terça-feira, 22 de setembro de 2015

Que Horas Ela Volta? Boa pergunta!

 Talvez a coisa mais interessante de Que Horas Ela Volta? (2015) de Anna Muylaert não seja mostrado, apenas dito. A escola que a filha da doméstica estudou era boa? Era péssima!  Mas ela teve um professor de história ótimo.

Sensível, sem muita pressa, Muylaert vai fazendo a sua parte. Entretendo! Talvez a coisa mais interessante de Que Horas Ela Volta? é ser um filme extremamente acessível.

Cinema brasileirinho sempre é assim: Ou é uma coisa constrangedoramente idiota pra alcançar um público amplo, ou é aquela coisa árida, hermética pra meia dúzia de gatos pingados quando quer tocar em questões importantes da nossa sociedade.

Parece que aqui chegaram a um consenso, começando pela presença de Regina Casé encabeçando o elenco. Casé se tornou muito popular como apresentadora de programa de auditório e isso se tornou um trunfo, embora gente com mais memória soubesse que atriz fantástica ela também é.

O filme é sobre a corriqueira vida cotidiana de uma família classe alta do Morumbi em São Paulo. Pessoas de bem que têm a doméstica (meio babá), como se fosse da família. As coisas não são tão transparentes assim quando a filha da mesma chega do nordeste para prestar vestibular numa universidade pública.

Com personagens bem definidos como a própria história retratada, a diretora escapa sempre que pode de estereótipos maniqueístas. Parece coisa de novela, muitos apontaram, mas qual micro cosmo dos mais ordinários não parece coisa de novela, veículo tele dramatúrgico que explora o comportamento do país há décadas?

Quem viu apenas vilania e bom mocismos neste ou naquele personagem não deve ter assistido ao mesmo filme. Há um pacto silencioso de convivência onde nem todos os lados parecem justificados que vai além da relação entre patrões e empregados, mas da negação do outro como indivíduo.

Uma história de pessoas que não se enxergam. Cômico, leve, triste e com um gostinho amargo que nem o melhor dos sorvetes (aquele do Fabinho) ajuda a dissipar. 

2 comentários:

Anônimo disse...

+ um filmeco ruim demais e pretensioso a beça!!! E essa insuportável "atrez" e "ah prezenta dora" acaba de vez com a pouca chance que o filme teria de agradar... mais um "podrussão" GROBO.

Amilcar Rodrigues disse...

Quanto maior a expectativa, maior a decepção. Esta é a minha opinião sobre o filme. Talvez porque estou ficando mais exigente (para não dizer velho e chato), talvez porque sou do nordeste, quem sabe. Mas juro que fui assistir ao filme com ótimas recomendações de críticos como Celso Sabadin e Roberto Sadovski esperando algo como "Central do Brasil" ou "Cidade de Deus".

Mas sabe aquela coisa de você olhar para a tela e não se reconhecer naquele sotaque nordestinês e também não sentir empatia por aquela garota totalmente sem noção? Tenho consciência que aquilo fazia parte do roteiro para gerar o conflito, caso contrário não existiria história, mas não desceu.

Enfim, para não dizer que foi uma experiência totalmente ruim, gostei bastante das falas do Lourenço Mutarelli que estava impagável em sua performance.

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