quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Superman ensina a esbofetear japoneses. Sério!

Talvez a capa mais polêmica do Super-Homem! Talvez a mais polêmica de todos os heróis dos quadrinhos.

A lógica é mais ou menos assim: Está com raiva dos japoneses e quer esbofeteá-los? Faça isso metaforicamente aderindo aos selos e war bonds (bônus de guerra), espécie de títulos do governo que o contribuinte poderia comprar.

Desse jeito o governo tinha caixa para investir na guerra, evitar a inflação, além dos cidadãos comuns se sentirem fazendo parte do processo de luta. O patriotismo exacerbado yankee não surgiu do nada!

A data desta revistinha é 1943, meio da Segunda Guerra Mundial. Havia se passado mais de um ano desde que os japoneses bombardearam Pearl Harbor.

O governo dos EUA espalhou cartazes pelo país motivando a luta de todos contra o inimigo. Veja um deles à esquerda.

Debatendo também a imagem, Vince do blog Four Color History lembra do termo “zeitgeist” (vindo do alemão significaria algo como “espírito do tempo”), muito usado pelos historiadores. Aos nossos olhos, aqui no começo do século XXI, a revistinha é de extremo racismo.

O blogueiro diz que “Colocando o “zeitgeist” em prática, significa que não devemos fazer juízos de valor sobre as pessoas do passado. Um exemplo disso somos nós dizendo que a capa de Action Comics #58 é racista, mas se nos lembrarmos do espírito do período ou espírito do tempo antigo, ela não pode ser visto como racista, mas como patriota, um anúncio perfeitamente aceitável para aumentar a sensibilização para os títulos de guerra afim de ajudar na luta contra o inimigo.”

Quase a mesma história daqueles que acusam Monteiro Lobato de racista, porque sua obra registra um comportamento específico de uma época. Triste agora, sem dúvida, mas não se pode nem se deve passar borracha no passado, até para que certos comportamentos não se repitam.

A capa é um oferecimento Wickia

[Ouvindo: Toré – Quinteto Armorial]

34 comentários:

Jorge disse...

Monteiro Lobato fazia parte de um grupo de eugenistas...

Miguel Andrade disse...

Jorge, mas isso não muda nada a inteligência do cara.

Raphael Gomes disse...

Calma aí, Miguel, o caso do Monteiro Lobato é uma coisa mais complicada, o cara defendia o eugenismo sim, e escreveu panfletos de apoio ao Ku Klux Klan. Ele escolheu seus pontos de vista, escolheu ler os pensadores racistas da sua época, quando então havia outras correntes de pensamento. Ele era responsável pelas ideias que defendia. Não dá pra confundir o caso dele com o do Euclides da Cunha, por exemplo, que também tinha a sua formação nas ideias do seu tempo, mas jamais defendeu ideais racistas, e teve a plena capacidade de rever as suas ideias, como qualquer um pode conferir ao ler Os sertões, onde, embora ele trate do assunto sob o pensamento racial daqueles tempos, em nenhum momento prega a superioridade branca, ou coisa do gênero. Por isso que eu digo que não se pode desculpar Monteiro Lobato pelo zeitgeist. Não que devemos deixar de ler as suas obras, claro que não, mas ignorar que ele era um sujeito racista, é absurdo. Ninguém com alguma noção da realidade negaria que Ezra-Pound defendia o fascismo e que Céline era antissemita, e isso também não nos impede de ler nenhum do dois. Mas devemos saber separar as coisas.

Miguel Andrade disse...

Raphael, ninguém está falando em desculpar nada. Apenas em não exagerar com o peso do hoje.

Não dá pra desmerecer ou querer censurar uma obra (como a dele) usando como base pontos de vista atuais. São uteis para se entender o caminhar da sociedade.

The Birth of a Nation deve ser camuflado pela apologia à KKK? Não é um grande filme? É! Ponto!

Adianta agora refutarmos os livros infantis de Lobato ou usá-los para discutir com crianças os padrões de épocas distintas?

Leticia disse...

Lamento discordar, mas é zeitgeist sim. Falamos de Monteiro Lobato como se fosse o único, como se nossos antepassados, contemporâneos a Lobato, fossem a candura em pessoa.

Não eram. Nem minha bisavó, nem as vossas. Todo mundo era racista e nem sabia disso. Eram de um lado (o da sinhazinha) e eram de outro também (o oprimido, as tias Nastácias da vida).Simplesmente, no meio comum, ninguém discutia isso.

