segunda-feira, 29 de abril de 2013

Pouca roupa, porém alfabetizados

Herança radiofônica ou memória afetiva de quando liam em voz alta pra gente os contos da Mamãe Gansa. A loirinha Yvette Mimieux fez muitos viajarem em LP e cassete em 1968.

Acompanhada de cítara registrou trechos de As Flores do Mal de Baudelaire em vinil. No player abaixo, ou clicando aqui, você ouve uma das faixas.

Sua voz só começa após 3’48’’: “Venha para meus braços!”. E a gente só falta sentir o cheirinho de incenso no ar de tanto hipismo.

Há a opção para quem espera menos da vida. No You Tube, mocinhas trajando não mais do que biquíni leem trechos do roteiro de Star Wars.

Já se tornou um clássico! Devido ao sucesso, agora elas já praticam a leitura com os textos de Grande Lebowski e Pulp Fiction, sem esconder uma certa barriguinha saliente (mas quem repara nisso?).

Na mesma linha, mas mais empenhado, o astro pornô Colbin Keller tem gravado e subido vídeos em que lê “Eight Days a Week”, livro erótico de bolso da era pré-AIDS. Capítulo por capítulo, com cerca de seis minutos cada, que devem ir ao ar semanalmente.

Keller conseguiu a publicação numa espécie de sebo de sua cidade natal Baltimore. Como estava na seção de coisas grátis (o que  necessariamente não significa que seja ruim), resolveu assim disponibilizar o conteúdo de forma graciosa também.

Já está no capítulo 53 (ao todo são 64) com média de 500 views (ouvintes?). Óbvio que qualquer vídeo com o mesmo rapaz na função que o tornou mundialmente famoso deve ter esta quantidade de views vezes 100, mas não deixa de ser um bom número.

A primeira imagem é um oferecimento Cool Covers.



sexta-feira, 26 de abril de 2013

O anônimo por traz de Jack Nicholson

Uma curiosidade cinematográficas das mais ordinárias foi revelada. Quem afinal estava no lugar de Jack Nicholson na foto do réveillon de 1921 em O Iluminado (The Shining, 1980 de Stanley Kubrick)? A imagem é um dos mistérios que pairam em nossa cabeça toda vez que vemos o filme.

Além de qualquer mistério sobrenatural da trama, curiosidade técnica mesmo. Quem afinal estava ali?

Temos que ficar satisfeitos em conhecer finalmente o rosto que foi trocado, já que o nome da pessoa continua sendo uma incógnita. Aliás, a revelação da foto original não saiu dos arquivos da Warner.

A imagem, compartilhada pelo site Overloock Hotel, foi encontrada num livro que ensina a retocar fotografias em 1985. É utilizada como exemplo famoso, numa época bem anterior ao Photoshop.


E graças à invenção do scaner e da Internet! Essa maravilha que (na maioria das vezes) só nos alegra, muitas vezes como refresco mental enquanto trabalhamos.

Pena que em 1980 ela ainda não existia. Jack Torrance mudaria seus conceitos sobre “muito trabalho e pouca diversão faz de Jack um bobão” e muuuuuuitos problemas teriam sido evitados...

Veja também:
Experimentos reais de exposição á violência


terça-feira, 23 de abril de 2013

Estive no Sho-Bar e me lembrei de você

Fabulosos cartões postais, para quem vai ao Sho-Bar e quer uma lembrancinha do show Ricki Covette. Um dos lugares mais tradicionais de Nova Orleans.

Tradicional com “T” maiúsculo, remetendo quase aos tempos do ragtime. Ele ainda existe, com uma plaquinha de neon na frente, segundo me contou o Google StreetView (228 Bourbon St New Orleans, LA 70130).

O segundo cartão supostamente é de 1972 e a moça ali seria Brigette Boudreaux. É possível que toda a colonização francesa da região se estendeu a nomear as strippers locais (finjamos que não soa como Brigitte Bardot. rs)...

E algumas coisas nos fazem crer que o ambiente não era bem este aí das fotos. Compreensível as senhorinhas ali ao fundo, afinal, podia ser um ambiente familiar em que se repeita a arte do burlesco, né?

