quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Upa pra lá e pra cá!

A Globo tentou reviver o programa O Fino da Bossa no especial de 50 anos da TV em 2000. Elis Regina no telão interagindo com Jair Rodrigues vivinho no palco com Upa Neguinho.

Se a ideia era fazer algo como Nat King Cole e sua filha Natalie juntos em Unforgettable, coisa que espantou meio mundo em 1992, o resultado foi pífio. Ou poderia ser melhor!

Mas a nostalgia do diálogo entre as duas épocas é irresistível. Tem algo de vibrante entre eles que sobreviveu ao tempo.

[Ouvindo: It's A Grant Night For Singing (& Pat Boone) – Ann Margret]

32 comentários:

Refer disse...

A Globo fez de tudo para reviver a época auspiciosa dos festivais de música e dos grandes pgrms musicais dos anos 60 e 70. Nada deu certo. Acho que é a maior prova de que a música brasileira acabou — outro sinal é a exasperante falta de renovação. A crise é de talento, mesmo, a meu ver. No final dos anos 80, era visível as "máfias" instaladas na MPB, que barravam os talentos novos e só promoviam nulidades. Se foi isso o que aconteceu, podemos dizer agora: parabéns Chico, Caetano, Gil, Fagner, Milton, Djavan, Midani, Nelson Motta. Vocês venceram.

Miguel Andrade disse...

Refer, certo, certo! E como tudo que gira em torno de uma panelinha, acaba mirrando.

Aquela última tentativa de fazer um festival foi um flop fenomenal. Nem você deve se lembrar!

Refer disse...

A não renovação da MPB fica mais e mais evidente quando vejo essa velharada ser aplaudida, discutida, paparicada pelos meninos, fãs e artistas. Causa-me repulsa, p.ex., a subserviência da Gadú ao C.Veloso.

O pessoal mais novo precisa romper radical e urgentemente com o bando de velhos FDP que domina a MPB há 4 décadas, senão, a MPB vai estar condenada a viver de reminiscências, somente.

Não sei desse último festival... mas imagino.

Leticia disse...

Lembro de um festival RECENTE na TV Cultura e um dos candidatos era... Walter Franco. Aliás, aquilo foi profundamente chato. Sempre um rapazola gordinho tentando imitar seu ícone das noites solitárias.

Não sei, Refer, mas quero ponderar aqui que todos esses caras MPBísticos foram fortemente apoiados por trilhas sonoras de novelas da Globo durante certo período 1970-1980. Isso aliado à memória afetivo-política dos festivais 60 não deixa o novo entrar de jeito nenhum.

O que poderia haver de novo de lá pra cá sobrevive gravando CD de bossa-nova.

Leticia disse...

Complementando: até a Vania Bastos, que eu adoro, se rendeu a gravar Tom Jobim. Chega, né?

Diogo disse...

Ouviram o novo da gal? Recanto é o melhor dela em...muito tempo!

ps: vou ODIAR pra sempre o infeliz que criou esse genêro chamado MPB, a sigla ao mesmo tempo abarca tudo que é feito em matéria de canção popular no país e ao mesmo tempo conserva e sectariza grosseiramente a dita "boa música" daqui, aff. rs

Miguel Andrade disse...

Refer, mas romper pra fazer o quê? Tudo o que surgiu na última década foi seguindo a formula dos velhacos.

Letícia, no especial em que retirei esse trecho mesmo é bem claro os nomes que sempre interessaram á emissora. Todos muito descolados, que não abriram mão de ilustrar musicalmente as novelas.

E bem lembrado "os novos" gravando CD de bossa nova...

Diogo, ouvi a primeira música promocional. Achei legal... Mas depois soube que era todo Caetano e PELAMORDEDEUS!

Não tenho estomago pras rimas fáceis desse senhor faz tempo.

Daniel Tavernaro disse...

Na "Bravo" de dezembro, Gal está na capa, Chico e Caetano em uma matéria especial (sobre a poesia superior em suas letras) e tals.

