sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Bellini e a boa vontade

A situação do cinema rodado no Brasil anda tão periquetante, que coisas como Bellini e O Demônio (2008 de Marcelo Galvao) merecem destaque. Não que seja grande coisa, não é!

Muito pelo contrário, é bem ruim. Mas pelo menos escapa do padrão que produtores brasileiros encontraram de manter as salas cheias: Cenários classe média carioca, tiroteios em favelas, atores de novela, ângulos de televisão, humor medíocre...

Há ainda aquelas produções tristes, refugo (AINDA!) do Cinema Novo que tentam verniz artístico. Repetem superficialmente a fórmula nordeste ou qualquer lugar pobre e remoto do país, câmera trêmula, atores ruins fingindo naturalidade.

O filme de Galvao é por tanto um alívio! Segue a estrutura do cinema noir clássico americano tendo o belíssimo centrão de São Paulo como locação, coisa que por si só ganha uns pontos extras.

Ainda flerta com o terror, gênero desprezado aqui. Acho que chega a ser mais do que um flerte, já que todo o mistério da trama consiste na busca por um livro de demonologia.

Merece uma olhada mesmo. Olhada sem esperar nada além do diferencial. Uma história policial em que todas as pistas não chegam a lugar nenhum!

Fraco roteiro filmado por alguém sem muita vontade de traduzi-lo em imagens. Ideal pra quem desconhece a diferença entre citação e cliché.

6 comentários:

Refer disse...

É livro do Tony Bellotto, né? E eu nem sabia que havia sido adaptado para cinema.

Tenho o maior bode do Bellotto. Já espiou a coluna dele na Veja? O cara dispõe de todo aquele espaço, o mundo tá desabando, e o FDP do Bellotto fica falando da família dele e dando receita de "farfale ao pesto".

Miguel Andrade disse...

Refer, sim, é! E quero distancia desse livro ainda mais depois desse filme vazio.

Mesmo sabendo que adaptações blablablá...

Nunca li a coluna dele. Esse povo dos Titãs força a barra pra serem daquelas unanimidades que brasileiro adora.

Daquelas que podem fazer qualquer merda que vai estar todo mundo aplaudindo de qualquer jeito.

Refer disse...

Gosto do Paulo Miklos, acho que tem muito talento. Também gosto do Charles Gavin, que conheci quando ele era baterista do RPM, ainda em formação.

Os demais, Fromer, Nando Reis, Antunes, Branco, PQP!, são os maiores malas do BRock. O Belotto é de uma caretice de dar nojo.

Miguel Andrade disse...

Refer, cansei dos eternos revivals que a banda se meteu quando começou a vender muito com isso na segunda metade dos anos 90. Viraram caricatos de si mesmos.

Miklos tinha que ficar restrito á música. Provavelmente por um daqueles casos que já comentamos aqui, de quando amigos na imprensa elogiam um amigo, ele andou acreditando que era ator... :-/

Leticia disse...

(Todo mundo agora!!!):

O acaso vai me proteger...

Bons tempos dos bichos escrotos. Eu gostava. Gosto até do radinho, mais como lembrança dos 80.

Mas depois de regravar Roberto Carlos, não duvido que daqui uns anos façam um DVD só de bossa-bnova.

Miguel Andrade disse...

Letícia, sim! Eu também. Como algo que foi legal muitos anos antes.

Eles fizeram vários daqueles acústicos. Ninguém precisa de disco de Bossa Nova com acústico. rs

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