quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Todas querem ser Marilyn

Resort na década de 50 promovendo concurso de beleza para escolher uma Marilyn Monroe própria. Difícil entender até hoje o nível de popularidade que Marilyn alcançou naquele tempo, nunca antes visto, jamais superado.

As tantas cópias que os outros estúdios concorrentes da Fox tentaram é assunto recorrente aqui na longa jornada deste blog. Mas houve outras tantas anônimas sonhando em ser Marilyn Monroe...

Uma coisa interessante nesta foto (além do próprio concurso em si) é a forma de tirar as medidas. As candidatas com altura em torno de 1,67m precisam literalmente se encaixar nas medias de busto, cintura e quadril.

Divulgadas à imprensa pelo departamento de publicidade do estúdio, as medidas da loira eram 93-58-91. No departamento de figurino constavam as mais modestas 88-58-88.


Ou seja, as pobres mocinhas precisavam ter um corpo que nem a original possuía.

A imagem é um oferecimento Miss Russia

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Encontros e desencontros: Andy Wahrol e TDK


É divertido quando o garoto propagandafamoso nada tem com o produto que anuncia, mas é brilhante quando ambos se casam. Andy Wahrol e TDK nasceram um pro outro!

A campanha englobou anúncios nas principais revistas do Japão, além de comerciais na TV. Você assiste a um deles, já um clássico no You Tube, no player abaixo ou clicando aqui.

No vídeo ele fala em japonês as cores (“Aka, Midori...”, “Verde, azul...”) , mais vibrantes nas fitas daquela marca.

Em 1982 Andy Wahrol estava muito popular naquele país. A exemplo de tantas celebridades internacionais foi convidado a fazer publicidade lá, primeiro apenas gráficas. A parceria com a TDK durou até 1985, auge do VHS, provável época do comercial de TV.

Nesse meio tempo o sucesso do musical da Broadway Cats chegou à Terra do Sol Nascente e foi agregado à campanha. A primeira apresentação do espetáculo no Japão foi em 1983, época em que a propaganda principal dessa página deve ter sido produzida.

O sistema caseiro de gravação em vídeo tinha em sua essência um bom chamariz para a pessoa comum que queria se destacar, ser famosa, aparecer na televisão. Antes dele, aparecer na TV só mesmo através de uma emissora de TV.

Menos mundano, a popularização do VHS ainda proporcionou o aparecimento de muitos vídeo artistas em todo planeta. Qualquer que seja seu uso, inegável a ideal associação com o Papa do Pop.

As imagens são um oferecimento Jezebel

Veja também:

Campanha mais crível dos últimos tempos
Faye Dunaway e um ovo cozido no Japão

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

10 anos sem John Waters

No dia 24 de setembro de 2004 estreava nos cinemas dos EUA Clube dos Pervertidos (A Dirty Shame) e John Waters nunca mais dirigiu nada!!!! Foi o 13º longa de uma carreira iniciada em 1964 com o curta em Super8 “Hag in a Black Leather Jacket”.

De lá pra cá ele chegou a anunciar o projeto Fruit Cake, oportunidade em que flertaria com o publico infantil. Só por isso já era interessante imaginar o que poderia sair do homem, entre tantas outras alcunhas lisonjeadoras, conhecido como o Papa do Vômito.

Há cerca de dois anos, em entrevista ao jornal carioca O Globo, justificou o tempo sem filmar com a crise que os EUA enfrentavam. De independente só estava produzindo quem se dispunha a gravar com o celular e publicar no You Tube.

Tenho uma amiga menos otimista. Pra ela, John Waters nunca mais filmou porque tem ganhado muito dinheiro com as adaptações das suas histórias para a Broadway e coisas do tipo.

Seja o que for, aos 68 anos de idade, tem feito shows de standup ao redor do mundo e lançado alguns livros, sendo o mais recente com as suas aventuras como caronista de costa a costa do seu país. Ainda tem feito pequenas aparições como ator.

