terça-feira, 31 de janeiro de 2012

“Compramos ratos vivos e gordos”

Anúncio em letras garrafais publicado no jornal da cidadezinha alemã Wismar no dia 31 de julho de 1921: "Para imediata rodagem de um filme se precisa de 30 a 50 ratos vivos e bem alimentados. Pagaremos generosamente.". O filme era Nosferatu de F.W. Murnau.

Compreende-se pela época e o local o quanto os leitores devem ter ficado encafifados. Não havia um gênero específico chamado “Terror”, pelo menos ainda não estabelecido.

Segundo o documentário Die Sprache der Schatten - Murnau: Die frühen Jahre und Nosferatu (2007 de Luciano Berriatúa), textos publicados na estreia o definiam como “um verdadeiro filme sobre ocultismo”. Não era outro filme pra dar medo.

E claro que com o fortalecimento da indústria cinematográfica, existem pessoas que criam estes animais especificamente para este fim. Imagina o perigo pra equipe de filmagem ter que conviver com ratos realmente saídos dos esgotos.

Pelo que é mostrado no filme, mudaram de ideia ou o anúncio não deu certo. Aparecem bem menos ratos do que as mínimas três dezenas pretendidas.

[Ouvindo: Nom De Strip ( I can see boobies) – RESET!]

Notícias além da imaginação

Não sei o que é mais bizarro nesta foto da Reuters publicada na Folha de hoje (31). Trabalhadores belgas se manifestando tal e qual gente como a gente, ou por acidente reproduzirem a imagem abaixo:

Cena da série Além da Imaginação (The Twilight Zone, 1959 -1964) tão célebre que mesmo quem não assistiu já viu alguma outra referência a ela. Uma sociedade que usa máscaras medonhas que ao tirá-las possuem expressão igual.

“The Masks” é o 154º episódio, pertencente á 5º temporada que foi ao ar pela primeira vez em 1964. A direção foi da atriz Ida Lupino, revolucionária estrela glamorosa de Hollywood que não se conformou em ficar apenas à frente da câmera.

Quanto aos belgas, fica aí uma sugestão aos manifestantes brasileirinhos. Nariz de palhaço já deu faz tempo, né?

[Ouvindo: Not Another Drugstore (Planet Nine Mix) – The Chemical Brothers]

As Certinhas do La Dolce

Anjelica Huston
Germinada


Um oferecimento Nickdrake

[Ouvindo: Make Some Noise – Beastie Boys]

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Romântica psicose


E nescessariamente vou tomar um susto toda vez que cruzar com capas de discos do Tony Perkins? Que Tony? Aquele do “Mother! Oh God, mother! Blood! Blood!”.

Pouco antes de ser o serial killer Norma Bates em Psicose (Psycho, 1960 de Alfred Hitchcock) ele despontou como cantor romântico adolescente. E era elogiado, ao contrário da maioria dos cantores do tipo, com carreira voltada mais ao sex appeal do que à voz!

Ouça First Romance, música pertencente a esta capa de 1958, no player abaixo ou clicando aqui. Delícia estar até com os saudosos chiados do vinil.

Mais tarde ele lançaria o LP (Like A) Fish Out Of Water. Infelizmente, o post anterior com esta raridade está com o link para MP3 perdido.

A capa é um oferecimento Thriftheaven

[Ouvindo: Reaching For The Moon – Frank Sinatra]

10 fitas que John Waters desejou ter em casa


O texto abaixo foi publicado originalmente em 1981 na revista American Film. Na febre do VHS, quando virou moda colecionar filmes em vídeo, perguntaram ao cineasta John Waters quais filmes gostaria de ter em casa.

A resposta, como era de se esperar, foi ótima. Pode estar datada, mas além de saber sua opinião sobre alguns títulos, ainda dá pra sacar como o novo hábito colecionista (tão difundido hoje) foi encarado naquele tempo.

No final ele fala do sonho em dirigir Pia Zadora. Conseguiu concretizar em 1988, dando-lhe o papel de beatnik em Hairspay.

Quando fala de “a versão recente de A Vingança de Jennifer”, tenha em mente que se refere a I Spit on Your Grave produzido em 1978, não a terceira versão de 2010. Que aliás, foi chamada no Brasil de A Doce Vingança.

Traduzi daquele jeitinho, mas creio que ficou compreensível. Os nomes dos filmes sem versão aqui foram preservados.