Mas o que me fez dar uma alta gargalhada foi, na matéria da Gal, falarem sobre o Autotune. Compararam com Cher e seu fantástico "Believe", de 1998; sobre os efeitos com voz metálica que tanto fez sucesso com a diva norte-americana.

Ai pensei "imagino um efeito desses para uma cantora como Gal, que mal se mexe em cena, tendo C. Veloso como compositor da canção e ainda por cima tocando".

Não sei como ficou, mas o efeito é ligado ao dance (e, agora, a Cher), não?

Miguel Andrade disse...

Daniel, usaram vocoder na Gal? É isso? Jesus!!!

Refer disse...

Não sei o que os + jovens podem fazer, sei que eles têm de abrir seu próprio caminho e brigar pelo espaço. Imagine se nós, lá atrás, disséssemos para o pessoal da bossa nova 'OK, vcs são bacanas, mas vamos continuar a ouvir e a comprar somente os discos da velha guarda'? E em contrapartida, o pessoal da bossa nova, resignado, tivesse aceitado a ditadura do já consagrado, dos mais velhos?

Não! — o que aconteceu foi um rompimento total com o status estabelecido na MB, e valeu a pena
brigar porque foram 15 anos (ou quase isso) de renovação contínua.

Miguel Andrade disse...

Refer, mas a situação comercial, industrial, é muito distinta daquela época. Vende o que as gravadoras querem.

Não tem mais essa de movimentos populares de antes. Não há mais pessoas consumindo algo que elas gostam, mas o que lhes é imposto.

Dá uma olhadinha nos "Trending Topics" do twitter que morra de desesperança na humanidade. Só lixo do lixo!

Difícil algo original, puro e/ou autêntico conseguir uma brisa de atenção que seja.

Daniel Tavernaro disse...

Miguel... De acordo com a revista, sim. Ela flertou bastante com a "tecnologia" neste álbum. E a passagem sobre a Cher é real. Sim, acho que na música "Neguinho", ela está com a voz "metalizada" em algumas partes.

Legal uma sessentona sem pique resolver usar a tecnologia né? Imagino uma possível turnê desse álbum..... Quer dizer, não imagino, rs. Depois da comparação com a Cher toda hora imagino Gal de espartilho preto + jaqueta de couro..... E pulando e andando pelo palco;

Sanidade, boa tarde! Por onde andavas?

Miguel Andrade disse...

Daniel, sendo que ela nem precisa disso. Sem falar que esse efeito é mega brega hoje de novo, quando era quando a Cher o revitalizou nos 90.

Refer disse...

A situação comercial, industrial etc. no setor, nos EUA, é a mesma que no Brasil. No entanto, lá, os + jovens conseguem fazer música boa e interessante, descolada da velharia.

O consumidor jovem americano não fica patinando no passado. Aqui, ficam discutindo o disco "novo" da Gal Costa. PQP! Ora, eles tinham mais era de dar uma mão de cal nessa baiana anciã, mandar a sapata velha calar a boca que o tempo dela passou.

Mas não é minha briga. Já estou velho. Foda-se.

Miguel Andrade disse...

Refer, há espaço pra todos. Nãos e respeita nada aqui, interessante Gal ter essa visibilidade pelo menos agora, quando está lançando.

Duvideodó que vá vender pro zé povim, mas enfim...

A burrice é generalizada, mas admiro isso nos EUA: Todo mundo de alguma forma tem seu espaço ao sol.

Há filmes pra todos os gostos, música idem, TV também, revistas igualmente.

Aqui não pode existir dois sucessos ao mesmo tempo. Todo mundo apontando numa mesma direção faz tempo.

Refer disse...

ahn... quis dizer 'dar uma DEMÃO de cal'

A questão é o futuro da MP que está em jogo, e esses velhos malditos, sacanas, não querem saber de abrir espaço para a juventude. Ponho nessa conta a crítica toda, que só tem velho saudoso 'dos bons tempos'.

É inacreditável que no final de 2011 a coisa mais empolgante e comemorada da MB, a ponto de ser capa de revista, é o disco novo de Gal Costa.

Miguel Andrade disse...

Refer, entendo. Mas se não for a Gal vai ser um sertanejo ou uma dessas boy bands de calças coloridas.

