sexta-feira, 2 de março de 2012

A Mulher de Preto ou Harry Potter já faz a barba

Motivos não faltam para nos empolgarmos com A Mulher de Preto (Woman in Black, 2012 de ) atualmente em cartaz no Brasil. O menor deles talvez seja seu protagonista Daniel Radcliffe, o piázinho que vimos crescer mesmo não assistindo a nenhum filme da série Harry Potter.

Não deixa de ser interessante vê-lo já fazendo papel de pai sofrido, fazendo a barba direitinho, com responsabilidades adultas. Além de ser bacana o ator, diante de centenas de propostas norte-americanas que deve ter recebido, escolher como pós a série milionária, uma produção moderna da Hammer, estúdio tão tradicional e britânico quanto o chá das cinco.

E é essa escolha que me faz recomendar o filme aos homens de boa vontade cinematográfica! Começa com o logo (emocionante!), com identificáveis referências a seus clássicos como O Circo dos Vampiros, Epidemia de Zumbis, A Noite do Vampiro, etc.

Embora as tentativas de volta anteriores receberam muitas críticas negativas, a história de fantasmas, sobre um corretor que vai até um vilarejo para tratar de um antigo casarão não poderia ser a melhor escolha da nova administração da Hammer. É como se voltássemos a um lugar querido, que julgávamos perdido no tempo.

Impossível não abrir um sorriso quando o protagonista chega ao local, debaixo de chuva, e vai tentar conseguir abrigo numa pousada/taverna. Espera-se que seja recebido com hostilidade por um povo muito mal encarado e não somos frustrados.

Muros de pedra seculares numa cidadela erma, carruagens, cidadãos supersticiosos enfurecidos, casarão abandonado coberto por eras ressecadas. Meu Deus! O melhor filme em atmosfera em anos!

Baseado no romance gótico de Susan Hill, o roteiro explicita demais o que era apenas dito. Explicita e desdobra, de olho nas plateias modernas.

Assisti também ao telefilme produzido pela TV britânica em 1989
aparentemente mais fiel ao texto original. O recente apenas doura a pílula, embora omita que o protagonista foi mandado até o casarão pelo chefe consciente do que poderia acontecer.

Em muitos pontos lembra a onda de terror asiático que tivemos no começo da década passada do que a clássicos do estúdio. Há uma maldição contagiosa a ser desvendada, crianças fantasmagóricas e sustos forçados com efeitos sonoros tirando pouco do terror psicológico.

Mas também há elementos tradicionais como atrizes fantasmas se locomovendo por trilhos em direção a câmera, corvos que cismam em conquistar espaço, brinquedos de corda com vida própria. Há pra todos!

Conta muitos pontos positivos a solução da história não se apoiar em reviravoltas finais. Muita gente está mal acostumada com isso desde O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999 de M. Night Shyamalan) e Os Outros (The Others, 2001 de Alejandro Amenábar ), que geraram tantos outros com vivos que eram mortos ou mortos que eram vivos.

[Ouvindo: Erotico Mistico [From Maddalena] – Ennio Morricone]

4 comentários:

Moyses Ferreira disse...

acho ele lindo, sexy... amo. só vi uns dois harry p. e não tenho saco pra esse filme. be que podiam fazer um filme da peça que ele fica pelado!

Miguel Andrade disse...

Moyses, só vi o primeiro e me bastou!

Ah, assista esse! Bem divertidão!

Rubens Rodrigues disse...

Também gostei bastante do filme. Talvez pela atmosfera gótica, que não vi em nada recente, talvez pela simples história de casa mal assombrado. A ideia de ficar ilhado em um casarão sem luz e rodeado por um cemitério me assusta mais do que qualquer historinha genérica que as novas franquias queiram contar. Ah, falando em franquia, A Mulher de Preto vai ganhar sequência...

Miguel Andrade disse...

Rubens, revi ontem e também achei suave de ser assistido, rapidão, indolor.

Que pena que vai virar sequencia, com tantos ouros bons argumentos a serem filmados.

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