assistir TV parece ser o máximo do esforço imaginável!

O anúncio abaixo foi publicado por uma empresa de ônibus no jornal A Tribuna de Santos em 1951. Havia televisão no Brasil há apenas um ano e claro, apenas a TV Tupi, canal três.


“Televisão diariamente às 20 horas, ônibus 19h30”. Segundo explicação do site Novo Milênio, não havia antena retransmissora na cidade, apenas a antena no alto do Sumaré em São Paulo, então era praticamente impossível sintonizar o canal em Santos.

Hebe Camargo no comando de um musical
Como solução, a prefeitura local foi instalar um aparelho televisor público no alto do morro Santa Terezinha. Junto com a vista panorâmica, a TV se tornou uma atração turística.

A transmissão da Tupi começava às 18 e se encerrava 22 horas, portanto, os santistas pegavam não só o horário nobre, mas boa parte da programação. Tinha que valer muito a pena pras pessoas terem que sair de casa e pegar ônibus diariamente às 19h30...

Bem variada, a programação tinha jornalismo, humorísticos e teleteatros. E Hebe Camargo, óbvio!


Ainda no final de 1951 a Tupi estrearia Sua Vida Me Pertence, a primeira telenovela do país. Aquela onde rolaria o primeiro beijo hétero da TV, dado entre Vida Alves e Walter Foster.


Gremlins 3 deve acontecer! 5 coisas que passam pela cabeça

  O ator Zach Galligan, dos dois primeiros Gremlins, estevenuma exibição especial do filme de 84 em Londres e falou para uma plateia emocionada que o terceiro deve sair. E não será remake ou reboot, mas uma sequencia do filme de 1990.

Dirigidos por Joe Dante e produzidos por Spielberg, os filmes foram uma surpresa nas bilheterias e sempre fizeram muita gente se perguntar como ainda não ganharam novas versões. Afinal, o que é sagrado em Hollywood?

Galligan lembrou que o roteirista Chris Columbus sempre se opôs a qualquer refilmagem. Ele diz que o primeiro filme é muito querido a seu coração e que jamais será refeito enquanto for vivo.

Portanto, a história deve se desenrolar nos dias atuais, 25 anos após os acontecimentos do último filme. Assim como era também o recente Jurrassic World (2015 de Colin Trevorrow) e deverá ser Beetljeuse 2.

Notícias de remakes, reboots e até sequencias de filmes muito conhecidos e queridos sempre nos enchem de dúvidas e medos na nossa cabeça. Listei cinco das mais urgentes.


1 – Que tenha começo, meio e fim, sem arestas para um quarto filme ou uma série toda. Que a gente vá ao cinema para assistir a uma história completa. Coisa cada vez mais difícil de acontecer!

2 – Para crianças? No atual tempo politicamente correto como incluir as diabruras irreverentes dos monstros sem chocar pais preocupadíssimos com a má influencia do cinema?

3 – Que não seja prequel ou maiores explicações sobre as origens. Não sei se a plateia de hoje é muito idiota ou os produtores acham que seja (devem saber muito mais disso do que eu), mas muito chato essa mania de explicar tudo, de mostrar sempre o porquê dos personagens.

4 – O roteirista Columbus já tinha dito em abril que no projeto (então ainda mais embrionário) haveria ligação emocional de quem assistiu aos filmes anteriores. Ok! Mas que isso não signifique apenas um filme para fãs (com rede social prepare-se! Todo mundo se dirá fã número 1), mas uma história consistente, não uma gigantesca autorreferência.

5 – Um pavor de imaginar as criaturinhas em computação gráfica, todas perfeitinhas. Como superar a graça dos animatronics? A memorável sequencia do Gizmo dirigindo um carrinho é das coisas toscas mais legais do universo!
Difícil ficar feliz com Gremlins 3 lembrando daquela recauchutada em computação gráfica que E.T. sofreu em 2002...

