quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Toda fatal

Já tenho um novo sonho de consumo! Uma vitrolinha, daquelas com saída USB. Será que presta?

Saudade do som vindo do atrito da agulha nos sulcos do vinil... E de ouvir assim alguns dos meus discos favoritos, como este Fa-Tal gravado pela Gal em 1971.

Um dos melhores, melódico e espontâneo sem parecer forçar a barra tropicalista, psicodélica ou coisa que o valha. E todas as faixas são hits pessoais e intransponíveis de todo mundo!

Difícil escolher uma pra colocar aqui. Vou de Como 2 e 2, mas poderia ser qualquer outra! Ouça no player abaixo ou clicando aqui.

Enquanto a vitrolinha não vem, meus discos estão ali parados, nas prateleiras mais baixas da estante. Pra deleite da gataria aqui de casa.

Descobriram que é uma delícia afiar as unhas nas lombadas e não há quem lhes prove o contrário. Eu já desisti até de olhar pra não sofrer.

A imagem é um oferecimento 300 Discos Importantes da Música Brasileira

[Ouvindo: Silver Colored Road – The Peanuts]

34 comentários:

Moacir disse...

Meus cães são tão comportados. Não "afiam garras", claro, nem mastigam meus LPs, minhas revistas, livros ou CDs. Graças a Deus!

Você gosta do "Caras & Bocas" da Gal? Eu também adoro, mas gosto mais do Fa-Tal, é claro.

DAVI VALLERIO disse...

Mentira que vc tem FATAL em vinil?!!!compra logo a vitrola USB,pq se pa esse vinil vale mais que o aparelho...

Refer disse...

Meus gatos não atacam discos por querer, mas acontece de eles saltarem da mesa para a estante onde estão os discos e cravarem as unhas das patas traseiras nas lombadas, para garantir o equilíbrio; então, sou obrigado a proteger os discos com pedaços grandes de papelão — fica, assim, uma decoração 'favela, ô, favela'. Por mim, tudo bem. Os discos estão protegidos e os gatos, felizes.

Refer disse...

"Ao vivo" uma pinóia. Nenhum disco nacional ao vivo dessa época foi gravado autenticamente assim.

Eram gravados ao vivo em estúdio, aí acrescentavam palmas, gritos etc. no fim das músicas, dando um clima tipo "gols do Fantástico".

No Brasil de então não existia "unidade móvel de gravação" — na melhor das hipóteses, gravava-se ao vivo com um gravador de rolo profissional com microfones direcionados para o artista; pegava todo tipo de barulho, até ambulância passando na rua. Ficava um lixo.

A gente era índio, Miguel.

DAVI VALLERIO disse...

JURA QUE E FAKE O AO VIVO DESSE DISCO? GENTE ENTAO E TUDO TRUQUE QUANDO ELA ERRA A MUSICA?

Miguel Andrade disse...

Moacir, cães detonam muito mais rápido, aliás! Lembro quando o Boris era filhote.

Ele e a Glenda formavam uma dupla daquelas. Ela derrubava as coisas e ele moía!

Davi, tenho todos da Gal até os 80. Esse Fatal tenho dois, um simples e um duplo...

Refer, tem pai que é cego. hahaha! Eles devem fazer isso de propósito!

Mas os teus estão num lugar alto? Os meus adoram fazer preguicinha cravando as unhas nos discos quando acordam.

Ah, mas pra mim está bom ser "ao vivo" em estúdio. Detesto gritaria de plateia em disco ao vivo.

Bem que eu suspeitava que a plateia era muito quietinha nesse da Gal.

Davi, "ao vivo" em estúdio acho que é com todos tocando ao mesmo tempo, como numa jam session.

A corda que arrebenta deve ser de verdade mesmo.

Refer disse...

Gal Costa apresentava seus shows em galpões,auditórios de escolas, ex-oficinas mecânicas, quadras de esporte, bares, etc. locais adaptados sem tratamento acústico nenhum,inclassificáveis, que na falta de outra palavra chamávamos de "teatro". Não era culpa dela, absolutamente. É que praticamente não existiam lugares adequados para shows de música.

Como a esculhambação era sem limites, até é possível que ela tenha gravado esse LP num desses locais. Se sim, foi com um gravador de rolo comum, porém, sem plateia, pra não gravar junto a barulheira do público que enchia aqueles "teatros" acanhados.

Não havia outro meio pra gravar — nos shows não existia nem mesa de som (!). Era um negócio 100% amador. Creio ter sido gravado "ao vivo" num estúdio qq e as palmas acrescentadas depois.

Miguel Andrade disse...

Refer, por isso realmente discos ao vivo brasileiros eram raros. Nunca tinha parada pra pensar no motivo.

Muito obrigado, como sempre!

Diogo disse...

Esse Fatal é algo mais hippie-intimista. eu gosto mas prefiro a loucura daquele Gal de 1969, fico pensando em como os bicho-grilo da época idolatravam a gal, porque a moça não perdia em nada pra Janis (até ganhava, a Gal pra mim tá naquele nível vocal de uma Billie.)


ps: e vai lançar música(s) nova!

Miguel Andrade disse...

