quarta-feira, 9 de outubro de 2013

R.I.P. Norma Bengell

Noite Vazia de Walter Hugo Khouri
A musa Norma Bengell faleceu nesta madrugada (dia 09) aos 78 anos, ao sucumbir a um câncer. Do teatro de revista do Carlos Machado a estrela de cinema internacional, Bengell foi uma das artistas mais completas do século passado.

Ao contrário de muitas das personagens que interpretou e das mulheres bonitas de sua época, soube na juventude ditar as regras de sua vida. O que contrasta com os últimos tempos difíceis que passou.

Terrore nello spazio de Mario Bava
Já muito famosa como uma das mais belas vedetes do Rio, teve uma foto publicada na capa de um disco sem a sua autorização. Fez um acordo judicial com a gravadora, ganhando o direito de se lançar como cantora em 1959.

No mesmo ano chegou ao cinema graças a uma similaridade que possuía com Brigitte Bardot. É fazendo uma sátira da atriz francesa que ela estreou em O Homem do Sputnik (1959 de Carlos Manga), chanchada estrelada por Oscarito.

Com o Cinema Novo entrou para a história ao se tornar a primeira atriz a aparecer completamente nua nas telas nacionais. A exposição da beleza plena de Bengell por longos minutos aconteceu no filme Os Cafajestes (1962 de Ruy Guerra).

Foi à Cannes por participar de O Pagador de Promessa (1962 de Anselmo Duarte), único filme do Brasil a ganhar a Palma de Ouro no festival. Passaporte para uma carreira internacional (sob apoio do lendário produtor Dino de Laurentis), conquista de poucas brasileiras.

Série norte-americana T.H.E. Cat
Trabalhou com grandes diretores europeus como Mario Bava e Eugenio Martín, sem deixar de trabalhar com os brasileiros Walther Hugo Khouri e Glauber Rocha em produções que se tornaram clássicas. Flertou com os EUA ao aparecer na série televisiva T.H.E. Cat, exibida entre 1966 e 1967.

Sua participação em telenovelas, caminho comum a atriz no seu país, nunca foi representativa. Teria sido Yolanda Pratini em Dancin’ Days (1978 de Gilberto Braga), uma das grandes vilãs de nossa TV, mas se desentendeu com o diretor Daniel Filho, abandonando a produção poucos dias antes da estreia.

Seguiu como um nome voltado quase que exclusivamente ao cinema, o que também não é uma tradição do Brasil ter estrelas cinematográficas. Acabou estreando como diretora em 1987 em Pagu, filme onde Carla Camuratti personificava Patricia Galvão, outra mulher á frente do seu tempo.

Rio Babilônia de Neville de Almeida
Bengell enfrentou uma tempestade ao dirigir O Guarani, produção de 1996. Os problemas com o longa começaram nas filmagens com atritos com o elenco, fracasso ao ser lançado e mais tarde problemas com o Ministério da Cultura pela captação de recursos.

Esse problema judicial se arrastou por anos, bloqueando seus bens, o que colabou com seus difíceis últimos anos.  Acabou tendo sua imagem explorada por programas de TV sensacionalistas.

Para o grande público apareceu pela última vez na série cômica da TV Globo Toma Lá Da Cá (2009) como a Deyse Coturno.  Uma imagem oposta à beldade glamorosa com que ficou famosa e que será eternamente lembrada.

Veja mais sobre Norma Bengell.

9 comentários:

Deniac disse...

Cara, esses dias eu estava ouvindo aquele disquinho dela, o "Oooooh! Norma". Uma pena!

Miguel Andrade disse...

Deniac, acho esse disco uma delícia. Já ouvi muito!

divulgablogsite muro disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Luiz Hortelã disse...

Engraçado, até pouco tempo ninguém falava dela...

Miguel Andrade disse...

Luiz, verdade! Mas veja bem, existe uma tag só pra ela aqui no blog faz anos!

Repare como no post há links para outros muito antigos. Se ninguém falava dela antes é pq você tem lido e frequentado lugares estranhos na Internet.

Volte sempre a acompanhe cultura pop além do que sai na mídia, com a pessoa tendo morrido ou não! ;)

Anônimo disse...

O Canal Brasil fará uma bela programação com os filmes em que Norma atuou.
Só fiquei sentida por não terem colocado "A Casa Assassinada", baseado em um dos clássicos da literatura brasileira.
Norma interpreta uma personagem tão importante, a Nina da obra do grandioso Lúcio. E o pessoal deixa esse filme de fora...

N.

Miguel Andrade disse...

N., valeu pela dica do Canal Brasil. Realmente uma pena A Casa Assassinada estar for. Raro!

Marcos Wallace disse...

Quero o dinheiro que ela ROUBOU do povo brasileiro de volta! O apartamentão que ela comprou com dinheiro público vai ficar para os herdeiros?

Miguel Andrade disse...

Marcos, mas isso cabe à justiça, demorada pra caramba pra julgar.

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