--- xXx ---


Quando o American Film me pediu para fazer um artigo sobre "Dez VHS que eu gostaria de possuir" tive que admitir que nem sequer uma dessas máquinas eu tenho. E, para ser honesto, não tenho certeza de que quero uma. Vídeo me deixa nervoso. É muito trendy. E isso me faz lembrar de Pac-Man e esses jogos horríveis. Percebo que devo soar como um careta da era do cinema mudo que viu pela primeira vez um sonoro e disse: "Bah! Isso nunca vai funcionar", mas acho que se você estiver em casa, você deveria ler. Se você quiser assistir alguma coisa, você deve sair.

Eu gosto de pagar para ir ao cinema. Chego ao cinema cedo para que possa ver se a exibição anterior estava lotada. Eu leio cada palavra do que foi dito sobre o filme para sentir bastante confiança a entregar meus quatro dórlares à indústria do cinema.Eu me sinto como um detetive, quando entrego meu ingresso ao lanterninha e fico observando certeza se ele rasga e me entrega de volta o canhoto com o serial. Assim sei que ele não está roubando o cinema.

Eu gosto de comprar jujubas obsoleto, ler a pichação nas paredes dos banheiros, e assistir aos trailers. Eu até me sinto com d ever cívico fumando no cinema para o porteiro diz me botar para fora. Sei que estou criado um trabalho muito necessário para a nossa juventude desempregada. Eu até gosto de sair 10 minutos antes se eu não gosto do filme, e pesso meu dinheiro de volta, porque eu saí de casa para experimentar o ritual de "ir ao cinema."

Não só não tenho um gravador de vídeo, mas até alguns anos atrás eu não tinha sequer um aparelho de televisão até um amigo me dar um de presente no Natal. Eu percebi que era um presente caro, mas eu não podia deixar de lembrar da Jane Wyman em Tudo O Que o Céu Permite (All That Heaven Allows), quando ela vê seu reflexo na própria tela. Eles não poderiam fazer os aparelhos de televisão e todos os aparelhos de vídeo "mais bonitos"! A decoração da sala de um amigo meu tem cortinas na tela da TV que abrem e fecham como um palco de teatro de marionetes.

Minha paranóia de vídeo vai ainda mais longe - eu estou realmente com medo d a luz horrível que vem da tela, especialmente se for a única iluminação no quarto. Faz todos na sala parecerem mais velhos, mais doentes, e menos inteligentes. Médicos estão estudão isto? Quero dizer, assistir a um vídeo por muito tempo pode causar perda de cabelo, impotência, ou, quem sabe, o câncer gay?

Devo admitir que eu sou um hipócrita completo sobre este assunto.Eu amo o fato de poder vender os direitos para o VHS de todos os meus filmes. Fico lisonjeado que as pessoas queiram possuir meus filmes. Um dos meus filmes ainda vai realmente arrasar nas vendas em vídeo. E se alguém me der um Betamax da Sony, irei usá-lo, porque eu preciso de outro hábito caro, assim como eu preciso de um buraco na cabeça. Eu provavelmente começarei a guardar fitas de vídeo chocantes. Não posso imaginar por que alguém iria comprar uma fita cassete ou trilha de um filme que poderia vê-lo na tela grande na companhia de outras pessoas, mas posso entender assistir a um filme em vídeo que raramente foi exibido ou que só poderia ser visto na televisão comercial mal editado e censurado. Transformado num filme neurótico. Eu também posso simpatizar com colecionadores que simplesmente devem assistir em uma fita apenas determinada cena repetidamente a fim de aliviar qualquer ansiedade que pode estar sofrendo.

Então aqui vai - as dez fitas que eu gostaria que alguém me desse:

01. Fita virgem
Uma vez que todos os que compram gravadores de TV tornam-se essencialmente piratas de filmes, acho que teria que me tornar um também.
Deixe-me dizer logo que eu sou contra isso.
Qualquer um poder fazer cópias ou alugar um filme em fita, como não sou um comunista, isso naturalmente me assusta. Mas se eu tenho uma dessas máquinas, o que mais eu poderia fazer com ela? Se o público em geral tiver acesso total a todos os filmes para assistir a qualquer hora que eles quiserem, haverá ainda algum mistério sobre o filme? Será que a magia desaparecerá?. Eu acho que é tarde demais para nos preocuparmos com isso, então eu quero uma fita virgem apenas pela emoção de roubar as redes de TV, seus patrocinadores, e todos os distribuidores de filmes. Infelizmente, há muito pouco na televisão que eu gostaria de assistir uma segunda vez, muito menos cópiar para ver de novo. Acho que o meu fascínio seria uma gravação de imagens de atrocidades na notícia, tentativas de assassinato, entrevistas com criminosos. Eu poderia, então, colocar pra rodar estas fitas sempre que estivessem dando uma festa, para que os convidados indesejados saissem rapidamente. Meus amigos de verdade e eu pudemos experimentar as qualidades verdadeiramente bizarras de notícias como entretenimento.

