sábado, 31 de outubro de 2015

Avesso da cena: A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça

É irônico que Christopher Walken monte cavalos muito mal, chega a ter medo deles. Por esse motivo o ator quase recusou o papel título de A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, 1999 de Tim Burton).

A solução foi utilizar um cavalo mecânico e o resto se deve a magia da edição e dublê de corpo para os ângulos abertos. Só prestando muita atenção nota-se a verdade.
E o truque não é nada novo em Hollywood. Aliás, a engenhoca nem foi criado para Tim Burton, produzido já num tempo de efeitos digitais, e sim reaproveitada de um filme clássico.

Ela havia sido criado para Elizabeth Taylor cavalgar em A Mocidade É Assim Mesmo (National Velvet, 1944 de Clarence Brown). Tão bem feito que meio século depois ainda pôde voltar para um set de filmagens.

A equipe apenas adaptou um dispositivo que fazia suas ventas soltarem fumaça e movimentos faciais comandados por controle remoto. Claro, ainda cuidaram para que a aparência dos pelos ficasse o mais realista possível.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Por acidente funcionários de obra encontram pequeno tesouro do início do século XX

 Funcionários que reformavam os antigos galpões da Ceagesp de Santos (SP) para abrigarem o Poupatempo em 2006 se depararam com uma gema da cultura popular. Debaixo das camadas de tinta das paredes havia metros de publicidade art déco intacta.
Técnicos foram chamados ao local para a decapagem de toda a tinta com o uso de bisturis, trabalho exaustivo que levou meses para ser concluído. Aí alguém lembrou que no local, antes de ser Ceagesp  o imóvel abrigou o Cine Central.

A casa foi inaugurada em 1921, período em que Maria Inah Rangel, restauradora da Secretaria de Cultura, acredita que os painéis pertençam. Pra gente se localizar como são antigos até em termos de cinema, o prêmio hollywoodiano Oscar ainda demoraria seis anos para ser criado.

Cine Centro, Aka Popularíssimo em jornal de 1922 
No restauro eles não foram repintados, apenas detalhes (como letras ausentes) foram retocados. Os anúncios são de armazéns, alfaiates, barbearias, armarinhos entre outros tipos de estabelecimentos e empresas agora totalmente esquecidos.

Como uma capsula do tempo, além da grafia arcaica do português, hábitos de consumo ficaram registrados conforme observou um jornal local. Alimentos eram comprados em lojas de "seccos e molhados", as roupas eram feitas sob medida, os carros eram trazidos dos Estados Unidos e os móveis produzidos artesanalmente.

Como não se lembrar da chocante sequencia de Roma de Fellini (1972) em que funcionários da construção do metrô encontram afrescos milenares? Assista (ou reveja!) no player abaixo ou clicando aqui.
As pinturas santistas tiveram melhor sorte. Não consegui encontrar qualquer outra imagem mais recente dos painéis, mas o Poupatempo da cidade continua sendo neste local.

Hoje em dia tira-se selfie na frente de tanta coisa, mas ou não estão acessíveis ao público geral, ou estão sendo ignorados. Ai a analogia mostrada por Fellini...

Fotos e informações da imprensa local coletadas por Novo Milênio.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Harlow vs Harlow: Arte que repete a vida

  Carroll Baker como Jean Harlow em Harlow: A Vênus Platinada (Harlow, 1965 de Gordon Douglas)
Carol Lynley como Jean Harlow em Chama Ardente (Harlow, 1965 de Alex Segal)

Em 1965 a atriz Jean Harlow teve sua trágica (e rápida) vida contada duas vezes no cinema. Coincidências acontecem, né?

Lansbury e Rogers são Mama Jean Bello
Recentemente tivemos Helena Bonham Carter e Lindsay Lohan interpretando Elizabeth Taylor quase que ao mesmo tempo em produções para TV. Com Hitchcock também aconteceu o mesmo em 2012.

No caso de Harlow foram duas produções de qualidades distintas. O da Baker foi colorido com um orçamento gordo e o da Lynley de baixo orçamento em preto e branco, rodado no sistema Electronvision técnica que, com qualidade de imagem inferior, era normalmente utilizado na TV.