Veja também:
Todos os VHS de Gremlins 2 teriam defeito!
Primos pobres dos Gremlins
Piada interna (e metafísica) para nerds

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Will Smith adora 'Eu Sou a Lenda' até hoje

 Oito anos depois de sua estreia quase ninguém mais lembra de Eu Sou A Lenda (I Am Legend, 2007 de Francis Lawrence). Seu astro, Will Smith, muito pelo contrário, o considera seu trabalho mais bem sucedido.

O filme é a terceira adaptação do romance de Richard Matheson para o cinema, a segunda produzida nos EUA. Em 1964 (Mortos Que Matam) teve Vincent Price encabeçando o elenco e em 1971(A Última Esperança da Terra) foi a vez de Charlton Heston.

De longe, a mais recente é a mais fraca por atropelar conceitos importantes com efeitos computadorizados de qualidade discutível. Em recente entrevista a um podcast parece que isso ainda não está claro para Smith:

“Sou obcecado com a tentativa de colocar pequenos dramas de personagens no meio de grandes blockbusters. O mais bem sucedido em que já estive com esse conceito é Eu Sou a Lenda.
Eu Sou a Lenda facilmente poderia ter sido uma peça de teatro, certo? Você sabe, um show de um homem só, um cara com um cão - geralmente você poderia pensar que é preciso de um pouco mais do que isso para um blockbuster, mas até agora esse é a minha maior abertura e meu segundo maior filme.
Então, isso é uma obsessão para mim, se não tiver muita ação as pessoas não querem vê-lo. Você pode ter tanta ação que você afasta as pessoas, ou você pode colocar tantas criaturas nele que agora as pessoas não o levam a sério.”
Parece que o amiguinho até hoje não entendeu! Que tal pegar uma história ótima e não tentar transformar num blockbuster cheio de “pá - pum - cataplaft”? Não há verniz dramático/sentimentaloide que dê jeito.

Sei que é o Will Smith, poxa! Um super astro de filmes espetaculares no sentido prático da palavra, mas Eu Sou A Lenda errava a começar por tirar o foco do homem dentro do universo e centralizar numa conversinha pra boi dormir de papai de família que perdeu tudo (justamente o que ele acha que é uma grande coisa).

Veja tabela clicando aqui com uma comparação item a item entre Eu Sou A Lenda (2007) e Mortos Que Matam (1964). Há filmes que já nascem ultrapassados.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Universal planeja a volta de TODOS os monstros em novos filmes

De olho no que parece ser uma mina de ouro inesgotável, a exploração dos heróis da Marvel e DC no cinema e como eles conversam entre si, a Universal Pictures prepara uma investida no retorno de seus monstros. Um filme do Drácula terá ligação com um futuro do Lobisomem, e assim por diante, num mundo próprio.

 Lembrando que a Universal causou uma revolução no cinema ao adaptar os monstros da literatura fantástica na década de 30, num tempo onde “Filme de terror” ainda nem era um conceito muito bem definido. As criaturas entraram no imaginário popular segundo o que ela apresentou na série de filmes.

Até hoje a criatura de Frankenstein, por exemplo, com eletrodos no pescoço, conforme maquiagem do Jack Pierce pertence a ela. Um tesouro que o estúdio soube muito bem cuidar nessas décadas todas.

Na década de 90 a Columbia tentou repetir o feito começando por Drácula de Bram Stoker (Dracula, 1992 de Francis Ford Coppola) sem conseguir o mesmo resultado, leia mais clicando aqui. A última onda relevante de monstros ainda é a que aconteceu na Inglaterra a partir de 1957 nos estúdios Hammer.

A Universal não ficou dormindo. Em 1979 fez um Drácula (aquele com o Frank Langella) e em 1999 reviveu A Múmia (The Mummy, de Stephen Sommers) deixando o terror de lado.

O tombo viria em 2004 com Van Helsing, dirigido também por Sommers que tinha a pretensão de reviver todos os monstros ao mesmo tempo. Qualquer um sabia que havia algo errado com o filme ao passear num supermercado e ver Drácula, Frankenstein e Lobisomem estampando qualquer quinquilharia muito antes dele ir parar nas telas.

