sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O escritor que levou seu bordão para o túmulo

Um dos maiores gênios a trabalhar em Hollywood, Billy Wilder conquistou seis Oscar entre roteiro e direção entre 15 indicações ao prêmio. Atravessou o século XX de forma gloriosa e faleceu em 2002.

O (ácido) bom humor que lhe acompanhou por toda a vida não poderia ficar de fora na hora da morte. Pediu para que sua lápide contivesse a frase “I’m a writer but then nobody's perfect” (Livremente: “Eu sou escritor, mas depois ninguém é perfeito”).

“Ninguém é perfeito” é uma referência ao último diálogo de Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot, 1959 de Billy Wilder).  Quando o personagem de Jack Lemmon revela ao velho milionário apaixonado que ele não é uma garota: 

Jerry: Oh não, você não! Osgood, eu não tenho nível pra você. Nós não podemos nos casar.
Osgood: Por que não?
Jerry: Bem, em primeiro lugar, eu não sou uma loira natural.
Osgood: Não importa.
Jerry: Eu fumo! Eu fumo o tempo todo!
Osgood: Eu não me importo.
Jerry: Bem, eu tenho um passado terrível. Há três anos, eu tenho vivido com um saxofonista.
Osgood: eu te perdoo.
Jerry: [tragicamente] Eu nunca vou poder ter filhos!
Osgood: Nós podemos adotar alguns.
Jerry: Mas você não entende, Osgood! Ohh ...
[Jerry finalmente desiste e tira a peruca]
Jerry: [voz normal] Eu sou um homem!
Osgood: [dá de ombros] Bem, ninguém é perfeito!
[Jerry olha com descrença como Osgood continua sorrindo com indiferença. Fade out]
Billy Wilder, que chegou a Hollywood fugindo de Hitler, começou a trabalhar primeiro como roteirista e logo depois passou a dirigir seus roteiros. Sempre em parceria com outro autor, sendo o principal deles I.A.L. Diamond.

Com tiradas rápidas, os textos de Wilder testavam até onde ia a percepção do público médio, aquele que paga o ingresso apenas por alguns minutos de escapismo. Como qualquer gênio atrás das câmeras, tinha a capacidade de ser extremamente popular sem deixar de impingir suas percepções sobre o mundo.

Deixou um legado de filmes com personagens e diálogos riquíssimos. Dos horrores nazistas à ganância da própria indústria cinematográfica que lhe pagava as contas, tudo poderia ser discutido e com bom humor.

Para o colega Federico Fellini não existia ninguém maior que Billy Wilder. Realmente ninguém é perfeito, mas Billy Wilder chegou perto.

A primeira imagem é um oferecimento Snackdish

Veja também:
Cinema: a difícil arte de escrever
Quando a segunda vez é mais dificil

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