terça-feira, 31 de janeiro de 2012

“Compramos ratos vivos e gordos”

Anúncio em letras garrafais publicado no jornal da cidadezinha alemã Wismar no dia 31 de julho de 1921: "Para imediata rodagem de um filme se precisa de 30 a 50 ratos vivos e bem alimentados. Pagaremos generosamente.". O filme era Nosferatu de F.W. Murnau.

Compreende-se pela época e o local o quanto os leitores devem ter ficado encafifados. Não havia um gênero específico chamado “Terror”, pelo menos ainda não estabelecido.

Segundo o documentário Die Sprache der Schatten - Murnau: Die frühen Jahre und Nosferatu (2007 de Luciano Berriatúa), textos publicados na estreia o definiam como “um verdadeiro filme sobre ocultismo”. Não era outro filme pra dar medo.

E claro que com o fortalecimento da indústria cinematográfica, existem pessoas que criam estes animais especificamente para este fim. Imagina o perigo pra equipe de filmagem ter que conviver com ratos realmente saídos dos esgotos.

Pelo que é mostrado no filme, mudaram de ideia ou o anúncio não deu certo. Aparecem bem menos ratos do que as mínimas três dezenas pretendidas.

[Ouvindo: Nom De Strip ( I can see boobies) – RESET!]

8 comentários:

Leticia disse...

Vai ver houve indisciplina de figurantes no set de filmagem...

Isso me lembra o clássico e sabidíssimo caso da criação de ratos no Rio de Janeiro, quando Oswaldo Cruz resolveu pagar cada rato fornecido pela população, num último recurso pra sanear a cidade: o povo começou a cultivá-los pra tirar uma graninha.

Miguel Andrade disse...

Letícia, quase igual ao bolsa família?

Leticia disse...

Opa! Me lembrou o recente subsídio de 50 paus por mês. Ajuda de custo de passagem pra criatura ir fazer pré-natal direitinho.

Adivinha...

Miguel Andrade disse...

Letícia, outro dia (a Tia Cris) postou no Facebook uma matéria de ong de animais sobre um vereador que quer isenção de IPTU para quem adotar animais. Lembrei na hora dos ratos do Oswaldo Cruz!

Imagina a patota adotando cães e gatos não por amor, mas pra economizar uns tostões? Pensou na crueldade da coisa em si?

Leticia disse...

Olha, essa história de desenvolver um amor extremo por animais (e, claro, ódio por quem não curte) é mainstream. Saem daí as teses mais estapafúrdias.

Outro dia li algo de um apresentador de tv em Santa Catarina e seu comentário um tanto infeliz sobre "cachorro na praia".

Acho que os animais eram grandes, e chegavam muito em cima dos banhistas à procura de comida.

Cê precisava ver o povo comentando, queriam linchá-lo, praticamente.

A isenção de IPTU é como o recente desvario por ter cachorro: não necessariamente desenvolve amor, afeto ou responsabilidade.

Taí a cachorrada abandonada que não me deixa mentir.

Miguel Andrade disse...

Letícia, parece tão claro que bastariam campanhas de conscientização sérias e empenho em castração pra resolver esse problema. A longo prazo, mas resolveria.

Leticia disse...

E castração de humanos tb., né? Ontem me desfiaram tanta notícia de maldade com bicho que conclui que a reserva moral é pouca pra quantidade de gente no mundo.

Miguel Andrade disse...

Ando pensando em fazer de novo uma coisa que fiz no finzinho da década de 90: Desencanar, fugir, de qualquer notícia, informação ou algo que valha.

Fui mais feliz, me senti menos de mãos atadas e deprimido.

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