Agora o que deve ter despertado o novo projeto foi Drácula: A História Nunca Contada (Dracula Untold, 2014 de Gary Shore) ter ido bem nas bilheterias ao dar um tom atual ao personagem tão surrado. A Universal contratou os produtores Alex Kurtzman (de Transformers e os novos Star Trek) e Chris Morgan (Velozes e Furiosos) para criar e supervisionar uma ambiciosa série de filmes contemporâneos.

Tudo começará a partir de 2017 com A Múmia e a ideia é que seja lançado um filme de monstro por ano. Dento de um mesmo universo os personagens irão interagir uns com os outros como acontece com Os Vingadores, onde o capitão América além de ter filme próprio, dá as caras nas produções dos amiguinhos.

Na década de 40 o estúdio promoveu alguns crossovers curiosos do tipo a partir de Frankenstein Encontra o Lobisomem (Frankenstein Meets the Wolf Man, 1943). A pá de cal na fase foi a comédia Às Voltas Com Fantasmas (Bud Abbott Lou Costello Meet Frankenstein, 1948).

Todos os filmes já feitos estão sendo estudados para dar consistência, segundo matéria da Variety. "Estamos criando uma mitologia, então nós estamos olhando para este cânon e pensando, 'Quais são as regras? ", Diz Kurtzman. "O que podemos quebrar e quais são os que são intocáveis?".

Um grupo de artistas estão desenvolvendo o visual dos monstros já para várias produções futuras. Ao mesmo tempo um grupo de 10 roteiristas está incumbido de supervisionar tudo, sendo que cada um ficará responsável por um monstro.

Assim eles pretendem criar um grande banco de informações a consultar pra saber onde cada um se encaixa naquele mundo conforme a história avança. Ainda não se sabe a ordem depois da múmia, mas é certo que sejam prioridades Drácula, Frankenstein e A Noiva de Frankenstein, além de O Monstro da Lagoa Negra nunca ter ganhado um remake.

Os produtores apostam na saturação de heróis rotineiramente salvando a civilização e que os espectadores estão prontos para uma mudança de ritmo. "Há uma escuridão dentro de todos. E todo mundo quer ser capaz de transformar uma maldição em capacitação. Os monstros têm estado nas sombras, e agora é hora de trazê-los para a luz" diz Morgan.

Mas serão filmes de ação com os personagens góticos?! Em entrevista à Slash Films, Kurtzman garantiu que serão filmes de terror.

Veja também:
Sessentões na luta: Quando os monstros voltaram a assombrar
Todas as caras do Monstro de Frankenstein na Hammer

A verdadeira maldição de Frankenstein
Fase 40's dos Monstros da Universal

Drácula 1979
A Era das Trevas

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Atriz salva a vida de milhares de vítimas da moda

No começo da década de 40 a atriz Veronica Lake causou uma verdadeira revolução no mundo da moda. Mulheres podiam finalmente usar cabelos soltos como os dela, num penteado conhecido como “peekaboo”.

Lake foi influencia para milhares de moças em todo mundo, inclusive no Brasil. Anúncios de shampoos usavam o rosto dela, mesmo num país etnicamente tão diferente do padrão da atriz.

A febre foi tanta que Billy Wilder, como bom cronista, não deixou de registrar em A Incrível Suzana (The Major and the Minor) de 1942. A epidemia Veronica Lake que assolava as garotas!

Assista à cena no player abaixo ou clicando aqui. Dá pra ter uma noção real do que realmente estava acontecendo na cabeça das garotas.

Consciente do segredo de seu sucesso chegou a declarar que nunca se considerou uma vedete como Betty Grable, “apenas sabia usar meu cabelo”. “Peekaboo” é uma referência à mecha de cabelo que esconde um dos olhos, assim como aquela brincadeira infantil americana de esconder o rosto (Peek-A-Boo”).

Só que na mesma época do seu auge milhares de mulheres nos EUA estava indo trabalhar nas fábricas, principalmente por causa da II Guerra Mundial (1939-1945).  Os cabelos soltos “da moda” se mostraram um perigo no maquinário.
Em 1943, o Conselho de Produção de Guerra dos EUA considerou o penteado uma ameaça. Lake então foi convidada a salvar vidas fazendo um filme desmistificando o peekaboo”.