Faz falta! Seu cinema é o que de melhor existe como crônica dos costumes do nosso tempo. O Clube dos Pervertidos mesmo, recebido com certa frieza pelos fãs, previa este momento maluco da sociedade onde há tantos “sem vergonha” e ao mesmo tempo tantos puritanos que causariam inveja ao mais medieval dos inquisidores.


No Brasil O Clube dos Pervertidos saiu direto em DVD em 2005 pela Playarte numa edição paupérrima, que ainda tinha o escopo alterado pra 4x3. Pelo menos tivemos a edição “X-Rated” com palavrões e nudez frontal, ao contrário dos Estados Unidos que primeiro tiveram uma versão familiar nos cinemas.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Grandes clássicos da Internet: Batman e a bomba

Poucos filmes geraram tantos memês quanto Batman (1966 de Leslie H. Martinson). E alguns bem tradicionais, dos primórdios da Internet, como o da bomba, saída da cena da que você assiste no player abaixo ou clicando aqui.
Talvez existam milhares de sátiras e citações a essa quase autoajuda do Homem Morcego:  “Some days you just can’t get rid of a bomb” (algo como "Tem dias que você simplesmente não consegue se livrar de uma bomba") . Neste link aqui encontramos de ponto cruz a recriações de todos os tipos.

Há pelo menos uma foto do making off da sequencia. Algo como construindo um mito que seria lembrado após quase cinquenta anos.


No mesmo filme ainda tem o célebre repelente de tubarões em spray e a corridinha de Batman e Robin, um ícone dos gifs animados. A versão psicodélica do personagem cabe muito bem no espírito "a zoera never ends" da Internet.

Tudo isso retirado da produção para a tela grande de 1966, não da série do mesmo ano, por uma razão óbvia. Graças a um imbróglio de direitos autorais entre a Warner e a Fox o programa continuou inédito (exceto exibições na TV), enquanto o longa metragem está disponível para colecionadores desde os idos do VHS. 

Inclusive no Brasil, temos um DVD caprichado distribuído pela Fox faz muito tempo. Portanto, não tinha como rolar screenshots, gifs animados nem nada sem ser do filme.

Lembrando que baixar episódios da internet que alguém gravou da televisão, assim como os gravadores domésticos, é algo relativamente recente. Embora os nerds hoje sejam outros do começo da Internet, com a serie completa finalmente saindo em DVD novos memes devem surgir. 

A contar com a extensa galeira de vilões (Vincent Price de Cabeça de Ovo!!!) , por falta de Batman 60's a Internet não acaba tão cedo...

A segunda imagem é um oferecimento Great Grottu

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Madonna, a aventureira sul-americana

Distribuidores argentinos (e de outros países da América do Sul) capricharam na hora de escolher um título local para Shanghai Surprise (1986 de Jim Goddard): Las Aventuras de Madonna en Shanghai!!! Pá!

VHS do Brasil
Numa tacada só incluíram dois assuntos quentes do momento, filmes de aventura retrô e Madonna. E o quão raro é o nome de algum ator ser aproveitado no título do filme? Xuper Xuxa Contra o Baixo Astral não vale!!!

Talvez eles tenham entendido logo de cara que a loira era um personagem como Indiana Jones e tantos outros produtos pop. Porque não fazê-la num tipo Lara Croft antes que a Lara Croft fosse inventada?

Aqui no Brasil pelo menos (desta vez) fomos lacônicos utilizando “Surpresa de Shanghai”. No nosso país ainda tivemos uma correta capa que passa longe de qualquer sentido de aventura eletrizante. 

A arte do VHS latino força uma ligação com as releituras de heróis estilo 40’s, na esteira de Indiana Jones, que infestaram o cinema popular dos anos 80. Além do traço pulp, Sean Penn aparece usando até um chapeuzinho similar ao do Harrison Ford. 