Esse foi um dos motivos que fizeram Judy Garland cair fora do projeto. O importante papel da mãe da estrela foi parar nas mãos da veterana Ginger Rogers que acabou tendo aqui seu último trabalho no cinema.

No filme colorido o mesmo papel ficou a cargo de Angela Lansbury. E ela está espetacular como mãe megera como já havia interpretado em Sob O Domínio do Mal (The Manchurian Candidate, 1962 de John Frankenheimer).

Ambas as produções falham no mais importante: retratar Jean Harlow. O filme em P&B pode levar vantagem já que Harlow por ter falecido tão cedo nunca foi vista a cores, mas é contado num estilo tão vulgar quanto qualquer dramalhão de novela das 9.

A Jean Harlow real
Carroll Baker (a “colorida”) parece interpretar Marilyn Monroe, sensação reforçada pelo descuido em retratar os anos 30, com muita cara de anos 60. As duas atrizes ainda tem um físico muito mais forte que a original.

Amigos maquiadores em produções de época, longe de mim querer ensinar missa a vigário, mas atentem para a sobrancelha do elenco feminino! É o que mais revela a época em que o filme foi realmente feito, não a que está sendo retratada.

Extremamente dramáticos, os roteiros perpetuam lendas como a de que seu marido cometeu suicídio apenas dois meses após as núpcias porque estava impotente. Há divergências e indícios fortes de que seria por ciúmes e até quem aponte que foi assassinado pela máfia.

E a mais importante, de que ela morreu com pneumonia sem cuidados médicos por convicções religiosas da mãe.  Sabe-se que nada disso é verdade, Harlow estava sim sob tratamento de uremia, um tipo de infecção na bexiga. Leia mais a respeito clicando aqui.

A Vênus Platinada merece ter um terceiro filme. Dica para interpretar seu papel: Gwen Stefani!
A rápida participação a cantora como Jean Harlow em O Aviador (The Aviator, 2004 de Martin Scorsese) é uma das melhores coisas naquilo tudo. Embora ela aos 46 anos já esteja bem longe dos 26 anos que Jean Harlow tinha quando morreu.

Veja também:
Sharon Stone: A Última Grande Loira
Precoce morte da Loira Platinada
Uma vida em tons de cinza

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Beefcakes no Planeta dos Macacos


 Essa patota aí, como se percebe, era figurante de O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968 de Franklin J. Schaffner). Pela qualidade das máscaras (inteiriças) eram da turma do fundo, aqueles que as câmeras não registravam detalhes.

E eles não são totalmente anônimos, eles possuem até filmografia no IMDB: Seymour Koenig, Irvin 'Zabo' Koszewski, Jerry Trayer e Steve Merjanian.  Fizeram carreira embelezando aquelas produções de praia dos anos 60 e trabalharam como dublês.
Isso segundo comentários de fãs num fórum sobre halterofilismo onde publicaram essas duas fotos raras dos bastidores de O Planeta dos Macacos. Hollywood parecia ser um caminho óbvio para rapazes que ostentavam músculos, embora pouquíssimos tenham chegado de fato ao estrelado.

Um deles recordou no tópico: “Quando eu era criança, meu pai me chutou para fora da casa e disse-me para sair pelo mundo e conhecer pessoas. Ele me deu o seu Ford 1941 Ford. Então, eu e um grupo dos mais aventureiros do ensino médio, nos empilhamos no carro velho e dirigimos 400 milhas até Los Angeles”.

Outra opção de ganhar a vida era deixar ser fotografado com pouca roupa pelas lentes de fotógrafos como Bob Mizer e capas de revista de fisiculturistas. Ed Fury foi um dos que conseguiu equilibrar bem a carreira de beefcake com inúmeras pontas e figurações no cinema, conforme você pode relembrar clicando aqui.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Filha de Vincent Price confirma bissexualidade dos pais

 Victoria Price aproveitou uma entrevista recente ao site #BOOM para dar luz a sexualidade do pai, o lendário Vincent Price. Pelo que se sabia, o ator nunca escondeu, mas também nunca declarou que era bissexual.