Mas cadê o cigarro? E porque todos, absolutamente TODOS, os cavalheiros da primeira fila estão observando o rosto das estrelas ao invés dos exorbitantes corpanzis de fora?

A primeira imagem é um oferecimento it's better than bad, a segunda imperturbe e a terceira Santa Claws.

Veja também:
Um piano, um teto, um cadáver e a striper muito bêbada para se lembrar

[Ouvindo: Hatchet Twist – Sante Maria Romitelli]

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Maravilhoso mundo feminino na TV

De torta Marta Rocha a dramas envolvendo filias inexplicáveis (comer pó vim, por exemplo), sabe-se de tudo nos canais femininos. Home & Health, do grupo Discovery, ocupa até seus intervalos com dicas imperdíveis!

Ensinam exercícios pra dor de cabeça, má digestão e até melhor o humor! Aliás, o de melhorar o humor é o melhor de todos, porque culmina com a expressão da imagem acima.

No You Tube  tem esse vídeo narrado em espanhol (mas que dá pra entender bem). Clique no player abaixo ou clique aqui para assistir e boa sorte! Não sei se realmente funciona...


Geralmente quando a gente está de mau humor só percebe quando é tarde. Após esporrar uma pobre criatura que só pediu um copo d’água.

E ontem encontrei o Peter Sellers fazendo a mesma expressão no trailer de Um Convidado Bem Trapalhão (The Party, 1968 de Blake Edwards). Sequência não incluída no filme.


Se um personagem do Peter Sellers aparece praticando há boas chances de ser funcional. Com certeza dá certo, né?

Desculpa aí você que assina TV pra ver jogos de futebol...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Tarantino em sete versões pornográficas!

Reservoir Dicks (2012)
Pulp Friction (2007)
Inglorious Bitches (2011)
Kill Jill  Volume 2 (2008)
Tarantino XXX (2013)
Rezervoir Doggs (2011)
Drill Bill Volume 1 (2004)

É meio óbvio que existam tantas versões X-Rated de Quetin Tarantino. Paródias são de longe o subgênero pornô que mais agradam nerds, público costumas do diretor.

Curioso que até filmes antigos como Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992) ainda geram versões para adultos. Reservoir Dicks foi produzido exatamente após 20 anos!

Há a promessa para este verão de um Django Livre (Django Unchained, 2012) no estilo (Django Unzipped?). Mas eles não necessitam estar na crista da onda pra serem feitos, como em tantos outros casos.

Veja também:
As várias versões X-Rated de Tim Burton

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Há 60 anos nascia Marilyn Monroe

Mais relevante do que ter se “comemorado” os 50 anos da morte da Marilyn Monroe em 2012, seria celebrar os 60 anos do nascimento de Marilyn Monroe em 2013. Não o nascimento da atriz, mas do mito Marilyn Monroe.

Até por que, ele não morreu, está vivo para um grande número de pessoas que jamais assistiram a um filme se quer da Loira. Ícone da beleza e sensualidade hollywoodiana nasceu de um emaranhado de contextos, como qualquer produto pop.

Em 1953 a indústria cinematográfica americana estava em crise com a feroz chegada da TV. Para concorrer surgiu o CinemaScope, e todos foram aos cinemas ver o uso da tecnologia principalmente em Como Agarrar Um Milionário (How to Marry a Millionaire de Jean Negulesco).

A promessa era de que beldades como Marilyn Monroe, Betty Grable e Lauren Bacall seriam vistas em realísticas proporções. Mas todas as atenções eram para a primeira que no mesmo ano já havia aparecido nos sucessos Torrentes de Paixão (Niagara de Henry Hathaway) e Os Homens Preferem As Loiras (Gentlemen Prefer Blondes, Howard Hawks).

Era a hora e vez da garota de 27 anos com certa notoriedade como modelo e cerca de meia dezena de anos tentando a sorte em pequenos papeis no cinema. Em 1953 ninguém estampou mais capas de revista do que Marilyn Monroe.

Uma pesquisa básica por capa de revista mais o ano mais seu nome e temos acesso a a centenas delas. Inclusive em japonês, chinês e hebraico!