De se imaginar a decepção de quem locou isso esperando um pouco mais do que roncar no sofá...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Drácula nas (nem tanto) boas lojas do ramo

As surpresas que nos aguardam prateleiras de supermercado com  brinquedos ordinários encartolados... Drácula para botar o terror naquela pseudo Barbie de plástico reciclado!!!

Encontrei isso no mercadinho aqui perto de casa. Na verdade, segundo a embalagem é um “Vampyro” (com ipsilone mesmo), mas a capa preta de aba grande e o cabelo em V na testa meio que entregam o jogo.

Será que se precaveram contra copyrights? Drácula já está em domínio público, amiguinhos de Hong Kong...

O que não está em domínio público é a cara do Bela Lugosi, coisa que nem a Universal Studios usa nas rebuscadas action figures dos monstros que "criou" na década de 30. Veja na imagem abaixo.

Ao contrário da Criatura de Frankenstein, com maquiagem muito parecida à do Boris Karloff no filme de 31, o Drácula “oficial” da Universal nas lojas sempre tem um rosto genérico. Bela Lugosi Jr., filho do ator, sabiamente preserva bem a imagem do pai. 

No caso de Karloff, é a maquiagem, aquela com cabeça achatada e dois eletrodos no pescoço, que pertence ao estúdio. O que faz com que qualquer brincado relacionado ao personagem seja muito mais legal do que os relativos ao Conde da Transilvânia

Esse do mercadinho tentei encontrar ainda algum traço pelo menos do Cristopher Lee, outro ator famoso por interpretar o personagem. 

Mas nada, só viagem da minha cabeça! Por 7,99 pratas seria querer demais...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Desconstruindo Cary Grant: bêbado e despenteado

Foto da produção de Intriga Internacional (North by Northwest, 1959 de Alfred Hitchcock). A função dela seria marcar o visual de Cary Grant para que na filmagem houvesse continuidade em todas as tomadas.

Entre identificações técnicas, no cartão está escrito que o personagem está bêbado e despenteado. Aparência de bêbado tanto quanto a figura elegante do ator permitia.

Na história ele é obrigado pelos caras maus a tomar uma garrafa de Bourbon. Tudo para suas denúncias serem desacreditadas pela polícia quando for à delegacia denunciar os espiões.
Isso se ele escapar do previsível desastre, já que é posto dentro de um carro numa estrada beirando precipício. O cabelo despenteado é, provavelmente, porque o carro é conversível.
E esse cuidado tem lá o seu lado irônico, visto que o filme geralmente entra na lista dos erros de continuidade por aquela sequência célebre do avião no milharal. Cary Grant literalmente deita e rola na terra e logo fica impecável.

Embora o errinho mais legal de Intriga Internacional é o garotinho que prevê o tiro. Relembre clicando aqui.

A primeira imagem é um oferecimento Your Horrible, a segunda Cary Grant.Net

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Deusa egípcia do Espaço sideral

Valerie Leon a rigor para Sangue no Sarcófago da Múmia (Blood from the Mummy's Tomb, 1971 de Seth Holt) na capa da Titbites. A Hammer foi grande provedora de beldades para a tradicional publicação britânica e tantas outras revistas.

E nunca houve esquema de produção tão bom quanto o da Hammer. Até pra escolha de elenco, quando davam preferência a moças bonitas, não necessariamente com talento dramático.

 Muitas delas haviam aparecido em revistas para adultos, o que creio não seja o caso de Leon. Assim, automaticamente seriam selecionadas por editores para serem capa das publicações, o que economizava um bocado na promoção dos filmes.

Desde que o mundo é mundo, mulher bonita vende muito mais. A pauta da revista acima nem é Sangue no Sarcófago da Múmia, mas a estreia da série televisiva Space 1999, que aconteceu em 1975, quatro anos após o filme da Hammer.