Ela aparece mudando o penteado para uma coisa mais tradicional enquanto o narrador explica a necessidade desses cuidados. Assista no player abaixo ou clicando aqui.

Veronica Lake apareceria com os cabelos presos assim como no vídeo em A Legião Branca (So Proudly We Hail!, 1943 de Mark Sandrich). O filme não foi um fracasso, nem a carreira dela acabou por ter abolido o penteado famoso.

Algumas informações são um oferecimento Flashback

Veja também:
Veronica Lake: estrela da posteridade
Pequenas estrelas, grandes ilusões
Truques de beleza podem mudar sua vida

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Divine quase participou de Um Amor de Família


Divine, já consagrada no meio underground, se preparava para uma nova fase artística quando faleceu em março de 1988. Iria gravar um episódio de Um Amor de Família (Married with Children), participação com possibilidades de se tornar fixa.

Conseguir um contrato com a Fox para uma série de TV a levaria para um público muito mais amplo, além da estabilidade. No cinema sua carreira também caminhava pra isso com o sucesso de Hairspray - E Éramos Todos Jovens (Hairspray, 1988 de John Waters), onde recebeu críticas bem positivas por sua Edna Turnblad.

Em Um Amor de Família seu personagem seria masculino, o efeminado Tio Otto, pertencente à família da Peggy que finalmente apareceria no final da segunda temporada. As gravações estavam marcadas para a manhã de sete de março de 1988, mas Divine não apareceu no set.

Indagado pelos produtores, seu assessor Bernard Jay o encontrou morto no hotel. Ela, aos 42 anos de idade, teve insuficiência respiratória causada por apneia do sono, uma desordem agravada pelo peso excessivo.

Como o show não pode parar, o episódio foi feito substituindo Divine pela drag queen  James 'Gypsy' Haake. Tudo em Família (All in Family S02E22) ainda conta com a participação do ex lutador King Kong Bundy, cujo sobrenome teria inspirado o da família disfuncional do programa.


Não rende como se esperava e o Tio Otto não se tornou um personagem fixo, ou fez qualquer outro retorno ao programa. Ele se encerra com um aviso silencioso de que foi dedicado à memória de Divine.

Um Amor de Família se tornaria um fenômeno de audiência ficando mais oito anos no ar. Divine, segundo seu assessor, morreu feliz, estava sendo reconhecido como ator.

Veja também:
Divine em um poster raro

Livraria Cultura já com preços de Black Friday


Até o dia 30 de novembro a Livraria Cultura está com até 60% de desconto em seus livros, filmes, brinquedos, games, etc. São páginas e páginas de produtos, acesse o hotsite clicando aqui.

Nos filmes destaco, por exemplo, a coleção Zumbis no Cinema lançado pela Versátil que de R$ 49,90 está por R$ 29,90! Giallo – O Suspense Italiano da mesma Versátil contendo filmes de Dario Argento, Mario Bava, Lucio Fulci e Sergio Martino com o mesmo desconto!!!

Box com todas as temporadas de Lost por apenas R$ 149,90!! Ainda na promoção hits como Downton Abbey (box com 1ª a 4ª temporada) e Game Of Thrones (também com 1ª a 4ª temporada).

Dá uma olhada nas centenas de títulos clicando aqui

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

James Bond escolheu outra vodca

 No atual 007 Contra Spectre (Spectre, 2015 de Sam Mendes) chegou a vez do agente tomar a polonesa vodca Belvedere. James Bond e Smirnoff sempre tiveram uma estreita relação nos cinemas desde sua primeira aventura, O Satânico Dr. No (Dr. No, 1962 de Terence Young).
Junto aos relógios Ômega, a marca de vodca Smirnoff está estritamente associada ao personagem, embora a pareceria tenha sido desfeita algumas vezes nesse mais de meio século. James Bond não encara a tradicional bebida desde 007 - Quantum of Solace (Quantum of Solace, 2008 de Marc Forster).