02. O Mágico de Oz
Sim, sim, sim. Eu sei que é reprisado na televisão todo ano, mas uma versão em cassete seria a chance do elenco se livrar dos comerciais horríveis. É um dos poucos filmes que eu poderia assistir muitas e muitas vezes e não ficar entediado. Bem, nem todos, mas alguns segmentos são muito especiais para mim. A cena tornado, em minha mente, é a cena mais erótica jamais filmada. Por que, eu não sei, mas diante dos olhos de Dorothy o vento rasgando as dobradiças do portão, invariavelmente, me faz sentir como ser convidado a um encontro. Qualquer cena com a Bruxa Malvada do Oeste eu assistiria repetidamente até que, meus vizinhos chamarem a polícia reclamando de ter que ouvi-las tantas vezes. Especialmente a cena em que ela escreve com sua vassoura no céu da Cidade das Esmeraldas: "Renda-se Dorothy". Iria tirar o fôlego de qualquer um que eu estivesse discutindo se pudesse transmitir uma mensagem da mesma forma.

03. O Massacre da Serra Elétrica
O mais assustador filme já feito e o maior sucesso nas festas de aniversário do filho de um amigo. Se o diretor Tobe Hooper pudesse ver todos os pequenos de nove anos de idade em vestidos com bonitas roupinhas e chapéus de aniversário correndo pela sala gritando de terror como aparece no filme ele voltar a fazer o que de melhor fez - puro horror. Este ano eu selecionei The Corpse Grinders para as crianças e ficaram decepcionadas."Com certeza não foi tão bom quanto Serra Elétrica", reclamou uma delas. Nada poderia ser mais top do que Serra Elétrica em suas mentes ou na minha.

04. A Vingança de Jennifer (I Spit on Your Grave)
Não o filme original, hit do início dos anos sessenta, mas a versão nova e melhorada que deixou Roger Ebert e Gene Siskel com opiniões tão doidas que os exibidores de Chicago tiveram que tirá-lo de cartaz. Este filme, assim como Ilsa, She Wolf of the SS, Blood Sucking, Freaks, é tão odioso, tão violento e tão totalmente desprovido de valor social que é impossível de ser defendido. Viola tantos os tabus que faz com que censores locais e mulheres que lutam contra a pornografia tenham realmente com o que uivar. Estrelado por Camille Keaton (sobrinha de Buster!), aparece quase totalmente nu o tempo todo. Sangrando muito enquanto ela é brutalmente estuprada por um bando de tontos e depois de recuperada sai para assassiná-los e castrar o líder (com as lâminas de um motor de popa). A maior acusação: retrata o estupro para excitar fantasias masculinas. O Esquadrão da Descência deve prestar atenção a cada pessoa que comprar uma cópia desta fita. Ele conseguiu ofender-me.

05. Amor Sem Fim (Endless Love)
Meu filme favorito de 1981 - uma hilariante comédia americana e totalmente intencional: o melhor tipo. Um digno sucessor de uma longa linhagem de bugios - O Outro Lado da Meia-Noite (The Other Side of Midnight), Mahogany, Once Is Not Enough, The Love Machine. Eu gostaria de ter esse filme porque ele vai ser cortado para a televisão, e você pode ter certeza que nunca vai ser reexibido nos cinema. Ele consegue dar a "camp" um mau sentido. Mesmo o público adolescente a que se destina riu assistindo. O filme é estrelado por minha modelo e atriz – transformada em atriz, Brooke Shields, e seu amor sem fim, Martin Hewitt. Mr. Hewitt, um ex-assistente de estacionamento, ganhou um concurso de caça de talentos ocorrido em todo o país pelo diretor Franco Zeffirelli. Não se pode julgar, mas pergunto como seriam os perdedores. Cena favorita: O pai da ativista social (Don Murray) trata a maconha na boca de sua mulher liberal (Shirley Knight) na festa de seu filho adolescente como se não tivesse ouvido a canção título. Você já ouviu Diana Ross cantá-la tantas vezes que você meio que espera pra ver quem está na vaga de convidado.Incrível. Um livro de primeira linha se transformou em um fedor de primeira linha.

