sábado, 29 de agosto de 2015

Desenho animado criou ameaça ecológica

Guaxinins são uns bichos muito fofos, mas se tornaram uma praga no Japão! Naturais das Américas do Norte e Central foram parar lá, no outro lado do mundo, por um tropeço da cultura popular.

Até boa parte da década de 70 eles não existiam em território asiático. Tudo começou quando a Disney lançou o filme Rascal (1969 de Norman Tokar), o sucesso fez com que produtores japoneses
Poster do filme produzido pela Disney
providenciassem o animé  “Araiguma Rasukaru“ em 1977, também baseado no livro de Sterling North.

A história fala sobre as memórias do autor norte americano que quando era menino encontrou um guaxinim muito fofinho e resolveu cria-lo. Só que o novo amiguinho cresce e arruma muita encrenca na vizinhança, sendo obrigado a ser devolvido à floresta.

 Crianças e adolescentes japoneses amaram o personagem, ignoraram a parte da tristeza final e começaram a importar guaxinins dos EUA para serem criados como animais de estimação. Estima-se que no auge o país importou cerca de 1.500 animais por ano.

Muitos, claro, acabaram que sando soltos nas florestas e se reproduziram a ponto de se tornarem uma ameaça às plantações e templos milenares difícil de ser controlada. Sem predadores naturais, eles estão em 42 das 47 províncias, rurais ou urbanas, guaxinins são inteligentes para se adaptarem em todos os ambientes.

Um estudo do governo de 2006 estimava que as perdas nas lavouras eram de 164 milhões de ienes anuais (cerca de US$ 2 milhões hoje) , cinco vezes mais do que o registrado dois anos antes, só que a população da espécie e os danos provavelmente cresceram nestes nove anos que se passaram.

Segundo o site ecológico Página 22, “Os guaxinins também estão comprometendo diversas espécies locais, como o tanuki ou cão-guaxinim, um canídeo local, com o qual disputam alimento e território,
"Mas são tão bonitiiiinhos! <3"
e inúmeras espécies que servem de alimento ao mascote convertido em predador, inclusive roedores endêmicos, cobras, rãs, libélulas, borboletas e camarões. Os guaxinins também têm ameaçado o lagostim japonês e a salamandra de Tóquio, espécies consideradas particularmente vulneráveis.”

Para tentar reverter, ou reduzir o desastre, o governo japonês tem tentado diminuir a população de guaxinins estabelecendo cotas anuais de animais a serem capturados e eliminados em algumas regiões, mas enfrenta problemas com a opinião pública. Numa pesquisa feita pela prefeitura de Kanagawa, apenas 31% da população apoiavam o abate.

A mesma pesquisa apontou que o anime Araiguma Rasukaru não tinha mais influência sobre a percepção pública dos guaxinins. Mais da metade dos participantes tinham visto o desenho, mas os modelos estatísticos mostraram que não influenciou o apoio ou rejeição ao abate. A série anime que tinha originalmente instigado a própria invasão guaxinim perdeu seu controle sobre a opinião pública.

As ironias de tudo isso são que a mensagem do livro de Sterling North era exatamente o oposto disso, o respeito à vida selvagem e que isso acontece logo no na Japão? País tão acostumado a ver invasões de monstros como Godzilla, Mothra e Gamera?

A terceira imagem é um oferecimento Tofugu, informações de Página 22, Japan Times e Nautilus

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