Lembrando sempre que ele faleceu em 1993 aos 82 anos de idade. Ou seja, a sexualidade era encarada, ou representava algo diferente para a sua geração.

 Por toda sua vida sua filha se sentiu pressionada a responder se seu pai era bissexual.  “Ele era bissexual", disse , "E foi Roddy McDowall quem me disse, você sabe, nós não tínhamos ideia do que significava a bissexualidade nesse sentido, e se nós não sabíamos, então como podemos dar a resposta a essa pergunta.".

Em outros relatos ela já havia dito o quão difícil era lidar com isso, com a privacidade de seu pai virando domínio público. Victoria se lembra perfeitamente da primeira vez em que lhe perguntaram e o quanto ficou desconfortável em refletir sobre a sexualidade de seu pai, na altura um senhor de 78 anos que foi casado três vezes. O que poderia ser respondido?

Price é bem consciente sobre a fixação da América com as noticias íntimas sobre  celebridade, informações sobre quem teve relações sexuais com quem na atual cultura. Mas ela como um membro da comunidade lésbica, gay, bissexual e transgênero (LGBT) também entende o anseio profundamente enraizado para a história de heróis e uma conexão pessoal com o passado.

"Quando não ouvimos a partir de sua boca, eu acho que tudo o que escutamos vem com uma medida de boatos, certo?", explica. "Estou tão perto de ter certeza tanto quanto posso que meu pai mantinha relações íntimas com homens. O que é fato e tenho 100 por cento de certeza  é que o meu pai amava e apoio as pessoas LGBT."

Os Price moravam em Hollywood Hills e recebiam constantemente em sua mansão visitas da comunidade LGBT (Rock Hudson era um dos vizinhos).  Recebiam casais para jantar, mas nunca usavam o termo “gay”.

Em 1977 Vincent Price foi muito aplaudido por interpretar o abertamente gay Oscar Wilde num monólogo. Quando lhe perguntaram o que achava de Anita Bryant (ex modelo que ficou célebre por atacar gays) ele respondeu que Wilde já havia escrito uma peça sobre ela: A Mulher Sem Importância.

Na década de 80 o ator também foi uma das primeiras celebridades a aceitarem fazer publicidade de serviço público sobre AIDS.  Época em que a doença era considerada erroneamente relevante apenas da comunidade LGBT.

"Ele se casou com uma mulher bissexual (a atriz australiana Coral Browne) e todo mundo dizia que o casamento era uma fraude," lembrou a filha. "Não foi uma fraude. Era uma relação totalmente sexual, mas eles eram duas pessoas com mente muito aberta, que sabiam o que queriam. Pessoas que viveram sua verdade em todos os aspectos de suas vidas - eles devem ser heróis para todas as pessoas.".

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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Drácula e a mágica da pesquisa visual

Storyboard, grosso modo, são desenhos feitos a partir do roteiro de um filme para servir de guia na hora das filmagens. Drácula, dirigido por Francis Ford Coppola em 1992 contou com dois tipos de storyboard, um comum, parecendo história em quadrinhos e um com referências visuais.

Juntaram numa sequencia caminhos sombrios da arte por volta do período abrangido pela trama. Coppola explicou na época que o storyboard comum mostra aonde os atores têm que estar, mas não tem alma, enquanto o storyboard com as artes não mostra nada do que será, mas contém a mágica.

Foi nessa pesquisa que eles descobriram a incrível semelhança entre o ator Gary Oldman e o pintor renascentista Albrecht Dürer segundo seu autorretrato de 1500. Acabaram utilizando uma reprodução da tela no filme, conforme você lê clicando aqui.

O diretor comparou o trabalho com ir ao campo colher cogumelos para fazer uma torta. Algumas coisas dava para aproveitar, outras se mostraram venenosas.

