segunda-feira, 31 de março de 2014

Grandes olhos e a vitória do kitsch


Da mais desgastante notoriedade à um ruidoso processo judicial, a artista plástica Margaret Keane saboreou toda a delícia de ser popular nos últimos 50 anos. Inclusive o quase esquecimento do seu nome.

Margaret Keane começou a pintar em 1950, mas viu suas telas ficarem extremamente conhecidas após o casamento em 1955 com Walter, um corretor de imóveis que largou a carreira para se dedicar a comercializar os trabalhos da esposa. Tudo o que podia ser estampado ganhou os trabalhos de Keane.

Sua marca é retratar crianças com olhos muito grandes, geralmente com expressões tristes. Seu auge foi atingido durante os anos 60 e 70, quando muitas casas no mundo todo, principalmente nos EUA, tinha uma reprodução de Margaret Keane decorando as paredes.

Nesta mesma época ao se separar do marido, enfrentou a primeira acusação de Walter, de que quem pintava na verdade era ele. Muito tímida, nunca se importou em aparecer como autora, assinando apenas o sobrenome “Keane”.

Em 1970 instigou o ex-marido a pintar publicamente o que, claro, ele recusou. A acusação se tornaria um milionário processo apenas em 1986, quando Margaret Keane leu as acusações de Walter a um jornal e resolveu tirar a história a limpo, uma vez por todas.

Perante o juiz, sua defesa novamente pediu para que ambos fizessem um quadro. Margaret executou a obra em pouco mais de 50 minutos, Walter alegou uma dor no ombro que o impossibilitava e claro, perdeu a ação.

Voltando à década de 70, a artista se mudou para o Havaí, se converteu a Testemunha de Jeová e seu estilo passou a ser mais leve. Com mais cores vibrantes e sem cara de tristeza, era notável a transformação de suas obras.

Além de crianças, Margaret Keane se notabilizou ao retratar (também de olhos grandes) várias celebridades como Kim Novak, Natalie Wood (imagens ao lado) e a família de Jerry Lewis. Duas de suas telas ainda aparecem decorando os sets de O Que Que Aconteceu com Baby Jane? (Whatever Happened to Baby Jane?, 1961 de Robert Aldrich), grande sucesso estrelado por Bette Davis e Joan Crawford.

Joan Crawford foi uma das celebridades a serem pintadas. A estrela aparece em frente à tela na foto que ilustra a capa da sua autobiografia “My Life” de 1972. 

Na década de 90 o trabalho de Margaret Keane ainda seria reverenciado pelo animador Craig McCracken através das Meninas Superpoderosas (The Powerpuff Girls). Além dos olhos grandes, claro, a professora na escolinha delas se chama Senhorita Keane.

O próximo trabalho de Tim Burton, a ser lançado agora em 2014, será Big Eyes, sobre a trajetória da artista. Burton se tornou notório fã da Margaret Keane ao pedir para ela um retrato da então amada Lisa Marie com Puppy, o cãozinho deles.

Sem o elenco costumeiro do diretor, o controverso casal principal será interpretado por Amy Adams e Christoph Waltz. Contará ainda com roteiro assinado pela dupla Scott Alexander e Larry Karaszewski, os mesmos de Ed Wood (1994), sua então única cinebiografia e seu melhor trabalho.

Se tudo correr bem, Margaret Keane terá novo levante entre o gosto popular, embora, de qualquer maneira, suas telas alcançam hoje valores similares a 200.000 dólares. Nada mal para o que já foi apenas piada entre os críticos de arte.

Algumas imagens são um oferecimento El País

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Nos 80 só deu elas!
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sexta-feira, 28 de março de 2014

Batman vs Drácula: Morcegos que se entendam!

O inevitável encontro de Batman e Drácula aconteceu em 2005, lançado diretamente em DVD pela Warner, inclusive no Brasil. Essas animações longa metragem do Batman costumam ser interessantes pela liberdade inventiva da técnica e do público menos amplo do que o do cinema.

O Batman Vs Dracula (The Batman VS Dracula, 2005 de Michael Goguen) infelizmente é muito polido em termos de horror. É mais um produto para meninos pequenos que gostam do herói do que para jovens adultos que gostam de terror e ação.

A junção dos personagens de Bram Stoker e Bob Kane, além de estar no imaginário popular, não é propriamente uma novidade. Há quem afirme inclusive que ambos têm o mesmo DNA criativo, conforme você lê clicando aqui.