Stolichnaya, Absolut e Finlandia são outras marcas que fizeram aparições ocasionais na série. Nos romances de Ian Fleming ele bebe vodca sem citar a marca, exceto no livro 007 contra o Foguete da Morte (Moonraker) onde aparece a Wolfschmidt.

A Belvedere Vodka criou uma campanha  sob o slogan “Excelente escolha, senhor Bond”. Ou seja, leva em conta de que o agente optou pela marca.

Para estrela das peças publicitárias chamaram a atriz mexicana Stephanie Sigman. No filme ela é a mocinha que acompanha Bond naquele maravilhoso plano sequencia em pleno Dia de Los Muertos.

Marketing à parte, causa estranhamento a ausência da Smirnoff logo nos dois últimos filmes, que tanto discutem a mitologia do personagem na tela grande. Até o emblemático carro Aston Martin tem papel de destaque em Spectre.

Veja também:
Vesper, O Bond Drink
Agitado, nunca misturado

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O dia em que Udo Kier anunciou o futuro

Em 1993 a TV do Brasil participou de um evento mundial agora quase esquecido. Num domingo todas as emissoras tiveram sua programação interrompida simultaneamente por mais de seis minutos para Kilby, um ser bizarro de metal, anunciar que enfim havíamos chegado ao futuro!

A milionária ação era da multinacional holandesa Philips para alardear pelo planeta o DCC Digital Compact, tecnologia que aliás, já é coisa do passado. O homem de metal era ninguém menos do que Udo Kier!

O ator preferido de Andy Warhol chegava finalmente ao grande público naquela época. Além desse comercial internacional, ele havia participado das fotos eróticas Sex e dos clips Erotica e Deeper and Deeper da Madonna.

Estranho que ninguém ainda postou no You Tube o comercial exibido no Brasil, com Udo Kier dublado em português. Mesmo tendo sido exibido simultaneamente na Globo, SBT, Band, etc!

Há vários arquivos postados em espanhol, dublados e legendados. Assista a um deles no player abaixo ou clicando aqui.

A inspiração óbvia principal veio de Max Headroom, personagem britânico visionário de 1984 que supostamente era o primeiro apresentador gerado por computador. Na verdade era um ator maquiado, mas o conceito era tão forte que sobreviveu ao tempo.

Outra referência gritante é ao lendário Criswell.  As primeira linhas de texto são quase idênticasao do vidente no filme Plano 9 do Espaço Sideral (Plan 9 from Outer Space, 1959 de Edward D. Wood Jr.).

“Olá, meus amigos! Todos estamos interessados no futuro porque é onde passaremos o resto de nossas vidas. Vocês estão aqui porque se interessam pelo desconhecido, o misterioso, o inexplicável.” e assim por diante. Mesmo em espanhol vale a pena conferir pelo menos trecho do vídeo.

 E é fascinante que esses diálogos malucos escritos por Ed Wood (considerado o pior cineasta de todos os tempos) estiveram em cadeia nacional no Brasil. Meu amigo, meu coração mal pode suportar esse fato chocante.

O que há de errado em Mamãezinha Querida

 Inegável que Mamãezinha Querida (Mommie Dearest, 1981 de Frank Perry) é um dos mais saborosos ultrajes que o cinema já produziu! Baseado no best-seller que Christina Crawford escreveu em 78, quando sua mãe, a estrela Joan Crawford lhe deixou de herança o mesmo que Mariazinha ganhou atrás da horta é tão estridente quanto apaixonante.

Joan Crawford na década de 60
Como é evidente, o filme erra em mostrar apenas um dos lados da história, uma tremenda mágoa de cabocla oriunda de um livro ruim. Olha, mas eu aponto que vai além disso!

Direção de arte se baseou em tudo o que o grande público conhece de Joan Crawford. Para isso reproduziram fotografias publicitárias e até cenários de seus filmes como se fossem a casa da atriz.