6. Good Morning... and Goodbye!
"Você vai precisar de uma babá", rosnavam os anúncios para essa pouco conhecida obra-prima de Russ Meyer, um filme que contém talvez os diálogos mais hilariamente nojentos de qualquer de seus filmes. Escrito por um dos meus roteiristas favoritos, Jack Moran (Faster, Pussycat! Kill! Kill!). A estrtrela de Good Morning é Alaina Capri, a mais excitada de todas as regulares atrizes strippers, dançarinas, e top-heavy loucas de Meyer. Na cena mais memorável, senhorita Capri é tão agressiva com fome de homem, qualquer homem, que ela dirige totalmente nua sob um casaco de vison em um Cadillac conversível para um canteiro de obras, e se inclina sobre a buzina até que um dos homens grotescos aproxima-se dela. Também estrelado pelos Liv Ullmann e Max von Sydow do repertório Meyer, Haji e Stuart Lancaster. Stuart Lancaster interpreta um velho sujo com tanta convicção que você pode ouvi-lo salivando mesmo quando ele não está na tela. Haji, a mais versátil das mulheres Meyer, pode mudar de uma ninfa exóticas a uma vadia jogando canivete em um piscar de olhos. Na vida real Haji é a caçadora de talentos para Russ e é responsável por descobrir algumas de suas atrizes mais incrível - Tura Satana, Kitten Natividad, e Erica Gavin. Haji é a prova viva de que as mulheres Russ Meyer eram melhoreres do que sua tudo o que possa estar no Screen Actors Guild.

07. Fort Apache, The Bronx
Por uma única razão - O desempenho absolutamente incrível da atriz mais fenomenal trabalhalhando em Hollywood hoje: Pam Grier. Por que ela não foi indicada a um Oscar por este desempenho verdadeiramente assustador como uma prostituta anjo-empoeirda que afugenta os policiais e as fatias de johns com uma gilete escondida em sua boca está além de mim. Pam Grier pode levar classe para qualquer filme, mesmo aos incpntáveis explotations que estrelou. Quando ela se entrega, ela brilha mais do que qualquer Diane Keaton, Katharine Hepburn, ou Sissy Spacek no negócio.Todos os agentes de elenco devem possuir uma fita de vídeo do filme para ver o que estão perdendo.


08. El Paso Wrecking Co.
Estou convencido de que a principal razão para as pessoas estarem viciadas em máquinas de vídeo é que eles podem assistir a filmes sujos em casa sem correr o risco de ser visto entrando num cinema pornô. O sucesso do vídeo está diretamente ligada ao auto-abuso, uma vez que os menos aventureiros tendem a se afastar da prática em um cinema. Mas em casa, é uma história totalmente diferente. Uma vez que bons amigos invariavelmente acabam trocando histórias sujas juntos durante uma longa noite em ambientes fechados, é natural imaginar que coloquem uma fita realmente imunda. Eu escolheria El Paso Wrecking Co. de Joe Gage. Ele faz o melhor pornô que eu já vi - gay ou hetero, e já que quase todo mundo já viu pelo menos uma característica do hardcore heterossexual, eu escolheria um gay. Especialmente na sociedade de economia mista, porque iria acabar sendo mais uma parte de conversação. Os homens de Joe Gage são semelhantes às mulheres de Russ Meyer - ridiculamente dotados. Ele também é inteligente o suficiente para violar a regra de um pornô gay - ele sempre inclui mulheres e sexo heterossexual, por isso seus filmes são coisas para todos. Eu jamais tentarei imitá-lo, mas eu certamente o respeito como artesão acima da média.

09. Single Room Furnished
O único filme da Jayne Mansfield que nunca vi. Mesmo que seja horrível, eu gostaria de ter porque é quase impossível ver em qualquer outro lugar. Mesmo os Thalia em Nova York nunca o reexibe. Imagine a minha expectativa de ver a melhor estrela do mundo num autoconfesso "papel sério", interpretando não apenas um, mas três personagens (garçonete, prostituta. E adolescente), com uma peruca marrom ainda por cima! Este foi um dos últimos papéis de Jayne antes de sua morte, tremo só de pensar em quão desconcertante deve ser o desempenho como adolescente. Toda vez que eu ficasse deprimido ao ver o anúncio de outra nova obra-prima com Jill Clayburgh, eu colocaria esse filme na minha máquina e veria uma estrela de cinema de verdade trabalhando. Mesmo os fãs da "teoria do auteur" que não são Mansfield maníacos vêm algo de tesouro em Single Room Furnished: É um esforço inicial na direção de Matt Cimber, um dos últimos maridos de Jayne e diretor do hilário próximo Butterfly.