Graças a esse trabalho o filme é opulento em visualmente, repleto de citações e sobrevive até hoje, 23 anos após sua estreia. É possível, por exemplo, que o ataque polêmico a Lucy com Drácula na forma de lobo venha da capa de uma edição antiga de “Dracula's Guest and Other Weird Stories”.
“Dracula's Guest” (O Hóspede de Drácula no Brasil) seria o primeiro capítulo de Drácula, retirado pelo próprio Bram Stoker a pedido do editor, e lançado postumamente por sua viúva em 1914 numa coletânea de contos. Além da capa, é nessa história curta (que pode ser lida integralmente em português aqui) que o personagem assume ativamente sua forma de lobo.

Considerado bastante fiel ao romance de Stoker (tanto que inclui o nome do autor em seu título), o roteiro de James V. Hart foi criterioso nas liberdades que tomou para preencher as lacunas do livro, narrado em epístolas. Algumas vezes caminha fora do livro, mas dentro do universo já explorado no teatro, cinema e tantas outras mídias onde o personagem apareceu.

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Gary Odlman sósia de pintor renascentista
Bem-vindo à vinícola Coppola
Drácula favorito do Coppola

Quibe no Drácula de Coppola?

sábado, 24 de outubro de 2015

Liz Taylor estaria entre os milhares de figurantes de Quo Vadis

Parece uma daquelas lendas duvidosas do cinema, tipo Fidel Castrofigurante de musical da Esther Williams, mas é verdade. Pelo menos o biografo Donald Spoto confirma que Elizabeth Taylor está entre as dezenas milhares de extras de Quo Vadis (1951 de Mervyn LeRoy e Anthony Mann).

Não é nada comum uma estrela do porte dela fazer figuração. Ela já era bastante famosa em 1951, a estrelinha da Metro, a queridinha da América com seus enormes olhos cor de violeta.  

Liz Taylor estava de lua de mel pela Europa, passeio que levou cinco meses e muito agonia. Durante a viagem que deveria ser romântica seu primeiro marido Conrad Hilton se mostrou um jogador alcoólatra e violento.

Levou três dias para que o matrimônio se consumasse, segundo palavras da noivinha, era só cartas, cartas e bebida, sendo que até os “crupié tinha pena” dela. Ao desembarcar em Roma se sentiu de certa forma aliviada ao saber que Mervyn LeRoy estava na cidade rodando um grande épico.

Num dia, após acalorada briga, temendo alguma violência física, ela simplesmente fugiu do hotel. Ela já havia trabalhado com Mervyn LeRoy em Quatro Destinos (Little Woman, 1949) e o considerava um amigo.

Portanto ligou ao diretor e pediu ajuda, qualquer ajuda, para escondê-la na cidade.  LeRoy deu o endereço do escritório local do estúdio, para Liz ir lá, escolher um figurino “bíblico” e passar o resto do dia misturada entre os milhares extras utilizados no filme.

Muito provável que ela nem foi registrada pelas câmeras, ou foi e isso faz que todo mundo sempre assista ao clássico de olho no “Jeninho”. Meu palpite, mas assim, sem botar a mão no fogo mesmo, é nessa pessoa que aparece logo no começo (que eu sinalizei com a seta).

Mesmo com uma resolução de imagem boa, é difícil ver o rosto com clareza. Suspeito dessa pela postura e por ter tom de pele e corte de cabelo  de cabelo igual ao da Liz Taylor na época, mas o que não dá certeza de nada visto que estrelas de cinema ditavam a moda.

Não é ela? Ok, há outras 30.000 chances de encontrá-la.

Veja também:
Fidel Castro como figurante em Hollywood?
Diretor neurótico, atrizes novatas

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Autor não teria visto a adaptação de Querelle

Quando Querelle (1982) chegou às telas o diretor Rainer Werner Fassbinder já estava morto, Jean Genet, o autor do livro que o inspirou não. E a gente sempre quer saber o que um autor acha da adaptação de seu livro.

Edição brasileira dos anos 80
Jean Genet simplesmente disse que não assistiu ao filme. “salas de cinema não permitem que se fume”, justificou. Quem nunca lamentou isso?