E, já que estamos na Segunda Guerra, ser japonês ou alemão no Brasil não era bolinho. De um lado, conterrâneos fanáticos te ameaçando (a Shindô Renmei que não me deixa mentir). Do outro, "brasileiros" perseguindo imigrantes de nações do eixo. Um inferno de vida.

Qualquer babaca poderia vir e cuspir num japonês que estava tudo certo.

Então, alto lá. Como povo tchuco-tchuco, não temos um passado tão glorioso assim, não.

Miguel Andrade disse...

Letícia, certa! Ele fazia parte de um bolo gigantesco.

Não duraria tanto, nem seria reconhecido até hoje se não fosse!

Raphael Gomes disse...

O que eu disse e quero dizer é que não se pode jogar a causa dos pensamentos do Lobato apenas no zeitgeist. Ele era um sujeito inteligente, e bem capaz de analisar suas ideias. E o que ele escreveu ia muito além do racismo que havia então. Não dá pra chegar e dizer: “O que ele podia fazer? Ele era um homem de seu tempo.” Muitos outros também eram e não pensavam da mesma forma. Não se pode esquecer que ele ainda estava bem vivo quando houve a semana de arte moderna, que era fruto da época em que Lobato viveu, quando havia muito mais ideias do que as que ele pregava, e que viria a louvar o povo brasileiro miscigenado em livros e pinturas. Não se pode justificar os pensamentos dele apenas pela ocasião que ele vivia. Naquele bolo gigantesco havia também Joaquim Nabuco que era filho de donos de escravos, o que houve com ele que não defendeu as mesmas ideias que Lobato? Dizer que Monteiro Lobato era racista ao ponto que foi apenas porque o seu tempo era racista, é infantilismo. É tratá-lo como alguém que não tinha condições intelectuais de analisar a realidade. Como eu falei, é claro que devemos continuar a lê-lo, nem devemos banir as suas obras das escolas. Ele ainda é um escritor muito importante. Mas é preciso repensar quem ele foi com maturidade. Retirar as suas obras dos currículos das escolas é ignorar a inteligência das crianças, mas tratar Lobato como alguém que não poderia ter pensado de outra forma, não é muito melhor.

Miguel Andrade disse...

Raphael, entendi. Mas na época dessa capa de revistinha também havia quem achasse um absurdo, claro!

Lobato pertencia a um lado que ficou datado. Temo por esta caça ás bruxas atuais onde tudo tem que parecer que sempre foi correto.

Leticia disse...

Raphael, você está falando de um, dois... Não havia "muitos outros que não pensavam da mesma forma". Ou pelo menos suas opiniões ficavam imensamente mais restritas do que hoje.

O racismo definitivamente não era tema de discussão naquela época. As vozes dissidentes (as mais avançadas) apenas consideravam negros pessoinhas que deviam ter sua liberdade, não pensavam na questão do racismo.

Joaquim Nabuco dedicou-se ao fim da escravidão, não ao racismo. Existe diferença aí. Para ele, a questão era política e econômica. Um país não se solvia na base da escravidão. Naquela época, havia o mundo inteiro como exemplo - só o Brasil, pra variar, estava no passado.

Bem provável que não fosse racista, tanto é que era amicíssimo de Machado de Assis. Mas sua atuação era outra.

Quer ver um zeitgeist bem do nosso tempo? A gente defender tanto os negros e demonizar suas crenças. Hoje, o bonitinho é ser cristão, com valores cristãos, e tal. Como faz?

Como é que olharão historicamente pra gente daqui uns 50 anos? Essa a questão.