1O. Butterfly
Embora este filme ainda não esteja disponível em fita cassete, é uma aposta certa de que será em breve. Considerando-se a promoção que precedeu o lançamento nos cinemas, eu posso imaginar o anúncio da cassete acompanhado por um esquadrão de aviões zumbindo cada cidade norte-americana, puxando banners pelos céus com a foto de sua estrela, a grande Pia Zadora. Produzido e implacavelmente hypado pelo produtor-mentor-marido Rick Riklis, esta adaptação verdadeiramente inacreditável do romance de James M. Cain 's tem recebido alguns dos comentários mais gloriosamente maus na memória recente.
Pia Zadora é a minha estrela de cinema favorita de todos os tempos das duas últimas semanas. Apenas observando os lábios mexendo, tentando seduzir seu pai (Stacy Keach), vale a pena o preço de dez cassetes.
Pode-se com certeza dizer que Jayne, do seu túmulo, teria aprovado a direção de protejeto novo de Cimber. Pia ainda grita quando ela canta. Longe de mim sugerir que Pia Zadora é a nova Jayne Mansfield, mas é indiscutível que ela é a estrela mais agressivamente nova das fabricadas e comercializados desde os anos cinquenta. Embora Pia assustou a comunidade de Hollywood, ganhando o Globo de Ouro como Melhor Nova Estrela de 1981, ela na verdade fez sua estréia no cinema em Papai Noel Conquista Os marcianos (Santa Claus Conquers the Martians) com cerca de oito anos de idade. Com o amadurecimento virou uma versão sensual de Linda Blair. Senhorita Zadora, deusa, tornou-se porta-voz da Dubonnet, uma cantora, e agora, bem, uma estrela de cinema atuando junto a Orson Welles em seu novo filme. Orson Welles! Empalideço pensando na conta bancária ilimitada de seu marido. A própria Pia comentou ao Times de Londres "Rik disse hoje cedo que poderia gastar todo o dinheiro que temos e ele me deixaria saber, em tempo útil, quando não haveria mais nada." Eu espero e rezo para que Pia Zadora se torne uma grande estrela de cinema americano. Eu sei que eu mataria para trabalhar com ela. E eu gostaria de ver Joey Heatherton interpretando sua mãe.

A imagem de John Waters é um oferecimento Monochrome, a segunda da Pia Zadora é de Lucy Who

Veja também:
Dia de faxina na coleção de DVDs de John Waters


[Ouvindo: Fumando Espero – Libertad Lamarque]

Momento histórico da vida privada: Festa de casamento


Pela quantidade de fotos de casamento de gente desconhecida que tenho entre as de família, creio que era comum ofertar os convidados mais íntimos com elas. Ou devem ser primos dos meus pais...

Primos de segundo, terceiro, quarto grau! Anualmente corre uma lista entre nós com os aniversários de todos, mais a inclusão dos que casaram, nasceram, assim como a exclusão de alguns nomes.

E geralmente nestas fotos tem algo semelhante ao que se vê aí: Uma fila de moças embaixo do véu da noiva. Isso era uma tradição mundial ou restrita aos brancos africanos?

A sexta mocinha (da esquerda pra direita) é a minha mãe! Por acaso é a mais bonita de todas, tentando ser imparcial.

Também existe uma fotografia do casamento dela assim, com as garotas resguardadas em seu véu. Não sei se todas elas estão de branco ou eram cores clarinhas que na imagem em B&P parecem brancas.

Tô achando que aí já tinha caído aquilo das que eram pra casar (se é que você entende) participarem de eventos sociais vestindo branco, além da noiva. Muito Jezebel pra 60 e pouquinho.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Olhos flutuantes de Ted Raimi

Uma Noite Alucinante (Evil Dead 2, 1987 de Sam Raimi)
O Último Trem (The Midnight Meat Train, 2008 de Ryûhei Kitamura)


Após 21 anos Ted Raimi repediu a cena que o tornou famoso: Perdeu um glóbulo ocular! E via pancada na cabeça em ambos casos.

Verdade que no momento em que a velhinha endemoniada perde um olho trata-se de um boneco, mas é o personagem dele. Embora poucos saibam que por debaixo daquela maquiagem está o irmão do diretor Sam.

