quinta-feira, 5 de abril de 2012

Tom & Jerry na mira do politicamente correto

Produzidos em seu auge na década de 40, os cartoons de Tom &Jerry estão entre os que mais sofreram cortes para se adaptarem aos novos tempos. Muito mais do que cenas violentas, pesa sobretudo as conotações racistas.

A suposta empregada negra conhecida como “Mammy Two Shoes”, aquela que nunca mostra o rosto e repreende o Tom o chamando de Thomas, simplesmente desapareceu a partir dos desenhos feitos em 1954. Nos anos 60 foi a vez dos curtas originais 40’s sofrerem fortes alterações.

Sob supervisão do criador Chuck Jones, eles remodelaram a personagem, inclusive a deixando branca ou com trejeitos mais refinados. Na época os conflitos raciais estavam na crista da onda nos EUA.

Só a partir da década de 90, quando a Turner comprou o acervo da MGM que os originais (com ela corpulenta) voltaram a circular TV. Até eles serem redublados logo depois, tirando a voz com forte sotaque sulista, associada ao período escravagista.

Detalhe: A voz, uma referência óbvia à Mammy de ...E O Vento Levou (Gone with the Wind, 1939 de Victor Fleming), era da atriz afro descendente Lillian Randolph. Fora pequenos papeis no cinema, ela era estrela do rádio, sendo Tom & Jerry um dos poucos registros do seu trabalho que poderíamos ter acesso.

São os episódios com o áudio 90’s que o Cartoon Network exibe até hoje. No Brasil parece que continua sendo o mesmo que ouvíamos décadas passadas na TV aberta.

O estereótipo da Mammy, largamente utilizado no cinema e na TV, inclusive nas novelas brasileiras, muitas vezes interpretado pela saudosa Zeni Pereira, é combatido como demonstrações de racismo. Ainda assim, discutível passarem uma borracha num passado duvidoso.

A primeira imagem é um oferecimento Louge, a segunda Free Public e a terceira Fan Pix.

6 comentários:

paddy.rox disse...

Eu pensei em escrever um comentário enorme com as minhas opiniões, mas vou resumir com uma coisa só: desenhos não educam crianças; PAIS educam crianças.

Miguel Andrade disse...

Paddy.rox, certíssimo! Só se preocupa com isso quem relaxa na hora da educação dos filhos.

Daniel Tavernaro disse...

Tem hora que não penso se algumas autoridades não estudaram Semiótica em excesso. Assisti muito ao desenho e nunca nem notei nesta "conotação racista" - e creio que crianças notem a rapidez na informação, a graça, as caras.

Enfim, tem hora que acho que tem gente demais preocupado com coisas banais, rs.

PS.: não virei racista ou algo do tipo, rsrsrs - e muito menos associo domésticas e negras gordas. Aliás, as associo com evangélicas americanas!

Miguel Andrade disse...

Daniel, eu também jamais notei. O que pode não ser realmente positivo já que a criança assimilaria a coisa... Pensando do ponto de vista de quem é a favor dos cortes.

Anônimo disse...

Culpa da esquerda.

Miguel Andrade disse...

Anônimo, será?

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