quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Instintos primitivos

Se algum gênio das Globochanchadas resolver adaptar quadro da Zorra Total pro cinema o resultado vai ser mais ou menos este. Engraçadão do tipo L'amore Primitivo (aka Primitive Love, 1964 de Luigi Scattini).

Difícil é alguém bater os requebros de Jane Mansfield de havaiana albina. Eternamente dedicada a desconstruir o mito da loura voluptuosa de pouco tutano na cabeça.

Mansfield é uma doutora (!) que vai à Itália mostrar seu documentário sobre hábitos de acasalamento no mundo todo. Enquanto isso é paquerada pelos marmanjos de plantão. Fim.

Essa (inacreditável) cena de dança primitiva é utilizada como trailer pela distribuidora cult Something Weird Video. O filme não deve ser muito mais do que isso, por suposto.

Não deixe de assistir no palyer acima ou clicando aqui.

[Ouvindo: Let's Dance - Quarta330]


Super (e infinita) adolescência

Aí! Jovem Superman que bate a capa (?) na mesa é esse de 1988! Não aquele pulha de Smallville, que fez doce, doce até a gente perder o interesse.

Imaginava-se como Tom Welling ficaria de uniforme clássico. Nos primórdios da Internet até havia montagens com isso.

Na última temporada a Warner até apelou nas chamadinhas pra essa antiga curiosidade. Alguém ainda se importava?

Pelo tanto que repercutiu, acho que não... Após 10 anos (!!!), nem a mãe dele, a senhora Welling, estava aguardando.

A hora de saber quando parar uma série, esse mistério entre séries de TV. Smallville conseguiu um raro sucesso popular no Brasil numa época em que seriados americanos estavam restritos a canais pagos.

Sua música tema tocando no rádio e tudo. Coisa que nem o fenômeno Friends não teve com a animadinha“'I’ll Be There For You”.

Aliás, teve transmissão em widescreen numa emissora como o SBT e certa regularidade de horário! Nem o mexicano Chaves conseguiu isso.

Deve ser difícil abandonar uma mina de ouro. Pensando assim dá pra entender...

A primeira imagem é um oferecimento Fantastic Flashbacks

[Ouvindo: Nosso Louco Amor - Gang 90 & Absurdettes]

As Certinhas do La Dolce

Lucy Lawless
Guerreira

Um oferecimento LucyLawless.info

[Ouvindo: Shudder/King Of Snake – Underworld]


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Fofoca que levou décadas a ser confirmada: Foto com Liz Taylor nua!

No começo dos anos 60 a revista de mexericos Hush-Hush noticiou que Elizabeth Taylor havia pousado sem roupa para o amigo Roddy McDowall. Seria só mais um boato até abril deste ano, quando um colecionador a exibiu, após a atriz ter falecido.

Convencida de que seria de bom gosto, ela posou aos 24 anos, em 1956. McDowall deu a foto a Michael Todd como presente de casamento.

Todd foi terceiro marido de Liz, que tragicamente morreu num acidente aéreo após 11 meses de casados (fevereiro de 1957 a março de 1958). Chocada com a situação, ela teria entregado a tal foto a uma maquiadora e sumiu no tempo até abril de 2011.

Bem, tenho a sensação de já ter visto esta foto antes, muito antes. Numa daquelas matérias de revistas que volta e meia fazem escarcéu com a nudez das estrelas golden age.

Posso estar enganado? O interessante nessa história é a Hush-Hush estar certa, sempre tão afeita a jogar tintas fortes em qualquer coisinha das estrelas de antes.

Interessante também a amizade entre Roddy McDowall e Taylor que começou durante as filmagens de Lassie Come Home em 1943, estreia dela no cinema bem pequetitinha, e durou até a morte dele em 1998. Íntimos desde crianças, a imagem nua só comprova isso.

Muitos desconhecem que McDowall além de um espetacular ator era cinéfilo e colecionador. Deixou um extenso material em sua casa como fotos, negativos e muitos filmes caseiros em que registrou os bastidores dos seus trabalhos.

O passo a passo da maquiagem de Planeta dos Macacos (Planet of the Ape, 1968 de Franklin J. Schaffner), ganhadora de um Oscar especial, foi registrado em sua câmera Super 8. Esses filmes fazem parte da edição especial em DVD do inicio da saga Ape.

A foto de Roddy McDowall é um oferecimento The Fã Carpet

Veja também:
Linha do tempo de Roddy McDowall
Seis meninas prodígio que cresceram bem


[Ouvindo: Como te extrano mi amor - Cafe Tacvba]


Rio em domínio alien

Que domínio do trafico o quê? Nem o Rio de Janeiro se manteve alheia à invasão alienígena de Guerra dos Mundos (The War of the Worlds, 1953 de Byron Haskin), adaptação para o cinema da obra de H.G. Wells.