No recente vemos os nervos dos olhos voando no ar tal e qual em Uma Noite Alucinante. E claro que se espera que a atual moça que berra em frente a ele os engula também...

Mas é um filme muito menos criativo e a referência acaba aí. Se não fosse pela “homenagem” eu já teria esquecido que o vi dia destes, de tão corriqueiro.

Outro caso de japonês que não sabe bem o que fazer no cinema dos EUA. De uma vez por todas, eles não funcionam ao tentar contato com a plateia média norte-americana.

Pra citar outro exemplo com relação ao post, lembremos de Takashi Shimizu. Sob as bênçãos de Sam Raimi refilmou para o público yankee seu ótimo Ju-On de 2002 com resultado quase risível.

Aliás, em O Grito (The Grudge, 2004) Ted Raimi perde apenas o maxilar. Ted está para Sam como Geninho está para She-Ra, a gente sempre fica esperando por ele em qualquer coisa que o irmão dirija ou produza.

Veja também:
Daryl Hannah dirigindo no deserto
Elenco da trilogia Evil Dead hoje


[Ouvindo: The Last Race – Jack Nitzsche]

Pausa para nossos comerciais

A única dupla de beques que parou o maior craque do mundo. - Playboy

Ronaldinhas! Um dos últimos suspiros do tempo em que se acreditava que sair pelada numa revista alavancaria carreiras, seja lá quais carreiras que as desinibidas almejavam.

Quem não consumia mexericos teve dificuldade em identificar quem eram essas moças.
Gracioso adotarem o nome de um ex-namorado no plural e feminino para batizar a dupla.

E mais de uma na capa da Playboy a gente já sabe como são as fotos. Poses e mais poses clichés de ingênua sugestão de lesbianismo.

Tentaram cantar também. Como qualquer loira que explorasse a sensualidade em pleno reinado da Madonna nas paradas de sucesso.

Lembro bem que ensaiaram uma concorrência ao Axé Blond, aquele grupo de garotas supostamente formado com excluídas do concurso da nova loira do Tchan. Não saiam da programação 90’s do Mulheres na TV Gazeta com o hit cujo refrão era mais ou menos isso: "Vou lavá, vou lavá a cabecinha..."

As autointituladas namoradas do jogador Ronaldo até que tiveram sobrevida na mídia sem nem precisar cantar. Pelo menos a da esquerda na foto (Vivi?), a da direita ficou em algum lugar do passado chegando a ser substituída na dupla.

Vivi entrou para o cast da Brasileirinhas, maior produtora de sexo explícito destes lados do trópico. Fez um pacote de filmes com direito a gang-bang e tudo!

Foi vista pela última vez no programa da Luciana Gimenez. Com alguns quilinhos a mais, refutou o passado mundano declarando agora ser de Jesus.

[Ouvindo: Maria Bethânia – Gal Costa]

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Todas as caras do monstro de Frankenstein na Hammer

Croqui assinado pelo maquiador Roy Ashton para o filme O Monstro de Frankenstein (The Evil of Frankenstein, 1964 de Freddie Francis). Pertencente ao acervo do Museu Nacional de Mídia Britânica.

Terceiro filmes da Hammer Films a utilizar a criatura de Frankenstein, e primeiro a contar com a parceira da norte americana Universal Studios. Isso explica a maquiagem ser a mais parecida à do filme de 1931 de James Whale.

A criada por Jack P. Pierce (e mantida como propriedade da Universal) na década de 30 sofreu pouca alterações enquanto a Universal explorou o personagem de Mary Shelley até os anos 40. Tanto que é comum encontrarmos fotos de atores como Glenn Strange e Lon Chaney Jr. (que interpretaram o monstro posteriormente) legendadas como sendo o primeiro Boris Karloff.

Na inglesa Hammer, cuja primeira adaptação de terror adaptando literatura gótica foi justamente A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankenstein, 1957 de Terence Fisher ), a criatura mudou de rosto várias vezes, assim como seus propósitos. Começou mais realista como pediam as cores, até então, pouco utilizadas no gênero.

Perceba como no desenho de Roy Ashton aparecem até os eletrodos no pescoço e na cabeça. Ashton foi responsável pela maquiagem de vários filmes da produtora, como A Górgona (The Gorgon, 1964 de Terence Fisher) e The Reptile (1966 de John Gilling), mas seu trabalho no ciclo Frankenstein ficou restrito ao de 1964.