Nos quadrinhos já aconteceu algumas vezes, embora a Marvel tenha por um tempo criado um gibi do Drácula, que é um personagem em domínio público. A DC Comics promoveu a junção deles na trilogia Batman & Dracula: Chuva Rubra / Tempestade de Sangue e Bruma Escarlate distribuído no brasil pela Editora Abril e Mythos Editora na década de 90.

No cinema, sem permissão da DC Comics, Andy Warhol dirigiu um filme experimental chamado Batman Drácula em 1964. O pai do pop seria um fã dos personagens, antes do seriado estrelado por Adam West.

Em 1967 um diretor filipino dirigiu também de forma não oficial Batman Fights Dracula. Obscuro, de se apostar que tomava proveito do seriado televisivo americano misturado com os vampiros promovidos nos anos 60 pela Hammer Films.

Falando em referências, o desenho recente é riquíssimo para quem for minimamente inteirado no universo de terror. A começar pelo Drácula de aspecto que parece ser um baralhado de Christopher Lee com Vincent Price.

Ainda sobre o Conde, ao ser descoberto por Pinguim (sim! Conseguiram ainda encaixar ainda vários vilões) suas feições lembram a de Bruce Campbell como Ash em Uma Noite Alucinante 2 (Evil Dead II, 1987 de Sam Raimi). Os zumbis que aparecerão também terão a mesma aparência, além de algumas tomadas deles despertando como nos filmes de Raimi.


Da Hammer vem ainda a Carmila, a Vampira de Karnstein, que a paquerinha do Batrman, Vicky Vale, seria uma reencarnação. A personagem lembra visualmente a atriz Madeline Smith (ao invés de Ingrid Pitt!), destaque no filme Vampire Lovers dirigido por Roy Ward Baker para o estúdio britânico em 1970.

À paisana, ou seja, disfarçado como humano, Drácula assume o nome Alucard. O mesmo utilizado por Lon Chaney Jr. em O Filho do Drácula (Son of Dracula, 1943 de Robert Siodmak), uma das sequencias da Universal para o monstro clássico.

Enfim, graças a esses toques não é um trabalho desprezível, embora sua história nunca chegue a empolgar. Outra ponto de interesse, claro, é o gênero terror ter raros títulos em animação.

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quinta-feira, 27 de março de 2014

Um carro chamado Zé do Caixão!

 Ter um carro apelidado pelo povão com o seu nome deve ser o cume de popularidade, experimentada por poucos. Em 1968 José Mojica Marins estava na TV com a série O Estranho Mundo do Zé do Caixão quando a Volkswagen apresentou no VI Salão do Automóvel de São Paulo o modelo VW1600.

Seria o primeiro carro quatro portas lançado pela montadora no mundo. Acredita-se que o apelido “Zé do Caixão” surgiu porque as formas quadradas dianteiras e traseiras lembravam um esquife.

 O apelido veio pra ficar! Até nos anúncios de usados hoje em dia ele aparece como Zé do Caixão, sendo seguido pelo oficial VW1600.

Marcante, mesmo com a fabricação tendo sido muito curta! Ele foi descontinuado em 1970, embora tenha se tornado o queridinho dos taxistas brasileiros, sendo visto rodando pelas ruas por muitos outros anos.

Além de Zé do Caixão, o carro foi conhecido como “Fusca quatro portas”, já que o tradicional carrinho, Karmann Ghia e Kombi eram as únicas fabricações da Volkswagen no Brasil, e portanto, uma referência da empresa . Fusca (beetle), outro apelido, só seria assumido pela montadora alemã em 1984.

No mesmo Salão do Automóvel em 1968 foi lançado pela Ford-Willys o Corcel, considerado um rival para o Zé do Caixão. A Ford continuou com o Corcel até 1986, o que faz ser bastante lembrado por quem foi criança na década de 80.

Parte das informações são um oferecimento do blog VW1600

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“Você sabe quanto custa um Isotta Fraschini?”

quarta-feira, 26 de março de 2014

Diretor morreu de soluço. A maldição da múmia?


Foi durante as filmagens de Sangue no Sarcófago da Múmia (Blood from the Mummy's Tomb, 1971) que o diretor Seth Holt após soluçar por uma semana caiu morto no colo de um ator, aos 48 anos de idade. Faltava ainda cerca de uma semana para terminar o trabalho.

Morrer com soluços pode ser uma forma estranha de partir dessa pra melhor, mas não foi a mais estranha a ser noticiada entre diretores de cinema. Isso levando em conta as infames notícias da época sobre o fim de F.W. Murnau, sobre as quais você pode ler clicando aqui.