A conjunção astral estava tão positiva que naquele ano ainda surgia uma certa revista chamada Playboy. Que sabiamente colocou a estrela do momento em sua capa e no miolo um punhado de fotos antigas que ela posou no começo da carreira.

Para os pudicos tempos isso destruiria a carreira de qualquer uma. Marilyn sabidamente não negou que era ela nas fotos (antes das cirurgias plásticas e do loiro platinado), mas declarou à imprensa que em começo de carreira precisava fazer de tudo para não passar fome.

Uma astuta meia verdade que não só colou como a fez mais famosa. Com pessoas torcendo pelo sucesso daquela atriz que realmente teria começado por baixo e que merecia viver este conto de fadas americano.


A foto principal deste post é do fotógrafo Bert Stern que fez uma série de imagens dos últimos momentos da atriz em 1962. Belíssima, sua aparência com cabelo Jack Kennedy é muito distante do glamour 50’s que personificou tão bem.

Estranhamente, a moda mudou rápido do surgimento ao “esvaecer” de Marilyn Monroe. Para a posteridade ficou aquela primeira imagem de 1953.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

La Dolce Vita na TV!!!

No player acima você vê à entrevista que eu dei ao programa Casa Brasil do Canal 25 da Net Jundiaí. O tema foi o blog mesmo!

Achei divertido, sobretudo para registrar em vídeo algo sobre o La Dolve Vita após 10 anos de postagens. Achei uma coisa bem intimidante também. rs

 Assista!!!!

[Ouvindo: Love In C Menorr – Cerrone]

Nietsche para maiores em pleno Art Déco

Dá até vontade de ilustrar o verbete da Wikipédia com esta foto. Quem era fina, no grito da moda nos anos 30, era todo Art Déco: Do penteado a decoração da casa.

Frame de Serpentes de Luxo (Baby face, 1933 de Alfred E. Green), quando a personagem de Barbara Stanwyck já está toda rica. Lily é um dos melhores papéis femininos do cinema.

Moça pobre explorada sexualmente pelo pai parte pra cidade grande a fim de se dar bem. Veja bem, usei termo “se dar bem” aí com aquele significado moderno de fazer sexo com qualquer homem que possa lhe ser interessante!

E ela faz tudo isso seguindo os conselhos de um velho senhor que lhe recomenda alguns ensinamentos de Nietsche, mas precisamente o livro Vontade de Poder. E ela sai podendo com meio mundo!

Pura ousadia para a época, o filme chega a listar um por um, usados na escalada da moça. Incluindo o John Wayne em começo de carreira que quase entra mudo e sai calado.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A vida como ela nunca foi

Revista promete contar todos os segredinhos íntimos de Tab Hunter, então um astro teen. Todos, todos, todos a gente duvida, né?

Ele caiu na boca do povo no final da década de 50 e começo dos 60. Chegou num ponto que sua homossexualidade não podia mais ser escondida.

Não é à toa que, beirando 82 anos, a recente autobiografia chame-se Tab Hunter Confidential – No More Secrets. Pouquíssimos sobreviveram pra contar as agruras da vida gay sob os holofotes hollywoodianos.

Qualquer informação íntima a mais de um galã era um passaporte para o obscurantismo. Mais bizarro é desconhecermos se agora, meio século depois, as tietes mais comuns perdoariam astros não heterossexuais...

Marcante a opinião de uma senhorinha no documentário The Celluloid Closet. Disse mais ou menos isso: “Todo mundo olha para a década de 50 com um olhar doce e poético. Nós que vivemos lá sabemos o quão horríveis eram aqueles anos repressores.”.

[Ouvindo: A Tempestade – Madredeus]

terça-feira, 9 de abril de 2013

Super Cindy com lasers!

Cindy Crawford mostrando para que serve uma Super Model no programa Muppets Tonight em 1996. O porquinho pegunta: “Super Model? Se você é super, qual é o seu podere?”.

 Lasers nos olhos! Ganhar toneladas de bufunfa na década de 90 não teria tanta graça assim, mas também era um virtuoso super poder.

O saudoso reinado das mulheres vegetais. Aquelas que bastavam ser lindas e ponto! O mundo a seus pés sem esforço.

Mas elas tentaram ir além. Lançaram vídeo de fitness, cantavam, dançavam, escreveram livros, interpretaram e absolutamente nenhuma vingou além de ser linda e estampar capa de revista.

