quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Psicose 55 anos: Psicologia explica motivos para a sua persistência?

Esta semana completa 55 anos da estreia de Psicose (Psycho, 1960 de Alfred Hitchcock). Tanto tempo depois o filme preserva sua aura de horror e mistério na plateia e a professora Tania Modleski, docente da Universidade da Carolina do Sul (USC) tenta explicar os motivos sob a ótima da psicologia.

Modleski é autora de The Women Who Knew Too Much: Hitchcock e Teoria Feminista (As Mulheres Que Sabiam Demais: Hitchcock e a Teoria Feminista). Publicado pela primeira vez em 1988, o livro foi lançado recentemente em sua terceira edição, feito pouco comum para textos acadêmicos.

A lista, publicada originalmente em inglês na página da USC, contém oito itens. Alguns, claro, são discutíveis, mas apresentam óticas relevantes.

8. Simpatizamos profundamente com Marion
A partir do momento em que o seboso magnata do petróleo Tom Cassidy ostenta os $ 40.000 que ele planeja para gastar em uma casa para sua filha, o espectador acredita consciente ou inconscientemente que um idiota merece ser roubado. Mesmo o mais ético dos espectadores compartilha do impulso de Marion de encher uma mala com dinheiro e sair correndo.

7. Simpatizamos com Norman
Embora o romance original de Robert Bloch pinte Norman como corpulento e careca, Alfred Hitchcock escolheu o jovem e atraente Anthony Perkins para interpretar o zelador atormentado porque o ator não se encaixa na descrição do assassino típico Hollywood. Adicionou uma forma suave e uma leve gagueira, e o personagem de Norman tornou-se vulnerável, quase simpático.

6. Compartilhamos a ansiedade provocada pela culpa de Marion
Quando Marion vai embora com o dinheiro roubado, o ângulo da câmera muda para trás e deixamos de ver Marion para ver como Marion, fazendo com que os espectadores se sintam como se nós, também, estejamos atrás do volante de um carro de fuga.

5. A música golpeia em cordas
Trilha do filme é feita inteiramente com cordas, que evoca a tensão, especialmente quando os violinos se transformam em sons bruscos.

4. O assassinato é prenunciado
Críticos e estudiosos - Modleski incluída - acreditam que o aguaceiro repentino e os movimentos arqueados dos para-brisas prefiguram a cena do crime.

3. Marion é quase um anagrama de Norman - e é um anagrama direto de "I Norma" (Eu Norma), nome da mãe de Norman
Esta técnica literária obscurece ainda mais a demarcação entre os dois personagens principais.

2. Marion morre quando ela vai se limpar
Marion é assassinada logo após ela decide se entregar - simbolicamente vai ao chuveiro para limpar-se de seus pecados. Isso vai contra tudo o que Hollywood - e Esopo - nos ensinaram sobre a redenção através da honestidade.

1. Todos temos um pouco de Norman Bates em nós
A linha de texto de Norman, "Nós todos cometemos loucura, às vezes," apaga a linha entre vilão e vítima - inocentes e culpados - levantando a questão para todos que o observavam: "Apenas como louco".

Psicose é tão rico que gera infinitas análises. Se você gostou deste post, provavelmente gostará dos outros já publicados aqui:

Psicose antes de Norman Bates
50 anos de Psicose: O que o faz genial até hoje?
Figurinos de Psicose contando o filme
O que há na música favorita de Norman Bates?


3 comentários:

Gastão disse...

Amo vários filmes de Hitchcock (amo Vertigo - queria morar na SF dos anos 50, amo o Homem que sabia demais e Pássaros - também queria ter dinheiro para morar em Bodega Bay), mas confesso que neste Psicose a única coisa que me atraiu foi o John Gavin sem camisa. Fiquei esperando até o fim que o personagem voltasse a aparecer mostrando o tórax beefcake.

joana pedroso disse...

a tradução está ERRADA. é- As mulheres que sabiam demais-women é plural de woman

Igres Leandro disse...

Voltando aqui pra matar a saudade do teu blog, Miguel! Aproveitar e sair cheio de historias sobre a sétima arte! Adoro essas análises psicológicas de filmes e personagens, por mais questionáveis que possam parecer.

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