Rio de Janeiro e/ou América do Sul, né? Pra Hollywood isso sempre tanto faz.

No remake dirigido por Steven Spielberg de 2005 não tivemos esta colher de chá. Dois personagens secundários apenas discutem se na Europa e na América Latina os ataques foram mais suaves.

O filme recente é uma analogia óbvia com os ataques de 11 de setembro de 2001, não cabe o resto do planeta. Tom Cruise até volta pra casa, todo branco de fuligem como aquelas pessoas nas fotos das capas de jornal de 12 de setembro.

Uma coisa bizarra é ouvir vozes em português do Brasil em meio há multidão, no áudio em inglês. Entre outras coisas, entende-se perfeitamente “Joana! Joana! O que você acha disso?”.

[Ouvindo: Jocul Tambalelor - Johnny Raducanu & Aura Urziceanu]

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mexe com quem tá quieto

A cantora libanesa Fairouz pediu nada menos do que 2,5 milhões de dólares para Madonna. Tudo isso pela utilização de um sampler de sua voz na música Erotica de 1992.

No começo dos anos 90 tudo era obscuro em termos de reutilização de músicas. Pra falar a verdade, digitalmente samplers eram uma novidade!

O trecho com a voz de Fairouz é aquele mais hipnótico, com um cântico oriental. Madonna fala sobre ele "All over me".

O nome da canção é El Youm Oulika Ala khachaba (ou فيروز - اليوم علِّق على خشبة/ Hoje, ele é visto como uma cruz), pertencia a um disco festejando a páscoa. Elas selaram um acordo não divulgado que findou a contenda.

Ainda assim, a polêmica envolvendo uma música sagrada usada numa música de forte apelo sexual não passou batido. Tanto o single quanto o álbum Erotica foram proibidos no Líbano.

A gravação libanesa reaproveitada foi feita em 1962. Ouça a baixo ou clique aqui.


Cá pra nós, é saboroso descobrir samplers de músicas que marcaram tanto um momento de nossas vidas. E a gente lá tinha alguma chance de saber quem é Fairouz?

[Ouvindo: Mockin' Bird Hill - Patti Page]


Nem todo passado condena

Não mesmo! Veja o caso de E Fury. Pedaço de (muita) carne e músculos, poderia ter entrado para a posteridade apenas por isso.

Entre os anos 50 e 60 tirou uma serie de fotos com roupa diminuta e até sem ela. Muito tempo depois começa a surgir na Internet5 outros trabalhos dele.

Tenho orgulho em falar que fui um dos primeiro em reparar na sua presença em Nunca Fui santa (Bus Stop, 1956 de Joshua Logan). Hoje já está catalogado no IMDB.

Os Homens Preferem as Loiras (Gentlemen Prefer Blondes, 1953 de Howard Hawks)
Demetrius e os Gladiadores (Demetrius and the Gladiators, 1954 de Delmer Daves)
Nunca Fui santa (Bus Stop, 1956 de Joshua Logan)

Ainda falta Ao Sul do Pacífico (South Pacific, 1958 de Joshua Logan). Esse filme tem tantos mancebos de peito desnudo que foi difícil identificá-lo.

Ed Fury é um caso de pessoa que a gente coleciona os filmes acidentalmente. Devo ter uns quatros ou cinco, incluindo (propositalmente) o Hercules com um dos nossos beefcakes 50’s preferidos.

Num dos primeiros passos que dei na internet cruzei com a figura de Ed Fury, se não me engano no Brians Drive in Theater. De lá pra cá passei a reparar nele.

E que luxo ele ter sido figurante em duas produções com a Marilyn Monroe, hein? Fora isso, são dois dirigidos pelo Joshua Logan que sempre arranjava um jeito pra incluir o amigo.

Veja também:
Corto cabelo mas não pinto


[Ouvindo: Intro Tokyo - Richard Beggs]

Pausa para nossos comerciais

How Can You Refuse? When Cher Says... Take Me Home

Levar a Cher pra casa? Como não? O duro vai ser ela passar na porta com todos esses adereços gigantescos na cabeça.

E a diferença no espalhafato de Cher, Grace Jones, Madonna e tantas outras cantoras de antes pra essas de agora é simples. Estavam sempre dentro do contexto de seus trabalhos.

Não estavam simplesmente vestidas de palhaças pro público simplista achar “Muito louco”. Seu visual extravagante condizia com a música que faziam.
As de hoje, invariavelmente me fazem sentir vergonha alheia. Choque pelo simples choque, como se fosse fácil de me chocar depois de tudo que estes olhinhos já viram...