Os veios se fazem de mortos e vão ficando.

Leticia disse...

Fico pensando cá comigo se não está faltando (além das questões comerciais) um conceito.

Porque, veeeeja bem, se a bossa nova acabou com a gritaria; o tropicalismo se estruturou intelectualmente em Oswald, Carmen Miranda, e tal; o rock dos 80 também tinha certa unidade de sentido...

E agora? Qual é a mensagem, qual é o racional?

Refer disse...

Leticia, vc está querendo a 'fórmula do sucesso'. Tem de ser encontrada pelos músicos, mas não sou de recuar se o assunto é música; posso garantir que se perdeu uma grande oportunidade quando apareceu aquele pessoal na Trama. Bastava juntar a turma, dar um nome à coisa e arranjar um conceito. A base era o som black brasileiro; o selo atraiu o Claudio Zoli meio por acaso, mas devia ter chamado a negada toda: DiMello, Carlos Dafé, Fábio, Cassiano, Ed Motta, Hyldon, a Black Rio, Trio Mocotó, Arthur Verocai, e recriado o som black com aquelas modernidades do Simoninha, da Luciana e do Max. Musas sobravam: a diva Paula Lima, a própria Luciana e a Francine do Sambasonics.

O mais louco é pensar que o autor cerebral e conceitual da bossa nova foi o Ronaldo Bôscoli; e a Trama, embora tivesse o filho do pai da matéria no comando (João Marcelo Bôscoli), não se tocou que poderia ter sido uma nova Elenco na renovação da MB. Pra piorar, para botar tudo abaixo, a turma da Trama ficou assanhadíssima para aparecer na Hebe. A Paula Lima virou 'jurada' de TV. E o + incrível, o Sambasonics não vingou. OMG, esta vida não vale nada. :(

Aqui, UMA AMOSTRA da renovação da MB que não rolou porque A GENTE SOMOS INÚTIL!
Sambasonics: http://www.youtube.com/watch?v=PAp9NLrYQIU

Miguel Andrade disse...

Letícia, isso é bobagem pro consumidor de hoje. Conceito, movimento que dialogue com a atualidade coisa e tal... Não dá tempo.

É tudo muito descartável e rápido. Daí existem aqueles CAQUÉTICOS totens (como Rita Lee) que bastam uma merda qualquer e recebem toda a mísia a seus pés.

Tem aquele Criolo paparicado sabe Deus o motivo. Triste cópia do americano pobre revoltado com os sucrilhos que a burguesia como no café da manhã.

Refer, bem lembrado da Trama.

Basta aparecer na Hebe e tcharaaaam!!! Tá todo mundo feliz.

No caso da Trama, tiveram a faca e o queijo na mão mesmo, mas... Ficaram naquelas de "ajudá us amigo". Virou mais uma coisa umbilical, como tanto já discutimos aqui em outras áreas.

Daniel Tavernaro disse...

Hahaha!

Aquele "Criolo" já saiu até na... Bravo (eu estou tendo quase certeza absoluta que a Bravo é a revista dos "miguxos" de mais idade e que se julgam cult, só pode!). Matéria graaande, falando (ou explicando, ou dando razão, sei lá) do porque do sucesso dele. Que ele fez o ensino fundamental com a mãe, que ele fez isso, que a mãe dele é um heroína, e tal..

O engraçado é que só LEIO sobre o tal "Criolo" na Folha e na Bravo. Agora, se já ouvi? NUNCA! Ele sequer foi citado nos lançamentos do mês na própria revista!

Sobre a Trama, sempre vi a gravadora como uma entidade que quer dar voz a alguns antigos que poderiam estar calados.... E falando em Dafé, amo "Criança Maravilha" (lógico, ele não é um dos que poderiam ficar calados)!

Ontem vi aquela página quase toda dedicada a Tetê Espíndola. Não sabia do grau de loucura e experimentação dela! Tantos artistas lá fora vivem justamente dessa imagem e ela, toda naturalmente louca, meio desaparecida. Loucura "sã" aqui é ouvir as baboseiras da atual chata ex-legal Rita Lee....