Seth Holt era um homem corpulento, mas de saúde muito frágil. Oficialmente sua morte está registrada como Insuficiência cardíaca e foi inevitável que originasse alguns comentários místicos pelo filme que dirigia.

O documentário “Curse of Blood from the Mummy's Tomb” (A Maldição do Sangue no Sarcófago da Múmia) explora isso e outros fatos estranhos ocorridos no set deste filme. Ele é bônus no DVD de Sangue no Sarcófago da Múmia distribuído no Brasil pela London Films.

Além da morte do diretor, o astro Peter Cushing teve que abandonar o projeto (que encerraria a trilogia das múmias da Hammer Films) quando sua esposa ficou muito doente. Cushing chegou a gravar algumas tomadas, antes de ser substituído com a piora da saúde da mulher.

A protagonista Valerie Leon aparece lembrando da tristeza que foi ser proibida de ir ao velório do diretor (substituído por Michael Carreras), pra não atrasar ainda mais o cronograma. Ela também recorda que Seth Holt era alcoólatra e que provavelmente isso causou os intermináveis soluços que culminaram em sua morte.

E com histórias assim, inevitável não levar em conta a opinião de Richard Donner sobre as coisas estranhas que aconteceram durante as filmagens de A Profecia (The Omen, 1976). Para ele, acontecimentos bizarros acontecem durante a rodagem de filmes de amor, ação, drama, ou seja, de qualquer gênero, mas as pessoas tendem a reparar mais apenas quando é um de terror.

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terça-feira, 25 de março de 2014

Na moda como um dragão

 Bruce Lee vai muito além de um ícone cinematográfico de ação. Tornou-se um ícone fashion 70’s!

 Os fãs não se contentam em ter apenas reproduções dos figurinos e camisetas com a foto estampada. Este site asiático comercializa uma de suas roupas casuais, incluindo os óculos de sol!!!

Exatamente a mesma vista na capa desta revista de 1973. O conjunto é vendido separadamente, e soma 65 dólares (US$ 37 a blusa e US$ 28 os óculos).

Em Dilmas, isso deve dar umas 130 pratas. Poxa, pra ficar parecido ao Grande Dragão nem é tão caro assim.

Há fotos de Bruce Lee com estes mesmos óculos usando roupa diferente. A blusa azul tem lá a sua graça por ser similar à do astro em momento cotidiano, inclusive os botões nos punhos, conforme a página da loja mostra.

A primeira imagem é um oferecimento MA - Mags.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Supremacia peplum

Editei um vídeo com um apanhado de cenas para festeja o universo peplum (ou espada-e-sandália). Toda a glória camp das produções com heróis mitológicos como Hércules e Maciste em berrante tecnicolor.

Incluindo nos trechos astros como Reg Park, Mark Forest, Steve Reeves e muitos outros! Assista (de preferência em tela cheia) no player acima ou clicando aqui.

Marcha para zumbis

 O maior acerto das trilhas de Fabio Frizzi para zumbis é que ele comenta a principal característica nos monstros: Seu caminhar. Suas composições para filmes de mortos-vivos são definitivas.

Isso lembrando apenas suas parcerias com o diretor Lucio Fulci. Os zumbis clássicos italianos não são afeitos a lampejos de inteligência ou velocidade, são lógicos. Despertam do que deveria ser sono eterno e caminham atrás de presas.

O perigo vem da quantidade deles, que cercam as vítimas sem a menor pressa, seguindo o ritmo próprio. Ouça no player abaixou, ou clicando aqui, a faixa “Voci dal Nulla”, tema de Terror nas Trevas (The Beyond/"...E tu vivrai nel terrore! L'aldilà", 1981).

A primeira parte da trilha de The Beyond é muito diferente, com bucólicos instrumentos acústicos como de sopro e cordas. Só no final da segunda parte, com a entrada dos zumbis ouvimos o bom e velho “Fabio Frizzi para zumbis”.

O filme seria uma história de bruxas e demônios e um antigo hotel na Louisiana construído sobre As Setes Portas do Inferno. A herdeira nova-iorquina (e por isso incrédula) terá que lidar com muito horror e mistério do além.

 A entrada catártica dos mortos-vivos teria sido pedido dos coprodutores alemãs, para aproveitar a onda nas bilheterias do país deles. Frizzi sacou da manga algo referente ao que havia criado brilhantemente para Zumbi 2 – A Volta dos Mortos Vivos (Zombie, 1979).

