segunda-feira, 30 de junho de 2014

Deus e o diabo na terra da coca


A propaganda oficial diz que o Carnaval de Oruro é o melhor carnaval do mundo. A gente sabe que sabe que não é verdade, mas isso não diminui a secular tradição do evento boliviano.

Não há muita coisa em comum entre o que existe no Rio de Janeiro e nessa cidade da Bolívia além da palavra “carnaval”, acontecer no começo do ano e de ser um evento muito popular. Ah, sim! Também atrai turistas de todo planeta atrás do exotismo.

No vídeo abaixo você assiste ao spot de 2014. A tradução brasileira seria um misto de carnaval carioca, baiano e festas juninas.

A UNESCO registrou o carnaval de Oruro como uma das “Obras-primas do Patrimônio Oral e Patrimônio Imaterial da Humanidade”. Sua origem remonta ao período pré-inca, quando a festividade pagã Ito celebrava Pacha Mama e o Tio Supey entre outras divindades mitológicas.

Com a colonização espanhola, os nativos disfarçaram sincreticamente as comemorações em cristãs, da mesma forma que religiões Africanas fizeram no Brasil. Assim, as figuras de Pacha Mama e Tio Supey se transformaram em Virgem Maria e o Demônio.

A consolidação do carnaval de Oruro como folclore nacional aconteceu entre o século XVIII e na primeira metade do século XX, após um período em que foi proibido. Na festividade, milhares de pessoas separadas por grupos fazem um tipo de dança, por mais de quatro quilômetros até chegarem à igreja Sanctuaria del Socavon.

Junto desfilam bandas tocando marchas animadas com ritmos chamados de Diablada, Morenada entre outros. Uma peculiaridade preservada são as vestimentas das divindades que remetem a dragões e demônios do folclore chinês, embora pelo distanciamento geográfico e histórico, não deve passar de mera coincidência.



A primeira imagem é um oferecimento Sounds from Worn Grooves

0 comentários:

Related Posts with Thumbnails