Não quero me estender, mas um trecho de Minha Formação, conversa entre Nabuco, já famoso, e seu professor no Pedro II:

Se eu tivesse que precisar o que devo a Tautphoeus, assinalaria, entre tantos outros trabalhos de lapidação que acredito serem dele, duas aquisições, a que em certo sentido se poderiam chamar transformações íntimas. A primeira, sem que aliás a sugestão partisse dele, nem mesmo que ele tivesse consciência deste ponto de vista meu – quem sabe se ele o não combateria? – é que diante dele, pensando nele, me habituei a considerar o juízo do historiador como o juízo definitivo, o que importa, final, e por isso aquele que se deve desde logo visar. Não pode haver maior revolução para o espírito do que essa, de colocar-nos espontaneamente em frente do solitário juiz de biblioteca do futuro e não dos juízes sem número de praça pública do momento atual. Perante aquele juiz o nosso nome pode não ser citado, os testemunhos incompletos podem ser-nos injustamente favoráveis ou desfavoráveis, mas a sua opinião é a que conta, é a que vale. O juízo da multidão que hoje nos eleva ou nos deprime, esse representa apenas a poeira da estrada. Não é preciso que sejamos atores, para que essa concepção da verdadeira instância que decide das reputações nos afete, por assim dizer, em cada um dos nossos móveis de ação, estímulos e afinidades morais: o efeito é o mesmo sobre o espectador, o curioso, o transeunte, o indiferente.

Miguel Andrade disse...

Letícias, se fosse um pensamento comum ao período, a praga do racismo já não existiria entre nós, aqui em 2012!

Anônimo disse...

De boa, sou oriental e nem achei tendencioso.

Puts nem começa a bota orientais nesse "racismo", isso dai e coisa de brancos e pretos.

Anônimo disse...

Sou a favor da eugenia como Monteiro Lobato e vários outros homens inteligentes que hoje são difamados por terem ideias "politicamente incorretas".

Infelizmente hoje em dia é quase um "crime" defender a eugenia publicamente. Até pela internet. Dependendo do que eu escrever aqui podem censurar. O pessoal ai de cima diz palavras muito belas sobre direitos humanos, liberdade, democracia, mas é só ao que convêm. E assim caminha a nova humanidade híbrida, dos amos judeus, do marxismo cultural, pedófilos e gays, maconheiros. Que mundo belo!

Anônimo disse...

quando vi o numero do HQ ja deduzi, que era da segunda guerra, e o proprio texto se contradiz com o titulo, sem mais.

Miguel Andrade disse...

Anonimo 1, leia o post antes de comentar. Pelo jeito, você oriental ou não, não compreendeu o teor.

Anônimo 2, há uma diferença entre o politicamento correto, politicamente incorreto de pura burrice.

Hoje se prega muito contra o politicamente correto,por pessoas de moralismo retrogrado.

Seu comentário mesmo é pura ingenuidade colocando no mesmo balaio coisas tão distintas.


Anônimo 3, por favor, explique qual é a contradição. Por favor, também, leia o texto antes e comentar.

July disse...

isso é inveja, pq japão é superior em cultura, educação, qualidade de vida e ACIMA DE TUDO EDUCAÇÃO... esse povo norte americano são tão preconceituosos quanto os nazistas, mas muito mais burros

Miguel Andrade disse...

July, não é tão simples assim. Isso estava dentro de um contexto político/histórico.

Anônimo disse...

É Zeitgeist, não Zeigeist.

Miguel Andrade disse...

Anônimo, valeu!

Bala disse...

Não vi nada de errado, muito menos de racismo nessa imagem. Dois países estão em guerra, um querendo trucidar o outro, e você acha que os EUA deveriam tratar os japoneses com cortezia e educação???? Mundo real amigo, vai ler história, se informar, entender o mundo enfim...

JP disse...

Hahaha,pior.Racismo eh soh contra negros.

Miguel Andrade disse...

Bala, por favor, respeite as normas. Para comentar, leia o post antes.

Aliás, antes de comentar, aprenda o regrinhas básicas de educação e o bom português! rs

JP, pra você ver! Cada uma...:D

O que acho mais estranho é o teor agressivo de quase todos os comentários. Não sei se a galera desencana da boa educação na Internet ou se são assim o tempo todo, até na vida real.

Luciano disse...

Não me venham com "politicamente correto" depois de quase 70 anos do acontecimento..... na época, os babacas do "politicamente correto" nem haviam nascido.... não se pode retirar um fato de dentro de seu contexto histórico e fazer comentários sobre ele.... isto é coisa de quem não tem formação acadêmica séria e se contenta com informações da Internet....

Miguel Andrade disse...

Luciano, com formação acadêmica você LEU O POST ANTES DE DEIXAR COMENTÁRIO? Não parece...

Unknown disse...