 Nessa participação nos Muppets (assista ao vídeo clicando aqui) mesmo, Cindy Crawford teve a preciosa chance de mostrar seus super dons artísticos. Canta, dança e representa (além de ser linda, óbvio!).

sábado, 6 de abril de 2013

Descansa en paz, Bigas Luna

Bigas Luna faleceu ontem (6) em seu país natal, Espanha. O diretor perdeu a luta contra o câncer aos 65 anos de idade.

Conhecido por filmes como Bilbao (1979), Os Olhos da Cidade São Meus (Angush/Angustia, 1987) e Jamón, Jamón (1992), revelou ao mundo beldades como Penélope Cruz. Ainda trabalhou com Javier Bardén (antes do ator se tornar um astro internacional) em As Idades de Lulu (Las edades de Lulú , 1990) e Ovos de Ouro (Huevos de oro, 1993).

Em comum com os conterrâneos Pedro Almodóvar, Carlos Saura e Abel Ferrara, Luna causou burburinho no cenário cinematográfico pela ousada e inventividade de suas obras. Desde a década de 90, assim como quase todos os patrícios, perdeu este brilho diferencial.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Pausa para nossos comerciais

                            LM - Has found the secret that unlocks flavor in a filter cigarret

Já vimos aqui mesmo no blog até propaganda de cigarro com um médico fazendo recomendações, o que diremos de fumar como forma de atrair as fêmeas. Cigarro já foi vendido como cheiroso...

Até uma feminista cairia de quatro para o mais machão dos machões que pitarem um L&M. Aliás, a imagem de homens contra mulheres é outra coisa bastante defasada, né?

Ele chamando ela de burra e ela chamando ele de... elefante? O que, convenhamos, não mudou de lá, quando o anúncio foi publicado, pra cá, é o marketing utilizando manifestações populares pra vender produtos.

Hoje as empresas investem no lado socialmente mais aceito, ou politicamente correto. Dependendo da questão, pode ser favorável ver o apoio de empresa “X” a uma minoria, mas não esquecemos nunca quais suas reais intenções.

PS: 06/04/2013 01h41 - Conforme o Refer me corrigiu (Via Facebook), o anúncio faz referência a republicanos e democratas. Na hora de escrever o post estava com outra coisa em mente, nem me ocorreu isso.

Mais do que (ou além d)a disputa entre sexos, trata-se de opostos de uma forma mais ampla.

A imagem é um oferecimento Retrorama

[Ouvindo: Working In A Coalmine – Lee Dorsey]

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Lauro Corona e os mexericos pra posteridade

E andei lendo meu guia prático Astros e Estrelas da Nova Cultural (sim, aquele clássico de 1990!). Deparei-me com as seguintes linhas amareladas na bio do Lauro Corona:

“(...) e estreou no cinema em O Sonho Não Acabou (81). Mas nesse mesmo ano sua imagem de jovem sadio foi comprometida com a descoberta de um cheque seu em propriedade de traficantes de cocaína.”.

Desconhecia completamente esta informação... Mas, sinceramente, pouco, ou melhor, nada me interessa nela.

Burrada todo mundo já fez na vida. Nem faz muito tempo acompanhamos outro ator nas páginas dos jornais por um motivo bem semelhante, lembra?

Entendo o suposto "interesse jornalístico" do fato na época em que ocorreu. Tietes querem saber de tudo, algumas mais mórbidas inclusive as baixas de seus ídolos.

Agora registrar tal coisa numa biografia, que por natureza seria para a posteridade, sendo que não influiu em nada na trajetória do profissional é que é duvidoso. Como nunca tinha ouvido falar, pressuponho que não tenha influenciado.

Lauro Corona continuou sendo um dos galãs na TV e cinema mais conhecidos dos anos 80. Com ou sem a sua imagem de “jovem sadio”.

Veja também:
Nos anais da fofoca brasileira: Mario Gomes e a cenoura.
Louella Parsons e Hedda Hopper - As rainhas do mexerico
Pecado na Cidade dos Anjos
Narcisa e Isis de Oliveira na Veja


[Ouvindo: Jealous Guy – Robin Morris]

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Que fim levou Perry Lee Blackwell?