Miguel Andrade disse...

Daniel, ouvi Criolo sábado... E me deu aquela vergonhinha alheia, que geralmente sinto com brasileirinho chupando americano.

E SUPER estranhei a Tetê na Bergamo de ontem. Coluna geralmente dedicada a alguma famosidade da novela das 8, comediante de baixo escalão da band e seres similares.

Leticia disse...

Refer, olha só a ironia: o pessoal da trama, TODOS filhos da velha guarda. Mas são ótimos, gosto de todos, principalmente do Simoninha.

A turma do Zoli é bacana, mas... gostaria de informar que uma amiga de mesma faixa etária perdeu a virgindade com ele naqueles tempos. Detalhe: tenho 47 anos...

E, outro detalhe: aparecer na Hebe, no meu tempo, era brega. Não sei o que houve que hoje essas coisas viraram ícones hors concours. E ser jurado em programa de calouros reloaded... enfim.

Miguel, Rita Lee tem coisa que gosto, mas é aquilo: está velha. Valores velhos, maneirismos velhos, revoltas velhas. Mas virou monstro sagrado, fazer?

Daniel, mencionando de novo a faculdade, as letras da TS eram objeto de estudo lá na Eco-UFRJ. Nunca fui atrás pra saber direito qual a música, mas lembro de um trechinho agudíssimo: "as lesmolisas siiiilvam!"

Miguel, ela está fazendo um CD. Não é o bastante pra uma entrevista lá, não? Estranho mesmo.

Miguel Andrade disse...

Letícia, sim, mas tem um espaço enooooorme por qualquer coisinha. Enquanto outros com mais talento, ativos, fazendo coisas novas, ralam por uma linha se quer na mídia.

Refer disse...

Letícia, vc está dizendo que a 'turma do Zoli' seria velha demais para renovar qq coisa mesmo no começo da década passada ou final dos anos 90 — sim, evidente! e eu tentei dizer que esse pessoal seria fundamental para fornecer a matéria-prima para a turma jovem da Trama e congêneres (Sambasonics, Clube do Balanço, Paula Lima...) fazerem uma renovação que nunca rolou.

Miguel Andrade disse...

Refer, nem rolará! Agora somos um país (quem diria) sem identidade musical.

Leticia disse...

Verdade, Miguel. Não digo com isso que a gente deva jogar fora o passado, mas deixá-lo onde está, no lugarzinho de destaque. Agora, ficar arrastado carreiras sem fôlego...

Sim, refer, agora entendi.

A única reviração de passado que adorei foi a do Simonal. Incluindo aí livro, documentário, revisão da história Precisava, né?

Miguel Andrade disse...

Letícia, falta-nos equilíbrio. Espaço pra todo mundo, respeito a todas as coisas.

Não o país inteiro apontando sempre pra um lugar só. Difícil de conquistar em meio a uma educação sofrível, onde a maioria se acomoda na manada pra vida ter uma vidinha mais fácil.

Leticia disse...

"Se acomodar na manada" - adorei!!!

E nem sempre isso é sinônimo de vidinha mais fácil. Criatura prefere, por exemplo, viver de rolinho do que se esforçar para ganhar um pouco melhor no trabalho.

Outro dia soube de uma história: um defunto e meia dúzia de telefonemas do tipo "o que vamos fazer?...", de modo que a corrente chegasse a uma pessoa com grana pra pagar o enterro. Não rolou.

Na certa o contato direto, caso conseguisse o dinheiro, levaria o seu. Ô, miserê brasileiro dos infernos!

Miguel Andrade disse...

Letícia, não é, mas dá a sensação. Não precisa nem pensar se aquilo tem qualidade ou não, basta consumir, já que todo o meu grupo consome....

Nossa, e galerinha querendo se dar bem até com finados! :-/

Leticia disse...

Pra mim esse negócio de consumir igual é solidão, vontade de pertencer a um grupo.

Tô falando, a gente se faz de alegre mas somos um povo deprimido.

Miguel Andrade disse...

Letícia, com certeza absoluta. Povo inseguro! Haha!!

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