Tem o caso clássico de Anne Rice que desceu a lenha no andamento de Entrevista Com O Vampiro (Interview with the Vampire, 1994 de Neil Jordan) durante a produção e depois morreu de amores no lançamento. Quem leu o livro dela e viu o filme sabe que depois ela não podia estar falando sério.

Autores algumas vezes acabam elogiando o filme por terem porcentagem de bilheteria. O importante é saber que livros são livros, filmes são filmes, mas nem por isso estão sujeitos a terem seus deslizes perdoados.

A novela “Querelle de Brest” foi publicada originalmente em 1947 com autoria anônima. O roteiro foi adaptado pelo próprio Fassbinder, que teria desprezado a trama central destacando o impacto moral.

Inevitável que tenha retornado às livrarias de todo mundo após o impacto do filme. Aqui no Brasil a editora Nova Fronteira o publicou com o ator Brad Davis na capa além de abreviar o título apenas para Querelle.

Veja também:
“Todo homem mata aquilo que ama”

Grande promoção de Blu-Rays

A Livraria Cultura online está com uma super promoção de Blu-Rays da Warner. Cada filme por R$ 19,90, se levar três cada sai por R$ 14,90!

Oportunidade de incluir na coleção grandes clássicos como ...E O Vento Levou, Cidadão Kane, O Exorcista, 2001 Uma Odisseia no Espaço e tantos outros. Tudo em alta definição e a preço de amendoim torradinho!

Clique aqui para acessar o site da loja e veja todo o catálogo disponível até o próximo dia 31..

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Para sempre detetive Arbogast

 Martin Balsam em Cabo do Medo (Cape Fear, 1991 de Martin Scorsese)
 Martin Balsam em Círculo do Medo (Cape Fear, 1962 de J. Lee Thompson)

Quando foi refilmar “Cape Fear” em 1991, Scorsese teve a sapiência de escalar os principais três atores do elenco de 1962: Gregory Peck, Robert Mitchum e Martim Balsam.

Tanto Peck quanto Mitchum são facilmente reconhecidos pelo nome por qualquer fã. Bolsam, mesmo vencedor de um Oscar é sempre aquele detetive que caiu da escada depois de tomar a facada de Norman Bates.
Desde que começou em 1946 não se aposentou até morrer em 1996 de ataque cardíaco aos 76 anos de idade. Sua filmografia tem nada menos do que 176 títulos entre TV e cinema.
Participou de clássicos como 12 Homens e uma Sentença (12 Angry Men, 1957 de Sidney Lumet), Bonequinha de Luxo (Blake Edwards, 1961 de Blake Edwards). Mas será para sempre lembrado como o detetive Arbogast de Psicose (Psycho, 1960 de Alfred Hitchcock).
Ele se importava? Sim! Balsam se dizia frustrada quando lhe pediam autógrafo e só se lembravam dele caindo de uma escada, relegando tantos outros trabalhos bem mais desafiadores.

Índia Fitness e o império das nativas sexys

 Subcelebridade é assim mesmo, tal e qual cogumelo! A gente pisca os olhos e brotam três ou quatro novinhas em folha para darem trabalho ao pessoal de sites como o Ego. Chegou a vez da Índia Fitness!

Índia Fitness é aquela novidade meio déjà vu, né? Na história recente das gostosas nacionais tivemos outras outras tantas índias dispostas a promover o naturismo.

Relembre três das mais conhecida a trilharam o mesmo caminho.

Índia Potira – Da fase Globo/Tupi do Chacrinha, a chacrete Índia Potira é de longe a mais bem sucedida das índias sensuais. Mais bem sucedida no sentido da fama conquistada em seus tempos áureos...
Índia Amazonense – Outra chacrete, mas posterior à Potira. Participante da fase da volta do Velho Guerreiro à Globo, entre ela e a Potira houveram (segundo o blog Chacretando) outras índias, inclusive uma “homônima” chamada Amazonense: Ìndia Cléo(70-71), Ìndia Amazonense(71), Ìndia Poti(73-77), Ìndia Bartira(74-77).
Índia Aigo – na linha sucessória da Tiazinha e Feiticeira, apareceu a Índia Aigo na década de 90. Aigo veio, posou nua e foi. Prato cheio para sites de mexericos que promovem aquelas seções “Por onde anda?”, volta e meia aparece no carnaval de São Paulo.  