Veja a ceninha no player acima (ou clicando aqui) de Confidências à Meia-Noite (Pillow Talk, 1959 de Michael Gordon ). Um grande momento envolvendo Doris Day, Rock Hudson e... Perry Lee Blackwell!

Perry Lee Blackwell cantando “Roly Poly” e "You Lied" é tão graciosa e tem tanto destaque que podemos jurar que se trata de uma estrela de Hollywood. Para surpresa geral, sua história no cinema não passou deste filme e de Alguém Morreu No meu Lugar (Dead Ringer, 1964 de Paul Henreid), filme em que Bette Davis interpreta gêmeas.

Na produção de 1959 está creditada apenas como Perry, no segundo nem isso! Pelo menos por enquanto, já vi muitas biografias mudarem com o passar dos anos, nestes mais de dez anos de blog.

Aliás,vi mudar as bios de pessoas conhecidas (como James Dean) a nomes menos obscuros graças á Internet, como Ed Furry. Quem sabe se descubra mais sobre a encantadora jazzista que literalmente roubava as cenas no pouco que teve.

Há pouquíssimas informações também sobre sua vida pessoal e carreira artística num todo. Não faz muito tempo, alguém se dizendo ser sua neta deixou comentários em vídeo do You Tube.

Blackwell estaria vivendo com sua filha no Arizona desde 2009. Pianista de formação clássica é organista autodidata, tocando Hammond por anos em shows de gente famosa como Nancy Wilson, Aretha Franklin e Quincy Jones.

A segunda imagem é um oferecimento Vinnyl Beat.

[Ouvindo: Praia do Amor (Twist Americano) – Patricio Bisso]

Do mOndo nada se leva! Documentários para quem quer se chocar

Muito em voga nos anos 60, os documentários ao estilo “mondo” (do italiano “mundo”) fizeram escola. A bizarria que antes se pagava para ver no cinema, hoje temos na TV paga aos montes.

Montados com uma ótica sensacionalista, não raro esbarravam nos temas morte e sexo. Por excelência, sua existência se deve aquele tipo de publico socialmente muito civilizado, mas que não deixa de diminuir a velocidade do carro e colocar a cabeça pra fora ao se deparar com um acidente rodoviário.

Ah, claro! Gente que diz comprar a Playboy pra ler as entrevistas também é plateia cativa dos "shockumentarios". Pra se ver um pouquinho de sacanagem é preciso, em suma, haver uma desculpa "sadia".

No cinema, pode-se apontar a raiz de uma onda (de gênero, estilo, temas, etc.), a partir de um sucesso de bilheteria. Embora o resultado nem sempre faça justiça completa, ajuda a compreender um pouco seus rumos.

Houveram antecessores de Mondo Cane de 1962, mas foi dele que dezenas de outros filmes emprestaram a palavra “Mondo” em seus títulos. Teve “mondo” pra todos os gostos, inclusive Mondo Topless (1966) de Russ Meyer e Mondo Trasho (1969) de John Waters.

Mondo Balordo de 1964 nos mostra o cotidiano de casais lésbicos, a vida de anões, cotidiano de tribos selvagens nos confins do planeta, grupo de voluntários que cuidam de cães maltratados, etc. Cada quadro com colorido e textura de película diferente, o que denota as mais inimagináveis fontes de conteúdo.

Balordo se distingue dos demais por buscar um certo pedigree com a narração bem humorada do ator Boris Karloff. No mesmo ano, Vincent Price emprestou sua inconfundível voz para I Tabú.



Além do tom exagerado, boa parte do que é mostrado hoje é de uma banalidade atroz, o que lhe impinge inevitável humor involuntário. Precisávamos ir ao cinema pra saber que anões têm uma vida romântica comum a todos, japoneses são adeptos ao
bondáge?

Imaginado como serão assistidos num futuro próximo aqueles programas do Natgeo ou H&H que mostram donas de casa comendo produtos de limpeza, homens solitários vivendo maritalmente com bonecas de silicone... Mundo cão seria apenas um ponto de vista temporal?

[Ouvindo: Casa E Comida – Núbia Lafayette]
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