Assim, os mortos caminham sob uma marcha de marcação pesada e um coro épico, similar ao que Danny Elfman produziria muitos anos depois. Ouvimos ainda algumas palavras que parecem ser em latim, o que também nos remete ao que Jerry Goldsmith compôs para A Profecia (The Omen, 1976 de Richard Donner).

A autorreferência de Frizzi leva todos os zumbis de Lucio Fulci a um mesmo paralelo. Como se cada história cada, transcorresse num mesmo universo, onde, mortos podem sim se levantar.

Infelizmente essa trilha sonora nunca foi lançada a contento. Em 2012 a MondoNews, a exemplo do que fez com a trilha de Halloween (1978 de John Carpenters) o reeditou em vinil, numa tiragem baixíssima.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Enriqueça seu vocabulário com John Waters

Assistir a um filme do John Waters serve também para melhorar nosso vocabulário. O vocabulário de expressões chulas ou de duplo sentido em inglês!

Mesmo em Pecker (1998), filme tão suave na temática, tem uma palavra curiosa. A certa altura, a bar girl e narradora de shows de gogo boy avisa pra um deles que batia a cabeça de um cliente entre as pernas enquanto dançava: “Sem Teabagging, Larry. Você conhece as regras!”.

Difícil traduzir “Teabagging” para o português. Faz alusão ao singelo ato de colocar e tirar o saquinho de chá na água (e pode-se imaginar o porquê do outro uso do termo).

Recentemente a expressão passou a ser dita por cidadãos bucólicos nos noticiários dos Estados Unidos numa referência a atos do seu governo com impostos. Claro que os fãs do diretor se lembraram do filme e a utilização picante e engraçada da expressão.

Na ocasião o pessoal do site Boing Boing entrou em contado com John Waters para perguntar se foi ele que criou e qual a origem de “Teabagging”. O diretor respondeu explicando as práticas sexuais que também usam este nome (na Inglaterra tem outro significado) e que "não inventou o termo ou o ato, só o mostrou no seu filme Pecker“.

"Teabagging era um passo de dança popular, que os gogo boys masculinos faziam aos seus clientes no Atlantis, um bar extinto de Baltimore", esclareceu. No You Tube há o trecho do filme em que aparece o ato, assista clicando aqui

Citei essa expressão outro dia no Twitter e um amigo contou que aprendeu na série Sexy and The City. Mas a primeira difusão do termo parece que é mesmo um feito de John Waters.

A segunda imagem é um oferecimento Kotaku, a terceira Animal

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quinta-feira, 20 de março de 2014

Blacula esteve em cartaz no Brasil

Anúncio de jornal de São Paulo em novembro de 1973 com Blacula, O Vampiro Negro (Blacula, 1972 de William Crain). A versão black de Drácula ficou mais do que duas semana em exibição no Brasil!

E do jeito que os filmes e astros blaxploitation são absolutamente desconhecidos da grande maioria do país, podia jurar que não chegaram a ser lançados aqui. Ledo engano afinal!

É estranho num país etnicamente mestiço como o nosso não ter absorvido essa representação do movimento negro dos EUA. Aderimos ao spaghetti western (com certo atraso), kung fu e tantas outras modalidades de cinema popular...

Não me arrisco a muitos palpites a respeito. Talvez porque aqui a questão racial e seus preconceitos jamais eclodiu como nos EUA?

Mesmo na nossa cinegrafia são raros os filmes com heróis/protagonistas negros como Xica da Silva (1976 de Carlos Diegues) ou Besouro (2009 de João Daniel Tikhomiroff). Aliás, este último merece uma revisada, com menos expectativas do tipo "Agora teremos filmes de ação a lá Hollywood", e mais entusiasmo com a proposta.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Ameaça vermelha do espaço sideral

Um dos mais significativos monstros a aparecer em uma ficção científica B dos anos 50 e seu criador Paul Blaisdell. Para quem era verdadeiro herói dos orçamentos irrisórios, lutar com um alien devia ser sopa.

O alienígena de It Conquered the World (1956 de Roger Corman) era feito em espuma e movimentava seus braços graças a um sistema hidráulico que reaproveitava correia de uma velha bicicleta. Em seu interior estava o próprio Blaisdell, passando muito calor.

Como o filme é em preto e branco, a foto é uma rara oportunidade de ver sua obra com as cores originais. Quase todos os seus monstros não foram filmados a cores por evidentes restrições de verba.