Para a caracterização da personagem central, Faye Dunaway (que ganharia a Framboesa de Ouro por pior atriz do ano) chamou o maquiador Lee Harman. Os dois trabalharam juntos desde Chinatown (1974 de Roman Polanski).

E aí está um deslize grotesco: Joan Crawford nunca teve essas sobrancelhas de palhaça! Eram célebres por serem arqueadas, mas não no começo, seguindo a linha do nariz.

Assim, qualquer expressão mais forte de atriz será risível. Veja abaixo uma montagem que eu fiz na mesma foto com as sobrancelhas reais de Joan Crawford, retiradas de uma foto mais ou menos da época que tentaram retratar nessa imagem da Dunaway, anos 60.

Muito mais humanamente possível, vamos combinar! Não sei se o filme estaria salvo com este detalhe, mas pelo menos o resultado seria diferente.

E que tal essa foto de Faye Dunaway com o maquiador (e carrasco) Lee Harman? Criatura e orgulhoso criador...
A amizade entre eles foi desfeita? Que nada! Continuaram a trabalhar juntos, inclusive em Supergirl (1984 de Jeannot Szwarc), sendo que a última parceria da estrela com o maquiador foi no obscuro Ambição Fatal (The Temp, 1993 de Tom Holland).

Veja também:
John Waters fala sobre Mamãezinha Querida
Faye Dunaway querida!
Revista Veja elogiou Joan Crawford de Dunaway

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Todo o poder às meninas do Camel Lips

 Elas são a banda formada apenas por garotas mais furiosas que já existiu, elas são o Camel Lips! O Camel Lips (Lábios de Camelo) só poderia ter saído da cabeça de John Waters.

A banda fictícia foi interpretada pelo grupo L7 no filme Mamãe É De Morte (Serial Mom, 1994 de John Waters).  Seu nome é obvia referência a gíria americana “camel toe”, expressão para a calça da mulher quando marca os lábios vaginais.

E realmente o L7 usou umas calças de malha com um “camel toe” gigantesco que obviamente foi fotografado em closes generosos. A revista Paper na época do lançamento do filme o diretor disse que “Nós vimos o pau do Mick Jagger durante anos, então porque não ver isso?”,

A canção que tocam é Gas Chamber, cuja letra foi escrita por elas e pelo John Waters.  Ouça no vídeo abaixo, avisando que está cheio de “SPOILERS” caso você ainda não tenha assistido ao filme.



Bom, né? Eu compartilho a opinião da Beverly Sutphin:
No evento que celebrou os 20 anos de Mamãe é de Morte (em 2014) um grupo de drags apresentou número revivendo o Camel Lips. O próprio L7 compartilhou o vídeo em seu perfil oficial do Facebook.

Veja também:
Você pode viver como a mãe assassina!
Tudo o que você precisa saber sobre reciclagem
Enriqueça seu vocabulário com John Waters

Juca de Oliveira, o nosso Burt Reynolds

Esquire Magazine, outubro de 1972
Revista Realidade, abril de 1973
 Olha aí um daqueles casos pouco comuns de gringos imitando os brasileiros. Falando sério isso era muito comum nas revistas brasileiras antes da abertura do mercado e depois a internet.

Não só com revistas, mas com qualquer coisa. Quem tinha acesso (dinheiro?) ao material lá de fora acabava se inspirando aqui, lembrando de casos como o do Hans Donner .

A Realidade (1966-1976) marcou época no jornalismo brasileiro, muitas vezes com suas capas elogiadas pela originalidade. Pelo menos na matéria sobre impotência masculina não foi bem assim.

Burt Reynolds cita sua capa na biografia que está lançando. Diz que entendeu a piada e aceitou na hora o convite da Esquire que poderia constranger muitos machos pelo tabu que ainda é até hoje.

“Acho que a melhor coisa que você pode fazer quando a sua masculinidade está sendo 
constantemente exposta é apenas para se divertir com isso”, justificou o ator. Sexy e másculo, naquele ano de 1972 ele topou aparecer nu, apenas cobrindo as vergonhas com a mãozinha, no pôster central da Cosmopolitan.


