segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O incrível núcleo travesti da novela

Anabela (Ney Latorraca)
Florisbela (Marco Nanini) e Clarabela (Antônio Pedro)
 Inspirada na peça Volpone de Ben Jonson, a novela Um Sonho A Mais foi ao ar em 1985. Quase 30 anos depois jamais foi igualada em termos de diversidade.

Escrita a princípio por Daniel Mas, foi substituído por Lauro Cesar Munis por problemas no Ibope, com argumento dos dois. Ney Latorraca interpretava um magnata que voltava ao Brasil disfarçado, a princípio, em três outros personagens, sendo um deles a secretária Anabela Freire.

Anabela era uma espécie de Tootsie (1982 de Sydney Pollack). A chance de Seu Neila virar uma mulher na TV sem deixar de ser homem.

Empolgado com o desempenho dos atores, Muniz inseriu outros dois travestis, criando o primeiro e único “Núcleo Travesti” da teledramaturgia brasileira.  Anabela recebeu a companhia de Florisbela (Marco Nanini) e Clarabela (Antônio Pedro). Ainda tinha uma das raras aparições de Patrício Bisso em novelas, como seu alter ego famoso, a psicóloga russa Olga Del Volga.

E se um travesti incomoda muita gente, três travestis incomodam muito mais! A moribunda censura chiou e o público que já torcia o nariz desde o começo, mais ainda. Lá se foram todas as bonitas tomarem chá de sumiço, mesmo fazendo parte da trama central.

Ainda assim, vale ressaltar que Anabela casou de véu e grinalda como manda o figurino! Dizem que com este casal aconteceu o primeiro beijo na boca entre dois homens na TV do Brasil.

Segundo o Memória Globo, foi um rápido "estalinho". O noivo desconhecia a verdadeira identidade da alma gêmea, mas ninguém é perfeito.

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