Blaisdell começou como ilustrador de revistas pulp, época em que treinou bastante a imaginação. Com mente bastante fantasiosa e aptidão para esculturas, desenvolveu quase que uma dezena de criaturas que se tornariam iconográficas.

Sabem-se lá quantas mais só com o reaproveitamento do material para outras produções. Hábito econômico comum aos filmes do tipo, que existiram aos borbotões na década de 50, muitas com evidentes reflexos do medo pelo comunismo.

Nesta outra foto ele aparece orgulhoso ao lado do amigo Bob Burns, também responsável por efeitos especiais. Provável que estas imagens sejam das excursões pelos rincões dos EUA que a American International Pictures (AIP) fazia para promover as exibições.


Mesmo na época, muitas das suas criações pareciam risíveis e artificiais. Não muito diferente, mas com muito mais charme do que o cinema fantástico costuma nos mostrar hoje com computação gráfica.

A primeira imagem é um oferecimento Horrorpédia

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Agora ser high-tec é sopa de minhoca

Extremamente calórica


 A mexicana Salma Hayek era a “novíssima” sensação de Hollywood quando apareceu assim na capa da Los Angeles Magazine em 1996. Naquele ano ela ainda foi a Satanico Pandemonium em Um Drink No Inferno (From Dusk Till Dawn de Robert Rodriguez).

Na década de 90 parece que estavam tão cansados do antigo discurso feminista que ninguém se importou muito em ver uma beldade coberta pelo que parecia ser chantili (na verdade era creme de barbear). Talvez os seus conterrâneos tenham estranhado?

Hayek foi aos EUA já com certo cartaz em seu país. Filha de um conhecido produtor de TV, função muito valorizada no México, tinha alguns trabalhos no currículo.

A foto da revista era uma referência óbvia a “Whipped Cream and Other Delights” disco lançado por Herb Alpert & the Tijuana Brass em 1965. Veja a original ao lado, com a modelo Dolores Erickson.

Um simples creme batido nunca deu tanto o que falar. Desde então se tornou uma das capas de disco mais imitada e parodiada de todos os tempos!


Canibais fora do regime devem achar uma delícia! Para o resto da humanidade, é uma imagem deveras enjoativa.

A primeira imagem é um oferecimento Amiright.

Veja também:
Estreia de Salma Hayek em Hollywood
O segredo está no molho

sexta-feira, 14 de março de 2014

O porco e as piranhas


Encontrei uma referência a Ralph, o Porco Mergulhador em Piranha (1978 de Joe Dante). Aquela mesma celebridade que você viu aqui num post de 2012:

Ele é citado pelo empresário falastrão como uma das atrações de outros parques que ele reaproveitou no novo resorte. Chega a fazer piada com o tempo o porco nada.

Na verdade existiram vários porcos que iam sendo trocados com o passar dos anos. Ralph era a principal atração da Aquarena Springs, tradicional e popular de "beira de estrada" nos EUA.

Ralph felizmente não parece no filme de Joe Dante. Seria até covardia como petisco de piranha.

Veja também:
Incrível Ralph, o porco mergulhador
O mar não está pra peixe: Piranha 3D

quarta-feira, 12 de março de 2014

“Em Hollywood conhecem-no como o bonitão”


Olha só que sinal de status em Hollywood era “ser o galã de Marilyn Monroe” segundo esta revista de 1954. Dá a entender que Rory Calhoun era um novato, após ter empregos muito duros.

Ele estava com exatos 10 anos de carreira! Aliás, O Rio das Almas Perdidas (River of No Return, 1954 de Otto Preminger) não é o primeiro filme com a Marliyn em que participava.

Alan Ladd e Sue Carol
Em 1953 esteve em Como Agarrar Um Milionário (How to Marry a Millionaire, de Jean Negulesco). Um papel menor, mas importante, fazendo par com Betty Grable, uma das atrizes principais.

E que danadinha essa Sue Carol! Atriz e agente com olho clínico para galãs, ~ por suas mãos ~ passaram Alan Ladd, Rory Calhoun e sabe Deus quantos outros mais.

Foi casada com o cliente Alan Ladd (com quem teve dois filhos) de 1946 até sua morte em 1964. Reza a lenda que Sue Carol conheceu Calhoun enquanto ele cavalgava em um parque público.

Conseguiu para o “bonitão” um teste na Fox e batata! Foi contratado para Alegria, Rapazes! (Something for the Boys, 1944 de Lewis Seiler), filme com ninguém menos do que Carmen Miranda, a maior estrela do momento.