Diogo, gozado como apenas Fatal me marcou entre os discos dela. O que mais escutei coisa e tal.

Visualmente gosto daquele que ela está de vestido rodado vermelho na capa.

Moacir disse...

Miguel, eu tenho todos os LPs da Gal e alguns CDs. Eu era completamente louco pela Gal nos anos 80. Mas é claro que o que ela fez de MELHOR foi na década de 70. E esse que você fala do vestido rodado vermelho é o "Gal Tropical", por acaso? Mas a capa é só um close dela, com uma rosa vermelha e outra amarela no cabelo.

Agora, galera, JURA que o Fa-Tal NÃO FOI GRAVADO AO VIVO??? Eu duvido... Sei que não era comum, inclusive o som tem momentos bem ruinzinhos. Mas ninguém iria incluir aquele ruído de microfonia de propósito, nem o erro com a música e o violão.

Já o Acústico da MTV da Gal tá cheio de aplausos falsos e coisas editadas que no show que foi ao ar na MTV mostrou de forma diferente.

Miguel Andrade disse...

Moacir, capa ou contracapa. Não lembro. hahaha Mas a imagem é marcante pra mim.

Não! Pelo que eu entendi não é ao vivo, ao vivo. No sentido de ser o registro de um show literal como entende-se que seja isso hoje em dia.

E se o Refer tá dizendo deve ser isso mesmo. Um dos maiores conhecedores de musica destas playas.

Moacir disse...

Então tá. Não tá mais aqui quem falou. ;-)

Miguel Andrade disse...

Moacir, Brasil era um outro planetinha mesmo...

Diogo disse...

Miguel, E aquela trinca de ao vivos da Elis com o Jair Rodrigues? ( o Dois na Bossa)

Mahal disse...

eu amo o da Gal de 69 ( o da capa com um desenho psicodélico) Lanny Gordin chuta bundas, e as letras são fora de série! uns dos meus favoritos em matéria de psicodelia brasileira!
e cara, meus discos de vinil aqui tb estão parados por falta de aparelho decente. tenho umas pérolas como o "Wonderwall" (primeiro disco solo do George Harrison, trilha do filme de mesmo nome), o "All Things Must Pass", edições originais de "Revolver" e "Rubber Soul", fora alguns dos meus amados Mutantes e umas coletâneas raras da Rita Lee. dá tristeza vê-los pegando poeira...

Mahal disse...

"Como 2 e 2"...quase choro, linda demais!!!

vcs falaram a respeito de gravações ao vivo, eu me lembrei dos vídeos com a Gal cantando acompanhada pelo Som Imaginário. cara, dá tristeza ver e ouvir o vídeo. e olha que foram gravados em estúdio de tv. Isso pra não falar da ponta que Os Mutantes fazem no filme "As Amorosas" do Valter Hugo Khoury, mal se ouve a letra da música. lamentável.

Miguel Andrade disse...

Diogo, bem lembrado. Mesmo da Elis eu tenho aquele compacto de Arrastão do festival da Record.

Imagino a gravação tosca que na realidade deve ter sido.

Mahal, um dia quem sabe eles voltam à ativa nas nossas casas. Sei que não faço ideia do que são 70% dos meus.

O que acho curioso é que vemos em DVD programas musicais da TV americana do final dos 50 tinindo de novos. Já os nossos, dos anos 70 estão caindo aos pedações em qualidade técnica, conservação, etc.

Refer disse...

Well, vamos lá. O que eu conheço da série 2 Na Bossa (Elis e Jair) sequer foi gravado "ao vivo em estúdio". São gravações convencionais feitas em estúdio, com ruídos acrescentados aqui e ali para dar "um clima" ao vivo. Fake total.

Existem gravações ao vivo autênticas lançadas em LP (+ ou - na época), os shows de bossa nova no teatro Paramount, com produção de Walter 'Pica-Pau' Silva. Foram captadas com gravador de rolo e, apesar da boa acústica do Paramount e do inegável valor histórico, são pavorosas, uma barulheira medonha.

Também existem gravações ao vivo autênticas, até anteriores, feitas no Teatro Municipal, captadas com gravadores de rolo, que são razoáveis — são peças eruditas e jazz. O sucesso deve-se à acústica excelente do TM, ao tipo de música gravada e às plateias comportadas.

Microfonias, corda que quebra, violão que cai do colo etc. são acidentes que ocorrem em qualquer apresentação ao vivo, em palco ou em estúdio. Podiam ter gravado de novo, mas no caso de Fa-Tal resolveram deixar como estava. Sábia decisão...

DEvo dizer que não tenho nada contra essas picaretagens. Um dos meus LPs que mais gosto é o fakíssimo Kenny & The Kasuals — The Impact Sound Live at Studio Club, de 1966.

Refer disse...

Mahal... não fale em Gal com Som Imaginário que quem chora sou eu, de saudade de mim mesmo. Eu estive lá! Assisti a pelo menos três desses shows, um deles sentado a 2 metros da Gal; aquelas pernas fabulosas cruzadas quase na minha cara. Get the picture?

