terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A casa mais cool de um vilão

Todo mundo que assiste Intriga Internacional (North by Northwes , 1959 de Alfred Hitchcock) se encanta com a residência do espião erguida no Monte Rushmore. É possível visitá-la?

Ela não existe, nem nunca existiu! Foi construída pelos cenógrafos da MGM seguindo o estilo do arquiteto modernista Frank Lloyd Wright, o mais famoso do mundo quando o filme foi rodado.

O site Jet Set Modern descreve a longa jornada envolvendo a construção do imóvel. A começar pelo fato de que a vegetação da área mostrada era extremamente sensível, impossibilitando qualquer construção ali.

Foi mais fácil e econômico construir os interiores em estúdio e a fachada como uma miniatura que depois foi adicionada à ação filmada realmente no monte. Como acreditamos na existência deste lugar o resultado é excelente para um efeito rudimentar.

Ainda sobre economia, este foi o principal motivo para que o próprio Frank Lloyd Wright não tenha emprestado seu renome ao filme. Dez anos antes a Warner Bros. o tentou contratar, e ele teria pedido 10% do orçamento, o que era fora dos padrões de Hollywood, lugar onde jamais trabalharia.

Voltando ao “Intriga”, Hitchcock vinha do (espantosamente) fracassado Um Corpo Que cai (Vertigo, 1958) e investiu forças em atrair o público médio. Aquele que mesmo distante de viver em um universo rico sente-se bem em dizer que o conhece, ou o compreende.

Assim não faltaram idas e vindas em locações luxuosas, assim como populares, reconhecíveis por qualquer um. O próprio personagem central interpretado por Cary Grant é um dos lendários publicitários bem sucedido de Madison Square.

Casas projetadas por Wright era o sonho de consumo distante para a maioria, mas recorrente. Assim veio a ideia da moradia do vilão interpretado por James Mason ser uma delas junto ao monumento esculpido na rocha, palco do grande final.

Ela segue não só o estilo das formas, mas os materiais típicos, como granito e madeira escura. O que foge da regra são as vigas de metal que a sustentam, cujo herói escalará para ter acesso sem ser visto.

Em seu interior, a decoração descreve o quão internacional são os serviços de espionagem que seu proprietário exerce. Também segundo o site, o mobiliário é em grande parte escandinavo moderno com arte chinesa, tapetes gregos flokati e artesanato latino.

Sabendo que Hitchcock tomava cuidados com a atemporalidade dos figurinos (leia clicando aqui), é provável que fizesse o mesmo com os cenários. Frank Lloyd Wright, que faleceria no ano em que o filme foi lançado, já era considerado um clássico sem riscos, embora bastante celebrado na época.

Veja também:
Pessoas que não estavam lá
A casa de Mamãe é de Morte
O que há na música favorita de Norman Bates?
O menininho que sabia demais
Figurinos modernos, filme antigo

Um Corpo Que Cai contado por cores


8 comentários:

Refer disse...

Assistindo ao Manhattan Connection desta semana, soube que vem aí uma cinebio do Hitchcock. Demorô, né? O gorducho é feito por Anthony Hopkins, não sei dizer se é uma boa escolha, mas pelo menos é um inglês!

Lucas Mendes disse que o Hopkins, falando com uma uma prótese na boca, ficou igualzinho ao Adolpho Block! (LOL)

Acho que a vida de alguns diretores de cinema podem resultar em boas cinebios..., que eu me lembre não foi feita nenhuma até então. Salvo a do Chaplin.

Miguel Andrade disse...

Refer, fizeram um telefilme recente apenas com o relacionamento dele com a Tippi. E vai sair este filme sobre os bastidores de Psicose.

elemesmo disse...

Imagine uma cinebio sobre o xarope do Klaus Kinski (que não era diretor de fato, mas se aventurou na área). Ou então sobre o POLANSKI.

Miguel Andrade disse...

elemesmo, a do Polanski seria um prato cheio pra cinebios de hoje. Acho lamentáveis!

Todas querendo quebrar mitos, querendo mostrar o lado mais podre ou doentio. Sempre com aquelas maquiagens de borracha medonhas...

Refer disse...

"Cool de quem?", perguntaria Dercy Gonçalves. "Cool de um vilão!", responderia M.Andrade.

Cinema é tão encantador que tem a capacidade de obnubilar nosso senso de realidade. Só mesmo no cinema um espião poderia morar numa casa numa casa desse tipo, num lugar como esse e a gewnte nunca questionar esse absurdo.

Miguel Andrade disse...

Refer, verdade! O lugar mais indiscreto para um espião morar.

Qualquer turista que fosse ao Rushmore ia ficar de olho no que acontece nesta casa.

Daniel Tavernaro disse...

Refer, bingo! Entra em contradição por chamar atenção e deixar explícito que o personagem é espião.

Miguel, há um tempinho o Google usa, como método de confirmação, uns números extraídos de imagens do Google Street View...Só eu que não enxergo em 95% das vezes? Rsrsrsrsr

Miguel Andrade disse...

Daniel, mas ele posa de bon vivant comprador de arte. Dá pra elevar. rs

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