Sua carreira durou muito além da beleza física de galã (leia mais clicando aqui), trabalhando em filmes de baixo orçamento como Motel Hell (1980 de Kevin Connor) e produções televisivas. Aposentou-se em 1993, aos 71 anos de idade, seis anos antes de falecer.

A segunda foto é um oferecimento whos date dwho

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Para bom fisionomista
Quando a altura interfere no romance

terça-feira, 11 de março de 2014

Deletando a ovelha negra do lar dos Forman

 Frame da abertura de That '70s Show, episódio Ice Shack (SE03E10) 

Frame da abertura de That '70s Show, episódio Who Wants It More? (SE03E11) 

Como num passe de mágica, a atriz Lisa Robin Kelly (ali à esquerda ao fundo na primeira imagem) desapareceu da abertura de That '70s Show a partir do 11º episódio da terceira temporada. Foi digitalmente apagada, mal e parcamente como era possível na época.

 O programa utilizou essa abertura rasurada durante toda a temporada. Havia um plano dela dirigindo que foi substituído por outro, com o pai do Eric Forman ao volante.

Lisa Robin Kelly interpretava Laurie, a irmã saidinha do protagonista. Era uma das melhores coisas do programa.

Com um cabelo a lá Farrah Fawcett, tipo muito comum no período em que a série transcorria, sabia aproveitar as piadas do texto, mesmo com um papel menor. Mas a garota era talentosa, mas de difícil trato.

Por ironia, quase tão geniosa quanto a personagem que fazia na TV! Até que ficou impossível o convívio com a atriz.

Não havia um caso de demissão destes desde que mandaram Shannen Doherty passear em Barrados no Baile (Beverly Hill, 90210) por motivos semelhantes. No caso de That '70s Show os produtores foram paciente.

A atriz foi chamada para alguns outros episódios. Voltou a ser relativamente frequente na quinta temporada (2003) até ser totalmente descartada, sendo substituída por outra atriz.

Soube-se mais tarde que ela tinha problemas sérios com drogas. Cumpriu pena de 12 meses em liberdade condicional por dirigir alcoolizada em 2010, dois anos depois voltou a ser presa por agredir o marido.

 Lisa Robin Kelly morreu aos 43 anos no último dia 15 de agosto (2013) com uma overdose de múltiplas drogas. Estava internada voluntariamente numa clínica de reabilitação

segunda-feira, 10 de março de 2014

Dicas de Bette Davis para novatas

 E qualquer filme com Bette Davis me faz pensar imediatamente naquelas outras atrizes, que não devem ter tido dos mais suaves dias de trabalho. Joan Crawford talvez seja o desafeto mais famoso.

Mas ela também fez amizades nos sets de filmagem. Olivia de Havilland foi afeto para toda a vida, unha e carne.

Em Nas Garras do Ódio (The Nanny, 1965 de Seth Holt), produção da Hammer Films, manteve um bom relacionamento com Jill Bennett. Com quase 20 anos de carreira, a britânica Bennett soube, sobretudo reverenciar Bette Davis como uma grande estrela.

Como troca, a antiga estrela lhe deu várias dicas, como, por exemplo, jamais assistir as cenas filmadas ao final do dia. Invariavelmente vai detestar seu trabalho sem muito mais o que fazer.

 Na biografia de Bette Davis ela recorda de muito mais:

"(...) Eu adorava Bette. Ela era real, corajosa e muito perigosa. Perigosa da maneira que uma estrela deve ser. E ensinou-me uma coisa maravilhosa. Disse-me: Sempre faça amor com seus adereços. Com os móveis". Comentei que recordava daquele momento maravilhoso em The Little Foxes, quando ela se recosta na porta como se quisesse beijá-la. Depois disso, sempre dei por mim fazendo amor com bandejas de chá nos meus filmes.

Num fim de semana, almocei com ela na Grosvenor House. Comprei algumas rosas amarelas para ela. Bette estava esperando por mim à porta do elevador. Nenhuma estrela faria isso. Uma noite fomos às corridas de cães. Ela se trajava com grande esmero para a ocasião. Olhou-me e indagou: "Você está horrível. Por que se vestiu assim?" Eu usava um vestido simples, de linho. Era verão. Creio que era um modelo de Mary Quant. Bette disse: "Jamais será uma estrela se não parecer com uma. Não posso ir às corridas com você vestida dessa maneira. Terá que andar atrás de mim, como se fosse minha secretária". Foi o que eu fiz. E não me importei nem um pouco".