Em 1973 Juca de Oliveira estreava na Globo na novela O Semideus de Janete Clair. Difícil imaginar o brasileiro com todos os predicados do norte americano, mas quem viveu a época pode ter uma opinião diferente.

Veja também:
Susto no museu de cera

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Misterioso sumiço das perucas de Star Trek

Veio a público um memorando datado de 6 de fevereiro de 1968 do produtor Robert Justman para Gene Roddenberry, criador de Jornada nas Estrelas. Assunto: As perucas do elenco estavam desaparecendo!

O documento foi revelado recentemente pela Biblioteca da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) que arquiva material da Desilu Productions Inc. A série estava na segunda temporada e havia incertezas sobre se continuaria.

Leia o conteúdo da carta, traduzido livremente:
Gene:
Se você ainda não ouviu falar sobre isso, estão faltando algumas perucas e apliques de cabelo.
Bill Shatner levou todos os quatro apliques de cabelo quando terminou de gravar. Há dois novos e dois antigos. Os novos são no valor de aproximadamente US $ 200,00 por peça e os dois velhos valem aproximadamente US $ 100,00 por peça.  Se "Star Trek" for para uma nova temporada, isso sem dúvida significa que teremos que construir novos apliques de cabelo para Billy, porque ele vai ter usado ambos,  os antigos e os novos, de tal forma que eles não serão fotografáveis. Isso eu garanto, isso já nos aconteceu uma vez antes.
Peruca de Majel Barret também desapareceu. Ninguém, incluindo Majel, sabe o que aconteceu a ela.
Peruca Nichelle Nichols desapareceu. Ela pegou emprestada quando ela terminou de trabalhar e disse que devolveu, mas nem Freddie nem Pat Westmore sabem nada sobre se isso aconteceu.
Isso nos até aqui, na falta de bons cabelos.
Atenciosamente,
Bob
Década de 60, moda das perucas a todo vapor. Povo achando que as perucas da Lucy (dona da Desilu Productions Inc) eram do tipo “liberô!”, bastava pegar e ponto.

A série realmente foi renovada para a terceira e derradeira temporada, mas afinal, qual teria sido o desfecho desse mistério? Capitão Kirk usou apliques velhos ou se lembrou de que tinha levado os de toda a tripulação pra casa? Uhura devolveu mesmo o picumã?...

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Antes dos anos 80 não era fácil colecionar filmes

Para se rever um filme era possível apenas no cinema ou em alguma exibição na TV. Fora isso só se contentando com Super 8 e outros formatos caseiros como 8 mm e 16mm .

Castle Films era uma distribuidores de filmes adaptados para esse uso doméstico. A empresa, uma das mais importantes da área, seria morta pelo avanço do muito mais prático VHS na década de 80.

Só que a questão não foi apenas a praticidade de se trocar o carretel de película a ser projetada na parede por uma fita K7. Os Super 8 eram versões dos filmes bastante compactados, trazendo apenas cerca de 10 minutos.

Se um longa metragem tem em média onze rolos de fita 35 mm, Super 8 tem apenas um, com uma tirinha de fita. Não dava pra existir mágica na transposição das mídias.

Era como se virassem um novo filme,  às vezes recebiam outro título e  tudo.  “This Island Earth”, ficção científica dirigida por Joseph M. Newman em 1955 foi renomeado como “War of the Planets”, e existe uma página no IMDB exclusiva para este corte diminuto (de 87 minutos para nove).


Tenho alguns Super 8 que foram do meu pai, que também colecionava filmes e morreu no começo da década de 80. Inclusive “War of the Planets” ( veja na primeira foto), e eu a vida toda acreditei se tratar de A Guerra dos Mundos (The War of the Worlds, 1953 de Byron Haskin).

Publicaram uma cópia digitalizada desse “War of the Planets” distribuída pela Castle Fims entre 1958 e 1977. Assista no player abaixo ou clicando aqui.

Além de digitalizar a pessoa acrescentou o áudio correspondente, retirado do longa metragem original. “This Island Earth”, que no Brasil costumam chamar de Guerra Entre Planetas, provavelmente por causa desses compactos, ainda é em berrante Technicolor.

