quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

No camarim com Edith Massey

De garçonete em boteco hippie a estrela de cinema. Com uma trajetória interessante como atriz underground, Edith Massey se lançava como cantora punk em 1982, época em que concebeu ao jornalista R.D. Era a entrevista a seguir.

Publicada pela primeira vez em inglês na revista Touch, foi resgatada em espanhol pelo blog Vivir in Tucson que gentilmente autorizou a repostagem aqui, em português. E é uma entrevista encantadora e engraçada, que desnuda um pouco a mulher por trás do mito.

E quem é que diria que ela jamais estudou interpretação? Lemos suas respostas ouvindo a singular voz de Massey em nossa cabeça.

Ao final ela comenta o próximo projeto no cinema, que seria com John Waters, um filme que jamais aconteceu. O último trabalho juntos foi mesmo Polyester, que era seu papel preferido.

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Edith Massey, se tornou uma instituição graças aos filmes de John Waters, viaja pelos EUA apresentando seu compacto, Big Girls Don't Cry/Punks Get Off the Grass. Agora, além de atriz é cantora punk. Nós a conhecemos enquanto ela se preparava para uma de suas performances bem-sucedidas e perguntamos sobre o sucesso, o amor dos fãs e sua cidade, Baltimore:

- Olá Eddie, como é que você entrou no show business?
- Olá. Bem, eu trabalhei em casas noturnas a maior parte da minha vida, principalmente como garçonete. Em uma dessas casas noturnas conheci John Waters. Eu estou no show business desde então.

- Esta noite você se apresenta em Los Angeles. Você gosta da Califórnia? Quais são as diferenças com a cidade de Baltimore, onde normalmente você reside?
- Eu amo a Califórnia, e eu também gosto de Baltimore. É mais frio lá, no último inverno foi muito frio! Mas eu gosto de Baltimore.

- Você gosta de fazer filmes?
- Bem, honey, você sabe que fazer filmes não é nenhuma brincadeira. Mas eu gosto dos amigos que faço com o filme... e os fãs.

- Quem você gostaria de filmar uma cena de amor?
- (risos) Essa é uma pergunta difícil. Gostaria que Bob Barker me levasse pra tomar café da manhã. O meu amigo Paul Letherman, eu gostaria de filmar uma cena com ele. Você conhece o Paul? Honey, eu acho que você adoraria Paul.

- De todos os seus papéis, qual é o seu favorito?
- Eu realmente gosto da Cuddles de Polyester (John Waters, 1981). As filmagens de Polyester foram fáceis e divertidas. Eu nunca tomei aulas de interpretação e meus papéis nem sempre são fáceis.

- O que você faz normalmente em Baltimore?
- Você sabe que eu tenho uma loja de antiguidades. Lá você pode encontrar art deco, cartões postais e roupas. Bem, eu também vendo coisas extravagantes, botões e todos os tipos de tranqueiras. Normalmente eu estou na loja, conversando com os fãs que me chamam ao telefone. Agora eles ligam pra perguntar sobre o vídeo que fiz com John Cougar. Meu telefone aparece em um livro de John (Waters), Shock Value.

- E como você faz para se divertir, o que você gostaria de fazer?
- Eu sou muito simples, eu gosto de sair e passear.

- O que você acha do estrelato?
- Eu acho que é genial ser uma estrela. É divertido. Amo meus fãs, e acho que a maioria deles também me ama.

- Você me disse que conheceu John enquanto trabalhava como garçonete. Você se lembra de como foi?
- Eu trabalhava em um bar durante o movimento hippie na década de 60. John e seus amigos costumavam vir e conversar comigo. Finalmente eles me perguntaram se eu gostaria de participar de um filme como atriz. Nós nos tornamos amigos e eu apareci em todos os seus filmes desde então.

- O que você recomendaria aos jovens que tentam entrar no show business ? 
- Deixe-os tentar, pelo menos. É fascinante. Mas eu diria que eles devem procurar outro emprego, enquanto tentam chegar ao topo, para pagar as contas. Eu sei o que é querer ser encantador.

- Qual é a coisa mais surpreendente que você já leu sobre você na imprensa? 
- Bem, a Newsweek disse que eu deveria ter um Oscar ou uma enfermeira para cuidar de mim sete dias da semana. Eu acho que só precisarei dessa enfermeira se eu conseguir um Oscar.

- Qual é o próximo, Edith?
- Eu vou ser uma professora e intérprete de Shakespeare no próximo filme de John Waters. E Divina será mãe de trigêmeos. Bem, isso se John (Waters) não mudar de ideia (John costuma mudar de ideia). Começamos a filmar dentro de um ano.

- Isso soa muito bem. Obrigado por falar conosco, Eddie.
 - Ahhh, vocês são bem-vindos, honey.

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Toda a trajetória de Edith Massey, a Cinderela que continuou no borralho, você lê clicando aqui.

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