quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Don Draper vai à mesa

Um programa de TV tão bom que não se esgota em si! O livro The Unofficial Mad Men Cookbook, que reúne receitas e historias dos pratos que aparecem (ou poderiam aparecer) no seriado é só um exemplo.

Hoje li sobre ele no jornal, o que já é meio caminho para ganhar edição em português.
Ou que sirva de inspiração para outros livros brasileiros no gênero, uma ótima forma de entender, ou atrair interessado nos costumes.

Década de 60 não faz tanto tempo assim e as coisas já mudaram tanto nos hábitos prosaicos da alimentação. Em fotos de família geralmente eu me atenho às mesas.

Encontrei uma vez vários livros de receitas 50's, talvez de alguma tiazinha que partiu dessa pra melhor. Além das ilustrações graciosas, se eu realmente quisesse fazer algo dali teria um trabalhão, se é que conseguiria.

A começar pelas medidas, por exemplo, em decilitros, ter que peneirar farinha, dezenas de ovos, quilos de gordura suína... E as próprias receitas bizarras, como sardinhas em conserva! Pense no trampo, sendo que as latas são tão simples.

E é um grande mistério darmos pouca importância à comida além das refeições. Nas escolas mesmo aprende-se quase nada!

Quando muito, desenha-se a pirâmide alimentar numa cartolina cor de rosa e pronto! Talvez as meninas nos tempos em que era importante transformá-las em mulherzinhas prendadas.

Garanto que as aulas de história (pesadelo para a maioria) seriam muito mais simples e divertidas se incluíssem culinária. Sem a pretensão de formar mestres cucas, óbvio!

Outro dia estava um tiozinho nutricionista (?) no Globo News ensinando a preparar o prato ideal no quilo. Dizia coisas como “Cenourinha é bom pela vitamina X” e “Olha, tomate é muito bom por causa de Y” com ares de mestre de alguma seita secretíssima.

Queria ter aprendido isso, sendo a boa alimentação algo tão prosaico, mas vital a qualquer um. Em contrapartida, sei quais são os afluentes do rio Amazonas.

[Ouvindo: Season of Love – Pinky e Killers]

14 comentários:

Penny Lane disse...

Uma salva de palmas para as moçoilas dos tempos dourados que conseguiam conservar uma sardinha! CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP

Miguel Andrade disse...

Penny, não? A popular lata é só uma facilidade "moderna". haha!

Penny Lane disse...

Oi, gatz! A lata é sim uma felicidade moderna, felicidade moderna ao cubo quando eu não preciso de abridor de latas para abri-las, basta puxar o anelzinho. Mas eu sinceramente acho que essas mulheres que tinham a manha de saber preparar sardinha em conserva deviam ganhar um prêmio, serem canonizadas ou algo assim. Eu fico imaginando o trabalhão!

Miguel Andrade disse...

Penny, elas faziam isso pq não havia outro jeito de ter sardinha em conserva.

Lembrei uma coisa engraçada. Quando minha finada avó (num dos ultimos natais que passou) perguntou do que minha mãe precisava pra ela lhe dar de presente. Disse que queria uma batedeira nova.

"Batedeira? Que dinheiro jogado fora. Bate-se tão bem bolos à mão!"

Penny Lane disse...

Por isso mesmo elas valem o peso em ouro! Se bem que meus pais (e a vizinha da frente) comentam de umas sardinhas em conserva que vinham em latões enormes, com cabeça e tudo. Vou procurar descobrir a marca. Beijos e se não nos falarmos mais, um Feliz Natal ;)

Miguel Andrade disse...

Penny, beijo, feliz natal também!

Daniel Tavernaro disse...

Há anos descobri que a casa da minha mãe é um museu, rs. Ela adora coisas antigas! Até uns 10 anos atrás, ela ainda tinha um telefone grandão, daqueles de madeira, que ficavam pendurados na parece, com uma coisa gigante para ouvir e um microfone faraônico junto ao aparelho. Também tinha um relógio de pêndulo (!!!), de madeira, graaande.... Daqueles que o pêndulo fica atrás de um vidro, dentro da caixa. O que ela fez? Sumiu com ambos! Só Deus sabe!

Desses livrinhos, ela tem muuuitos dos anos 70 e começo dos 80. Sabe quando a mulher, na época, para conquistar alguém e casar, tinha que saber cozinhar?... Mais ou menos isso. Lógico que ela não fez quase nada, afinal, ela sempre foi "pra frentex", como minha avó, ex-sogra dela, sempre disse.

E sobre discos... Olha... Acho que tenho todo o acervo de MPB e música romântica viu. Vou vender isso, hahahah!

Bom Natal Miguel! Sem sardinhas em conserva caseiras; mas com quitutes, coisas e pessoas que gostar! Abração!

Leticia disse...

Vocês lembram daquele post do Miguel como foto de um rocambole salgado, parece, feito com gelatina/mocotó? Não sei se é a qualidade das fotos, o aspecto do prato, mas tenho certa repulsa...

Aqui em casa as receitas antigas definitivamente acabaram. Torta com passa podre (com camarão no recheio, deliciosa!). Mas o trabalhão que dá? Nem minha mãe tem mais saco de fazer, e as gerações seguintes simplesmente têm preguiça.

Só minha cunhada guarda um pouco desse hábito de fazer uma grande mesa de Natal, e a vadiagem vai passando lá e bicando.

E, com iguarias antigas ou compradas no supermercado, um grande Natal para Miguel e a todos aqui no blog, com um 2011 de saúde e boas dietas.

Daniel Tavernaro disse...

Letícia! Muito bem lembrado! Época de fazer aquele troço mesmo, hahaha! Meio de gelatina, mas meio salgado..

Enfim, ótimo natal pra você também! Beijo e muitas realizações!

Miguel Andrade disse...

Daniel, a minha também tem muita coisa. MUITA!

Minha irmã convenceu ela a dar fim em boa parte dos bibelôs, mas livros de culinária estão todos intactos.

Morri de cantar sem viola e ela não me libera nenhum.

Letícia, então...... Eu meio que lembrei desse post... E de alguém aqui falando da tal galatina! Hahaha

Mas não tenho noção por onde começar a procurá-lo.

Mas até minha mãe tem tido certa preguiça de coisas mais elaboradas. Vamos acabar todos comendo grama!

Gente, mas vocês estão sendo muito precoces no "Feliz Natal"!

Leticia disse...

Imagina, Miguel! Depois todo mundo sai pra fazer suas coisas e babau! Eu, como sempre, não arredo o pé da cidade em feriados, mas..., e quem vai viajar? Melhor garantir as trocas de abraços e beijos agora.

(E, falando em bibelôs, adivinha ao que tenho me dedicado esses dias? Caí de boca em algo que adoro fazer, e descobri uma massinha maravilhosa pra restaurar louças e cerâmicas de estimação. Refazendo pinturas, dourados, e tudo - TUDO - envernizado, coisa que não gostava mas estou curtindo agora. Tá ficando bom, viu? Não dei vexame até agora.)

Miguel Andrade disse...

Letícia, uau! Nunca ouvi falar nessa massinha. Mas não tenho o dom do restauro como a sinhá.

Leticia disse...

Nem eu. Mas tento no amadorismo.

Pensando em 2012 fazer um curso sabe de quê? Pintura a óleo. Nunca gostei, abomino naturezas-mortas, mas cismei. Quero aprender a pintar, botar brancos, luzes, fazer velaturas, me distrair...

Miguel Andrade disse...

Letícia, já me interessei, mas sempre saiu tudo podre.

Recuso a pintar cabeça de cavalo...

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