"Perigosa da maneira que uma estrela deve ser"

A primeira imagem é um oferecimento Showbiz David

Veja também:

Separados na maternidade monstro


Tony Randall destaque do mês na capa da revista Certificate X. Não tem quem diga, mas ele também é esse monstro em As 7 Faces do Dr. Lao (7 Faces of Dr. Lao, 1964).

Morlock
Podemos dizer que O Abominável Homem das Neves é parente dos terríveis Morlocks, vilões de A Máquina do Tempo (The Time Machine, 1960). Ambos são dirigidos por Geaorge Pal.

E é de se estranhar que George Pal, pioneiro dos efeitos especiais e um dos mais inventivos homens a perambular por Hollywood, ter quase que apenas reciclado uma maquiagem. Criou seis personagens e no sétimo deu preguicinha?

 Os dois filmes também possuem em comum o maquiador William Tuttle. O tradicional funcionário da MGM começou como assistente no terror A Marca do Vampiro (Mark of the Vampire, 1935 de Tod Browning).

Enfim, podemos considerar a criação de ambos para os Morlocks, personagens originais do romance de 1895 de H.G. Welles, como definitiva. E talvez eles tenham sido apenas os primeiros a reverenciar o trabalho anterior.

A capa é um oferecimento Joey Meyers

Veja também:
George Pal: A verdade está lá dentro
Faça chuva ou faça sol

sexta-feira, 7 de março de 2014

O que aconteceu a Susan Denberg?

Com Peter Cushing em imagem publicitária de ...Frankenstein Criou a Mulher 
 Coelhinha da Playboy em agosto de 1966, a dançarina Susan Denberg foi a forma feminina do monstro de Frankenstein segundo a Hammer Films. Logo depois surgiram boatos de que havia cometido o suicídio.

...Frankenstein Criou a Mulher (Frankenstein Created Woman, 1967 de Terence Fisher) do estúdio inglês é sua última participação como atriz. Antes, a austríaca aparentava ter uma promissora carreira em Hollywood.

Susan em Star Trek
Pelo menos a Warner chegou a fazer um concurso para arrumar-lhe um nome artístico melhor que Susan Denberg. Seu único filme nos EUA foi Eu Te Verei no Inferno, Queria (An American Dream, 1966 de Robert Gist) ao lado de Janet Leigh e Eleanor Parker.

Mas Susan Denberg é muito conhecida na atualidade por causa de uma pequena aparição na TV! Ela está no sexto episódio da primeira temporada de Star Trek (Mudd's Women, 1966) como uma das três alienígenas sexy.

Com sotaque germânico/austríaco carregado demais para o cinema americano (que não tem tradição em dublar) e uma vida de excessos em drogas e sexo, voltou a morar na Europa com a mãe. Foi aí que surgiu a oportunidade de trabalhar na Hammer ao lado de Peter Cushing com o grande diretor Terence Fischer.

Não se sabe se por ingenuidade, ou tentativa de se firmar como celebridade, Denberg deu uma série de entrevistas deprimida, reclamando da vida “desvairada” que levava. Foi capa de revistas sensacionalista Police Gazette com manchetes do tipo “Eu estava arruinada na selva de sexo de Hollywood”.
Imagem promocional da Hammer

Ao entrar no ostracismo surgiram notícias de que ela se matou numa experiência transcendental com LSD. Esse boato foi difundido por décadas em publicações dedicadas ao horror e ganhou força na Internet quando ...Frankenstein Criou a Mulher ganhou distribuição em DVD.

Na realidade passou a ter uma vida difícil ao lado da família na Áustria. A polícia foi chamada pelo vizinhos quando tentou estrangular a mãe numa briga banal.

Fazia pouco tempo que numa entrevista à TV dizendo que estava bem e interessada em retornar a Los Angeles e continuar trabalhando como atriz. Na ocasião aparentava estar livre do vício do da maconha e LSD.

Chegou a processar dois jornais locais por terem publicado que agrediu sua mãe. Esta se recusou a depor no tribunal como testemunha de acusação a favor da filha.

No começo da década de 70 seu nome apareceu em mais revistas de cunho popular. Elas noticiavam que a dançarina e atriz estaria morena e agora trabalhava como garçonete nua em um “bar pornô”.

Em 1975, no sexto mês da segunda gravidez ela foi internada em um hospital psiquiátrico de Viena, onde permaneceu por anos. Um tempo antes, havia sido hospitalizada após ingerir grande quantidade de soníferos.