Daí tivemos o disco da Gal, a Índia Potira da Lucia Alves em Irmãos Coragem (1971), a índia da Cleo Pires naquela outra novela que não sei o nome, a Gloria Pires no filme do Barreto, a Pitanga e a Secco em Caramuru, a Dira Paes... Acho todas bem pouco em se tratando e Brasil.

PS: Não vai ter cachimbo da paz que dê jeito. Há duas Índias Fítness, Cíntia Valenttin, a flagrada pelo Ego sem sutiã no aeroporto, e Elizângela Guimarães Bonze que se intitula como a oficial.

A primeira imagem é um oferecimento Ego, a segunda e a terceira Profile Chacretiano, as últimas são de O Fuxico.

Veja também:

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Bolkan ainda não encontrou a pessoa certa

Florinda Bulkan passou aquela saia justa no Fantástico em 1976 ao ser entrevista pelo Ibrahim Sued. Gente como a gente numa noite de natal tendo que responder praquela tia: “E as namoradas?”.

No caso foi: “Você é contra o casamento? Ou não casou por medo ou por que quer ficar solteira?”. A resposta foi a pior possível, mesmo sendo numa entrevista com quase quarenta anos.

Assista ao vídeo abaixo, ou clicando aqui. E vamos ter uma conversinha a respeito depois?
A cearense Florinda Bulcão foi pra Europa e virou Bolkan. Tornou-se a atriz brasileira mais famosa no mundo depois de Carmen Miranda, trabalhando com grandes cineastas europeus (não na conservadora Hollywood) como Vittorio De Sicca, Lucio Fulci e Enrico Maria Salerno.

E mesmo assim ela precisa fingir que é heterossexual? Produzida numa época liberal, só o Ibrahim não sabia de seu casamento/relacionamento com a produtora assumidamente lésbica Marina Cicogna que a transformou num mito da sétima arte.

Francamente, ninguém nunca é gay. Só a gente! Se uma pessoa dona de seu nariz, célebre, formadora de opinião, nega sua sexualidade, o que podemos esperar de gente comum que se mantém oprimida num armário, muitas vezes fazendo o patético papel de opressor?

Cerca de oitenta anos atrás (quarenta anos antes dessa entrevista) o galã William Haines foi muito mais corajoso ao abandonar a carreira em Hollywood. Você precisa conhecer a incrível história desse homem clicando aqui.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

R.I.P. Yoná Magalhãs

 A atriz Yoná Magalhães morreu hoje (20) no Rio de Janeiro. Ela estava com 80 anos de idade e internada desde setembro último.

Musa absoluta, desde 1953 trabalhou no rádio, teatro cinema e, sobretudo em televisão a partir dos seus primórdios. Na tela grande destaca-se seu trabalho em Deus e O Diabo Na Terra do Sol, clássico do Cinema Novo dirigido por Glauber Rocha em 1964.

Foi uma das primeiras mocinhas das telenovelas brasileiras, fazendo muitas vezes  par romântico com o ator Carlos Alberto. Começou na Tupi, nos dramalhões latinos adaptados por Gloria Magadan e foi para a Globo no inicio da emissora junto com a autora.
Carmela Ferreto em A Próxima Vítima (1995)

 Conforme o tempo foi passando Yoná deixou de ser a protagonista. Mesmo assim, não havia pequeno papel pra ela, que invariavelmente se destacava.

Por falar em tempo passando, ele não passava para a atriz. Na década de 80, beirando os 50 anos (ela nunca escondeu a idade) continuou em forma, chamado muita atenção pelo belo corpo com os figurinos colantes da Matilde, a Capivara de Roque Santeiro (1986).