Valerie Leon, que ainda foi Bond Girl duas vezes, embelezava bem qualquer banca! Na foto da Titbites o figurino de Tera, a deusa egípcia, parece ser muito ousado, mas na imagem restaurada e nítida do DVD dá pra perceber que está com um sutiã cor da pele.

A própria aparece no mini doc presente na edição brasileira do DVD revelando outra coisinha: Não é ela quem aparece nua de costas no filme, mas uma dublê de corpo.

A primeira imagem é um oferecimento Catacombs, a segunda 24 Femmes per Second.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

E Muriel completa Bodas de Porcelana!

 Faz 20 anos que aconteceu O Casamento de Muriel (Muriel's Wedding, 1994 de P.J. Hogan). Qual a importância que isso tem para o mundo? Provavelmente nenhuma...

Até porque o filme é bonitinho, adorável até, mas não inovou em nada. Não há, evidente, problema algum na competência em entreter e, portanto, ter marcado uma fase da vida de tanta gente que estava lá na primeira metade dos anos 90.

Conforme essa década vai se distanciando mais e mais vamos observando peculiaridades que na época não percebíamos tanto. No cinema a Austrália, levando em conta sucessos como o da sofrida Muriel, parecia que se empunharia com toda sua docilidade kitsch.

Na mesma época tivemos Priscilla, A Rainha do Deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert, 1994 de Stephan Elliott) esfregando na cara do maistream que o fenômeno drag era uma realidade. Assim como a persistência dos suecos Abba em angariar fãs.

A algazarra colorida australiana não demoraria muito nas telas. Logo Hollywood absorveria seus astros e técnicos, além de se transportar para aquele continente afim de contenção de gastos, o que, de certa forma minou as produções exclusivamente locais.

Fomos de extrema reverencia ao século XX que estava por acabar. Não ríamos com suspeita superioridade das modas e produtos culturais passados e consagramos os ícones com rótulos como “Cult”, ou no mínimo “trash” (essa última expressão já devia ter sido esquecida, sublinho).

Quem tinha virado gente nos anos 90 achava os 70 deliciosamente exóticos e muito distantes. Iam a clubes noturnos eufóricos por estarem de certa forma estarem revivendo os “dias dançantes”, voltaram a usar calças pantalonas e até havia uma sitcom na TV chamada “That ‘70s Show”.


Em 2014 estamos igualmente distantes dos 90, como os 90 estavam para os 70. E eu estranharia muito se surgisse agora uma sitcom chamada “That ‘90s Show”...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Tempo e espaço dentro da cabeça de Almodóvar

  O diretor Pedro Almodóvar dá um sentido especial a  “universo do autor”. Ser autorreferente é natural dentro de uma cinegrafia, mas ele vai além.

Cita trabalhos antigos dele de forma evidente como em Chicas y Maletas, o filme dentro do filme Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos, 2009) que reproduzia muito de Mulheres À Beira de Um Ataue de Nervos (Mujeres al borde de un ataque de "nervios"", 1988). Mas também referências a filmes que ainda não fez.

Coisas que passaram sem maior importância reaparecem muitos anos depois com relevância. Por exemplo, este diálogo de A Flor do Meu Segredo (La flor de mi secreto, 1997) onde a editora explica porque rejeitou o romance de Leo/Amanda Gris.
A história da dona de casa que dá fim ao corpo do marido, morto pela filha que ele tentou violentar é um dos motes de Volver (2006). A Ideia de “O Frigorífico” foi guardada por quase uma década!
Ainda sobre esses dois filmes, no da década de 90 havia um diálogo sobre as tias do vilarejo que enlouqueceram, tema que desenvolveu melhor em Volver. Em ambos, as protagonistas partem para o lugar onde cresceram quando o mundo desaba.
Carmen Maura, antiga estrela almodovariana, ressurgiu nesse filme de 2006 como a avó fantasmagórica. Vimos uma pincelada disso antes em A Má Educação (La Mala Educación, 2005).
O poster do fictício “La Abuela Fantasma”, um mero detalhe cenográfico, se tornou real em seu filme seguinte. Pelo menos em termos.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Elas querem poder

 Sandra Brea e Édson França na capa da revista Sétimo Céu de julho de 1973

Márcia Gonçalves e Navarro Puppin na capa da revista Ele Ela de dezembro de 1973

Tava super na moda em 1973 a derrocada do macho. Pelo menos nas bancas, sendo que normalmente leva um tempinho para o que está nas revistas ganharem as ruas.