Veja abaixo todas as encarnação da criatura de Frankenstein na Hammer Films:

A Maldição de Frankesntein (The Curse of Frankenstein, 1957 de Terence Fisher)Tales of Frankenstein (TV - 1958)
A Vingança de Frankenstein (The Revenge of Frankenstein, 1958 de Terence Fisher)O Monstro de Frankenstein (The Evil of Frankenstein, 1964 de Freddie Francis)
Frankenstein Criou a Mulher (Frankenstein Created Woman, 1967 de Terence Fisher)Frankenstein Tem Que Ser Destruído (Frankenstein Must Be Destroyed, 1969 de Terence Fisher)
Horror de Frankenstein (The Horror of Frankenstein, 1970 de Jimmy Sangster)Frankenstein e o Monstro do Inferno (Frankenstein and the Monster from Hell, 1974 de Terence Fisher)

A única coisa que não trocou muito foi Peter Cushing como o Barão. Na película de 1970 deu lugar a Ralph Bates, no roteiro com menos ligação entre os outros da série, praticamente um reboot.

Velho Cushing voltaria ao papel em 74, no último. Ele já tinha feito literalmente o diabo para criar vida em laboratório.

Veja também:
Musas da Hammer ontem e hoje


Imitação da arte: Calvário da filha de uma estrela

Entre as memórias mais dolorosas da infância de Cheryl Crane, filha da Lana Turner, está o período em que foi molestada pelo padrasto Lex Barker. Citei esse Tarzan aqui no blog não faz muito tempo, relembre aqui.

Quarto marido de Turner, no período (1953 a 1957) ele vivia seu auge profissional, ao contrário da atriz em declino. Segundo Cheryl, os abusos duraram todo o período do casamento, quando estava com cerca de 10 anos de idade.

No documentário produzido pelo TCM em 2001 alega que sua mãe nada sabia e que quando tomou conhecimento o expulsou de casa. A história só veio a público em 1988 quando Crane publicou suas memórias em livro.

A parte irônica dessa tragédia é que para amigos e pessoas próximas ao casal o relacionamento estava fadado ao fracasso. Turner (famosa namoradeira) gostava de beber, fumar, frequentadora de night clubs como o lendário Ell Morocco...

Barker era de uma família refinada, avesso a badalações, não bebia e não fumava... Publicamente a pessoa mais correta que se poderia imaginar para padrasto de seus filhos.

Adolescente, um ano depois que o Tarzan 50’s saiu de casa, viveria uma das mais trágicas historias de Hollywood ao (conforme foi provado em tribunal) assassinar a facadas o mafioso Johnny Stompanato, atual caso de sua mãe. Leia mais detalhes a respeito no post O Crime que abalou Hollywood.

Especulou-se (e imagina-se o quanto um crime desses deve ter repercutido na época) que a estrela teria matado o amante ao descobrir que ele estava tendo um caso com a filha. A garota levou a culpa para que a estrela não fosse sentenciada à pena de morte.

Crane passou um período detida numa casa de reabilitação para delinquentes. Ao sair, ficou sob tutela da avó e Lana Turner (ao contrario do que se esperava) ganhou novo fôlego na carreira, fazendo um punhadinho de filmes como mãe de filhos problemáticos.

Veja também:
Celebridades entre a cruz e a caldeirinha
O Crime que abalou Hollywood
Star 80: A coelhinha assassinada


[Ouvindo: Bigorrilho – Jorge Veiga]

Duke não perdoa!

Sua majestade que me perdoe, mas bonzão mesmo é Duke, ou simplesmente o codinome Goglo 13. Até por que, ele não precisa de permissão para matar, ele é um matador profissional!

Esqueça todo e qualquer chauvinismo que você viu nos filmes de James Bond. Em Golgo 13 - The Professional (1983 de Osamu Dezaki) há muito mais!

Ele consegue deixar doidinha a chefe de uma máfia, acostumada a se divertir com os homens e mandar seus capangas darem cabo deles depois. Tudo para desmantelar a quadrilha e mandar a belezura ocidental comer capim pela raiz.

Ainda mostra quem é o tal ao ser perseguido por um conchavo ilegal do FBI, CIA, FBI, Pentágono e do Exército dos EUA. Não é lendariamente tido com imortal à toa.

O longa pode parecer confuso em muitos momentos, com diálogos em excesso e animação econômica, mas de inegável charme. Sublimo ainda a trilha sonora, cujo tema principal você ouve no player abaixo ou clicando aqui.