As músicas são qualquer coisa estúpida pra tocar na rádio. Poderiam ser de uma freirinha vestindo negro dos pés à cabeça que tanto faz.

A imagem é um oferecimento Paco Camino

[Ouvindo: Dying to be with you – Eric Allaman]


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Escola Ego de jornalismo

Sabe esses sites de celebridades que dão notícias como “Gloria Maria vai à livraria”? Não são de hoje!

Em 1945 (45!!!) revistas de famosos já noticiavam que Ella Raines dá banho no cachorro. Devia ser algo muito relevante pra humanidade...

Fotografaram, mandaram fazer os clichés (tipo de carimbos metálicos necessários para a publicação de cada foto) imprimiram, transportaram até as bancas... Hoje pelo menos é bem muito mais fácil.

E pra ser sincero, prefiro saber que um cachorro tomou banho que a urubuzação de câncer alheio. Ou dá pra ler uma matéria como "Mídia cerca, invade carro e constrange Reynaldo Gianecchini" sem achar que por falta de patifes este mundo não acaba em 2012.

A imagem é um oferecimento Neat Stuff Blog

[Ouvindo: Migueleña - Banda Regional del Istmo]


Nua para tudo

No paraíso da cinefilia há uma estantinha só pra filmes iniciados com “Nua para...” qualquer coisa. Quase tão tradicional aos giallos quanto o assassino misterioso usar luvas pretas e o povo tomando whisky JB.

Nude per l'assassino (aka Strip Nude for Your Killer, 1975 de Andrea Bianchi) engrossa a lista que contém Nude per amare, Nuda per un pugno di eroi, Nuda per Satana, Nuda per un delitto, etc. Tem o agravante de se passar no mundo da moda.

Cheio de aspirantes a dar certo. Nas passarelas. Pra entrar mulher pelada em cena é 1, 2, 3!

Também marca o encontro do diretor Andrea Bianchi com a beldade Edwige Fenech. Estrela de inúmeros giallos, aparece aqui de cabelo curto e a cara da nossa Helena Ramos.

O subgênero italiano sempre foi considerado chauvinista, mas poucas cinematografias exibem mulheres tão bonitas. Todas de cílios postiços gigantescos, maquiadas como se não houvesse amanhã.

Nenhuma outra também tem mulheres tão histéricas.

Isso não é uma critica, evidente! Pra mim tão ótimas assim mesmo, sucumbindo na cena do crime.

[Ouvindo: Dengeki Sentai Changeman - KAGE]


Estreia de Madonna como atriz

A Certain Sacrifice (1980 de Stephen Jon Lewicki) é o mais lucrativo filme caseiro da história. Foi com ele que Madonna começou no show business.

Tosco, rodado em Super 8 com um punhado de dólares, é incrível como a intérprete de Bruna tenha ido tão longe na carreira. Se não fosse pela presença de Madonna o trabalho do estudante de cinema teria mofado numa gaveta qualquer.

Não há o mínimo talento narrativo, fotográfico nem nada! Com a câmera trepidante pelo menos acidentalmente previu a onda de falsos documentários que viria depois.

Só assisti quando comprei o VHS nos porões de uma locadora que estava fechando em 90 e qualquer coisinha. Lembro que ao contrário (bem ao contrário) do que a lenda dizia, não tem nada de pornô.

A estreante paga peitinho malemar e olhe lá que de tão escuro mal dava pra ver direito. De resto é o inevitável trocadilho: Foi um sacrifício!

[Ouvindo: I'm Sorry - Brenda Lee]


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Coleção de DVD vs. televisores modernos

Medo superado: Que com as tecnologias de TVs modernas, em full HD e o diabo a quatro nossos DVDs ficassem obsoletos. Que as resoluções menores dos filmes os deixassem péssimos.

Demorei a ficar empolgado principalmente por isso. Desanimador pensar que mais uma vez teremos que começar do zero.

Não ficam nada ruins porque há o (sagrado!)fator chamado cabo HDMI. Inferior à qualidade de Blu-Ray, evidente, mas consegue-se um resultado superior ao que se tinha numa TV de tubo.

Em clássicos que já vimos e revimos é como passar a usar óculos. Tudo nitidamente mais real chega a ser emocionante. Grandes estrelas aparentam ser de carne e osso e poros da pele

As fotos deste post foram tiradas com uma câmera caseira (desconte esta precariedade técnica) apontada pra TV de LED, full HD. Ela reproduz um DVD original, widescreen anamórfico de resolução 853x480.

Diria que ficou ótimo, não será preciso sair correndo desesperado trocando tudo por Blu-Ray e sua exorbitância resolução de 1080p. Mídia digital é digital, diferente do VHS pra DVD, em que as fitas se tornaram obsoletas com sabor de dinheiro jogado fora.