A maioria dos Super 8 eram preto e branco e mudos por questões de economia. A copiagem colorida era mais custosa além dos projetores sonoros serem menos comuns pelo mesmo motivo.

Com o boom dos filmes caseiros nesse formato vivemos um estranho retorno ao cinema mudo, conforme já foi tratado aqui no blog antes. A falta de áudio era resolvida com legendas um pouco diferentes dos diálogos originais já que tinham que suprir muito do que a edição havia desprezado.

Veja também:

Tubarão em Super 8
Super 8 e a volta do cinema mudo

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Boris Karloff e Bela Lugosi em concurso de gatos pretos

Insólito ver Boris Karloff e Bela Lugosi julgado dezenas de gatos pretos. A ideia do concurso foi pra promover O Gato Preto (The Black Cat, 1934 de  Edgar G. Ulmer).

Pela primeira vez os dois maiores astros do horror no momento apareciam juntos na tela, mas isso não era o suficiente para divulgar o filme. Eles aparecem com seus figurinos e com um ar muito doce em comparação com o que os fãs poderiam esperar.

E quem em gato sabe o caos que deve ter sido reunir tantos bichanos de uma só vez. Gatos detestam gatos desconhecidos... Gatos detestam serem retirados de casa... Gatos devem detestar serem julgados!

Foram três vencedores e não faço ideia quais quesitos estavam em avaliação. E como era de se esperar eles quase saíram na porrada.

Segundo o banco de imagens Critical Past, o evento ocorreu na Universal City na Califórnia em março de 1934, dois meses antes da estreia do filme. Sobrou apenas um filme mudo de poucos segundos do dia e mais nenhuma informação.

Assista no player abaixo ou clicando aqui.

Por mais idiota que seja uma ideia, isso não a impede de ser repetida. Em 1961 também houve um grande concurso de gatos prestos para promover Muralhas do Pavor (Tales of Terror,) de Roger Corman, conforme você vê clicando aqui.

Resta dizer que se gato preto desse azar mesmo, essa concentração de zica teria causado um terremoto na Califórnia. Mas eles são só amor e ronrono!

Veja também:
Hollywood: Contratamos gatos pretos!

SyFy exibirá a nona temporada de Doctor Who

A BBC está divulgando que Doctor Who será exibido no canal SyFy a partir de 2016. Após o fim do canal BBC HD (que virou BBC Earth), o seriado saiu da grade da TV paga no Brasil.

O SyFy irá passar a partir da atual temporada, a nona e promete exibir a seguir a quinta, sexta e sétima. Lembrando que BBC HD era exclusivo da Net, já o Syfy Brasil pertence à Globosat e está espalhado por várias operadoras.

A parte ruim é que o canal ainda não possui versão em HD, além de ter o hábito de exibir apenas dublado e não respeitar muito sua programação. Já trocou algumas vezes a ordem de episódios como os do reality de maquiagem fantástica Face Off.
Terceira temporada na TV Cultura

No seu canal de origem, além da excelente qualidade de imagem, muitas vezes os episódios eram exibidos no Brasil legendados e simultaneamente com a Inglaterra. Não há lugar como o nosso lar mesmo!

Uma opção para assistir Doctor Who com melhor qualidade é o serviço Now, para assinantes Net e o Netflix. Infelizmente no Now tem apenas a oitava temporada e no Netflix da primeira à oitava, mas pode ser útil para quem vai começar a assistir a partir do Syfy .

Recentemente a TV Cultura exibiu esta mesma oitava temporada em versão dublada em português (O nome próprio Doctor traduzido para Doutor! Rs). A emissora aberta costuma exibir todas as temporadas em ordem cronológica diariamente às 20 horas, sendo que no momento reprisa a terceira temporada.


E claro, há a alternativa dos downloads. Os anjinhos da internet que traduzem tem feito isso com poucas horas após a exibição dos episódios na BBC britânica, ou seja, todo domingo, no começo da tarde já tem legenda nova da nona temporada. 
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