E mais tempo ainda pra chegar até a TV. O seriado Malu Mulher, notório por mostrar a Regina Duarte prafrentex, sem precisar de marido pra viver, estrearia apenas em 1979.

Regina Duarte em Malu Mulher, 1979
Um ano antes a novela Dancin’ Days já discutiu o papel da mulher numa relação, mas sem ser o foco central. Embora a mocinha Julia passe pelo dilema de arranjar um marido rico para dar um jeito na sua vida...

Lá fora, sutiãs haviam sido queimados muito antes de 1973. Demorava muito mais para uma tendência chegar até o Brasil e, espantoso que mais de 40 anos depois, o posicionamento da mulher ainda é uma extravagância.


É espantosa também a quantidade de tiazinhas candidatas a deputadas que aparecem no horário eleitoral conclamando o voto feminino. O discurso não é bem pelo voto feminino, mas o das donas de casa que gostam de deixar a casa um brinco para quando o maridão chegar.

A primeira imagem é um oferecimento Revista Amiga e Novelas, a segunda Revista Ele Ela

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

King Kong seria pai do Monstro do Lago Ness. É sério!!!

 Historiador da Universidade de Columbia sugere que o mito em torno do Monstro do Lago Ness foi criado por causa do sucesso do filme King Kong (1933 de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack). A criatura é a principal fonte turística daquela região da Escócia.

A teoria que faz a ligação ao filme pode ser debatida, mas faz certo sentido. Há relatos sobre a criatura (carinhosamente chamada de Nessie) desde o século VI, mas nunca descrevendo sua forma, assim como um mergulhador no final do século IX que mergulhou nas águas turvas e saiu apavorado, alegando ter visto algo.

Segundo informações do Daily Mail, o estudioso Daniel Loxton lembra que a forma do monstro como conhecemos surgiu em 1933, período em que King Kong era febre nos cinemas do Reino Unido. Na época um casal de hoteleiros alegou ter visto uma criatura de pescoço comprido entrando na água do lago.

O relato deles foi publicado com sensacionalismo por um jornal local e logo ganhou repercussão nacional e depois internacional. No ano seguinte, um circo chegou a oferecer uma boa quantia para quem capturasse o ser, sendo que também naquele ano surgiu a primeira fotografia que “comprovaria” sua existência, fraude revelada apenas em 1994.

Antes da década de 30 figuras de dinossauros não eram tão populares quanto agora, o que também ajuda a explicar o encantamento com a película do macaco gigante e seus possíveis desdobramentos naquela região. “O relato do casal deu origem a muitas outras aparições, tornando o dinossauro que aparece em King Kong a explicação favorita para Nessie ao longo do século 20 ", diz Loxton.

Um dos dinossauros a aparecer em King Kong
Mesmo com toda a extensão do lago já tendo sido escaneada e pesquisada por sondas, resultando na afirmação das autoridades locais em 2003 de que o monstro não existe, várias pessoas continuam dizendo que o viram. O jornal The Scotsman publicou ao final de 2013, que pela primeira vez em décadas, Nessie não havia sido visto por ninguém naquele ano.

O Monstro do Lago Ness não seria a única vez que o estrondoso sucesso de um filme teria relação com o comportamento das pessoas. A partir de 1973, quando O Exorcista (The Exorcist de William Friedkin) levou multidões aos cinemas, aumentaram consideravelmente as notícias de pessoas que se diziam possuídas pelo tinhoso.