Informações de 2012 dizem que ela reside Klagenfurt, cidade de pouco mais do que 94 mil habitantes na Áustria. Aos 69 anos vive bem e anonimamente como Dietlinde Zechner, seu nome de batismo.

Sua rápida carreira foi o suficiente para ser lembrada na posteridade, principalmente como uma das estrelas da Hammer. Faz parte da galeria de monstros do estúdio sem ter se despido da beleza.

Algumas informações e a terceira e quarta imagem são um oferecimento Horror Unlimited

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Star 80: A coelhinha assassinada
Collinsons: Erotismo e horror em dobro
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Todas as caras do monstro de Frankenstein na Hammer

O Circo do Vampiro: Alimentando os animais

quinta-feira, 6 de março de 2014

Drácula de Bram Stoker, o vídeo game

Como qualquer blockbuster, Drácula de Bram Stoker (Dracula, 1992 de Francis Ford Coppola) foi adaptado para várias plataformas de videogame. Houveram nove oportunidades de ser jogado a partir de 1993: NES, SNES, Game Boy, Sega Master System, Mega Drive/Genesis, Sega CD , Sega Game Gear, MS-DOS e Amiga, sem contar com o pinball.

Playstation ficou de fora. Em 2000 o console da Sony teria Dracula: Resurrection, um jogo de ficar clicando que, embora Jonathan Harker lembrasse muito a caracterização de Keanu Reeves, não havia relação alguma com o filme de Coppola.

O vídeo abaixo (ou clicando aqui) exibe trechos da primeira fase de todas as versões. Prepare-se para quase cochilar de tédio na Transilvânia!


Quase todos, exceto Sega CD , MS-DOS e Amiga são o mesmo jogo. Mudando uma coisinha ali, melhorando áudio e gráficos, mas é a mesma coisa do “óminho” (Jonathan Harker, mas poderia ser qualquer um) andando em linha reta, matando inimigos ou saltando obstáculos.

Um filme tão inventivo e um jogo tão absurdamente banal! Sabemos que é Drácula de Bram Stoker porque estava escrito na capinha e nas telas iniciais.

Como muito acontecia (acontece?) com essas adaptações, venderam a franquia e a produtora do jogo só requentou os códigos de programação com gráficos alusivos aos personagens e cenários. Podemos citar incontáveis outros jogos similares.

Sega CD levou vantagem por apresentar cenas do filme, mas com pouco uso da trilha sonora composta por Wojciech Kilar. Ainda utiliza como abertura o teaser com gotas de sangue formando o título, tirado de circulação nos cinemas da época.


quarta-feira, 5 de março de 2014

Premonição: jovem desconhecido que ainda ganharia o Oscar


 Capa da revista Set em outubro de 1996 listando os 10 maiores astros de todos os tempos e uma promessa: Matthew McConaughey, um quase anônimo. O mundo gira, o mundo roda!

Uma daquelas listas que as revistas de cinema cismam em fazer na ausência de pauta melhor e uma previsão a lá Mãe Dinah, com grande chance de ser apenas uma piada. E assim foi por mais de uma década desde que a revista chegou as bancas.

Por que apostar nesse cara que quase ninguém tinha ouvido falar, com apenas cinco filmes no currículo? Podemos lembrar de pelo menos uns cinco ou seis jovens atores daquela época, muito mais famosos, que pareciam ter um futuro bem mais brilhante (embora tenham desaparecido).

Como todos sabemos, a piada perdeu o prazo de validade!!! 18 anos depois Matthew McConaughey levou o Oscar no último domingo (02) por seu papel em Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013 de Jean-Marc Vallée).
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Antes recebeu uma saraivada de outros prêmios. É fato que de um tempo pra cá ele passou a participar de projetos interessantes com regularidade, o que lhe tirou da categoria de pessoa com um rosto que vimos muito, mas que é só mais um entre tantos.

Deve ter demitido o macaquinho da Nasa que havia contratado para escolher seus filmes. Se eu tivesse postado essa capa algum tempo atrás (lembrando que este blog existe há 12 anos!), a conotação seria incrivelmente outra.

É claro que para o moço fazer parte desta lista, onde se encontram nomes como James Dean, Clint Eastwood e John Wayne, é necessário mais do que ganhar um Oscar. Ainda tem que comer muito arroz e feijão cozinhados pela esposinha brasileira, mas caminha bem para isso.
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