Pra te dar + inveja: numa das vezes, enquanto aguardávamos a hora do teatro abrir, o Lanny Gordin, plugado num amplificadorzinho valvulado meia-boca, tocou sozinho uns 30 minutos do LADO DE FORA do teatro.

Seria quase como ver hoje o Eric Clapton tocando numa calçada.

Mahal disse...

cara, que inveja de vc, Refer!!!tô me roendo aqui!!!

Mahal disse...

sabe Miguel, eu andei pensando seriamente em comprar daqueles aparelhos caros usados por dj's, sabe? fico um pouco desanimada de comprar um mais vintage, pq tenho medo de não achar as peças pra substituir caso estrague. aliás, isso já é mais um problema: onde achar alguém de confiança pra consertar o aparelho?
dilemas...

Miguel Andrade disse...

Refer, nem eu. Até como registro do que era a industria fonográfica.

Lembra nos 80 quando artistas daqui enchiam a boca pra falar que o disco havia sido mixado em Los Angeles? E a gente sem entender o que isto realmente significava.

Mahal, tenho medo de comprar algo muito caro e depois encostar. Sei bem como sou.

Pra mim tinha que ser algo simples e barato. Até estas vitrolinhas USB talvez não sejam boa ideia. Pensava que fossem mais em conta...

Leticia disse...

Ainda tenho meu 3 em 1 (super yuppie, anos 80), e guardo tb. uma vitrolinha de piquenique de quando a gente era criança.

Não me desfiz dos LPs. Pelo contrário, quando todo mundo estava encantado pelo CD, acabei pegando o refugo todo. Vários de MPB da boa, novinhos em folha. Isso, mais o que comprei em sebos, mais o lixo da discoteca qdo. eu trabalhava em rádio, mais as coleções dos meus dois avôs, já viu...

Depois de algum tempo consegui guardá-los abrigados num móvel. Não só os LPs, mas o 3 em 1: não dá pra deixar pegando sol, porque as borrachas ressecam.

Quanto às agulhas, posso quase apostar que a lojinha ainda vende: é uma escadaria adaptada, na Quintino Bocaiuva, bem em frente à Barão de Paranapiacaba, na Sé. Mas há de ter outras lojas... Da última vez, comprei um monte de agulhas (são baratas). Assim, tenho estoque pra toda a minha existência.

E toca-discos usados se encontram em sebos como o Messias. Não é difícil mandar consertar, não...

Miguel Andrade disse...

Letícia, comigo aconteceu o mesmo. Povo doido pra se livrar do vinil e eu aceitei.

Mas me desfiz do meu exatamente porque ele foi se perecendo. Caindo aos pedaços.

Chegou um ponto que o prato só girava se levasse um empurrãozinho.

Leticia disse...

Ah, mas isso era só abrir e fazer um pequeno engenho...

Uma vez abri e percebi que a borracha que liga o prato à polia estava frouxa (parecia tudo "10 rotações").

Sem dinheiro e com preguiça, colei um calço na borda do prato, pra retesar a borracha. Foi tentativa e erro até acertar a rotação (utilizei pra teste uma música cujo andamento eu sabia de cor).

Mas, se for do plano, tenta no Messias lá da João Mendes, aquela da esquinha, perto da padaria. Lá tem sempre aparelhos usados...

Miguel Andrade disse...

Letícia, vou olhar! Não lembrava onde ficava esse outro messias que fui uma vez acidentalmente nos 90.

Bem lembrado!

E aquele truque de colocar caixinha de fósforo em cima do braço pra agulha não pular em disco muito sambado? Lembra? Haha!!!

Mahal disse...

acabo de ver que o meu irmão mais velho se apropriou do 3 em 1 daqui de casa, que eu cobicei por anos e a minha mãe não quis deixar colocar no meu quarto. foi-se minha última esperança...cara, irmão mais velho é uma cruz na vida da pessoa, viu?

Leticia disse...

Opa, Miguel! Peso exato pra coisa, sem sobrecarregar e comprometer a velocidade. Uma beleza!

"Conjuminância" de produtos assim, só no tempo em que uma fita-cassete só dava pra voltar com uma caneta bic, sextavada e encaixadíssima naquele diâmetro!

Mahal, vai lá antes que seu irmão joge fora! A essa altura do campeonato ele já concluiu que aquilo é uma tranqueira e se arrependeu.

Miguel Andrade disse...

Mahal, se tivesse ido parar no seu quarto ele não existiria mais! O lá de asa ficou detonado quando convenci a todos de colocá-lo no meu quarto!

Letícia, e como sempre falamos,as coisas realmente duravam mais!

Estou pra jogar fora meu único VHS player com mais de 20 anos. Morreu, tadinho!

DVDplayer já tive uns 4 ou 5 em menos de uma década!

Leticia disse...

Não duram mesmo. É usar e jogar fora, incrível. Impressora é assim tb.

Miguel Andrade disse...

Letícia, tudo tecnológico evolui rápido, menos impressoras? Muito estranho...

Mahal disse...

Por enquanto ele não estragou o pobre 3 em 1. mas colocou umas caixas tão potentes que a casa treme...

Miguel Andrade disse...

Mahal, ah, ele está tunando o bicho! haha!!!

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