Não deve ser à toa que boa parte dessas igrejas que tiram demônios dos fiéis por módicas quantias em dinheiro foram inauguradas na primeira metade dos anos 70...

A primeira imagem é um oferecimento Skyenimals

As Certinhas do La Dolce

Rosamaria Murtinho
Tropical
Um oferecimento Biscoito, Café e Novela

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Gênero: Inspiração de Tarantino

  Vamos combinar que já dá pra fazer uma subcoleção de DVDs com filmes que citam Tarantino, Kill Bill ou coisa que o valha na capa. Devo ter já uns três ou quatro.

Lady Snowblood – Vingança Na Neve (Shurayukihime, 1973 de Toshiya Fujita) está para sair em DVD no Brasil, sem escapar da sina. Não que isso seja um problema, é apenas uma constatação.

Outro exemplo: O Mestre da Guilhotina Voadora
Que bom que esses filmes que duvidosamente chamariam a atenção das distribuidoras nacionais, possuem esse apelo comercial. Assim como do público médio, que não consegue consumir nada por vontade própria, sem um estímulo externo.

E esse é um bom argumento para aplacar os detratores de Tarantino. Aquele tipo de cinéfilo mais radical que só vê no diretor um oportunista que apenas faz uma colcha de retalhos com coisas bacanas do cinema obscuro.

Sem ele, muitas dessas maravilhas obscuras não seriam devidamente lançadas aqui, ou nem para download encontraríamos legendas na nossa língua. Teremos Lady Snowblood em edição dupla, quem diria?


Mesmo no caso de egoísmo cultural, todos nos beneficiamos com a “colcha de retalhos com coisas bacanas do cinema obscuro”. E tanto a gente quanto as distribuidoras podemos ficar tranquilíssimos, porque a fonte de inspirações tarantinescas é quase infinita. 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Relíquia macabra e milionária


 Clássico inegável do cinema noir, Relíquia Macabra/O Falcão Maltês (The Maltese Falcon, 1941 de  John Huston) ganhou matizes mitológicas com o passar do tempo. De se esperar que a escultura, cuja trama gira, tenha ganhado status entre cinéfilos e ainda de colecionadores de arte.

Mesmo sendo um adereço de cena, o falcão foi desenhado e esculpido pelo escultor de Nova York Fred Sexton, amigo íntimo de longa data do diretor Huston. Sexton produziu duas estatuetas em gesso e chumbo que incluem em uma pena traseira sua inicias “FS”.

Em 1994 uma delas foi vendida a um colecionador particular por 398.500. Em novembro passado a outra delas foi posta em leilão por nada menos do que incríveis 1,5 milhões de dólares!

Dez anos atrás, o perito avaliador Richard Walter, Professor da Universidade da Califórnia (UCLA), defendeu a supervalorização do objeto. Para isso ele comparou as estatuetas com um dos quatro sapatinhos de rubi usados por Judy Garland em O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939 de Victor Fleming), vendidos por 666 mil dólares em 2001.

“Os sapatinhos precisam custar menos que os falcões porque embora importantes para o filme, são apenas um dos itens da trama“, disse o Professor completando que as estatuetas “são parte central do filme, além de darem título ao mesmo”, o que por lógica os fariam mais iconográficos.

O colecionador Hank Risan comparou a discussão em torno do valor aos diálogos do filme envolvendo o detetive Spader e Gudman. Num caso em que a vida imita a arte, as esculturas reais se tornam objetos únicos de valor discutível e tão disputados quanto na tela.

Mas não muito! O leilão foi encerrado sem que os lances tenham alcançado o milhão e meio mínimo...

Fãs de Mary Astor e Humphery Bogart, um dia quem sabe estará novamente disponível e será para o bico de vocês?

