sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

História da Fox pela própria: Quem criou Marilyn Monroe?

É com essa imagem que termina o documentário 20th Century-Fox: Os Primeiros 50 Anos (20th Century-Fox: The First 50 Years, 1997 de Kevin Burns): O narrador James Coburn entre a cadeira do chefão Darryl F. Zanuck e lá ao fundo Marilyn Monroe e Tom Ewell.

Marilyn ali, como a cabeça de uma caça africana exibida na parede da sala de um caçador, só corrobora a sensação de que o filme dá. Ela não é para o estúdio uma atriz talentosa que encheu (enche) seus cofres, mas uma criação dele.

Disney sim, poderia fazer o mesmo com o seu Mickey Mouse. Um personagem que criado a nanquim e explorado da forma mais lucrativa.

Não é justo no caso de Marilyn, porque, além dela já ter chegado sendo Marilyn, por que simplesmente não fabricaram outra quando a audiência passou a se interessar menos por ela? Tentaram, o documentário mostra isso, mas não obtiveram o mesmo êxito.

Durante seu auge, centenas de loiras também almejaram seu posto em outros estúdios. Outra! Contam que ela estava na Fox desde 46, meia verdade porque ela teve aqueles contratos temporários como tantas beldades tinham, e sai pra batalhar em qualquer outra porta que fosse aberta.

Entendendo a importância na história da Fox, o documentário gasta muito mais tempo com ela do que com qualquer outra estrela sua. E foram muitas, de Shirley Temple, Betty Grable à nossa Carmen Miranda.

Absurdamente chapa branca, quem assiste a ele de olhos fechados acha que até Cleópatra (1963 de Joseph L. Mankiewicz) produziram apenas sucessos estrondosos e alguns medianos. Portfolio da empresa, tem a vantagem de mostrar os trechos dos filmes (alguns raros) com ótima qualidade de imagem.

Poderiam ter sido menos histéricos e mostrado mais entrevistas recentes com os sobreviventes. Aparecem apenas (e rápido) Alyce Faye, Roddy McDowall, Debby Reynolds, mas deixaram escapar gente como Shirley Temple, por exemplo.

Finalmente entendi claramente quando e por que a Fox virou 20th Century Fox. A partir de 1936 quando a antiga produtora de William Fox se juntou à recente 20th Fox, recém-criada pelo jovem Darryl F. Zanuck , então um dissidente da Warner.

Falando em Warner, outro ponto curioso. Imagina-se que o velho esquema de Hollywood, empresas familiares, rixas entre elas, fossem coisas que tivessem ficado num passado.

Hoje são administrados por engravatados, acionistas, coisa e tal e nem quén pra empresa em si. O documentário lembra logo no inicio que sua principal rival era o estúdio comandado por Jack Warner, e isso seria apenas um dado curioso, se logo depois não se prontificasse a mostrar que os experimentos da Fox com o áudio foram anteriores aos de O Cantor de Jazz (The Jazz Singer, 1927 de Alan Crosland) do adversário.

Tenho algumas das produções da Fox entre meus filmes favoritos, mas analisando friamente estes primeiros 50 anos hollywoodianos, até a pobretona Universal Studios teve um peso maior, criando gêneros, desenvolvendo um estilo de fazer cinema. Mesma coisa com a agora a pouco citada Warner com o noir, gangsters e apostas mais ousadas.

Histórias que não foram pontoadas apenas com sucessos de produções específicas, mas que se emaranharam no contexto da época. Mas cada um conta o seu passado como melhor lhe convém.

[Ouvindo: I Can't Let Go – Evie Sands]

8 comentários:

Leticia disse...

Mil palavrões aqui, Miguel!!! Você não acredita se eu te contar que pensei há DOIS DIAS - mas não tive tempo - em recortar o trecho sobre quem criou Marilyn - ela mesma - justamente de uma tradução em que estou trabalhando.

O livro é ótimo, mas criatura o traduziu com o rabo, por isso me satura, irrita mesmo, malgrado os assuntos sejam interessantísimos - sobre cultura e consumo, e tal.

Deixa eu terminar esta porcaria, tirar as marcas e te mando. Há outros cases também fantásticos, apesar do original viciado de academia.

Miguel Andrade disse...

Letícia, santa sincronicidade! Haha!

Leticia disse...

Brevemente te passo.

Miguel Andrade disse...

Letícia, aguardo. Deve ser bem interessante, ainda mais à luz de uma industria que tratou (ela mais do que qualquer outro humano) como um produto.

Daniel Tavernaro disse...

Como bom morador de MG, devo ler o jornal somente quando eu chegar em casa, afinal, ele chega por volta das 11h, e eu já estou no trampo... Mas ô:

http://guia.folha.com.br/exposicoes/1044614-exposicao-sobre-marilyn-monroe-reune-125-obras-e-filmes-da-diva.shtml

Miguel Andrade disse...

Daniel, aqui chega extremamente rápido! Uma vez falei com o repórter às 20 horas e às 2hs e pouquinho estava no meu portão, impresso! Hahaha!!


E eu fico fulo se antes de ler no jornal tropeço nas noticias online. Perdem a graça!

Daniel Tavernaro disse...

Mas você está no estado de São Paulo, né? Aqui em MG a logística do EM (Estado de Minas) chega a impressionar.

Miguel Andrade disse...

Daniel, sim, mas estou numa outra cidade, A rapidez é impressionante pelo trampo de escrever, imprimir e distribuir.

Mas o jornal está cada vez mais mirrado, é verdade, parecendo do começo do século XX.

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