Aproveitou os elogios para pousar nua para a revista Playboy. Parece que foi ontem, mas em 1986, uma mulher ter 50 anos tinha um outro peso, assim como a visibilidade da revista.

E não ficou só nisso. Ainda lançou um VHS com exercícios de ginástica a exemplo da americana Jane Fonda, muito bem sucedida com a fita Workout.

Em Tieta (1989) ela era a simplória Tonha, madrasta da protagonista. Como era a Yoná Magalhãs a gente sabia que a personagem teria uma virada e ficaria maravilhosa.

Com fama de personalidade forte entre colegas, aos 20 anos já era dura ao falar de amor, conforme você leu aqui no blog antes. Muito querida pelos telespectadores, seu último trabalho foi na novela Sangue Bom em 2013.


A observação mais interessante a ser dita sobre Yoná Magalhães neste momento é que ela faleceu aos 80 anos e podemos dizer que foi embora jovem. Coisa para quase ninguém.

A segunda imagem é um oferecimento Yoná Magalhães Diva da TV

Veja também:
Yoná, A Gata de Vison
Yoná, Certinha do La Dolce
Uma pergunta para Yoná Magalhães

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Raquel Welch desce bala em Hannie Caulder

 Raquel 'Linda' Welch é a dona de casa, esposa de um colono que eu ver suas terrar invadidas por três bandidos em fuga tem o marido morto, a casa queimada e seu corpo violentado. Nua e sozinha no deserto só lhe resta sair em busca do que os filmes chamam de “furor violento de vingança”.
E Hannie Caulder (1971 de Burt Kennedy) é basicamente sobre isso. O que não é pouca coisa, já que filmes sobre revanche protagonizados por mulheres dificilmente não são legais.

Um western spaggetti britânico seria um western Fish and Chips? Ingleses não possuem o escracho pop dos italianos, mas há beleza plástica demais na tela para que se note falta de alguma coisa.  

Tem muita coisa em comum entre Hannie Caulder e os Kill Bill (2003/2004 de Quentin Tarantino) além da espinha dorsal da trama se basear numa garota com sede de vingança e alguns planos no deserto. Hannie tem um treinamento de tiro ostensivo digno de Pai Mei!

Christopher Lee (o onipresente) é o recluso mestre que forjará uma arma exclusiva para a heroína. Tal e qual Hattori Ranzo (Sonny Chiba) presenteou Kiddo, referência assumida por Tarantino.

Do elenco merecem menção Ernest Borgnine como chefe dos bandidos e Diana Dors, já distante do tempo em que era considerada a "resposta britânica ao fenômeno Marilyn Monroe". Papel pequeno, chamada apenas por "Madame".

Uma das coisas desnecessárias é o humor patetalhado do trio de vilões. Não chega a atrapalhar, mas também não ajuda em nada a narrativa que devia ter se centrado mais na força da protagonista.

Mas claramente não é uma história sobre superação feminina e sim um filme com uma mulher muito bonita empunhando armas para macho ver. Tanto que Hannie não escapa de algumas piadas visuais um tanto quando sexistas, mesmo com o argumento tento partido de uma violência sexual contra a moça.

Por exemplo, ela compra calças e não há calças para tamanho feminino naquele tempo. O vendedor recomenda que ela as molhe e com o tempo elas encolherão até ficarem justas em seu corpo.
Boa desculpa para exibir as curvas de Raquel Welch, não? O velho oeste nas telas sempre foi um lugar inóspito para garotas que se aventurem fora dos saloons.

O material publicitário também foi todo calcado na atriz apenas de calcinha e poncho, além de no pôster ela aparecer com as pernas abertas entre seus estupradores. O que nada diz sobre o filme, muito distante de ser sexplotation. 


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

John Waters FINALMENTE fará novo filme!

Parece que agora vai! Em entrevista ao Wall Street o diretor John Waters assumiu estar envolvido em um novo filme.

Aos 69 anos de idade, ele não dirige nada deste O Clube dos Pervertidos (A Dirty Shame) lançado em 2004. Faz 11 anos que não temos nada de novo nas telas, leia a respeito clicando aqui.