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Feminilidade musical na TVS

Em primeiro lugar: Que logo maravilhoso é esse, Marta Coração? Imaginando, evidente, como teria sido a capa do disco da Susy Rego, caso ela tentasse ser cantora...

Lançado em 1982, a faixa Olhos de Mulher se trata de uma inacreditável versão em português de Bette Davis Eyes. Ouça (por sua conta e risco!) no player abaixo ou clicando aqui.

No lado B a música era Sol e Lua, trilha sonora da novela A Leoa, uma das primeiras produzidas pela TVS (futuro SBT). Obscura, essa novela pertence à memória afetiva de muita gente justo pelo tema de abertura, que você assiste, e provavelmente vai relembrar, no players abaixo ou clicando aqui.

Essa abertura é a típica coisa que a gente não lembrava que existiu até rever... E ficar com o refrão grudado na cabeça novamente após mais de 30 anos!

Havia uma dúvida entre colecionadores se a música principal é também cantada por Martha Coração. Sol e Lua, presente no compacto, seria a canção de encerramento dos capítulos e na abertura ouve-se a voz da cantora Rosecleide.

Rosecleide fez parte de uma das das últimas formações do Harmony Cats, aquele grupo acintoso que regrava disco music famosas quando a gravadora não queria pagar para o artista famoso. Elas cantaram em várias trilhas de novelas 70's da TV Globo, incluindo Dancin’ Days (1978).

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mantenha contato com a Enterprise!

  Muito se falava na similaridade dos Comunicadores utilizados pela tripulação da Enterprise com os celulares, quando estes passaram a ser comuns. Era quase como uma das previsões acertadas pela série Star Trek, produzida a partir de 1966, mas transcorrida no século 23.

A empresa CBS disponibilizou em 2010 um app para Android e IOS que promete transformar finalmente um aparelho celular num comunicador igualzinho ao da TV! O aplicativo não serve pra muita coisa, mas manuseá-lo tem um inegável charme futurista retrô.

Nas capturas acima você vê imagens dele na versão encontrada no Google Play (1.1). Parece que não sofreu atualização visuais desde 2010, ao contrário do disponível para iPhone (3.0.2.) com mais detalhamento gráfico e, portanto, com maior realismo, pelo que se percebe nas imagens do site.

Tive a acesso ao do Android que instalado ocupa apenas 3,01 Mb. Ao ser iniciado aparece a redinha, que na verdade simula um tipo de flip, que pode ser aberto ou fechado deslizando o dedo ou fazendo movimentos para frente ou para traz com o celular.

Abriu? Bem vindo ao maravilhoso mundo tecnológico da ficção científica 60’s! São três botões de cores diferentes que ao serem tocados produzem dezenas de comunicados originais da tripulação da Enterprise além de efeitos sonoros “low tec”.

Ainda é possível entrar numa terceira tela acessada pelo que seria o “microfone” e fazer chamadas para amigos, com acesso aos seus contatos. Há vários vídeos com Trekkers babando no brinquedinho, assista a este aqui, para ver o funcionamento.

Uma curiosidade é que com o desenrolar dos episódios foram surgindo várias funções no comunicador além de servir para a tripulação de comunicar, de uma espécie de GPS a prosaica lanterna. Assim como os celulares também agregando funções e hoje, ligações é a menos interessante delas. 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Esbofeteando Bette Davis

Poderosos stills das filmagens de Nascida Para o Mal (In This Our Life, 1942 de John Huston). O realismo não teria sido à toa, segundo o biógrafo Charles Highman, tudo deixava Bette Davis irritada nesse filme e ela, como sempre, não estava disposta guardar esse sentimento para si.

Começou por querer ser a irmã boazinha, e deixar a má para a amiga Olivia de Havilland. Olivinha por sua vez se sentia insegura em fazer uma vilã aquela altura, consagrada nas telas como um doce.