Jazz com acordes de sintetizador, kitsch pra chuchu como fumar cigarros Parliament. A essência da cultura pop japonesa.

[Ouvindo: Love for Sale – Ella Fitzgerald]

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Beefcakes: A pergunta que não quer calar

E afinal, músculos avantajados são uma coisa hiper sexy? Costumo achar super músculos uma coisa cômica antes de tudo.

Não que eu vá dizer “Hahahá!”, mas é bizarro! Até porquê, se eu disser “Hahahá!” pra uma figura dessas, corro o risco de voltar pra casa com umas costelinhas fraturadas.

Avaliando o material pornográfico/erótico disponível há décadas, poderíamos afirmar que homens reparam muito mais em corpos avantajados do que mulheres. O físico (médio) deles é muito mais caprichado em ambos parceiros no que é produzido para gays.

Nos para héteros, a mulher é sempre gostosa perfeitinha, e o cara é qualquer um, contanto que seja grandalhão (se é que você me entende). Alguns até que são barrigudinhos, calvos, tendo o desempenho em cena muito mais destacado do que estética.

Tal comparação não estaria correta, porque tanto para gays quanto para héteros, pornografia/erotismo são em sua maioria produzidas pensando no público masculino. Então, no caso dos com mulheres, o cara é genérico, mal aparecendo o rosto, inclusive, porque eles não importam como apelo visual.

Isso explica também o apuro estético maior nas garotas, refletido esse mesmo cuidado entre os dois caras no homo. O princípio seria que o X-Rated explora a idealizada perfeição do parceiro, independente da orientação sexual retratada.

Vida real são outros quinhentos. Não se pode usar os critérios dos exemplos do que se vê em filmes, fotos, etc. para tomar como base.

Chega a chocar quem mistura as bolas do que é fantasia utilizada por uma indústria com gente normal tal eu e você. Caso você não seja astro pornô, fisiculturista, ou coisa que o valha, of course...

A capa é um oferecimento What Makes The Pie Shops Tick?

[Ouvindo: Frenesi – Artie Shaw]

Primeiras impressões sobre Alcatraz

E com Alcatraz, série que estreou esta semana na Warner Brasil, como fugir da crença sobre o raio não cair duas vezes no mesmo lugar? O produtor J.J. Abrams, dono de Lost, um dos maiores hits da década passada, pode acertar de novo?

A resposta não é tão simples assim. Ao final de cada episódio (já foram exibidos três lá fora) espera-se por um novo, pra ver qual é a do programa, se é que isso já não faz parte da ideia original.

O argumento é sobre centenas de presos que simplesmente desaparecem sem deixar vestígios da famosa Alcatraz (The Rock) em 1963. Misteriosamente eles vão surgindo um a uma nos dias atuais (ainda jovens), cada qual com missão similar ao modo operandis com o qual foram encarcerados décadas atrás.

Na caça deles está um agente do FBI (veterano ator Sam Neill) que recruta policial gatinha e escritor de quadrinhos especialista na célebre prisão. A moça logo no primeiro episódio se depara (numa cena que reproduz quase que quadro a quadro o início de Um Corpo Que Cai de Hitchcock) se depara de forma supostamente acidental com um dos fugitivos.

Deu pra sacar que ela estará pessoalmente envolvida na espinha dorsal do enigma. Tem até um parente (o excelente Robert Forster ) entre os personagens, que teve apenas uma aparição até agora, mas faz parte do elenco fixo.

A história, antes de tudo, trata sobre ajuste de contas com o passado. Pessoas sendo defrontadas com antigos fantasmas de suas vidas.

Assim como Lost, Abrams juntou cacos de outros programas atuais que são sucesso (o passado de Mad Men, por exemplo) e outros que fizeram história na TV. Ao contrário do que as presenças do ator Jorge Garcia e do compositor Michael Giacchino sugerem, Alcatraz lembra muito mais Arquivo X do que Lost.

O gordinho parece ter função parecida aqui, costurando a série com indagações que nós mesmos faríamos, mas está menos forçado como representante da juventude nerd. Portanto, menos insuportável!

No quesito “tem que melhorar isso aí!”, está o ritmo, a escassez de grandes cenas de tirar o fôlego e uma trama de mistério muito hermética, que (com o perdão do trocadilho) não prende nosso interesse pelos personagens. Está melhorando bastante, o que negativamente remete aos tempos de Lost com os muitos capítulos de enrolação até os três últimos da temporada realmente empolgantes.

[Ouvindo: Perfidia – Elvira Rios]

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