Cara,os EUA estávam no meio de uma guerra mundial,os japoneses além de atacar covardemente a base naval ainda capturaram, executar,torturaram,e fizeram experiencias cientificas com os prisioneiros(se duvida pesquise unidade 731) e vc queria direitos humanos por parte dos americanos??CLARO que eles iriam querer despertar o ódio por parte do seu povo de qualquer maneira isso faz parte da guerra seu idiota,se um dia a china bombardear a sua casa matar toda a sua família duvido como qualquer um de vocês iria ter no mínimo um pensamento racista.

Miguel Andrade disse...

RISOS! Estou aprovando estes comentários pra registrar como a galera escreve sem LER O POST!

Será que não são alfabetizados? Preguiça? O que acontece?

Até de idiota fui chamado! Não seria idiota uma pessoa que comenta algo sem ler antes? RISOS!

Leticia disse...

Xiiii, hodeu de vez!

Fabio disse...

Parabéns Miguel, Raphael e Leticia.

Um post sem muito sentido, que claramente coloca o racismo sobe uma perspectiva que não tem parâmetros para comparar aos dias de hoje, no meio de uma guerra e em uma época racista, conseguiu despertar um grande debate de idéias muito raro de se ver hoje em dia.

Quanto ao assunto em questão, se é que cabe minha opinião, acho difícil julgar atitudes de grandes pensadores devido a influência que a época em que viveram exercia sobre sua formação e personalidade.

Chamar um senhor de fazenda de racista por escravizar os negros da época, não faz muito sentido, pois o conceito racismo nem sequer existia como o conhecemos hoje. Era opinião comum que os negros mereciam aquela posição inferior e que nada de melhor cabia a eles. Esse era o conhecimento do povo e os brancos cresciam aprendendo que era assim que tinha que ser. Louvados os que a tempo perceberam o absurdo disso, mas não culpo aqueles que não enxergavam assim por seus crimes. Estamos cercados de preconceito hoje em dia, principalmente na esfera religiosa, e o que nos separa hoje do passado é somente a fala de violência, pois as idéias que povoam a mente de pessoas que crem piamente em algo não são nada diferentes das do passado. A não tolerância a violência que vivemos hoje é que segura a sociedade, pois senão ainda viveríamos na década de 40 com grupos de brancos e negros se matando nos estados unidos e índios sendo escravizados aos olhos de todos em nosso glorioso Brasil.

Miguel Andrade disse...

Letícia, Hahaha! Imagina a minha cara! Dá pra ficar triste também.

Um volume grande de gente que NÃO SABE LER, mas sabe rugir e expor a educação porca que teve em casa.

Vamos bem mal...

Fabio, o post é claro, e faz sentido para quem parar para lê-lo. Aliás, está mais do que claro a explicação sobre o contexto em que a imagem está inserida.

E por falar em intolerância, basta ler o teor dos zumbis que comentaram, todos chegando já disposto a chutar a porta e fazer barulho, sendo que poucos (ou nenhum) se deu ao trabalho de ler. LER! Ler para comentar. Não faria mais sentido?

Enquanto tivermos uma educação familiar e escolar bem porca, não vislumbro um país melhor. Prevalece a selvageria de olho por olho dente por dente.

Leticia disse...

Né, Miguel? É aquela "escada da opinião" (em fase bem inicial, eu diria). Dá medo!

Obrigada, Fábio. Fico contente que você tenha entrado no debate dessa maneira, na mesma intensidade que me magoo, como se fosse o próprio Miguel, com o não entendimento do texto e do encaminhamento da discussão.

Miguel Andrade disse...

Letícia, mas é muita má vontade, anseio de agredir, todos valentões anonimamente. Não dá nem prazer rebater já que eles nem estão por dentro do assunto.

Leticia disse...

Nem sabe do que estão falando, dá uma aflição, né?

E a coisa endureceu na aprovação dos comentários, não? Fez bem. O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.

Miguel Andrade disse...

Letícia, bem aflitivo. Pensei em deletar tudo, mas acho que faz parte mostrar a quantas andam a internet no Brasil a modo popular.

De lascar!

Não, há um período de dias definidos. Quando acontece com posts recentes eu diminuo.

Junto com esse povo inteligentão há muito spam de lixo e similares.

A essência do populacho: Grosseria e malandragem!

Leticia disse...

Principalmente a grosseria, como forma ingênua de validar sua opinião.

Miguel Andrade disse...

Letícia, principalmente! Triste que fazem isso no automático, como única forma de comunicação.

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