Preocupada com problemas de saúde do marido Arthur Farnsworth (que a deixaria viúva dali a um ano), Bette Davis ainda tinha que se dividir entre os sets e seus compromissos na presidência da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Tinha acabado de se recuperar de um colapso nervoso.

Após atrasar o inicio dos trabalhos, chegou e ficou furiosa com os figurinos exigindo que os refizessem. Nos primeiros testes de tela, o penteado com uma portentosa franja simplesmente causava risos.

Em atrito com os diretores (Raol Walsh, que ela DETESTAVA chegou a substituir Huston) que lhe pediam pra refilmar sequências, corria pra casa fazer queixas por carta ao chefão do estúdio Jack Warner. Solidária com a Havilland, manteve ainda uma postura maternal e protetora ao perceber que John Huston estava nutrindo um afeto pela colega e amiga mais jovem.

 Havilland na verdade tinha uma preocupação maior: Acima do peso, a Warner ordenou que emagrecesse meio quilo por dia, mas só conseguia metade disso. A amizade delas duraria parasempre, baseada, sobretudo em alguém disposto a dar muitos conselhos para alguém disposto a ouvi-los.

Descontente com o andamento geral da produção, Bette que sempre foi muito profissional, chegou ao limite da paciência e ameaçou abandonar o filme. Consideraria este um de seus piores trabalhos, de figurino, maquiagem, interpretações a encenação.

E a desastrosa pré-estreia de Nascida Para o Mal confirmou isso, com muitos comentários negativos que incluíam o visual dela. Estranhamente Bette Davis preservou a superstição de que calmaria no set geravam fracassos de bilheteria.

As imagens são um oferecimento Green Briar Picture Shows

Veja também
Beijo na tela, desprezo fora dela
Havilland e Bette: Amigas para sempre



terça-feira, 19 de agosto de 2014

Cinema francês em 32 bits

 No emaranhado mundo de jogos que existiam para Playstation One, The City of Lost Children merece ser relembrado pelo ineditismo. Até hoje não é lá muito comum filme europeu ganhar uma versão em videogame.

Lançado em 1997, ele tomava proveito do rico universo de Ladrão de Sonhos (La cité des enfants perdus, 1995 de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet). Jean-Pierre Jeunet dirigiria em 2001 o celebrado O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.

O filme tinha a alcunha de ser o mais caro a ser produzido na Europa, o que pode explicar o interesse em adapta-lo ao console da Sony. Seus diretores vinham do não menos bizarro Delicatessen (1991).

E não pense que era tranqueira. Ao contrário das versões das superproduções de Hollywood, onde geralmente a franquia é vendida para uma equipe que fará o game e seja o que Deus quiser, City of Lost Children era super bem cuidado, com o uso da trilha sonora de Francis Gorge (o mesmo de Twin Peaks) e tudo.

Para quem viu o filme, a gente joga com a menina órfã Miette, que tem uma série de enigmas a resolver. Para isso temos que fuçar milimetricamente os cenários à cata de objetos que futuramente tenham uso.

E essa era a dor e a delícia da experiência dos jogadores. Encontrar os itens era uma tarefa no escuro, sem um brilhinho que os indicasse nem nada, nos obrigando a ficar horas em cada cenário, às vezes à toa.

Miette ficava repetindo frases negativas a cada tentativa frustrada. Aí chego a outro diferencial: Idiomas!!! Naquele tempo os jogos não eram bilíngues.

Geralmente eram em inglês ou no caso de um azar na Galeria Pajé, levávamos pra casa uma versão em japonês. Mas ele tinha até áudio em várias línguas... Menos português, claro!


Assim, deixava em espanhol e aí em cada fase lia “cargando” ao invés de “loading”. Lembro claramente a voz da garota dizendo “No hay nada que buscar aqui” ou “La botella está vacía” a cada tentativa de procurar o que quer que seja nas garrafas verdes espalhadas.

A segunda imagem é um oferecimento Gamespot

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