Óbvio que muitos títulos terão que ser readquiridos no disquinho azul por puro prazer de rever coisa boa com mais qualidade. E Blu-Ray não é só pra blockbusters recentes cheios de “pá, pum, crás”.

Vi Fantasia de 1940 no formato e a parte dos músicos no comecinho parecem pessoas recentes em trajes de época. Inacreditável!

Comecei imaginando como ficarão obras do tipo Era Uma Vez no Oeste (C'era una volta il West, 1969 de Sergio Leone), Suspiria (1977 de Dario Argento) e tantos outros de fotografia sensacional. Estamos livres das barras negras horizontais!!!

[Ouvindo: Paris When It Sizzles - Nelson Riddle]


Numa galáxia distante...

Espetacular capa da revista Science Fiction de 1949. De todos os gêneros, ficção científica é um dos que melhor retratam o presente, por mais contraditório que isso possa ser.

No caso da ilustração, veja só, 1949 a popular confiança quase sacra pelos governantes estava bastante arranhada. O mundo ainda recuperava-se da 2ª Grande Guerra, quando muitos discursos políticos se mostraram bem diferentes na prática.

Em agosto daquele ano a União Soviética testou sua primeira bomba atômica, o que desencadearia na paranoia vermelha. Ao mesmo tempo, a OTAN foi criada para proteção mútua entre os países aderentes.

Talvez seja mais fácil compreender qualquer complexidade político-social (até de sentimentos) se a transpormos para um planeta distante ou num futuro incerto aqui mesmo na Terra. Claro que depois, como arte, não perde a beleza, mas fica bastante datado.

A capa é um oferecimento SFordScott

[Ouvindo: Face To Face - Siouxsie & the Banshees]


R.I.P. Jimmy Sangster

Faleceu na última sexta-feira (19) um dos nomes mais importantes do lendário estúdio britânico Hammer. Jimmy Sangster foi diretor, produtor e principalmente roteirista dos filmes que mudaram uma geração.

Principalmente seu texto para (foto maior) A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankenstein, 1957 de Terence Fisher) que não só revitalizou os monstros da literatura clássica, então relegados por Hollywood em prol dos atômicos, como redefiniu o cinema de horror. O fator medo (em cores!) voltou a ser refinado com personagens ambíguos.

Christopher Lee (que logo depois seria o Drácula oficial da Hammer) como a criatura remontada a partir dos mortos é um pobre coitado digna de pena. Peter Cushing, que seria o barão de Frankenstein tantas outras vezes, é a insanidade contida diante do poder da criação à sua imagem e semelhança.

Também é de Sangster os roteiros de Nas garras do Ódio (Ther Nanny, 1965 de Seth Holt) e O Aniversário (The Anniversary, 1966 de Roy Ward Baker), as duas incursões de Bette Davis no estúdio. A partir dos anos 70 ele passou a dirigir, com sua casa profissional já distante dos tempos áureos.

Assinou Luxúria dos Vampiros (Lust for a Vampire, 1971), segunda parte da Trilogia de Karnstein e outros dois filmes. Manteve-se trabalhando até 2000, apenas como roteirista.

[Ouvindo: After The Lights Go Down Low - Ann Margret]

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Tatuagens para cinéfilos

E não deve ter cinéfilo que assista a Cecil Bem Demente (Cecil B. Demented, 2000 de John Waters) que não fique pensando qual nome de diretor tatuaria. Cada membro da gangue (equipe) possui um diretor favorito.

Isso complica tudo! Um diretor apenas? São tantos que eu acabaria como aquele cara que quando morrer vai vender a pele pros chineses.

Também vou virar abajur ching ling quando bater as botas. Daria preferência aos cineastas que não estão mais ativos.

Pensou um cara que era fã do Wim Wenders no final dos anos 80? Hahaha! Mas incluiria com louvor o próprio John Waters.


Não deve existir nenhum outro fonte de inspiração para tattoos como ele. Mais tatuado que “amor só de mãe”.

Fico na dúvida de qual delas é a mais bonita... O estúdio responsável por cada uma está linkado na própria imagem, até pra fazer justiça.

E dele só o nome não basta, tem que ser imagem do rosto mesmo. Coisa de muito bom gosto para condizer com o perfil do homenageado.

Tatuei uma máscara kabuki achando que estava abafando e agora passo o resto da vida explicando o que é, não porque esteja mal feitinha. Se fosse John Waters ouviria certamente: “É teu pai?”.

Teria a resposta na ponta da língua: “Não, mas é como se fosse!”. Sempre tem gente desinformada.

[Ouvindo: Change of Heart - Eric Carmen]


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