Quanto ao conteúdo do projeto, ainda embrionário, Waters diz que não falará nada para não dar má sorte e ele não acontecer. "Eu nunca tentei engravidar, mas é a mesma coisa. Você não pode dizer às pessoas. Porque se não isso deixa de acontecer.", justifica.

Por longos anos após O Clube dos Pervertidos ele esteve preparando um longa chamado Fruitcake (Bolo de Frutas), uma sátira de filmes natalinos voltado ao público infantil. A gente se divertia já só de pensar que no Brasil esse título poderia virar Panetone, o que seria maravilhoso ir assistir no cinema um filme chamado Panetone.

Ao site The Dissolve no ano passado Waters voltou a falar de Fruitcake, que ainda tinha reuniões a respeito dele, mas que não sabia se aconteceria, mas que possui muitas outras ideias. Na mesma entrevista afirmou que seu maior interesse é em contar histórias e que se sente feliz que seus livros (já escreveu nove) vendam bem. 

A indústria cinematográfica mudou muito e principalmente após a crise teve dificuldade em lidar com os orçamentos. Indagado pelo repórter sobre o fato de dinheiro nunca ter sido problema em seus primeiros trabalhos, John Waters foi categórico: “No início da minha carreira foi bom não ter dinheiro. Todo mundo começa sem dinheiro. Mas  hoje tenho quatro funcionários. Eu não tenho nenhuma vontade de ser um cineasta faux-underground aos 68 anos.”.

A segunda imagem é um oferecimento NY Post

Veja também:

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

4 vezes Robby, O Robô

Em O Planeta Proibido (Forbidden Planet, 1956 de  Fred M. Wilcox)
Em Além da Imaginação - Episódio The Brain Center at Whipple's (S03E33 - 1964)
Em Perdidos No Espaço - Episódio Condemned of Space (S03E01 - 1967)
Em Mulher Maravilha - Episódio Spaced Out ( S03E04 - 1979)
 Produzido para o filme O Planeta Proibido (Forbidden Planet, 1956 de Fred M. Wilcox), Robby seguiu uma longa carreira. Sua filmografia no IMDB conta com 25 títulos, bem mais que muitos atores de carne e osso.

Isso sem contar com sua aparição como ele mesmo, em 4 outros títulos. Sua confecção custou aos cofres da MGM U$ 125.000, um bom dinheiro hoje em dia e uma fortuna há quase sessenta anos atrás.
Um brinquedo vintage de Robbie

Só isso já justificaria seu reaproveitamento no ano seguinte em O Menino Invisível (The Invisible Boy, 1957 de Herman Hoffman). Mas ele também era carismático, tornando-se um dos primeiros casos de licenciamento para brinquedos fora da Disney.

E ele é tão moderno que na década de 50 já tinha dois pais. Foi criado pelo especialista de efeitos especiais da MGM Albert Arnold Gillespie (ganhador de três Óscares) e por Robert Kinoshita.

Às vezes com outros nomes (e peças trocadas), foi aparecendo em filmes e alguns episódios de séries famosas como A Família Addams (The Addams Family, 1964-1966) e Além da Imaginação (The Twilight Zone, 1959-1964). Dessa fase, curiosa sua participação em três episódios de Perdidos No Espaço (Lost in Space, 1965–1968).

A série criada por Irwin Allen tem um robô em seu elenco fixo, aquele do bordão “Perigo! Perigo!”, que provavelmente foi inspirado no Robby. Ao que tudo indica, não existiu disputa de egos entre eles nos bastidores do programa.


A partir da década de 70 ele passou a fazer trabalhos como celebridade da ficção científica, como no episódio de Mulher Maravilha que se passa numa convenção nerd. Essa também foi uma rara oportunidade de se ver uma pessoa dentro do robô.

Seu último trabalho foi em 2005, na série estrelada por Pamela Anderson Stacked. Na vida real ele está na coleção particular do diretor Bill Malone após um período negro em museus populares onde foi depredado.

A quinta imagem é um oferecimento The Vault of Retro Sci-Fi

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